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Posts de ferdinandodesousa

Escritor, jornalista, gestor e educador ambiental. Especialista em projetos de comunicação social e de educação ambiental.

ESPECIAL BIOMAS BRASILEIROS: CERRADO

De acordo com informações do Ministério do Meio Ambiente, o Cerrado é o segundo maior bioma da América do Sul, ocupando uma área de 2 milhões de km², ficando atrás da Floresta Amazônica, que ocupa uma área de 5,5 milhões de km² em 9 países (lembrando que 60% da Floresta Amazônica fica em território brasileiro). O Cerrado ocupa cerca de 22% do território nacional.  

Os domínios do Cerrado abrangem áreas nos estados de Goiás, Tocantins, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Bahia, Maranhão, Piauí, Rondônia, Paraná, São Paulo e Distrito Federal, além dos encraves no Amapá, Roraima e Amazonas (que são chamados de Campos Amazônicos), além de pequenos trechos na Bolívia e no Paraguai.  

Neste espaço territorial encontram-se as nascentes de importantes bacias hidrográficas da América do Sul como a Amazônica, Tocantins/Araguaia, Paraguai, Paraná e São Francisco, o que resulta em um elevado potencial aquífero e favorece a sua biodiversidade. O Cerrado abriga três dos maiores e mais importantes aquíferos do país: Bambuí, Urucuia e parte do grandioso aquífero Guarani. 

Quando comparado a Floresta Amazônica e a Mata Atlântica, o Cerrado não impressiona à primeira vista – árvores pequenas e retorcidas, com no máximo 15 metros de altura na região dos campos e com até 25 metros nas matas ciliares, espalhadas em grandes espaços de campos abertos com alguns arbustos. Mas isso é só ilusão: o Cerrado é considerado como uma das áreas de savanas mais ricas em biodiversidade do mundo, com 11.627 espécies de plantas nativas já catalogadas em seus diversos tipos de habitats

Em termos de vida animal, o Cerrado também se destaca: são 199 espécies de mamíferos, 837 espécies de aves, 180 espécies de répteis e 150 espécies de anfíbios. Já foram catalogadas mais de 1.200 espécies de peixes, porém, devido ao encontro de importantes bacias hidrográficas na região, ainda não foi possível se determinar quais espécies são endêmicas do Cerrado. Estimativas recentes mostram que o bioma é refúgio de 13% das borboletas, 35% das abelhas e de 23% dos cupins dos trópicos. 

Os solos do Cerrado são muito antigos e apresentam uma alta porosidade – expostos às chuvas e ao intemperismo ao longo de milhões de anos, esses solos sofreram um processo de lavagem da camada externa pela água, o que diminuiu, em elevado grau, a sua fertilidade ao longo do tempo. Também são solos que apresentam uma elevada acidez e, durante muito tempo, foram considerados inadequados para a agricultura em larga escala.  

As características peculiares dos solos do Cerrado tiveram importantes reflexos na evolução das espécies vegetais do bioma, especialmente na vegetação de maior porte. Essas plantas desenvolveram sistemas de raízes desproporcionalmente maiores e mais longos, perfeitamente adaptados para captar águas em profundidades maiores. 

Como acontece em todo grande bioma, a vegetação do Cerrado é complexa e pode ser dividida em três grupos principais (essa divisão varia conforme o autor). O primeiro grupo são as Florestas, onde a vegetação é dividida em Mata Ciliar, Mata de Galeria, Mata Seca e Cerradão (que é uma savana florestada). As Savanas, onde se encontram as formações Cerrado, os Parques de Cerrado, os Palmeirais e as Veredas. E, por fim, os Campos, que se apresentam com grandes extensões cobertas por Campos Limpos, Campos Sujos e os Campos Rupestres.  

A elevada acidez e a baixa fertilidade dos solos inibiram uma ocupação e uma exploração econômica mais efetiva da região do Cerrado até poucas décadas atrás. Graças a isso o bioma permaneceu praticamente inalterado até meados do século XX. Atividades agrícolas em algumas regiões do Cerrado só começaram a ganhar força a partir da década de 1950, quando tecnologias para a correção dos solos passaram a ser utilizadas. 

As mais conhecidas dessas técnicas são a calagem – correção da acidez mediante a aplicação de calcário, a adubação fosfatada e a adubação potássica. Na década de 1970, a Embrapa – Empresa Brasileira de Pesquisas Agropecuárias, desenvolveu variedades de grãos especialmente adaptados às características do Cerrado, com destaque para a soja

Graças a todas essas tecnologias, o Cerrado foi transformado na mais importante fronteira agropecuária do Brasil dos últimos 50 anos, quebrando recordes de produtividade ano após ano. Atualmente, o bioma já responde por mais de 60% de toda a produção nacional de soja, além de uma expressiva produção de milho, algodão e de carnes. 

Considerando-se a área total já alterada por ocupação e atividades humanas, o Cerrado é, depois da Mata Atlântica, o bioma brasileiro que mais sofreu impactos ambientais. As estimativas indicam que mais de 50% de suas áreas originais de vegetação natural já foram substituídas por campos agrícolas e pastagens para rebanhos.  

Além da supressão da vegetação nativa, o que compromete as nascentes de água, essas atividades pressionam os corpos hídricos captando grandes quantidades de água para uso em irrigação, aonde excedentes voltam para os leitos dos rios contaminados por resíduos de fertilizantes e de agrotóxicos

Sem a proteção da vegetação nativa, grandes volumes de sedimentos dos solos expostos acabam sendo arrastados na direção das calhas dos rios, assoreando e entulhando os canais. Como resultado, bacias hidrográficas importantes como a do rio São Francisco e dos rios Tocantins/Araguaia recebem quantidades de água cada vez menores e com qualidade cada vez mais baixa dos seus antigos tributários do Cerrado. 

E a devastação ambiental no Cerrado não para de crescer. De acordo com dados do SAD Cerrado – Sistema de Alerta de Desmatamento, o desmatamento no bioma cresceu 20% em 2022 quando comparado a 2021. O desmatamento registrado no bioma foi de 815.532 hectares. 

Esse sistema é gerenciado pelo IPAM – Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia, em parceria com a rede MapBiomas e com o LAPIG – Laboratório de Processamento de Imagens e Geoprocessamento, da UFG – Universidade Federal de Goiás, e utiliza imagens de satélite fornecidas pela Agência Espacial Europeia.

A situação do Cerrado é realmente preocupante e merece toda a nossa atenção. 

ESPECIAL BIOMAS BRASILEIROS: AS AGRESSÕES AMBIENTAIS AO PANTANAL MATO-GROSSENSE

O Pantanal Mato-grossense é a maior planície alagada do mundo e uma verdadeira “ilha” de biodiversidade. O bioma reúne fauna e flora da Mata Atlântica, do Cerrado e da Amazônia, espécies que se adaptaram ao ciclo de cheias e de vazantes do Pantanal. 

Como toda boa ilha, o Pantanal Mato-grossense é cercado por todos os lados, não com água, mas sim com o Cerrado, um bioma que vem sofrendo intensamente com o avanço das frentes agrícolas. São justamente os problemas criados no Cerrado que se repercutem dentro do Pantanal Mato-grossense. 

