E O VERÃO CHEGA ARREBENTANDO!

 

Rio 40° Graus

Hoje, às 20h22 no horário de Brasília, começa oficialmente o Verão. A depender da região brasileira, essa estação tem características diferentes: na chamada região Centro-Sul, que abrange toda a região Sul, a maior parte da região Sudeste (exceto o Norte de Minas Gerais) e a parte mais ao Sul da região Centro-Oeste, isso significa muito calor e fortes chuvas; nas outras regiões, também muito calor e seca. 

E pelo que se pode observar até agora, este Verão promete ser dos mais quentes em muitos anos. Nas últimas semanas, várias cidades vêm apresentando temperaturas recordes: na última quarta-feira, dia 18 de dezembro, a cidade de Antonina, no litoral do Estado do Paraná, apresentou temperaturas que chegaram à marca dos 41,8° C. De acordo com informações do SIMEPAR – Sistema Meteorológico do Paraná, a sensação térmica na cidade chegou a incríveis 81° C. No mesmo dia, a temperatura na cidade do Rio de Janeiro também superou a barreira dos 40° C, com alguns bairros mais distantes da orla marítima apresentando uma sensação térmica na casa dos 50° C – em linguagem popular, isso é “quente prá dedéu”

Com essas fortes ondas de calor, os temporais de final de tarde são inevitáveis, assim como são as suas consequências: alagamentos e enchentes, deslizamento de morros, trânsito complicado e muita gente desabrigada. Como todos sabem, na maioria das cidades entra governo e sai governo, mas os problemas de saneamento básico continuam os mesmos. Lamentavelmente, postagens tratando de todos esses problemas e suas tragédias anunciadas terão destaque aqui no blog mais uma vez. 

Hoje também é o dia da última postagem deste ano. Hora de agradecer a todos os leitores habituais e aqueles esporádicos, que nos honram com suas visitas. Superamos a marca de 80 mil visitas no ano, o que é pouco quando comparado a outros blogs, mas o número corresponde a quase três vezes o número de visitantes em 2017 e mais de cem vezes o de 2016, quando iniciamos as postagens. Faço votos que as informações e os temas apresentados tenham sido úteis a todos. 

Quando comecei a escrever os primeiros posts em junho de 2016, confesso que tinha material suficiente para 20 publicações talvez. Com a postagem de hoje, atingimos a marca de 653 postagens e ideias para novas publicações não param de surgir. Isso demonstra o quanto os recursos hídricos e o saneamento básico são importantes na vida de todos nós. 

Os melhores desejos de Boas Festas e um ótimo Final de Ano a todos. 

Até 2019! 

JALAPÃO: O GRANDE “DESERTO” BRASILEIRO

Jalapão

O Jalapão é um grande território natural que ocupa uma área de mais de 34 mil km² no Tocantins e, há vários anos, é considerado como o principal destino turístico desse Estado. O bioma da região é o Cerrado, onde predomina a vegetação de cerrado ralo e a de campos limpos com veredas. A temperatura local média é de 30° C e podem ser encontradas dentro de seus domínios dunas de areia alaranjadas com até 40 metros de altura, característica que lhe rendeu o título de “maior deserto do Brasil”. 

À primeira vista, pode até parecer uma grande contradição o fato de um site que se diz voltado aos recursos hídricos dedicar uma publicação inteira para falar de um deserto. Mas não é – toda a área do Jalapão é cortada por uma imensa rede de rios, riachos e ribeirões de águas cristalinas, além de se encontrar por todos os lados os famosos “fervedouros”, nascentes onde a água brota com força dos solos. A região é, na verdade, um deserto de gentes, com uma densidade demográfica de apenas 0,8 habitante por km². 

O Jalapão fica no Leste de Tocantins, a cerca de 200 km da Capital do Estado, Palmas. Desconhecido da grande maioria dos brasileiros, a região começou a ser descoberta pelo turismo há poucos anos atrás e não saiu mais dos noticiários e programas de TV. Recentemente, suas paisagens foram parte dos cenários de uma novela brasileira; em 2008 foi o palco de um reality show de uma grande rede de TV dos Estados Unidos. 

O nome do lugar deriva de uma flor, a Exogonium officinale, conhecida popularmente como jalapa-do-Brasil, que pode ser encontrada por todos os lugares, desde as formações de cerrado baixo, nos paredões rochosos e até nas matas de galeria encontrada nas margens dos muitos rios do Jalapão como o Rio do Sono, do Soninho, Novo, das Balas, Preto e do Caracol. Destaques da paisagem local, além das famosas dunas, são as serras e os chapadões, com altitude de até 800 metros, de onde despencam inúmeras cachoeiras e nascentes, formando verdadeiros “oasis” no meio desse “deserto”. 

Um dos únicos aglomerados humanos no Jalapão é a comunidade dos Mumbucas, formada por ex-escravos vindos da Bahia, que sobrevivem basicamente da produção de artesanato, onde se destacam as famosas peças feitas com o capim dourado, uma técnica que foi criada nessa comunidade. Bem mais numerosas são as comunidades da fauna típica do Cerrado, onde se destacam os veados-campeiros, lobos-guará, antas, capivaras, tamanduás-bandeiras, macacos, gambás, onças e jacarés, além de cobras como sucuris, cascavéis e jiboias. A avifauna também é bastante rica, incluindo tucanos, papagaios, araras-azuis, emas e urubus. Observem que uma diversidade animal tão grande jamais seria encontrada na região se ela fosse mesmo um deserto. 

A diversidade ecológica de paisagens, de vida animal e vegetal do Jalapão é ampliada graças a existência de outras duas unidades de conservação contíguas: a Estação Ecológica Serra Geral do Tocantins e o Parque Nacional das Nascentes do rio Parnaíba, sob administração do ICMbio – Instituto Chico Mendes de Proteção a Biodiversidade. A essas duas unidades de conservação se junta o Parque Estadual do Jalapão, criado em 2001 pelo Governo do Tocantins, uma unidade de proteção integral com uma área total de 158 mil hectares. Essas três áreas extrapolam os limites do Tocantins e avançam pelos territórios dos Estados vizinhos: Maranhão, Piauí e Bahia, totalizando mais de 959 mil hectares de área de Cerrado sob proteção ambiental. 

O elemento água é, contraditoriamente, uma das grandes atrações do “deserto brasileiro”: são inúmeras as nascentes, praias fluviais, piscinas naturais e quedas d’água espalhadas por todos os cantos do Jalapão e que fazem a festa dos turistas. Uma das grandes opções de banho são os “fervedouros”, grandes poças onde a água morna brota com força do chão e faz a areia e os cascalhos do fundo vibrarem. O nome fervedouro vem da sua semelhança com a água fervendo numa panela e/ou do efeito efervescente de um comprimido de antiácido ao se dissolver num copo de água.

Nas formações rochosas e nos grandes paredões de arenitos se escondem grutas com nascentes de água e cânions, que atraem os visitantes mais aventureiros. Existem diversas trilhas por toda a região, com diferentes graus de dificuldade, que permitem que os visitantes acessem as diferentes atrações do Jalapão, que estão espalhadas por uma área bastante grande e onde nem sempre é possível a utilização de veículos. 

