ESPECIAL BIOMAS BRASILEIROS: PAMPAS 

Os Pampas ou Campos Sulinos formam um bioma brasileiro exclusivo do Rio Grande do Sul. O bioma atravessa as fronteiras e se estende por todo o Uruguai e por grande parte da Argentina. Nesses países o bioma é conhecido como La Pampa

A área total dos Pampas/La Pampa é de 750 mil km². No Brasil, os Pampas ocupam uma área de aproximadamente 176 mil km², 178 mil km² no Uruguai e de pouco menos de 400 mil km² na Argentina. Alguns autores incluem no bioma a região do Espinhal e o Delta do Rio Paraná, ambas na Argentina, o que aumenta a área para pouco mais de 1 milhão de km². 

A palavra pampa é de origem aimará e quéchua, línguas usadas por diversos grupos indígenas que se espalham pelo Peru, Bolívia, Peru, Equador, Colômbia, Chile e Argentina, significando “planície”, palavra que expressa bem a principal característica do bioma. 

De uma forma geral, os Pampas se caracterizam por terras onduladas com cerros, pequenas elevações em forma de tabuleiro. Normalmente, esses terrenos são bem servidos de chuvas, onde crescem gramíneas e arbustos de diferentes espécies intercaladas por pequenos bosques e capões esparsos. Costumam abrigar numerosos riachos e pequenos rios, mais conhecidos na região como arroios, além de formar pequenas lagoas entre os cerros no período das chuvas. 

No Rio Grande do Sul, os Pampas ocupam cerca de 2/3 do território do Estado. Isso corresponde a apenas 2% do território brasileiro, o que lhe dá o título de menor bioma do país. O bioma Pampa ocupa praticamente todo o território do Uruguai e as províncias argentinas de Buenos Aires, La Pampa, Santa Fé, Córdoba, Entre Rios e Corrientes

Em tempos geológicos distantes, toda a região hoje ocupada pela Pampa/Pampas era um grande deserto de areias – esse deserto se entendia por grande parte das regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste do Brasil. Após o início do longo processo de fragmentação do antigo Supercontinente de Gondwana, teve início um período de intensa atividade vulcânica nessa região, conhecido como Derrame de Trapp.   

Durante esse evento, enormes volumes de lava vulcânica foram derramados sobre esse solo de areias, formando uma grossa camada de rochas graníticas. Uma das consequências desse processo foi a formação do Aquífero Guarani, um dos maiores reservatórios subterrâneos de água doce do mundo.   

Processos erosivos ao longo de milhões de anos cobriram essa camada de rochas graníticas com camadas de solos altamente arenosos e também com uma fina camada de solo fértil. Apesar de muito frágeis e suscetíveis a processos erosivos, os solos desse bioma são extremamente férteis para a produção agrícola e altamente produtivos para a pecuária. 

Na Argentina, em particular, os solos da Pampa ocupam cerca de 25% do território e concentram a maior parte da produção de grãos do país. Foi graças a alta produtividade desse bioma, especialmente do trigo, que o país entrou no século XX como uma das nações mais ricas do mundo, condição que ela manteve até o final de década de 1920. 

A vegetação do bioma Pampa é caracterizada pela grande presença de gramíneas e plantas rasteiras, e em menor quantidade de árvores e arbustos encontrados principalmente nas áreas de entorno dos cursos d’água e lagoas. De acordo com dados da Embrapa – Empresa Brasileira de Pesquisas Agropecuárias, já foram catalogadas cerca de 3 mil espécies de plantas vasculares no trecho brasileiro do bioma, sendo que aproximadamente 450 dessas espécies são gramíneas, 150 leguminosas, 70 cactáceas e 100 espécies de árvores. 

No inventário da fauna dentro do Brasil já foram identificadas 102 espécies de mamíferos, 476 espécies de aves, 50 espécies de peixes, 97 répteis e 50 anfíbios. Esses números são surpreendentes para um bioma que aparenta possuir uma biodiversidade muito menor que a Mata Atlântica e a Floresta Amazônica.  

Uma característica marcante do bioma são as queimadas naturais que acontecem no período da seca, um fenômeno muito parecido com o que ocorre nas áreas do Cerrado. São essas queimadas, além das características dos solos, uma das principais responsáveis pela manutenção de uma vegetação mais rasteira no bioma. 

Entre os biomas brasileiros, os Pampas ocupam atualmente a primeira posição no quesito degradação e perda de áreas naturais.  De acordo com dados de monitoramento ambiental do INPE – Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, de 2018, o bioma já perdeu 52,7% de sua vegetação nativa. As paisagens que num passado não tão distante eram cobertas por gramíneas, hoje intercalam campos de arroz e de soja, além de florestas comerciais de eucalipto e pinus.  

Durante mais de 300 anos, a pecuária extensiva foi a principal atividade econômica no bioma. Essa atividade começou nas antigas missões dos Sacerdotes Jesuítas Espanhóis, lembrando que todo o Rio Grande do Sul pertencia à Coroa da Espanha por conta do Tratado de Tordesilhas assinado em 1494. A região foi incorporada oficialmente ao território brasileiro após a assinatura do Tratado de Santo Idelfonso em 1777, que repactuou os territórios de Portugal e Espanha na América do Sul. 

Desde meados do século XIX, o Rio Grande do Sul passou a receber sucessivas levas de imigrantes, vindos especialmente da Europa. Isso fez a agricultura ganhar cada vez mais espaço na economia do Estado. Essa atividade ganharia um grande impulso na década de 1920 com a introdução da cultura da soja e de grãos como o arroz e o milho, o que colocou os Rio Grande do Sul na posição de um dos grandes celeiros agrícolas do país. 

A expansão dos campos agrícolas foi avançando pouco a pouco sobre as áreas dos Pampas, em especial nas áreas úmidas dos banhados, ideais para o cultivo do arroz. Essa expansão também atingiu fortemente o bioma Mata Atlântica, representado na região pela Mata das Araucárias., 

A pujança das atividades agrícolas e pecuárias no Rio Grande do Sul começou a mostrar os seus impactos ambientais mais fortes já na década de 1960, quando passaram a ser observadas grandes manchas de areia em solos dos Pampas em municípios do Sudoeste gaúcho próximos da fronteira com o Uruguai e Argentina. Essas manchas de areia eram praticamente despidas de vegetação e passaram a sofrer fortemente com processos erosivos nos períodos de chuva. Desde então, muitos sinais de alerta vem sendo acionados, porém, com poucos resultados.

Apesar de ser um bioma “pequeno”, os Pampas necessitam de grandes cuidados.

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