O problema mais evidente é a destruição de nascentes de rios que correm na direção das terras alagadiças do Pantanal. Este problema está ligado diretamente à destruição da vegetação do Cerrado, um tema que já apresentamos em diversas postagens aqui do blog

O Cerrado cobre uma área com aproximadamente 2 milhões de km², abrangendo áreas nos estados de Goiás, Tocantins, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Bahia, Maranhão, Piauí, Rondônia, Paraná, São Paulo e Distrito Federal, além dos encraves florestais (ou manchas de Cerrado) no Amapá, Roraima, Amazonas, e também pequenos trechos na Bolívia e no Paraguai. 

Uma característica marcante do bioma é a grande concentração de nascentes de rios formadores de algumas das mais importantes bacias hidrográficas da América do Sul como a Amazônica, Tocantins/Araguaia, Paraguai, Paraná e São Francisco, o que resulta em um elevado potencial aquífero e favorece a sua biodiversidade.   

O bioma, inclusive, abriga três dos mais importantes aquíferos do país: o Bambuí, o Urucuia e parte do gigantesco aquífero Guarani. Aquíferos são formações ou grupos de formações geológicas constituídas por rochas porosas e permeáveis que permitem o armazenamento de grandes volumes de águas das chuvas – essas águas alimentam as nascentes de rios e também podem ser captadas em poços semiartesianos e artesianos para abastecimento de populações humanas. 

O processo de recarga dos aquíferos e de outros lençóis subterrâneos de água depende da preservação da cobertura vegetal. No Cerrado, onde essas reservas de água são mais profundas, a vegetação passou por diversas adaptações evolutivas e desenvolveu sistemas de raízes maiores e mais profundos. Na temporada das chuvas, são os sistemas de raízes dessas plantas que facilitam a infiltração das águas nos solos profundos. 

Em grandes plantações, onde as terras são tomadas por plantas de raízes muito curtas como a soja e o milho, a água das chuvas não consegue infiltrar adequadamente nos solos, o que prejudica a recarga dos reservatórios subterrâneos de água. Uma das consequências mais diretas disso é uma diminuição do volume de água que brota nas nascentes, especialmente na época da seca. 

Com volumes de água menores correndo na direção das terras baixas do Pantanal Mato-grossense, a vegetação tende a se tornar mais seca e sujeita a ação de queimadas, um problema que tem crescido nos últimos anos. 

De acordo com dados do INPE – Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, a última temporada de seca no Cerrado terminou com o registro de mais de 20 mil queimadas, número superior ao que foi registrado na Amazônia e na Mata Atlântica na mesma temporada – 16.874 e 4.684 focos de incêndios, respectivamente. 

Por estar totalmente cercado por vegetação de Cerrado, o Pantanal Mato-grossense acaba sofrendo com o avanço dessas queimadas. Em 2020, ano em que essas queimadas foram mais intensas, o Pantanal Mato-grossense perdeu uma área de vegetação equivalente a 2.095 km² para as chamas. 

Esse problema não está restrito apenas ao território brasileiro – ele também vem afetando a Bolívia, país vizinho que abriga uma parte do Pantanal, que localmente é conhecido como El Chaco. Cerca de 20% do território boliviano é coberto por vegetação de savana (uma extensão do nosso Cerrado), com destaque para a região de Llanos de Moxos. Assim como no Cerrado brasileiro, as savanas bolivianas vêm assistindo a um forte avanço das frentes agrícolas nas últimas décadas.   

Esse ano, graças a uma excepcional temporada de chuvas que está se encerrando, a área alagada do Pantanal sofreu um incremento de mais de 82 mil hectares. A velocidade de escoamento no Pantanal é tão baixa que as águas de uma chuva, nas cabeceiras do rio Paraguai, poderão levar mais de quatro meses para atravessar toda a planície alagada. Isso é sinal que uma grande área de vegetação estará mais protegida das queimadas durante os próximos meses. 

Essa “relativa” proteção, entretanto, tem hora marcada para acabar. Com a chegada da temporada da seca e com o escoamento gradual das águas, as terras vão ficar secas e a vegetação vai voltar a ficar sujeita a ação do fogo, colocando inúmeras espécies animais e também vegetais em risco. 

Os ciclos de seca cada vez mais intensos no Pantanal Mato-grossense não estão afetando somente a flora e a fauna nativa – os rios que atravessam o bioma também estão sofrendo com as consequências. O caso mais dramático é o do rio Paraguai, o mais importante da região. 

Os baixíssimos níveis do rio Paraguai nas temporadas de seca nos últimos anos vêm criando enormes problemas para a navegação e escoamento da produção regional, especialmente para a Bolívia, país sem fachada oceânica que depende imensamente da hidrovia Paraguai-Paraná para o escoamento de sua produção agrícola. 

Em julho de 2021, citando um exemplo, o nível do rio atingiu a impressionante marca de 70 cm na altura da cidade de Cáceres. Em alguns trechos, a lâmina de água mal passava de 30 cm. Esse foi o mais baixo nível das águas do rio desde 1965.  

Aqui é importante salientar que não basta apenas proteger a vegetação e a fauna nativa que vive dentro dos domínios do bioma Pantanal Mato-grossense – sem a chegada das águas que correm das áreas do Cerrado na direção das terras baixas alagáveis o sistema natural inteiro colapsa. 

O Pantanal Mato-grossense é um caso típico onde é preciso encontrar um ponto de equilíbrio interno e externo. Ou seja – é fundamental proteger a flora e a fauna do bioma, além de preservar os recursos hídricos que vem das áreas de entorno no bioma Cerrado. 

Sem esse equilíbrio, é impossível se falar em preservação do Pantanal Mato-grossense. 

ESPECIAL BIOMAS BRASILEIROS: PANTANAL MATO-GROSSENSE 

Pantanal Mato-grossense é uma das maiores planícies alagáveis do mundo e constitui o segundo menor bioma do Brasil. Em anos de cheias excepcionais a área alagada se aproxima dos 250 mil km², o que equivale a 3% do território brasileiro ou a uma área equivalente ao Estado de São Paulo.    

Esse importante bioma se estende pelo Sudoeste do Estado de Mato Grosso e Oeste do Mato Grosso do Sul, englobando também áreas no Paraguai e na Bolívia – nesses países é conhecido como El Chaco.  A UNESCO – Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura, promoveu o Pantanal Mato-grossense a Patrimônio Natural Mundial e Reserva da Biosfera no ano 2000. 

A flora e a fauna do bioma misturam plantas e animais dos grandes biomas brasileiros: Amazônia, Cerrado e Mata Atlântica, que se adaptaram para o ciclo de vida dessa região. Já foram catalogadas mais de 650 espécies de aves, 80 espécies de mamíferos, 50 espécies de répteis e mais de 260 tipos diferentes de peixes.    

Como vem acontecendo em todos os biomas brasileiros, o Pantanal Mato-grossense também tem seus problemas, felizmente em escala bem menor. De acordo com informações da EMBRAPA – Empresa Brasileira de Pesquisas Agropecuárias, o Pantanal Mato-grossense é o bioma brasileiro mais preservado, com mais de 84% de sua área original ainda intacta, um percentual muito próximo da área preservada da Amazônia brasileira.   

As terras alagáveis do Pantanal Mato-grossense integram uma longa faixa de terrenos baixos que se estendem entre a Amazônia e a Pampa argentina, onde as altitudes raramente ultrapassam uma altitude dos 100 metros acima do nível do mar. Essa faixa de terras está espremida entre a Cordilheira dos Andes, a Oeste, e terrenos altos da faixa Leste do Brasil. 