Como é comum nas áreas de Cerrado, as estações do ano no Jalapão se dividem em dois períodos bastantes distintos: a seca e o período das chuvas. A estação das chuvas vai de outubro a abril, o que causa um aumento substancial no volume dos rios, cachoeiras e piscinas naturais da região. No período seco, que vai de maio a setembro, o volume de água dos rios cai bastante, o que favorece o aparecimento dos afloramentos rochosos do leito dos rios – essa é a época ideal para os praticantes de rafting. Durante os meses de verão, o período da seca, as temperaturas no Jalapão variam de 25 a 35°C; no inverno local, período das chuvas, as temperaturas se situam entre 13 e 20° C. 

O Jalapão é, sobretudo, um resumo das belezas naturais, recurso hídricos e ecossistemas do Cerrado Brasileiro, um dos nossos biomas mais ameaçados pelo avanço das fronteiras agrícolas, especialmente na região onde se encontra o nosso “deserto” – o MATOPIBA, formada por trechos dos Estados do MAranhão, TOcantins, PIauí,  e BAhia. 

Vale muito a pena conhecer para aprender a preservar.

Chapada do Jalapão

A CHAPADA DOS GUIMARÃES

cachoeira-vC3A9u-da-noiva

Localizada nos arredores da cidade de Cuiabá, no Estado do Mato Grosso, a Chapada dos Guimarães está localizada no ponto de junção de três formações geológicas diferentes: a Formação Botucatu que, conforme já comentamos em uma postagem anterior, corresponde aos solos de um antigo deserto; a Formação Furnas, que já foi o fundo de um mar interno e a Formação Ponta Grossa, que está ligada à bacia hidrográfica do rio Paraná e onde predominam solos com rochas argilosas (folhelhos) ricas em fósseis. O bioma predominante na região é o Cerrado, mas também se encontram fragmentos da vegetação do Pantanal Mato-Grossense e da Floresta Amazônica.  

Em alguns trechos da Chapada dos Guimarães encontramos formações com árvores de grande porte, com espécies típicas da Mata Atlântica, bioma cujos limites se encontram a mais de mil quilômetros de distância. Alguns estudiosos sugerem que, em tempos mais antigos e com um clima diferente, a Mata Atlântica poderia ter avançado na direção da formação geológica, tendo retrocedido depois para os limites atuais. A formação da Chapada dos Guimarães começou a cerca de 500 milhões de anos, tempo de sobra para testemunhar as mais diferentes mudanças climáticas regionais e mundiais. 

A localização bastante particular da Chapada dos Guimarães se reflete em uma enorme biodiversidade animal e vegetal. Só de aves existem registros de, pelo menos, 400 espécies dos biomas Cerrado, Pantanal e Amazônico. Essa riqueza de espécies se reflete em mamíferos, répteis, anfíbios, peixes, insetos e também em espécies vegetais. Os recursos hídricos são um destaque da formação, que concentra inúmeras nascentes de rios importantes como o Coxipó-açu, o Manso e o Cuiabá, que estão entre os principais formadores do Pantanal Moto-Grossense. 

A água é um dos elementos de destaque entre as paisagens rochosas da Chapada dos Guimarães. Existem centenas de quedas d’água que brotam, literalmente, das rochas – a Cachoeira Véu de Noiva (vide foto), com cerca de 86 metros de altura, é a mais famosa e é um dos cartões postais da formação. Uma das mais conhecidas rotas turísticas da Chapada dos Guimarães é o Circuito das Cachoeiras, onde se encontram seis quedas d’água: das Andorinhas, da Prainha, do Pulo, dos Degraus, 7 de setembro e da Independência. 

Entre as formações rochosas, um dos destaques é o Morro de São Jerônimo, um enorme chapadão no formato de uma mesa, com altitudes que atingem a casa dos 805 metros em relação ao nível do mar. Consta que o nome do morro foi dado pelos primeiros bandeirantes que visitaram a região a partir de 1719, época das primeiras descobertas de ouro na região de Cuiabá. Consta que esses primeiros explorados rogavam a proteção de São Jerônimo ao se aventurar pelo alto dos penhascos e platôs; batizaram o morro com este nome em homenagem ao seu santo protetor. Outro ponto de visitação obrigatória é a Cidade de Pedra, conjunto de formações rochosas que lembram as ruínas de uma cidade antiga. 

Determinado pela Expedição Rondon no início do século XX, o Marco Geodésico é outro ponto turístico muito visitado. A Chapada dos Guimarães está no centro geodésico da América do Sul, alinhada com as cidades de Brasília e de Porto Seguro, além do Lago Titicaca, na divisa entre a Bolívia e o Peru. Os mais místicos acreditam que, graças a essa localização privilegiada, a Chapada dos Guimarães é um grande “centro de energia”. 

Um passeio que muitos turistas classificam como imperdível é a visita à Caverna Aroe Jari, “a morada dos deuses”, que fica a cerca de 45 km da Chapada dos Guimarães, dentro de uma propriedade particular. Trata-se da maior gruta de arenito do Brasil, medindo cerca de 1,5 km de extensão, com vários trechos alagados e paredes com muitas pinturas rupestre, herança das diversas tribos indígenas que viveram na região antes da chegada dos “brancos”. A grande surpresa está no final da gruta, onde se encontra a Lagoa Azul, formada por águas ricas em calcário, com uma grande transparência e uma cor azul impressionante.  

A história da região, conforme já comentamos, está ligada diretamente ao descobrimento das minas de ouro de Cuiabá pela bandeira de Pascoal Moreira Cabral em 1719. Como todos devem recordar, à época das grandes expedições marítimas de Portugal e de Espanha, no final do século XV, foi celebrado o Tratado de Tordesilhas, assinado em 1494 pelo Reino de Portugal e a Coroa de Castela. Pelo Tratado, as terras descobertas a Leste do Meridiano de Tordesilhas pertenceriam à Espanha e a Oeste ficariam com o Portugal.  

O Meridiano de Tordesilhas cruzava o território brasileiro na altura da cidade de Belém do Pará, o que colocava toda a região do antigo Mato Grosso dentro de território espanhol. Desde o início do século XVII, expedições de bandeirantes paulistas invadiam esse território na caça aos índios “mansos”, já catequizados pelos jesuítas espanhóis – foram inúmeros os conflitos armados com as tropas da Espanha na região. As descobertas de ouro em Cuiabá e, poucos anos depois, em Goiás por esses paulistas, levou a uma revisão dos limites territoriais entre Portugal e Espanha, consolidadas pelos Tratados de Madri, em 1750, e de Santo Ildefonso, em 1777.

A preservação ambiental de toda a Chapada dos Guimarães remonta ao início do século XX, quando as autoridades do antigo Estado de Mato Grosso se mostraram preocupadas com o avanço dos desmatamentos na direção da formação geológica, onde se concentram as nascentes do rio Cuiabá. A navegação pelas águas desse rio era fundamental para a cidade e toda a região – qualquer possível ameaça aos seus caudais precisava ser contida. Um decreto de 1910, assinado pelo Vice-Presidente do Estado do Mato Grosso, Coronel Pedro Celestino Corrêa da Costa, transformou em área de utilidade pública (algo que chamaríamos hoje de área de preservação ambiental) todas as terras de uma faixa de 2 km a partir da base das encostas da Chapada dos Guimarães.