Durante o longo processo de formação geológica da América do Sul após a sua separação do Supercontinente de Gondwana há cerca de 160 milhões, esses terrenos baixos já ficaram semi submersos no oceano, já acomodaram um grande lago na Amazônia (que depois se transformaria na calha do rio Amazonas) e também um mar interior na região onde encontramos hoje o Pantanal Mato-grossense e os diversos Chacos da Bolívia, Paraguai e Argentina Esse último evento ocorreu logo após o soerguimento da Cordilheira dos Andes há cerca de 40 milhões de anos.   

Ao longo dos últimos milênios, acompanhando as mudanças climáticas naturais, a extensão dos terrenos alagados vem aumentando e diminuindo, sistematicamente. Em décadas mais recentes, desmatamentos para a criação de áreas agrícolas e pastagens para a criação de animais também tem criado importantes impactos no Pantanal Mato-grossense. 

Relembrando um pouco das aulas de história do ensino fundamental, toda a região do Pantanal Mato-grossense e dos diversos chacos da América do Sul ficavam dentro do território da Coroa da Espanha segundo o Tratado de Tordesilhas. Assinado em 1494, entre as coroas de Portugal e da Espanha, esse Tratado dividiu os territórios das Américas entre esses dois países. 

Devido às grandes dificuldades de acesso, a região permaneceu relativamente isolada até o final do século XVII, quando passou a ser frequentada por bandeirantes paulistas. A situação mudou drasticamente quando foram descobertas as minas de ouro em Cuiabá nos primeiros anos do século XVIII. 

Assim como aconteceu na região das Geraes, as notícias sobre a descoberta do ouro atraíram um grande número de aventureiros para o Mato Grosso, especialmente na década de 1720. O principal acesso à região era feito por canoas monçoeiras através dos rios Tietê e a fluentes do rio Paraná até atingir os chamados Campos das Vacarias. Depois, essas expedições seguiam pelos rios Emboteteu (Miranda), Paraguai e Cuiabá. 

Com o rápido esgotamento das minas de ouro e devido ao difícil acesso à região, muitos desses aventureiros acabaram indo embora, fatores que contribuíram muito para o isolamento e a preservação do Pantanal Mato-grossense. Para se ter uma ideia das dificuldades de acesso à região, o melhor e mais fácil meio de comunicação era através da navegação a partir do rio da Prata, entre o Uruguai e a Argentina, subindo depois pelos rios Paraná e Paraguai. 

O isolamento da região da região só começaria a mudar no início do século XX com a chegada da Estrada de Ferro Noroeste do Brasil à cidade de Porto Esperança, no território do atual Estado de Mato Grosso do Sul. As obras foram iniciadas em 1905 na cidade de Bauru, interior do Estado de São Paulo, e concluídas em 1914. Outro marco para a efetiva ocupação da região foi a criação da Companhia de Viação São Paulo – Mato Grosso em 1942. 

Para a grande maioria dos brasileiros, entretanto, o Pantanal Mato-grossense só passaria a ser conhecido na década de 1970, quando inúmeras reportagens de equipes de televisão passaram a dar destaque à caça indiscriminada do jacarés-do-pantanal (Caiman yacare). A espécie foi impiedosamente caçada por coureiros brasileiros, bolivianos e paraguaios entre as décadas de 1970 e 1980, quase levando a espécie para o caminho da extinção. Calcula-se que 5 milhões de jacarés foram mortos ilegalmente ao longo de uma década.   

Para a sorte dos jacarés e crocodilos de todo o mundo, esse tipo de couro saiu de moda no final da década de 1980, o que reduziu imensamente a demanda e, consequentemente, a caça ilegal. Movimentos ambientalistas e de proteção à vida animal começaram a ganhar força em todo o mundo, impondo forte pressão na indústria da moda e lutando bravamente contra o uso de peles de animais no vestuário, o que também ajudou a salvar inúmeras outras espécies que vinham sendo caçadas por causa dos seus couros e peles.   

Essa triste fase da história do bioma, felizmente, contribuiu muito para a sua popularização junto ao grande público, o que acabou ajudando a conscientizar muitos sobre a importância da sua conservação. Diferentemente da Mata Atlântica, que teve a maior parte de sua área devastada ao longo de nossa história. O Pantanal Mato-grossense tem tudo para continuar sendo um paraíso das águas e da vida. 

ESPECIAL BIOMAS BRASILEIROS: A DEGRADAÇÃO DOS PAMPAS

Os Pampas ou Campos Sulinos ocupam uma área com aproximadamente 176 mil km² no extremo Sul do Brasil, formando o menor bioma brasileiro. Esse bioma atravessa fronteiras, ocupando praticamente todo o território do Uruguai e cerca de ¼ do território da Argentina. Nesses países o bioma é conhecido como La Pampa

A palavra pampa é de origem indígena e significa planície. Seus terrenos são suavemente ondulados, formando elevações chatas na forma de tabuleiros – as coxilhas. A vegetação mais abundante é a de gramíneas, intercaladas por pequenos bosques e capões esparsos. Esses terrenos recebem bons volumes de chuvas nos verões e abrigam numerosos rios e riachos, conhecidos na região Sul como arroios. 

Os terrenos são bastante arenosos, sendo cobertos por uma fina camada de terra de excepcional fertilidade. No Brasil, os pampas sempre foram sinônimo de boas pastagens para a criação de gado, atividade econômica principal do Rio Grande do Sul por mais de 300 anos. Desde meados do século XIX que a agricultura passou a ganhar espaço na economia local, iniciando uma série de problemas ambientais no bioma. 

Um marco na agricultura gaúcha foi a implantação da cultura da soja na década de 1920. O clima subtropical do extremo Sul brasileiro é semelhante ao clima temperado de regiões do Hemisfério Norte onde a soja se desenvolvia bem. O avanço da cultura da soja foi acompanhado do forte crescimento das culturas do trigo, milho e arroz, transformado o Rio Grande do Sul num dos celeiros de grãos do país. 

O avanço das frentes agrícolas, entretanto, passou a expor, de forma cada vez mais acentuada, a fragilidade dos solos do bioma. Já na década de 1960, os agricultores gaúchos passaram a observar o surgimento de grandes manchas de areia em suas propriedades. Essas manchas não apresentavam vegetação e sofriam fortemente com a erosão nos períodos das chuvas. Muito afirmavam há época se tratar de processos de desertificação. 

No final da década de 1980, pesquisadores gaúchos alteraram a denominação para arenização, afirmando que os grandes volumes de chuvas que caem sobre a região tornam inadequado o uso do termo desertificação. Esses processos atingem hoje um total de 10 municípios gaúchos: Alegrete, Cacequi, Itaqui, Maçambara, Manoel Viana, Quaraí, Rosário do Sul, São Borja, São Francisco de Assis e Unistalda.  

Além da destruição dos campos, essa arenização vem afetando importantes cursos d’água da região. As fortes enxurradas nos períodos das chuvas carreiam grandes volumes de areia para a calha dos rios, um problema que se reflete cada vez mais em problemas para o abastecimento de cidades e também na captação da água por sistemas de irrigação de lavouras agrícolas. Em muitas áreas o problema não para de crescer.  

Essas regiões apresentam como característica dominante uma fina camada de solo fértil sobre uma camada espessa de solos extremamente arenosos, assentadas sobre os granitos da formação Botucatu. Com a superexploração dos solos pela pecuária e, em décadas mais recentes, pela produção de grãos, essa fina camada de solo fértil acabou sendo destruída pela erosão e a camada de solo arenoso foi exposta.  

Esses solos, que são extremamente frágeis, passaram a apresentar grandes voçorocas ou fendas, chamadas de ravinas no Sul. Além da erosão causada pelas chuvas, esses solos arenosos também são erodidos pelos ventos, que espalham as areias por grandes extensões de campos, aumentando assim as áreas em processo de arenização.  

Uma estratégia que foi usada como uma tentativa de conter o crescimento desse fenômeno foi cercar as áreas com plantações de eucaliptos e pinus. Apesar do relativo sucesso dessa medida, a produção dessas madeiras na região esbarra na grande distância em relação às fábricas que utilizam essa matéria prima, o que implica em grandes custos de logística para o transporte.  

Muitos pesquisadores afirmam que a arenização dos Pampas pode surgir independentemente do tipo de uso que se dá aos solos, porém, são unanimes em afirmar que a pecuária e a agricultura intensificam esse processo. Existem diversos estudos em andamento buscando entender a dinâmica da arenização e as melhores alternativas para combater os seus efeitos.  

De acordo com os números mais recentes, as áreas em processo de arenização no Sudoeste do Rio Grande do Sul somam mais de 130 mil hectares. Parte dessas áreas ainda são cobertas com algum tipo de vegetação, mas, pelo menos, 20 mil hectares são totalmente descobertos, ou seja, despidos de qualquer tipo de vegetação.  

Outro problema ambiental importante da região é a destruição dos banhados, um ecossistema típico do Extremo Sul do Brasil. Os banhados são ricos em vida e podem ser comparados aos bancos de corais dos oceanos. Funcionando como uma espécie de “esponja natural”, as áreas de banhados acumulam grandes volumes de água nos períodos de chuva, auxiliando inclusive no controle das cheias dos rios; nos períodos de seca, fornecem água para as lagoas, garantido a sobrevivência de um sem-número de espécies animais e vegetais.  

Existem aproximadamente 600 espécies de aves identificadas no Rio Grande do Sul, das quais, aproximadamente 1/3 utilizam as áreas de banhados em algum momento de suas vidas. Cerca de 100 espécies de aves, de espécies nativas e migratórias, utilizam as áreas de banhado para nidificar. Também são inúmeras as espécies de peixes, mamíferos, répteis, anfíbios, crustáceos e insetos que tem como habitat as áreas de banhado.   

Essa pujança da vida animal está ligada à grande disponibilidade de alimentos nos banhados. Seus solos úmidos são ricos em matéria orgânica, resultante da decomposição dos juncos e gramíneas – essa excepcional fertilidade dos solos também tornou essas áreas em alvo para a expansão das fronteiras agrícolas, especialmente para o plantio do arroz. 

Um exemplo é o Banhado Grande, a região que concentra as nascentes do rio Gravataí. Esse banhado vem sendo ocupada por grandes extensões de cultivos agrícolas, especialmente arroz, desde a década de 1940. Inicialmente, os produtores passaram a abrir redes de canais para a irrigação de suas plantações – esses canais passaram a funcionar como drenos, reduzindo gradativamente as áreas encharcadas e aumentando as áreas agricultáveis, que avançaram sem controle contra as terras dos banhados.   

Esses problemas colocam o bioma Pampa na segunda posição entre os mais devastados do Brasil, só ficando atrás da Mata Atlântica. Ou seja – não é preciso ser grande em termos de área para ser um dos campeões em destruição ambiental. 

ESPECIAL BIOMAS BRASILEIROS: PAMPAS 

Os Pampas ou Campos Sulinos formam um bioma brasileiro exclusivo do Rio Grande do Sul. O bioma atravessa as fronteiras e se estende por todo o Uruguai e por grande parte da Argentina. Nesses países o bioma é conhecido como La Pampa

A área total dos Pampas/La Pampa é de 750 mil km². No Brasil, os Pampas ocupam uma área de aproximadamente 176 mil km², 178 mil km² no Uruguai e de pouco menos de 400 mil km² na Argentina. Alguns autores incluem no bioma a região do Espinhal e o Delta do Rio Paraná, ambas na Argentina, o que aumenta a área para pouco mais de 1 milhão de km². 

A palavra pampa é de origem aimará e quéchua, línguas usadas por diversos grupos indígenas que se espalham pelo Peru, Bolívia, Peru, Equador, Colômbia, Chile e Argentina, significando “planície”, palavra que expressa bem a principal característica do bioma. 

De uma forma geral, os Pampas se caracterizam por terras onduladas com cerros, pequenas elevações em forma de tabuleiro. Normalmente, esses terrenos são bem servidos de chuvas, onde crescem gramíneas e arbustos de diferentes espécies intercaladas por pequenos bosques e capões esparsos. Costumam abrigar numerosos riachos e pequenos rios, mais conhecidos na região como arroios, além de formar pequenas lagoas entre os cerros no período das chuvas. 

No Rio Grande do Sul, os Pampas ocupam cerca de 2/3 do território do Estado. Isso corresponde a apenas 2% do território brasileiro, o que lhe dá o título de menor bioma do país. O bioma Pampa ocupa praticamente todo o território do Uruguai e as províncias argentinas de Buenos Aires, La Pampa, Santa Fé, Córdoba, Entre Rios e Corrientes

Em tempos geológicos distantes, toda a região hoje ocupada pela Pampa/Pampas era um grande deserto de areias – esse deserto se entendia por grande parte das regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste do Brasil. Após o início do longo processo de fragmentação do antigo Supercontinente de Gondwana, teve início um período de intensa atividade vulcânica nessa região, conhecido como Derrame de Trapp.   

Durante esse evento, enormes volumes de lava vulcânica foram derramados sobre esse solo de areias, formando uma grossa camada de rochas graníticas. Uma das consequências desse processo foi a formação do Aquífero Guarani, um dos maiores reservatórios subterrâneos de água doce do mundo.   

Processos erosivos ao longo de milhões de anos cobriram essa camada de rochas graníticas com camadas de solos altamente arenosos e também com uma fina camada de solo fértil. Apesar de muito frágeis e suscetíveis a processos erosivos, os solos desse bioma são extremamente férteis para a produção agrícola e altamente produtivos para a pecuária. 

Na Argentina, em particular, os solos da Pampa ocupam cerca de 25% do território e concentram a maior parte da produção de grãos do país. Foi graças a alta produtividade desse bioma, especialmente do trigo, que o país entrou no século XX como uma das nações mais ricas do mundo, condição que ela manteve até o final de década de 1920. 

A vegetação do bioma Pampa é caracterizada pela grande presença de gramíneas e plantas rasteiras, e em menor quantidade de árvores e arbustos encontrados principalmente nas áreas de entorno dos cursos d’água e lagoas. De acordo com dados da Embrapa – Empresa Brasileira de Pesquisas Agropecuárias, já foram catalogadas cerca de 3 mil espécies de plantas vasculares no trecho brasileiro do bioma, sendo que aproximadamente 450 dessas espécies são gramíneas, 150 leguminosas, 70 cactáceas e 100 espécies de árvores. 