Em 1989 foi criado no local o Parque Nacional da Chapada dos Guimarães, que está sob a administração do ICMbio – Instituto Chico Mendes de Preservação da Biodiversidade. O Parque Nacional possui uma área total de 33 mil hectares e está dividido entre os municípios de Chapada dos Guimarães e Cuiabá, município que concentra 65% da área protegida do Parque. A visão da área urbana da cidade de Cuiabá, com seus muitos edifícios e construções, é uma das principais paisagens vistas a partir do alto do Morro de São Jerônimo, o que não deixa de ser algo inusitado em uma grande área de preservação ambiental.

CAPARAÓ: A SERRA DO BOI BRAVO

A Serra do Caparaó

Conta um antigo “causo” popular, daqueles que se conta e reconta de geração para geração, que existia numa região serrana um boi selvagem e muito bravo, que os locais chamavam de “Ó”. Esse boi aterrorizava e atacava qualquer viajante desavisado que, porventura, se atrevesse a cruzar por qualquer um dos muitos caminhos da região. Cansados de ouvir relatos dos ataques covardes desse boi selvagem, três destemidos boiadeiros resolveram colocar um ponto final nessa história – eles se embrenharam nas matas da serra, laçaram o boi e o caparam. Com o passar do tempo, a descrição do triste fim do boi correu por todos os lados da serra – “caparam o Ó”.  Dizem que vem daí a origem do nome que foi dado àquelas montanhas – Serra do Caparaó. 

Localizada na divisa dos Estados de Minas Gerais e Espírito Santo, a Serra do Caparaó apresenta a segunda maior quota de altitudes do Brasil e possui a terceira montanha mais alta do país, o Pico da Bandeira, que tem 2.892 metros em relação ao nível do mar. A Serra também é palco de belíssimas paisagens, com montanhas, rios, cachoeiras e vales, além de possuir as maiores plantações de café arábica do país. 

A Serra do Caparaó é considerada a “capital” dos montanhistas do Brasil, país que apresenta pouquíssimas regiões com elevações superiores aos 2 mil metros. Além do famoso Pico da Bandeira, a Serra possui outras montanhas cobiçadas por esses esportistas: o Pico do Calçado, com 2.849 metros, e o Pico do Cristal, com 2.770 metros, no lado mineiro da Serra. No lado capixaba, que concentra 80% da formação geológica, os destaques são: o Morro da Cruz do Negro, com 2.658, o Pico da Pedra Roxa, com 2.649 metros, o Pico dos Cabritos ou do Tesouro, com 2.620 metros, o Pico do Tesourinho, com 2.584 metros e a Pedra da Menina, com 2.037 metros de altitude. 

As encostas e vales da Serra do Caparaó abrigam alguns dos mais representativos fragmentos preservados da Mata Atlântica no Estado do Espírito Santo, onde são encontradas diversas espécies animais e vegetais endêmicas do bioma. Entre essa vegetação nativa se destacam os campos de altitude, um tipo de vegetação que ocorre nos platôs e encostas mais altas da Serra do Caparaó. Na formação geológica também se encontram inúmeras nascentes associadas a três importantes bacias hidrográficas: dos rios Itabapoana, Itapemirim e Doce.

A importância ambiental das áreas florestais e formações geológicas da região levou à criação do Parque Nacional da Serra do Caparaó através de Decreto Federal de 1961. A história da proteção ambiental da área é, porém, mais antiga e data de 1911, quando os maciços de grande altitude da região começaram a ser estudados e se determinou, pela primeira vez, a altitude do Pico da Bandeira. As diversas expedições científicas brasileiras e estrangeiras que se sucederam, especialmente a partir de 1922, observaram a grande concentração de espécies animais e vegetais em uma área relativamente pequena. Diversas reportagens sobre as descobertas nessa região criaram uma mobilização social no sentido da criação de uma área de preservação ambiental. Em 1948, um Decreto Estadual do Espírito Santo criou a Reserva Florestal do Pico da Bandeira, que foi o embrião para a futura criação do Parque Nacional. 

O Parque Nacional da Serra do Caparaó ocupa uma área de 31.800 hectares e se encontra sob a administração do ICMbio – Instituto Chico Mendes de Preservação da Biodiversidade, e se distribui entre os municípios de Alto Caparaó, em Minas Gerais, e Dores do Rio Preto, no Espírito Santo. A principal atração do Parque, como não poderia deixar de ser, é o Pico da Bandeira. Entretanto, ele não é a única: o visitante encontrará diversos mirantes, cachoeiras, piscinas naturais e vales, abertos para visitação pública durante o ano todo. Outra grande atração, conforme já comentamos, são diversas outras montanhas com altitudes acima dos 2 mil metros, que fazem a alegria de turistas, aventureiros e montanhistas de todo o Brasil. 

O Parque está organizado através de um sistema de trilhas bem sinalizadas, que permitem que os turistas encontrem as principais atrações sem maiores dificuldades. As principais trilhas são as que levam ao Pico da Bandeira, que pode ser alcançado tanto pelo lado mineiro, pela Trilha Tronqueira – Terreirão – Pico da Bandeira, quanto pelo lado capixaba do Parque, conhecida como Trilha Casa Queimada – Pico do Calçado – Pico da Bandeira. Outras trilhas permitem a visitação às diferentes formações vegetais do Parque, especialmente os campos de altitude. Os visitantes têm à sua disposição quatro áreas de acampamento, dotadas de banheiros, lava-pratos, mesas e bancos. Alguns desses acampamentos possuem quiosques e churrasqueiras. 

Durante séculos, toda a região da Serra do Caparaó foi habitada por agrupamentos indígenas das etnias dos Botocudos, Puris e Tapuias; posteriormente, a região passou a ser ocupada por índios Tupis. Os primeiros aventureiros de origem europeia chegaram na região no início do século XVII em busca de ouro e pedras preciosas; os povoados  locais surgiram em função da mineração. A partir do século XVIII, com o esgotamento das reservas de ouro, a região passou a assistir ao início do cultivo do café arábica e de outras culturas de subsistência.  

Foi a partir do início do século XIX, quando o café passou a conquistar o paladar de europeus e norte-americanos e a commodity passou a ser altamente valorizada, que a Serra do Caparaó começou a ganhar destaque na cafeicultura. Também foi no final desse século que a região passou a atrair grandes contingentes de imigrantes estrangeiros como italianos, alemães, suíços, espanhóis e portugueses. 

Há uma particularidade histórica importante na Serra do Caparaó – os tropeiros mineiros. Conforme já comentamos em uma postagem anterior, a região da foz do rio Doce era controlada pelos ferozes índios antropófagos da tribo dos Botocudos. Os ataques desses índios impediram, por mais de dois séculos, o uso da navegação fluvial para o transporte de mercadorias e de pessoas por esse rio para as regiões de mineração nas Minas Geraes. As comunicações entre o interior e o litoral só podiam então ser feitas por via terrestre.

Os transportes de pessoas e de produtos, incluindo-se aqui o café, passou a ser feito com animais de carga através de trilhas pela Serra do Caparaó, que se tornaram uma das poucas opções para as comunicações entre importantes regiões dos sertões das Minas Gerais e o litoral do Espírito Santo. Essas rotas tropeiras influenciaram consideravelmente o povoamento e a cultura de toda a região serrana do Caparaó. 

Como se vê, não é de hoje que os mineiros têm essa preferência pelas belas praias capixabas… 

A SERRA DO CASTELO, MAIS CONHECIDA COMO SERRA CAPIXABA

Serra do Castelo

A Serra da Mantiqueira é uma cadeia montanhosa com cerca de 500 km que estende desde a divisa de São Paulo e Minas Gerais, nas proximidades da cidade de Bragança Paulista, segue na direção do Estado do Rio de Janeiro e depois vira para o Norte, na direção da cidade mineira de Barbacena. Uma ramificação da Serra da Mantiqueira resolveu dar uma “esticada” até o Espírito Santo, gostou do clima e acabou ficando por lá. Falamos da Serra do Castelo, que é mais conhecida entre os locais como Serra Capixaba. 

A Serra do Castelo ocupa a região central do Espírito Santo, indo das cercanias da famosa cidade de Cachoeiro de Itapemirim até Colatina, marcando o relevo com uma altitude média na casa dos 750 metros, com muitos vales e fartos recursos hídricos. Essa formação geológica ocupa aproximadamente 1/3 da superfície do Espírito Santo, Estado que tem mais da metade de seu território ocupado por serras, onde a altitude média é superior aos 600 metros. 

Abrangendo mais de vinte municípios capixabas, a Serra do Castelo também concentra algumas das maiores elevações do Espírito Santo, com destaque para o Pico do Forno Grande, localizado no município de Castelo, que tem 2.039 metros de altitude, a quinta maior do Estado. A pedra Três Pontões vem na sequência, com 1.968 metros, seguida pela Cordilheira do Empoçado com perto de 1.900 metros, em Afonso Cláudio, e a Pedra das Flores com 1.909 metros de altitude, localizada em Domingos Martins. 

Herdeira do DNA da Serra da Mantiqueira, a Serra do Castelo abriga importantes nascentes e afloramentos de água, que formam importantes rios do Espírito Santo. Além de possuir solos de origem sedimentar propícios à infiltração e ao acúmulo de água, a Serra do Castelo possui uma precipitação média anual de 2.300 mm, muito acima da média das regiões da planície litorânea do Espírito Santo, onde a precipitação média anual das chuvas é da ordem de 1.200 mm.  

A temperatura média na Serra do Castelo é bastante amena, quando comparada às regiões da planície litorânea, variando entre 12 e 20° C. Importantes fragmentos da vegetação original de Mata Atlântica estão preservados nas encostas dos seus morros e vales, oferecendo habitats importantes para a preservação de inúmeras espécies animais e vegetais sob risco de extinção. Assim como acontece em outras regiões serranas do Brasil onde há altos níveis de precipitação, a Serra do Castelo costuma apresentar forte neblina em algumas regiões, o que pode causar graves acidentes nas rodovias que cruzam a formação, o que requer atenção redobrada dos motoristas. 

Os primeiros aventureiros chegaram na região ainda no século XVII em busca do cobiçado ouro. A semelhança que viram entre os grandes paredões de pedra de uma formação rochosa, conhecida atualmente como Pico do Forno Grande, e as muralhas das antigas cidades medievais da Europa, acabou inspirando  o nome que seria dado a região – Serra do Castelo. Os primeiros assentamentos na região datam de meados do século XVII, quando os jesuítas criaram as suas missões para catequização dos indígenas, que ficaram conhecidas na história como as Missões de Montes Castellos. Essas Missões formaram as bases urbanas de muitas cidades que viriam a ser fundadas na Serra do Castelo.

No final do século XIX começaram a chegar na região os primeiros imigrantes italianos e alemães, especialmente da Pomerânia, que mudariam para sempre a Serra do Castelo. Vivendo em pequenas propriedades, nas cercanias de cidades como Santa Maria de Jetibá, Venda Nova do Imigrante e Domingos Martins, esses imigrantes passaram a se dedicar ao cultivo do café, produto que ainda hoje é uma das principais atividades econômicas regionais. Também são importantes os cultivos de frutas de clima temperado, com destaque para a uva e o morango – a cidade de Domingos Martins é a maior produtora dessa fruta no Brasil. 

A cultura dos imigrantes deixou marcas profundas na Serra do Castelo, que hoje fazem parte da sua própria identidade cultural. Conforme as tradições de seus países e regiões de origem, esses imigrantes, especialmente os italianos, tinham o hábito de produzir a maior parte dos alimentos consumidos pelas famílias nas próprias casas. Essa produção incluía pães, queijos, as massas, entre outros produtos. Mantidas essas tradições ao longo de várias gerações, elas acabaram se transformando em atrações turísticas na Serra – falamos do agroturismo, uma atividade que não para de crescer. 

A cidade de Venda Nova do Imigrante foi a primeira cidade capixaba a organizar, um tanto que aleatoriamente, o seu agroturismo. Visitantes de outras regiões do Estado e do país começaram a visitar a cidade e muitas das suas propriedades rurais a fim de conhecer e comprar esses produtos caseiros.  A atividade foi ganhando cada vez maior volume e visibilidade, empregando muita gente e trazendo muitos recursos para as famílias e para a cidade.  

A ideia começou a se espalhar por outras cidades, onde as famílias começaram a vender sua própria produção, onde se incluem geleias, bolos, pães, massas, doces, biscoitos, fubá, leites, queijos, ricota e iogurte, além de vinhos, licores e cachaças. Algumas propriedades também vendem frutas produzidas sem agrotóxicos. Essa atividade, que mistura turismo, cultura, produção e comércio, é hoje uma importante atividade econômica regional e muitas das Prefeituras locais vem trabalhando para a criação de um Selo de Qualidade para os produtos da Serra de Castelo, a exemplo do que já é feito na Serra da Canastra, em Minas Gerais. 

E na esteira dessa tradição gastronômica, foram surgindo diversas festas regionais que atraem um grande público para a região serrana, Entre os destaques temos o Festival de Inverno de Guaçuí, a Festa da Polenta de Venda Nova do Imigrante e a Festa da Pizza em São José do Alto Viçosa (Venda Nova do Imigrante), e por aí vai. 

Fica assim mais um registro dessa nossa série de postagens sobre as Serras e as Águas – Serra do Castelo, no Espírito Santo. 

 

 

A ESTRADA REAL DOS DIAMANTES, OU SE AVENTURANDO PELA SERRA DO ESPINHAÇO

Estrada Real dos Diamantes

Ao longo de várias postagens consecutivas, apresentamos aspectos gerais da Serra do Espinhaço, uma imponente formação geológica que se estende por mais de 1.000 km, desde de Ouro Branco, no Estado de Minas Gerais, até a grande região de Morro do Chapéu, no interior da Bahia. A formação é dividida em vários trechos, que recebem nomes como Serra de Deus-te-livre ou Serra de Ouro Branco, Serra do Cipó, Serra dos Cristais, Serra Geral ou, simplesmente, Chapada Diamantina. Para muitos especialistas, a formação geológica é na verdade uma cordilheira, a Cordilheira Brasileira. 

Para nós da área dos recursos hídricos, a Serra do Espinhaço, de uma ponta até a outra, é uma sucessão de “caixas d’água” – suas rochas de origem sedimentar e seus solos porosos armazenam grandes volumes das águas das chuvas, que afloram em milhares de nascentes e olhos d’água por todos os lados, formando riachos, rios, cachoeiras, corredeiras e piscinas naturais de todos os tipos. Em muitos locais, como no interior da Bahia, essa fartura de água forma verdadeiros oásis verdejantes no meio dos sertões da Caatinga, como no caso das formações da Chapada Diamantina. 