No inventário da fauna dentro do Brasil já foram identificadas 102 espécies de mamíferos, 476 espécies de aves, 50 espécies de peixes, 97 répteis e 50 anfíbios. Esses números são surpreendentes para um bioma que aparenta possuir uma biodiversidade muito menor que a Mata Atlântica e a Floresta Amazônica.  

Uma característica marcante do bioma são as queimadas naturais que acontecem no período da seca, um fenômeno muito parecido com o que ocorre nas áreas do Cerrado. São essas queimadas, além das características dos solos, uma das principais responsáveis pela manutenção de uma vegetação mais rasteira no bioma. 

Entre os biomas brasileiros, os Pampas ocupam atualmente a primeira posição no quesito degradação e perda de áreas naturais.  De acordo com dados de monitoramento ambiental do INPE – Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, de 2018, o bioma já perdeu 52,7% de sua vegetação nativa. As paisagens que num passado não tão distante eram cobertas por gramíneas, hoje intercalam campos de arroz e de soja, além de florestas comerciais de eucalipto e pinus.  

Durante mais de 300 anos, a pecuária extensiva foi a principal atividade econômica no bioma. Essa atividade começou nas antigas missões dos Sacerdotes Jesuítas Espanhóis, lembrando que todo o Rio Grande do Sul pertencia à Coroa da Espanha por conta do Tratado de Tordesilhas assinado em 1494. A região foi incorporada oficialmente ao território brasileiro após a assinatura do Tratado de Santo Idelfonso em 1777, que repactuou os territórios de Portugal e Espanha na América do Sul. 

Desde meados do século XIX, o Rio Grande do Sul passou a receber sucessivas levas de imigrantes, vindos especialmente da Europa. Isso fez a agricultura ganhar cada vez mais espaço na economia do Estado. Essa atividade ganharia um grande impulso na década de 1920 com a introdução da cultura da soja e de grãos como o arroz e o milho, o que colocou os Rio Grande do Sul na posição de um dos grandes celeiros agrícolas do país. 

A expansão dos campos agrícolas foi avançando pouco a pouco sobre as áreas dos Pampas, em especial nas áreas úmidas dos banhados, ideais para o cultivo do arroz. Essa expansão também atingiu fortemente o bioma Mata Atlântica, representado na região pela Mata das Araucárias., 

A pujança das atividades agrícolas e pecuárias no Rio Grande do Sul começou a mostrar os seus impactos ambientais mais fortes já na década de 1960, quando passaram a ser observadas grandes manchas de areia em solos dos Pampas em municípios do Sudoeste gaúcho próximos da fronteira com o Uruguai e Argentina. Essas manchas de areia eram praticamente despidas de vegetação e passaram a sofrer fortemente com processos erosivos nos períodos de chuva. Desde então, muitos sinais de alerta vem sendo acionados, porém, com poucos resultados.

Apesar de ser um bioma “pequeno”, os Pampas necessitam de grandes cuidados.

ESPECIAL BIOMAS BRASILEIROS – A MATA ATLÂNTICA E SUAS PECULIARIDADES 

Seguindo o senso comum, a maioria das pessoas costuma imaginar uma floresta como um grande tapete verde, onde o mesmo tipo de vegetação cobre uma grande área. Na vida real, entretanto as coisas são “um pouco diferentes” disso. 

A melhor imagem para definir uma floresta é uma colcha de retalhos, um tipo de trabalho de artesanato que atualmente é mais conhecido pela expressão em inglês patchwork. Pequenas manchas com diferentes tipos de vegetação crescem lado a lado dando a impressão de se tratar de uma única formação vegetal. 

A Mata Atlântica, a exemplo de qualquer outra grande floresta do mundo, segue exatamente essa “receita de bolo”. Vamos tentar resumir: 

Antes de qualquer coisa, é preciso entender o tamanho desse bioma. Se qualquer um dos leitores verificar os antigos domínios da Mata Atlântica, vai observar que ela se entende desde o Norte do Rio Grande do Sul até o Rio Grande do Norte, cobrindo uma distância de mais de 4 mil km. 

Na direção do interior do continente, a Mata Atlântica atinge áreas do Sul dos Estados do Mato Grosso do Sul e Goiás, do Leste do Paraguai e do Nordeste da Argentina. Dependendo do ponto de referência adotado no litoral das Regiões Sudeste e Sul, essa distância poderá cobrir até 1 mil km. 

Dentro de uma área geográfica deste tamanho é natural que existam climas diferentes. Na Região Sul e no Sul do Estado de São Paulo o clima é subtropical, muito parecido com o clima temperado de altas latitudes. Nas regiões serranas da Região Sudeste o clima predominante é o tropical de altitude. 

Na faixa costeira, entre o litoral do Paraná e o do Rio Grande do Norte o clima é definido como tropical atlântico. A temperatura média é elevada – por volta de 25 °C. As chuvas são regulares e bem distribuídas, sendo mais intensas no Sul e no Sudeste durante o verão e no Nordeste, durante o inverno. 

Por fim, as áreas interioranas da Região Nordeste e a maior parte da Região Centro-Oeste tem o clima tropical como predominante. Todas essas diferenças nos padrões de temperatura e dos ciclos de chuva se refletem em vegetações com características diferentes. 

Também existem diferenças marcantes nos tipos de solos. Na Região Sul, e em partes das Regiões Sudeste e Centro-Oeste, além de partes da Argentina e do Paraguai, é comum a existência de solos de origem vulcânica – os famosos solos de terra roxa. Esses solos possuem uma fertilidade excepcional. 

Já no litoral da Região Nordeste os solos de massapê predominam. São terras escuras e férteis com elevados volumes de argila e granito em sua composição. Esses solos devem sua fertilidade ao grande volume de matéria orgânica presente em sua composição. Entre suas principais características se destacam a alta capacidade de retenção de água e uma textura fina e homogênea. 

Essas diferenças de clima, tipos de solos e também de altitude possibilitaram uma grande diversificação das espécies vegetais e, consequentemente, da vida animal da Mata Atlântica. Um exemplo é a Mata das Araucárias, um subsistema vegetal encontrado no trecho Sul do bioma. Também é conhecida como Floresta Ombrófila Mista. 

A árvore símbolo dessa mata é a araucária (Araucaria angustifolia), conhecida popularmente como pinheiro-do-Paraná. É uma espécie adaptada para regiões de clima subtropical, com temperaturas mais baixas nos invernos, encontradas comumente nos planaltos da região Sul do Brasil, especialmente nos Estados do Paraná e de Santa Catarina, Norte do Rio Grande do Sul e também nas regiões serranas de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. 

Outro subsistema florestal importante da Mata Atlântica é a Floresta Ombrófila Densa, também conhecida como floresta tropical pluvial e mata de tabuleiro. Essa vegetação é caracterizada por apresentar folhas sempre verdes (perenifólia), com dossel de até 50 metros de altura e com árvores emergentes de até 40 metros. Se estende por toda a faixa Leste e Nordeste desde o Rio de Janeiro até o Rio Grande do Norte, além de ser encontrada em fragmentos no interior do Ceará. 