Além dos aspectos naturais, a Serra do Espinhaço ainda guarda surpresas ligadas à longa ocupação humana em seus domínios – entre as cidades de Diamantina e Ouro Preto existe um interessante caminho histórico criado ainda nos tempos do domínio Colonial – a Estrada Real dos Diamantes. Com cerca de 290 km de extensão, essa Estrada foi construída com o objetivo de permitir o transporte seguro e controlado dos diamantes e do ouro garimpados no Distrito Diamantino até a antiga cidade de Ouro Preto, um dos mais importantes pólos de mineração no período conhecido como Ciclo do Ouro. Dali, os carregamentos seguiam para Parati, no chamado Caminho Velho, e para a cidade do Rio de Janeiro, no chamado Caminho Novo. 

 O Distrito Diamantino era tão estratégico para a Coroa Portuguesa na época que acabou sendo transformado em uma área de segurança fechada, com acesso controlado por tropas militares. Às autoridades do Governo Geral da Colônia cabia o direito de cobrar o Quinto, um imposto correspondente a 20% do valor do ouro e dos diamantes, além de garantir o monopólio do transporte, fundição (no caso do ouro) e comercialização. A construção das Estradas Reais era uma estratégia dos Governantes para evitar o “descaminho” desses bens minerais, ou seja, o transporte por trilhas e caminhos alternativos para se fugir do rígido controle da Coroa Portuguesa.  

A Estrada Real dos Diamantes, assim como outros desses importantes caminhos, sobreviveu ao tempo e é hoje uma importante atração turística de Minas Gerais, que segue paralela a Serra do Espinhaço por um longo trecho. Grupos de turistas e aventureiros, seguindo a pé, de bicicleta, de motocicleta, em veículos 4 x 4, ou até a cavalo, se embrenham por esse magnífico caminho nos sertões de Minas Gerais em busca de belezas naturais, arquitetura colonial e vestígios arqueológicos, cultura, folclore e boa comida.

Cerca de 2/3 da Estrada Real dos Diamantes é formado por caminhos de terra atravessando áreas pouco habitadas, característica que exige um bom planejamento logístico de qualquer aventureiro – comida, água, kits para emergências médicas, mapas, aparelhos GPS (Posicionamento Global por Satélite), gasolina extra, entre outras providências. Os entendidos no assunto recomendam fazer a travessia somente em grupo e nunca tentar seguir pelas trilhas à noite. 

Alguns trechos da antiga Estrada foram incorporados por rodovias asfaltadas que, apesar de oferecer maior conforto devido ao nivelamento do piso, requerem atenção redobrado por causa do tráfego simultâneo de carros e caminhões. No trecho de 11 km da rodovia que separa as cidades de Mariana e Ouro Preto, a cautela precisa ser ainda maior – a pista é estreita, cheia de curvas e muito movimentada. 

Existem algumas regiões onde há forte atividade de mineração, com tráfego intenso de caminhões, o que também deve exigir grande cautela ao trafegar. Esses locais permitem que o viajante perceba claramente os danos que as atividades mineradoras causam ao meio ambiente, especialmente em áreas de relevo acidentado das Serras. 

O Instituto Estrada Real, uma entidade sem fins lucrativos mantida por parcerias com empresas da iniciativa privada, realizou um importante trabalho de sinalização de todos os trechos da Estrada Real, inclusive no Caminho dos Diamantes. A cada 2 km, um marco de concreto com o símbolo da Estrada Real indica que o viajante está no caminho correto (vide foto). Com um detalhe interessante – se o marco estiver no lado direito da Estrada, o viajante deve manter a direção à direita; se estiver na esquerda, ele deve virar à esquerda. Funcionários do Instituto percorrem frequentemente os trechos dos 1.660 km das Estradas Reais fazendo a manutenção desses marcos. 

Para incentivar ainda mais o turismo, o Instituto Estrada Real criou o Passaporte Estrada Real, que é gratuito e individual. O interessado faz um cadastro no site da instituição, recebe um número de registro via email. Esse número deve ser apresentado num dos postos de retirada, momento em que o viajante deve entregar 1 kg de alimento não perecível ou um agasalho, que serão doados para as famílias carentes da região. Com o Passaporte em mãos, o viajante receberá carimbos nos Postos de Carimbo das cidades visitadas e poderá ganhar um certificado digital emitido pelo Instituto Estrada Real. A ideal segue o padrão usado por alguns caminhos religiosos como o de Santiago de Compostela, entre a França e a Espanha. 

Fica essa dica cultural para todos – um verdadeiro curso de educação ambiental ao longo da Serra do Espinhaço, com muita aventura, cultura e boa culinária, que poderá lhe render um certificado digital no final. 

Vamo bora lá! 

A SERRA DE DEUS-TE-LIVRE, OU FALANDO DA SERRA DE OURO BRANCO

Serra de Ouro Branco

A Serra de Ouro Branco é uma formação rochosa com aproximadamente 20 km de extensão, 1.614 hectares de área e com altitudes médias entre 1.250 e 1.568 metros, que surge abruptamente sobre o relevo nas proximidades da cidade homônima. A formação geológica marca o limite Sul da Serra do Espinhaço, província geológica que se estenderá por mais de 1.000 km na direção Norte, até o interior do Estado da Bahia. Nos tempos do Ciclo do Ouro, que perdurou ao longo de todo o século XVIII, ela era conhecida pelos populares como Serra de Deus-te-livre.  

A Estrada Real, um caminho criado para escoar o ouro e os diamantes extraídos nas Minas Gerais para cidade de Parati, no litoral Sul do Estado do Rio de Janeiro, e que depois seguiam para Portugal, atravessa a Serra de Ouro Branco através de uma passagem difícil. Salteadores e bandidos de todas as espécies se escondiam ao longo dessa passagem, buscando oportunidades de atacar os carregamentos Reais. A prece “Deus te livre” era invocada pelos religiosos nas bênçãos dadas aos soldados e tropeiros que partiam de Ouro Branco e que teriam a difícil missão de cruzar a Serra de Ouro Branco. Vem daí o nome dado pelos populares a Serra.

Apesar de ser relativamente pequena, a Serra de Ouro Branco possui uma grande diversidade de formações vegetais, a começar pelos campos rupestres, sobre os quais falamos na última postagem. O mosaico inclui ainda matas de galerias, capões, afloramentos rochosos, campos de gramíneas, campos de brejos e, por fim, os chamados campos de Vellozia squamata, uma planta conhecida popularmente como canela-de-ema. Muitas das espécies encontradas na Serra são endêmicas, ou seja, só são encontradas na formação.

Além dessa complexa e rica cobertura vegetal, a Serra de Ouro Branco ainda apresenta em suas paisagens inúmeros sítios arqueológicos, antigas fazendas e casarios com arquitetura colonial. Entre os vestígios arqueológicos existentes, há alguns bem vergonhosos – existe um trecho da Estrada Real, inclusive com várias pontes de pedra finalizadas e nunca usadas, que teve a sua construção abandonada pelas autoridades da época. O desperdício de dinheiro público em obras inúteis, talvez até com superfaturamento, faz parte da história de nosso país.