Também é importante citarmos aqui a Floresta Estacional Semidecidual ou Mata Atlântica do Interior. Essa formação se espreme entre as matas chuvosas do litoral e o Cerrado, em regiões mais centrais do país. Essas regiões se caracterizam por possuir uma estação chuvosa seguida por um período de estiagem, características que levaram a vegetação a desenvolver adaptações especiais em sua fisiologia. 

Além dessas formações florestais mais extensas, a Mata Atlântica inclui uma série de subsistemas florestais menores. A lista inclui, entre outros: Floresta Estacional Decidual, Florestas Montana e Altamontana (localizada em áreas com altitudes entre 500 e 1.200 metros), Floresta Ombrófila Aberta, também chamadas de Matas Secas, manguezais, restingas, brejos, campos de altitude ou campos rupestres, entre outros. 

A complexidade florestal da Mata Atlântica não termina aí – existem importantes áreas de transição entre os biomas, onde a vegetação tem características próprias. Citando um único exemplo – o Agreste Nordestino, uma faixa de transição que mistura característica da floresta úmida do litoral com a vegetação típica do Semiárido. 

Uma outra forma de caracterizar a Mata Atlântica é sua divisão por ecorregiões. A organização ambiental WWF – Fundo Mundial para a Natureza, na sigla em inglês, citando um exemplo, divide o bioma em 15 ecorregiões: Floresta do Alto Paraná, Floresta de Araucárias, Restingas, Florestas Costeiras da Bahia, Florestas do Interior da Bahia, Brejos de Altitude, Florestas Costeiras de Pernambuco, Florestas do Interior de Pernambuco e Florestas da Serra do Mar. Essas são as florestas tropicais e subtropicais úmidas. 

No tópico florestas tropicais e subtropicais secas entram as Florestas Secas da Mata Atlântica. Nos manguezais temos os Mangues da Bahia, Mangues da Ilha Grande, Mangues do Rio Piranhas e Mangues do Rio São Francisco. Finalizando, a lista inclui os Campos Rupestres. 

Como fica bem evidente no texto, a Mata Atlântica é na verdade um imenso quebra-cabeças, com cada uma das peças representando um tipo de vegetação com características bem particulares. Preservar e recuperar esse imenso bioma requer ações diferentes e bem regionalizadas, além de muita pesquisa científica e grande vontade política. 

PS: Dependendo da fonte de consulta e/ou do autor, o leitor poderá encontrar classificações diferentes das citadas no texto

ESPECIAL BIOMAS BRASILEIROS – MATA ATLÂNTICA 

A Amazônia é, sem dúvida, o pedaço do território brasileiro mais conhecido no mundo, perdendo talvez para a mítica Ipanema, a praia da cidade do Rio de Janeiro imortalizada na canção de Tom Jobim e Vinícius de Moraes.  

Os problemas dessa “fama” já começam por aqui – cerca de 60% da Amazônia fica dentro do território brasileiro; o restante dessa imensa área se divide nos países vizinhos: Bolívia, Peru, Equador, Colômbia, Venezuela, Guiana, Suriname e Guiana Francesa. 

A Amazônia será foco de uma outra postagem dessa série. Ela foi citada aqui por ser repetidamente citada na mídia internacional por sua suposta destruição acelerada por desmatamentos e queimadas, agressões que ameaçam o “pulmão do mundo”. Existem inúmeros problemas sim, mas, a Amazônia não é o pulmão do mundo nem o bioma brasileiro mais ameaçado – esse triste título cabe a Mata Atlântica. 

A Mata Atlântica era, originalmente, um grande complexo florestal contínuo que ocupava toda a faixa litorânea da costa brasileira desde o Rio Grande do Sul até o Rio Grande do Norte. Em alguns trechos, a floresta entrava pelo interior do território e chegava a regiões do Norte da Argentina e Oeste do Paraguai. De acordo com as estimativas, a Mata Atlântica ocupava originalmente uma área com cerca de 1,3 milhão de km², o que corresponde a aproximadamente 15% do território brasileiro.   

Na Região Sul do País, a Mata Atlântica cobria o terço Norte do Rio Grande do Sul e praticamente todo o território dos Estados de Santa Catarina e Paraná. Na Região Sudeste, o bioma ocupava praticamente todo o território dos Estados do Rio de Janeiro e Espírito Santo, a faixa Leste e Sul de Minas Gerais e cerca de 2/3 do território de São Paulo. 

Na Região Nordeste, o bioma se estendia ao longo da faixa litorânea com largura média entre 60 e 80 km nos Estados da Bahia, Sergipe, Alagoas, Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte. Manchas de Mata Atlântica se espalhavam também pelo interior da Bahia, do Ceará e do Piauí. 

Na Região Centro-Oeste, a Mata Atlântica ocupava a faixa Sul do Mato Grosso do Sul. Aliás, é importante citar que o nome original do Estado surgiu como uma referência a essa densa floresta, lembrando que a maior parte do antigo território de Mato Grosso é coberto pelo bioma Cerrado. O Sul do Estado de Goiás possuía uma longa faixa dessa floresta. 

O bioma ultrapassava as fronteiras do Brasil e chegava até o Leste do Paraguai, onde ocupava uma área de pouco mais de 100 mil km² e, também, o Nordeste da Argentina onde fica a Província de Missiones. 

O leitor deve ter observado que os verbos foram usados sempre no tempo passado – a depender da fonte consultada, algo entre 80% e 90% da área original do bioma já desapareceu, dando lugar a campos agrícolas e pastagens para o gado. A Mata Atlântica é, de longe, o mais devastado e ameaçado bioma brasileiro. 

Existem várias explicações para essa verdadeira hecatombe ambiental – a principal delas é que toda a colonização e exploração econômica do nosso país se concentrou numa faixa litorânea de, no máximo, 300 km do litoral até meados do século XX. Ou seja – nosso país nasceu e cresceu dentro dos domínios da Mata Atlântica. 

A primeira exploração econômica de nossas riquezas naturais, lembrando das aulas do ensino fundamental, foi a exploração do pau-brasil, supostamente a origem do nome do nosso país. De acordo com algumas fontes, foram derrubadas mais de 70 milhões de árvores entre o início do século XVI e meados do século XIX.   

O Ciclo do Açúcar, que foi a principal riqueza econômica do país entre os séculos XVI e XVIII, se desenvolveu quase que totalmente dentro dos domínios da Mata Atlântica, principalmente na faixa litorânea entre o Sul da Bahia e o Rio Grande do Norte, além de trechos dos litorais do Espírito Santo, Rio de Janeiro e de São Paulo. Em escala muito menor também em alguns trechos do litoral da Região Norte. 

A exceção de uma faixa de mata remanescente no Sul da Bahia, território dos temidos índios botocudos, a produção do açúcar praticamente dizimou a Mata Atlântica no Nordeste. Os imensos coqueirais que hoje encontramos em todo o trecho nordestino do litoral brasileiro ocuparam involuntariamente os antigos domínios da Mata Atlântica na região. O coco, só para lembrar, é originário das regiões do Indo-Pacífico e foi trazido ao Brasil por navios mercantes vindos da Índia.   

Na Região Sudeste, a grande floresta sucumbiu diante da mineração em Minas Gerais a partir do século XVIII, e do café a partir do início do século XIX. Começando pela exploração do ouro e depois pela produção de ferro e aço em grandes volumes, a madeira das árvores da Mata Atlântica se transformou no carvão que ardia nos altos-fornos

Diante do avanço dos cafezais, essa destruição se deu em várias frentes ao longo dos anos. O café é uma planta exigente quanto a temperatura e qualidade dos solos. As terras virgens das matas cediam lugar aos cafezais que, em poucos anos, perdiam a fertilidade, exigindo a abertura de novas áreas de produção. 