A Serra de Ouro Branco teve uma grande importância histórica no povoamento das Minas Gerais – exploradores da bandeira paulista de Manuel Borba Gato encontraram veios de ouro na região no final do século XVII. O ouro encontrado tinha uma coloração pálida, sendo chamado de “ouro branco” pelos bandeirantes. O nome da Serra e do povoado, fundado por volta de 1694 com o nome de Santo Antônio de Ouro Branco, tem ligação direta com os achados auríferos. Até a chegada dos primeiros bandeirantes, a região era habitada pelos ferozes índios Carijós. 

Os solos de origem sedimentar, em sua maioria do tipo arenoso oriundo de rochas quatzíticas, proporcionam fartos recursos hídricos e formam importantes áreas de recarga dos aquíferos que alimentam as bacias hidrográficas dos rios Paraopebas e Doce. Algumas das suas nascentes alimentam o lago da Barragem de Soledade, construído na década de 1970 e responsável pelo abastecimento da cidade de Ouro Branco. Os moradores locais, como bons mineiros que são, contam muitos “causos” e estórias de assombração envolvendo a Serra de Ouro Branco e seus arredores. 

Uma dessas estórias envolve justamente a Barragem de Soledade – contam os locais que o espectro fantasmagórico de um antigo frade costuma aparecer durante as noites, após a meia-noite como sempre se diz nesses contos, assustando qualquer transeunte desavisado. Existia na área inundada da barragem uma espécie de convento religioso e um dos frades da ordem lutou bravamente contra as autoridades, tentando evitar que a construção fosse desapropriada. Como a área era de um particular que simplesmente emprestava o lugar para os frades, a justiça ordenou que os religiosos desocupassem o lugar. Diz-se então que, mesmo depois de morto, o fantasma do frade inconformado volta para protestar. 

Outras narrativas populares, das mais deliciosas, falam de um grande tesouro  escondido numa gruta nas encostas íngreme da Serra, tendo como protagonista ninguém menos que Joaquim José da Silva Xavier, mais conhecido entre nós como Tiradentes, o mártir da Inconfidência Mineira. Segundo se conta, lembrando do antigo ditado popular “quem conta um conto aumenta um ponto”, Tiradentes era amigo dos responsáveis pela coleta dos dízimos nas igrejas da região, que também eram os encarregados pelo transporte dos valores, numa rota que passava pela cidade de Ouro Branco..

É justamente aqui onde reside o problema: dizem que os valores registrados como “saída” de dízimo nas igrejas em Ouro Preto, a cidade mais rica da região, são maiores do que os valores efetivamente registrados como “entrada” nas igrejas da cidade de Ouro Branco. De acordo com os entusiastas dessa teoria da conspiração mineira, Tiradentes e seus comparsas roubavam parte do dinheiro, que era escondido na dita gruta dos paredões da Serra. 

Há nesse particular, inclusive, descrição de atos com requintes de crueldade – um escravo era baixado até a gruta por meio de cordas, com a missão de esconder o tesouro, e, para evitar que ele revelasse o local para outras pessoas, acabava sendo largado na gruta; os mais trágicos afirmam que muitos escravos, em desespero, acabavam se jogando paredão abaixo. Essa lenda, por mais sem pé nem cabeça que seja, já povoou os sonhos de muita gente – muitos desses saíram em aventura pelos rincões da Serra de Ouro Branco, na esperança de comprovar a veracidade da conversa. 

Mesmo que você não acredite nas narrativas sobre fantasmas ou sobre esse tesouro escondido, a Serra de Ouro Branco tem muitos tesouros naturais que estão as sua espera, que vão te surpreender positivamente. Aventure-se por lá! 

AS CACHOEIRAS, AS MATAS E OS MITOS DA SERRA DO CIPÓ

Cachoeira do Tabuleiro

A Serra do Cipó é uma formação rochosa localizada na região Central do Estado de Minas Gerais e faz parte do complexo geológico da Serra do Espinhaço. A formação se distribui entre os municípios de Itambé do Mato Dentro, Jaboticatubas, Morro do Pilar, Nova União, Conceição do Mato Dentro e Santana do Riacho. As formações datam do período Pré-Cambriano e se formaram a partir de depósitos marinhos há cerca de 1,7 bilhão de anos atrás. A área abriga o Parque Nacional da Serra do Cipó, uma Unidade de Conservação (UC) com cerca de 100 mil hectares. 

Localizada a cerca de 90 km do centro da cidade de Belo Horizonte, a Serra do Cipó é um dos trechos mais conhecidos e visitados de toda a Serra do Espinhaço dentro do Estado de Minas Gerais. Essa região apresenta uma das maiores concentrações de cachoeiras de todo Estado, que são um dos grandes atrativos turísticos da formação geológica. No Parque Nacional da Serra do Cipó existem várias cachoeiras abertas para a visitação pública. 

Entre essas quedas d’água, a mais famosa é a Cachoeira do Tabuleiro, considerada a cachoeira mais alta do Estado de Minas Gerais e a terceira do Brasil. São 273 metros de queda d’água, que se precipita abruptamente a partir de uma grande formação rochosa com paredões avermelhados (vide foto). A Cachoeira Farofa, com 270 metros de altura e distribuída em três quedas, é outro destaque. A lista de cachoeiras famosas também inclui a Cachoeira da Capivara, formada por três quedas sucessivas com uma altura total de 220 metros, e a Véu de Noiva, que tem apenas 70 metros de altura, mas surpreende pelo grande volume de água.  

O acesso a todas essas quedas d’água é feito através de várias trilhas, o que torna a visitação ao Parque numa grande aventura. Essas trilhas, que se estendem por vários quilômetros, também são muito utilizadas por ciclistas e visitantes a cavalo. Os rios e riachos formam inúmeras piscinas naturais, que funcionam como uma espécie de “prêmio” para o final de grandes caminhadas. Alguns trechos desses rios possuem águas calmas e convidativas, ideais para a prática de canoagem e stand up padle. Na falta de uma orla marítima mais próxima, os mineiros costumam aproveitar bem as águas dos rios e das piscinas naturais dessa região. 

Além da grande quantidade de recursos hídricos como cachoeiras, piscinas naturais e rios, a Serra do Cipó apresenta paisagens deslumbrantes como grandes formações rochosas, cânions, cavernas e sítios arqueológicos bem preservados. Um dos destaques das paisagens da Serra são os campos rupestres, ecossistemas encontrados ao longo de toda a Serra do Espinhaço, onde se encontram espécies vegetais endêmicas. Esses ambientes ocorrem no topo de serras e chapadões, com altitudes superiores a 900 metros, com afloramentos rochosos onde predominam as gramíneas, arbustos e arvoretas de pequeno porte. Esses ecossistemas ocorrem normalmente em áreas de transição entre o Cerrado, a Caatinga e a Mata Atlântica

Nos terrenos mais baixos, a vegetação típica do Cerrado predomina, abrigando inúmeras espécies animais e vegetais ameaçados de extinção. Conforme já comentamos em postagens anteriores, o Estado de Minas Gerais é um dos líderes em perda de vegetação nativa – mais de 60% do Cerrado Mineiro já desapareceu. Áreas protegidas como o Parque Nacional da Serra do Cipó se apresentam como uma derradeira esperança para a sobrevivência de animais como o lobo-guará, onças-pardas, gatos-do-mato, veados-campeiros, entre outros, além de inúmeras espécies vegetais nativas do bioma. 