A cafeicultura teve início no Sul do Espírito Santo, passando depois para o Rio de Janeiro e Leste Minas Gerias. A partir de meados do século XIX, os cafezais entraram pelo Vale do Paraíba, no Leste de São Paulo, e foram gradualmente avançando na direção do Oeste Paulista e Norte do Paraná, aonde chegou perto da virada do século XX. 

Ao longo do século XX, a devastação da Mata Atlântica foi mais intensa nos Estados da Região Sul. No ínício, essa devastação foi impulsionada pela exploração da Mata das Araucárias, árvore que produz o valioso pinho, uma madeira que ganhou bastante notoriedade no mercado internacional a partir da I Guerra Mundial. A partir de então, os remanescentes da Mata Atlântica passaram a dar espaço para imensos campos agrícolas para a produção de grãos e pastagens para o gado.  

Como resultado dessa contínua e sistemática destruição, a Mata Atlântica se restringe atualmente a um sem número de fragmentos isolados em diferentes regiões do país. Muitos desses fragmentos se encontram em áreas de difícil acesso como na Serra do Mar entre o Paraná e o Rio de Janeiro.  

Se o acesso a essas área fosse fácil, a Mata Atlântica já teria sumido do mapa há muito tempo…

SEGUNDO PESQUISA, 36% DOS JOVENS BRASILEIROS NÃO SABEM EM QUAL BIOMA VIVEM 

No último dia 4 de abril, foram divulgados os dados de um levantamento intitulado JUMA – Juventude, Meio Ambiente e Mudanças Climáticas. Esse trabalho foi realizado pelas redes Em Movimento e Conhecimento Social, em parceria com as organizações Engajamundo, Instituto Ayíka e GT de Juventude do movimento Uma Concertação pela Amazônia. 

Foram ouvidas 5.150 pessoas entre 15 e 29 anos em todo o Brasil, pertencentes a todas as classes sociais e com diferentes níveis de escolaridade. O objetivo desse estudo foi avaliar a percepção e o conhecimento dos jovens brasileiros sobre os problemas ambientais e as mudanças climáticas. 

Um detalhe curioso do grupo pesquisado foi o nível de escolaridade: 4 em cada 10 pesquisados tinha curso superior completo ou pós-graduação, enquanto 30% ainda estava estudando. Em princípio, os pesquisadores imaginaram que esse nível de escolaridade implicaria em um maior conhecimento de questões ambientais. 

Ledo engano. 

Um dos dados mais curiosos levantados pela pesquisa foi a falta de conhecimento dos biomas brasileiros pelos jovens – 36% não souberam identificar o bioma em que vivem. Esse desconhecimento foi maior entre jovens que vivem nas Regiões Sul e Sudeste, onde o bioma Mata Atlântica é predominante. 

Entre as “confusões” mais comuns encontradas, muitos jovens que vivem nas Regiões Sul e Sudeste acreditam que vivem na Amazônia ou na Caatinga, enquanto muitos jovens que vivem no Semiárido Nordestino acreditam viver nos Pampas. 

Ao mesmo tempo em que o desconhecimento sobre os biomas brasileiros ficou evidente, a pesquisa constatou que a temática ambiental é o terceiro assunto que mais desperta interesse entre os jovens. O primeiro assunto é a qualidade na educação, seguida pelos direitos das mulheres. 

Dentro do cenário nacional, a temática ambiental ficou em sexto lugar numa ordem de relevância. A escala de prioridades em ordem decrescente inclui a educação, o combate à corrupção, a segurança, a economia, trabalho e renda. As questões ambientais preocupam “totalmente” 50% dos jovens e 40% “mais ou menos”. 

Um dado curioso apurado no estudo: jovens que vivem na Amazônia foram os que se mostraram menos preocupados com as questões ambientais quando comparados aos que vivem em outros biomas. Por ordem decrescente, os jovens que vivem nos Pampas são os mais preocupados com questões ambientais – 95%; seguidos pelos que vivem na Mata Atlântica – 93%, no Cerrado – 92%, na Caatinga – 91% e no Pantanal – 89%. Na Amazônia, essa é uma preocupação de 88% dos entrevistados. 

A pesquisa também buscou determinar o nível de conhecimento das principais questões ambientais e climáticas da atualidade. Aquecimento global e mudanças climáticas são os temas mais conhecidos, sendo citados por 70% dos entrevistados. Já os temas emissões de carbono, crise climática, racismo ambiental e justiça climática foram citados por menos de 50% dos entrevistados. 

A pesquisa também apurou que 80% dos jovens acreditam que a criação de reservas ambientais ajuda a diminuir os efeitos das mudanças climáticas, 61% defendem investimentos em fontes de energia renovável e limpas, 37% defendem um aumento nas áreas de preservação ambiental e 37% acreditam que os investimentos em ciência, pesquisa e tecnologias devem ser prioritários. 

Esses resultados “interessantes” merecem algumas considerações iniciais. O trabalho foi desenvolvido por organizações do chamado Terceiro Setor, onde a ideologia muitas vezes supera a ciência. Também seria importante conhecer em detalhes a metodologia usada na pesquisa – afirmar que um grupo acredita “mais ou menos” em alguma coisa é subjetivo demais. 

Apesar desses pequenos “detalhes”, são resultados que devem ser avaliados com bastante atenção e que podem estar corretos. Dentro da minha percepção individual, venho notando que os mais jovens leem cada vez menos e, muito pior, parecem entender cada vez menos o que leem. 

Com o advento da internet e das redes sociais, as notícias divulgadas são cada vez mais curtas e superficiais. Notícias que antes precisavam de uma ou duas laudas de texto para serem mostradas aos leitores das mídias tradicionais, agora são resumidas em poucas linhas para os usuários dos smartphones, que percorrem rapidamente as telas nos transportes coletivos ou nos intervalos do trabalho. Vídeos com duração de poucos segundos tentar explicar assuntos que tomariam várias horas. 

Esse público ouve diversas vezes expressões chaves com mudanças climáticas, aquecimento global ou queimadas na Amazônia, “chavões que fazem parte dos títulos dos vídeos e das notícias divulgadas. Porém, são poucos os que realmente conseguem entender o significado real de cada uma dessas questões ambientais. 

A questão também envolve a péssima qualidade do ensino aqui em nosso país. Conhecimentos sobre biomas brasileiros deveriam fazer parte do currículo escolar básico de geografia de qualquer curso do ensino fundamental. Algumas escolas, inclusive, têm criado matérias específicas para tratar de meio ambiente – conhecer os diferentes biomas do país seria, na minha humilde opinião, o básico do básico. 

No geral, minha percepção me diz que “muito marmanjo” mundo a fora compartilha da mesma falta de conhecimento dos mais jovens ouvidos por essa pesquisa. A insistência na repetição de questões como as queimadas na Amazonia e a “destruição do pulmão do mundo” mostram que o desconhecimento pode ser muito maior e mais generalizado do que se imagina. 