Como a entrada com alimentos (inclusive com ingredientes e apetrechos para churrasco) e com bebidas é bastante limitada nas dependências do Parque, existem inúmeros restaurantes e bares nas regiões lindeiras, o que faz a festa dos turistas, especialmente durante as noites. O destaque, é claro, fica por conta da típica culinária mineira e da boa e saborosa cachaça de alambique. Além da proximidade com a Região Metropolitana de Belo Horizonte, o que facilita o turismo de um dia (os famosos bate-e-volta), existem inúmeros hotéis, pousadas e áreas de camping no entorno da Serra do Cipó, atendendo assim os turistas que vêm de lugares mais distantes.

Como acontece em qualquer lugar do Brasil e especialmente em Minas Gerais, o folclore da Serra do Cipó também é bastante rico. O personagem de maior destaque na cultura popular local foi um andarilho, que vivia nas montanhas com seus dois irmãos – José Patrício, mais conhecido como Juquinha da Serra. Durante décadas, ele foi visto por toda a região colhendo flores, que eram dadas aos turistas em troca de comida, roupas ou qualquer outro objeto. E como costuma acontecer com todos esses tipos populares, surgiram inúmeras lendas e ”causos” sobre a vida de Juquinha da Serra, que morreu em 1983. 

Segundo algumas dessas lendas, Juquinha foi amamentado por uma loba, talvez numa referência a Rômulo e Remo, os mitológicos fundadores da cidade de Roma. Outras conversas falavam que ele comia escorpiões, que fora picado mais de cem vezes por cobras e que tinha mais de cem anos de idade. Um dos “causos” mais marcantes de sua vida é fato de ter morrido por duas vezes – consta que, certo dia, seu corpo foi achado pelos irmãos sem pulso ou batimentos cardíacos. Dizem que, no meio de um triste velório, Juquinha acordou e que se levantou do caixão, assustando todos os presentes. Poucas semanas depois dessa “primeira” morte, Juquinha morreu de verdade.  

Segundo consta, ele sofria de catalepsia, uma doença que produz situações de paralisia  corporal que se parecem com a morte. As “duas mortes” de Juquinha só fizeram aumentar as lendas e fatos reais sobre a sua vida. Em 1987, os Prefeitos das cidades de Alto Pilar e de Conceição do Mato Dentro resolveram prestar uma homenagem ao mais ilustre morador da Serra do Cipó (e, é claro, faturar alguns “trocados” a mais com o turismo) e encomendaram uma estátua de Juquinha para uma artista plástica da região. A estátua (vide foto abaixo), que mostra o personagem sentado, tem quase três metros de altura e foi instalada no alto de um platô com vista privilegiada da Serra do Cipó, de onde é possível se enxergar a Cachoeira da Capivara. 

Coisas bem típicas do Estado de Minas Gerais. É bom demais da conta, sô!

Juquinha da Serra do Cipó

OS PRECIOSOS DIAMANTES DA SERRA DOS CRISTAIS, OU FALANDO DA CIDADE DE DIAMANTINA

Diamantina

A Serra dos Cristais, também conhecida como Serra do Rio Grande, já foi um grande deserto há cerca de 1,8 bilhão de anos atrás. Era um deserto de areias planas, com dunas pequenas e sem nenhuma vegetação. Naquele período, conhecido na geologia como Paleoproterozoico (na escala do Tempo Geológico, refere-se ao período entre 2,5 e 1,6 bilhão de anos atrás), o clima da região era extremamente árido e chovia muito pouco – quando chovia, porém, eram verdadeiras tempestades, que formavam fortes enxurradas que carreavam grandes quantidades de sedimentos.

As rochas que formam a atual Serra dos Cristais, que sofreram forte soerguimento e intemperismos ao longo das eras, são testemunhas desse passado longínquo – mais de 80% das rochas são de origem sedimentar, que se formaram a partir das camadas de areias do deserto, e o restante é formado por conglomerados de cascalhos, agrupados por força das grandes enxurradas. Esses tipos de rochas, que são altamente permeáveis e porosas, permitem a acumulação de grandes volumes da água das chuvas e proporcionam o surgimento de nascentes e afloramentos de águas. De forma muito resumida, é mais ou menos essa a história geológica da Serra dos Cristais, um dos trechos da Serra do Espinhaço na região Centro-Norte do Estado de Minas Gerais. 

Para contar a história mais recente da região, precisamos voltar ao início do século XVIII, quando bandeirantes paulistas passaram a vasculhar os rios e riachos da Serra na “catta preta” ou cata às pretas, as pedras escuras onde se pode encontrar as pepitas  e/ou pequenos fragmentos de ouro. Esses exploradores acharam inicialmente o ouro, e, anos depois, os cobiçados diamantes. Em 1713, fundaram na região um pequeno povoado, o Arraial do Tijuco – a palavra tijuco tem origem Tupi e significa lama. O nome está associado aos pântanos que se formavam na beira dos rios nos locais onde se estabeleciam os garimpos. O nome Arraial do Tijuco identificou o povoamento por mais de um século. 

As primeiras notícias sobre os achados de diamantes na Serra dos Cristais, evento que está diretamente ligado ao nome dado à região e que deram ao Brasil o título de primeiro grande produtor moderno dessas pedras preciosas, datam de 1729. Inicialmente, a busca e a exploração do ouro e dos diamantes nessa região eram de livre extração, com a obrigatoriedade do pagamento do Quinto à Coroa Portuguesa. Pedras preciosas como os diamantes, ao contrário do pesado ouro, eram bem fáceis de esconder e assim sonegar o pagamento dos impostos. Quando as autoridades Coloniais perceberam o grande volume de pedras preciosas que estava sendo contrabandeado, especialmente para a Inglaterra, a região foi completamente isolada e passou a ser vigiada por tropas militares sob ordens do Governador Geral do Brasil. 

O Governo Colonial, seguindo instruções vindas da Coroa Portuguesa, criou um território fechado, que passou a ser chamado de Distrito Diamantino, onde era necessária a obtenção de uma outorga real para a exploração mineral e pela qual se pagava uma quantia fixa pelo direito de exploração. Em 1771 esse sistema foi modificado e a Fazenda Real assumiu o monopólio da exploração dos diamantes. Foi criada a Junta da Administração Geral dos Diamantes, que ficava sob o comando de um intendente.  

Em 1831, a riqueza gerada pela produção de diamantes fez com que a próspera cidade mudasse seu nome para Diamantina (vide foto). Há um detalhe importante aqui – as reservas auríferas em outras regiões de Minas Gerais, como nas famosas cidades de Ouro Preto, Ouro Branco e São João Del Rey, haviam se esgotado nas últimas décadas do século XVIII e essas antigas e ricas cidades viviam o auge da decadência econômica. 

É virtualmente impossível se falar em Diamantina sem lembrar de alguns dos seus mais ilustres filhos, especialmente da quase mítica Chica da Silva (1732-1796), a “escrava que virou rainha”. A história de amor entre essa escrava e João Fernandes de Oliveira, o intendente do Distrito Diamantino e um dos homens mais ricos do Brasil Colônia, marcou para sempre a história da cidade. O casal teve 13 filhos e vivia num palacete na cidade. 

Segundo algumas estórias (quiçá sejam lendas), a opulência e a ostentação de Chica da Silva eram tão grandes que ela mandou construir um grande lago dentro de sua propriedade; dentro desse lago foi construído um galeão (grande navio a vela da época) em tamanho real, dentro do qual a família realizava festas e bailes. Segundo documentos da época, a ex-escrava Chica da Silva chegou a possuir, ironicamente, mais de 100 escravos, que eram alugados a terceiros para trabalhar nas minas. 

Outro personagem histórico com origem na cidade foi José da Silva e Oliveira Rolim (1747-1835), que era filho de um intendente de diamantes e casado com Quitéria Rita, uma das filhas de Chica da Silva. Envolvido em diversos negócios ilegais e com o contrabando de diamantes, Oliveira Rolim entrou para a vida eclesiástica para fugir da prisão. Foi ordenado padre em 1779 em Coimbra – Portugal, passando a ser conhecido como Padre Rolim. No final da década de 1780, ele se envolveu com Tiradentes e outros revoltosos na chamada Inconfidência Mineira, o que lhe resultou em uma pena de 15 anos de prisão em Portugal e confisco de todos os bens. Após ser solto em 1805, voltou para o Brasil, onde passou a lutar para reaver seus bens – após a Independência do Brasil em 1822, conseguiu receber apenas uma indenização. 

Finalizando, um personagem contemporâneo da vida brasileira que nasceu em Diamantina: Juscelino Kubitschek de Oliveira (1902-1976). Foi médico, oficial da polícia militar de Minas Gerais, Governador e Presidente da República entre 1956 e 1961, período em que realizou um dos feitos mais marcantes da moderna história do Brasil – a construção da cidade de Brasília, que em 1960 passou a ser a nova capital do país. 

A imponente Serra dos Cristais e a belíssima cidade histórica de Diamantina, elevada em 1999 à condição de Patrimônio Histórico da Humanidade pela UNESCO – Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura, são apenas parte das riquezas locais da Serra do Espinhaço – a “ecologia humana” da região também demonstra todo o seu valor com suas inúmeras histórias e lendas, serenatas e vesperatas, além de uma rica tradição folclórica. 

 

SERRA DO ESPINHAÇO: A CORDILHEIRA BRASILEIRA

Parque Nacional da Serra do Cipó

A Serra do Espinhaço é uma extensa cadeia montanhosa que se estende por cerca de 1.000 km no sentido Norte-Sul entre os Estados da Bahia e de Minas Gerais. Dito desta maneira, fica um pouco difícil para a maioria das pessoas lembrarem de ter visto em mapas ou em placas nas estradas referências à Serra do Espinhaço. É bem mais fácil reconhecê-la através dos nomes de suas diferentes partes: Chapada Diamantina, Serra do Cipó, Serra dos Cristais, Serra de Ouro Branco, Serra Geral, entre outras – todas essas formações, bem mais famosas, formam a Serra do Espinhaço

O nome Serra do Espinhaço foi sugerido originalmente pelo geólogo, geógrafo e metalurgista alemão Wilhelm Ludwig Von Eschwege no início do século XIX. Von Eschwege foi contratado pela Coroa Portuguesa para realizar estudos sobre o potencial da mineração no Brasil, onde permaneceu ente 1810 e 1821. Em seus estudos sobre o relevo brasileiro, ele observou que uma extensa cadeia montanhosa com características singulares se estendia entre Ouro Branco, em Minas Gerais, até região de Morro do Chapéu, na Bahia, na forma de uma “espinha” quase reta por quase 1.000 km, com variações de largura entre 50 e 100 km. Foi a partir dessa comparação feita a uma espinha que surgiu o nome Espinhaço. Muitos estudiosos preferem classificar a Serra do Espinhaço como uma cordilheira – a Cordilheira Brasileira. 

As diferentes Serras, montanhas, morros e vales da formação são ricas em recursos hídricos – segundo alguns cálculos, as nascentes de água da Serra do Espinhaço, que formam importantes riachos e rios, são responsáveis pelo abastecimento de mais de 50 milhões de pessoas, número que lhe dá uma posição de destaque no cenário ambiental brasileiro. Por outro lado, a Serra abriga em seus domínios importantes jazidas minerais, como acontece na região conhecida como Quadrilátero Ferrífero, em Minas Gerais, o que a torna alvo de intensa exploração mineral e sujeita a grandes agressões ambientais. Vários trechos da Serra do Espinhaço também sofrem com a derrubada de matas para a abertura de áreas agrícolas, com a mineração clandestina, com a caça predatória entre outros problemas. 

Um dos trechos mais bonitos da Serra do Espinhaço é a região da Chapada Diamantina, no interior do Estado da Bahia, que já foi tema de postagens aqui no blog. Suas grandes formações de rochas sedimentares, com clima ameno e cobertas por uma vegetação que combina elementos da Caatinga, do Cerrado e da Mata Atlântica, ricas em cursos d’água, contrastam com a aridez do sertão. As altitudes médias da Chapada Diamantina se situam entre 800 e 1.200 metros, com alguns picos apresentando altitudes próximas dos 2.000 metros, as maiores da Região Nordeste. A área ocupada pela Chapada é quase igual a área total do Estado do Rio de Janeiro. 

Localizada no Norte do Estado de Minas Gerais, a Serra Geral se distribui por 16 municípios, ocupando uma área total de mais de 20 mil km². Um dos destaques da Serra Geral é o Pico da Formosa, com 1.825 metros de altitude, o que o coloca como o ponto mais alto do Norte de Minas Gerais. Ao lado da produção agropecuária, base da economia local, a região conta com um enorme potencial turístico a ser explorado nas suas montanhas, cachoeiras e rios. 

Na porção Centro-Norte de Minas Gerais, na região do Vale do rio Jequitinhonha e tendo como destaque a cidade de Diamantina, encontra-se a Serra dos Cristais, que também é chamada de Serra do Rio Grande. Essa região ganhou enorme destaque no século XVIII, quando foram feitas as primeiras descobertas de ouro e diamantes, esse último sendo o responsável pelo nome dado à Serra. Um fato curioso, resultante das descobertas minerais nessa região, foi o verdadeiro bloqueio criado pelas autoridades Coloniais da época – soldados controlavam quem entrava e quem saía da região, como forma de evitar o contrabando dos preciosos diamantes.

Considerada como o divisor natural entre as bacias hidrográficas do rio São Francisco e  do rio Doce, a Serra do Cipó fica bem próxima da região Metropolitana de Belo Horizonte. Essa Serra abriga o Parque Nacional da Serra do Cipó (vide foto), uma Unidade de Conservação com cerca de 100 mil hectares, que foi criada para proteger o imenso patrimônio natural da região. A flora local abriga áreas de vegetação de Cerrado e de Campos Rupestres, onde vivem diversas espécies animais ameaçadas de extinção. As paisagens locais incluem matas, rios e cachoeiras, além de inúmeras cavernas e sítios arqueológicos. 

Por fim, a porção mais ao Sul da Serra do Espinhaço – a Serra de Ouro Branco, uma formação com encostas íngremes e que tem altitudes entre 1.250 e 1.568 metros. A região tem uma grande importância histórica – desde o final do século XVII ela passou a ser explorada por bandeirantes paulistas, que encontraram um tipo de ouro esbranquiçado e que foi batizado como “ouro branco”, descoberta que deu nome à Serra. 

Na nossa próxima postagem vamos falar em maiores detalhes sobre essa extensa e importante cadeia montanhosa – a Serra do Espinhaço.