Este blog, que sempre prima pela qualidade da educação ambiental, é normalmente extremamente repetitivo em muitas questões. Sempre que um novo tema é mostrado nas postagens, o texto sempre procura apresentar todas as informações já publicadas anteriormente, buscando dar ao leitor uma visão completa da questão. 

E, como sempre estamos dispostos a aprender com qualquer pesquisa publicada, vamos preparar uma série de postagens falando sobre os diferentes biomas brasileiros e, assim, poder ajudar muitos desses jovens na sua jornada pelo conhecimento. 

ESPECIAL GUARAPIRANGA: A INVASÃO

Com o forte processo de industrialização da Região Metropolitana de São Paulo a partir da década de 1940, centenas de milhares de trabalhadores de outras regiões do país migraram para a “cidade grande”. Entre outras necessidades, toda essa população precisava de um teto para chamar de seu.

Começou aí o intenso processo de ocupação desordenada das áreas de mananciais da Represa Guarapiranga.

AS BOAS CHUVAS E A CHEIA NO PANTANAL MATO-GROSSENSE 

O Pantanal Mato-grossense é uma das maiores planícies alagáveis do mundo – em anos de cheias excepcionais, a área alagada se aproxima dos 250 mil km², o que equivale a 3% do território brasileiro ou a uma área equivalente ao Estado de São Paulo.  

Esse imenso “território das águas” se estende pelo Sudoeste do Estado de Mato Grosso e Oeste do Mato Grosso do Sul, englobando também áreas no Paraguai e na Bolívia – nesses países é conhecido como El Chaco. Pela sua importância ecológica, a região foi promovida a Patrimônio Natural Mundial e Reserva da Biosfera pela UNESCO – Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura.   

Um estudo recente elaborado pelo Projeto MapBiomas, uma iniciativa do Observatório do Clima em parceria com universidades, empresas de tecnologia e ONGs – Organizações Não Governamentais, mostra que o Pantanal Mato-grossense apresentou uma grande recuperação de sua área alagada em 2022, um processo que foi potencializado pelas boas chuvas da atual temporada. 

Segundo esse estudo, a área alagada do Pantanal sofreu um incremento de mais de 82 mil hectares em 2022. Esse ótimo resultado veio na sequência de um dos piores resultados da história do bioma – em 2021, o Pantanal Mato-grossense apresentou uma área total alagada de apenas 474 mil hectares, a menor dos últimos 37 anos.   

Esses números são bem animadores, lembrando que em 2020, toda a região sofreu com uma fortíssima seca e foi assolada com grandes queimadas. Porém, infelizmente sempre existe um, porém: a área alagada do bioma superou a marca de 1,5 mil hectares em 1985, o que mostra que ainda falta muito para uma recuperação ambiental completa. 

As paisagens das terras baixas do Pantanal Mato-grossense estão constantemente mudando, ora se apresentando cobertas por águas, ora secando quase que completamente. As características únicas desse bioma misturam plantas e animais dos grandes biomas brasileiros: Amazônia, Cerrado e Mata Atlântica, que se adaptaram para o ciclo de vida dessa região. 

O território do Pantanal tem altitudes médias da ordem de 100 metros, uma baixíssima declividade, uma alta pluviosidade e centenas de rios e lagos. Todo esse grande volume de águas corre muito lentamente em direção ao Sul, onde existe um verdadeiro afunilamento, conhecido como Fecho dos Morros do Sul. 

A velocidade de escoamento no Pantanal é tão baixa que as águas de uma chuva, nas cabeceiras do rio Paraguai, poderão levar mais de quatro meses para atravessar toda a planície alagada. A dinâmica das cheias no Pantanal é bastante similar às enchentes que todos conhecemos nas grandes cidades brasileiras: excesso de águas de chuva e carência de sistemas de escoamento pluvial.  

Nesse ambiente todo especial, a vida pulsa intensamente por todos os cantos. Já foram catalogadas mais de 650 espécies de aves, 80 espécies de mamíferos, 50 espécies de répteis e mais de 260 tipos diferentes de peixes. 

De acordo com dados do INPE – Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, o ano de 2021, foi bastante complicado para os grandes biomas brasileiros – foram identificados um total de 59.048 km² de áreas devastadas por incêndios nos seis biomas brasileiros.  

Em uma ordem decrescente, o Cerrado foi o bioma mais afetado pelas queimadas – foram 34.478 km² destruídos. Na segunda posição vem a Amazônia, com 8.333 km² de queimadas; a Mata Atlântica com 7.746 km²; a Caatinga com 5.378 km²; o Pantanal Mato-Grossense com 2.095 km² e os Pampas com 1.018 km² de área devastada pelo fogo.  

Sem que esqueçamos da gravidade do problema, é sempre bom lembrarmos que o território do Brasil ocupa uma área total de 8,5 milhões de km². Feitas as devidas contas, essa área “destruída pelo fogo” corresponde a 0,7% de nosso território. 

Para a imprensa internacional, que afirma que o nosso país está destruindo e queimando a Amazônia, esses números foram apresentados como se fosse o fim do mundo. E há época, se falou muito que o Pantanal Mato-grossense estava caminhando para a destruição total. Os números apresentados por esse novo estudo comprovam que as coisas não são bem assim. 

Se qualquer um dos leitores consultar um mapa topográfico da América do Sul vai perceber facilmente que uma grande área entre a Amazônia e a Pampa Argentina é formada por terrenos baixos, com altitudes máximas de pouco mais de 100 metros. Essa grande faixa de terras está espremida entre a Cordilheira dos Andes, a Oeste, e terrenos altos da faixa Leste do Brasil. 

Durante o longo processo de formação geológica da América do Sul após a sua separação do Supercontinente de Gondwana há cerca de 160 milhões, esses terrenos baixos já ficaram semi submersos no oceano, já acomodaram um grande lago na Amazônia (que depois se transformaria na calha do rio Amazonas) e também um mar interior na região onde encontramos hoje o Pantanal Mato-grossense e os diversos Chacos da Bolívia, Paraguai e Argentina Esse último evento ocorreu logo após o soerguimento da Cordilheira dos Andes há cerca de 40 milhões de anos.  

Ao longo dos últimos milênios, acompanhando as mudanças climáticas naturais, a extensão dos terrenos alagados vem aumentando e diminuindo, sistematicamente. Em décadas mais recentes, desmatamentos para a criação de áreas agrícolas e pastagens para a criação de animais também tem criado importantes impactos no Pantanal Mato-grossense. 

Entretanto, qualquer que seja a análise feita, esse importante bioma está muito longe da eminente destruição como afirmam muitos “especialistas”. Aliás, de acordo com informações da EMBRAPA – Empresa Brasileira de Pesquisas Agropecuárias, o Pantanal Mato-grossense é o bioma brasileiro mais preservado, com mais de 84% de sua área original ainda intacta, um percentual muito próximo da área preservada da Amazônia brasileira. 

Problemas ambientais existem aos montes em todo o Brasil, muitos deles bem mais graves e urgentes. Os números apresentados no Pantanal Mato-grossense são muito bons e precisamos lutar para os mantermos sempre assim. 

Já em outros biomas, como é o caso da Mata Atlântica, a situação é bem mais complicada – mais de 80% da cobertura florestal original já desapareceu e a pressão ambiental continua enorme. Muito pior – a grande mídia internacional não costuma falar nada sobre isso. 

É bom que olhemos com carinho para essa questão.