ESPECIAL BIOMAS BRASILEIROS: A DEGRADAÇÃO DOS PAMPAS

Os Pampas ou Campos Sulinos ocupam uma área com aproximadamente 176 mil km² no extremo Sul do Brasil, formando o menor bioma brasileiro. Esse bioma atravessa fronteiras, ocupando praticamente todo o território do Uruguai e cerca de ¼ do território da Argentina. Nesses países o bioma é conhecido como La Pampa

A palavra pampa é de origem indígena e significa planície. Seus terrenos são suavemente ondulados, formando elevações chatas na forma de tabuleiros – as coxilhas. A vegetação mais abundante é a de gramíneas, intercaladas por pequenos bosques e capões esparsos. Esses terrenos recebem bons volumes de chuvas nos verões e abrigam numerosos rios e riachos, conhecidos na região Sul como arroios. 

Os terrenos são bastante arenosos, sendo cobertos por uma fina camada de terra de excepcional fertilidade. No Brasil, os pampas sempre foram sinônimo de boas pastagens para a criação de gado, atividade econômica principal do Rio Grande do Sul por mais de 300 anos. Desde meados do século XIX que a agricultura passou a ganhar espaço na economia local, iniciando uma série de problemas ambientais no bioma. 

Um marco na agricultura gaúcha foi a implantação da cultura da soja na década de 1920. O clima subtropical do extremo Sul brasileiro é semelhante ao clima temperado de regiões do Hemisfério Norte onde a soja se desenvolvia bem. O avanço da cultura da soja foi acompanhado do forte crescimento das culturas do trigo, milho e arroz, transformado o Rio Grande do Sul num dos celeiros de grãos do país. 

O avanço das frentes agrícolas, entretanto, passou a expor, de forma cada vez mais acentuada, a fragilidade dos solos do bioma. Já na década de 1960, os agricultores gaúchos passaram a observar o surgimento de grandes manchas de areia em suas propriedades. Essas manchas não apresentavam vegetação e sofriam fortemente com a erosão nos períodos das chuvas. Muito afirmavam há época se tratar de processos de desertificação. 

No final da década de 1980, pesquisadores gaúchos alteraram a denominação para arenização, afirmando que os grandes volumes de chuvas que caem sobre a região tornam inadequado o uso do termo desertificação. Esses processos atingem hoje um total de 10 municípios gaúchos: Alegrete, Cacequi, Itaqui, Maçambara, Manoel Viana, Quaraí, Rosário do Sul, São Borja, São Francisco de Assis e Unistalda.  

Além da destruição dos campos, essa arenização vem afetando importantes cursos d’água da região. As fortes enxurradas nos períodos das chuvas carreiam grandes volumes de areia para a calha dos rios, um problema que se reflete cada vez mais em problemas para o abastecimento de cidades e também na captação da água por sistemas de irrigação de lavouras agrícolas. Em muitas áreas o problema não para de crescer.  

Essas regiões apresentam como característica dominante uma fina camada de solo fértil sobre uma camada espessa de solos extremamente arenosos, assentadas sobre os granitos da formação Botucatu. Com a superexploração dos solos pela pecuária e, em décadas mais recentes, pela produção de grãos, essa fina camada de solo fértil acabou sendo destruída pela erosão e a camada de solo arenoso foi exposta.  

Esses solos, que são extremamente frágeis, passaram a apresentar grandes voçorocas ou fendas, chamadas de ravinas no Sul. Além da erosão causada pelas chuvas, esses solos arenosos também são erodidos pelos ventos, que espalham as areias por grandes extensões de campos, aumentando assim as áreas em processo de arenização.  

Uma estratégia que foi usada como uma tentativa de conter o crescimento desse fenômeno foi cercar as áreas com plantações de eucaliptos e pinus. Apesar do relativo sucesso dessa medida, a produção dessas madeiras na região esbarra na grande distância em relação às fábricas que utilizam essa matéria prima, o que implica em grandes custos de logística para o transporte.  

Muitos pesquisadores afirmam que a arenização dos Pampas pode surgir independentemente do tipo de uso que se dá aos solos, porém, são unanimes em afirmar que a pecuária e a agricultura intensificam esse processo. Existem diversos estudos em andamento buscando entender a dinâmica da arenização e as melhores alternativas para combater os seus efeitos.  

De acordo com os números mais recentes, as áreas em processo de arenização no Sudoeste do Rio Grande do Sul somam mais de 130 mil hectares. Parte dessas áreas ainda são cobertas com algum tipo de vegetação, mas, pelo menos, 20 mil hectares são totalmente descobertos, ou seja, despidos de qualquer tipo de vegetação.  

Outro problema ambiental importante da região é a destruição dos banhados, um ecossistema típico do Extremo Sul do Brasil. Os banhados são ricos em vida e podem ser comparados aos bancos de corais dos oceanos. Funcionando como uma espécie de “esponja natural”, as áreas de banhados acumulam grandes volumes de água nos períodos de chuva, auxiliando inclusive no controle das cheias dos rios; nos períodos de seca, fornecem água para as lagoas, garantido a sobrevivência de um sem-número de espécies animais e vegetais.  

Existem aproximadamente 600 espécies de aves identificadas no Rio Grande do Sul, das quais, aproximadamente 1/3 utilizam as áreas de banhados em algum momento de suas vidas. Cerca de 100 espécies de aves, de espécies nativas e migratórias, utilizam as áreas de banhado para nidificar. Também são inúmeras as espécies de peixes, mamíferos, répteis, anfíbios, crustáceos e insetos que tem como habitat as áreas de banhado.   

Essa pujança da vida animal está ligada à grande disponibilidade de alimentos nos banhados. Seus solos úmidos são ricos em matéria orgânica, resultante da decomposição dos juncos e gramíneas – essa excepcional fertilidade dos solos também tornou essas áreas em alvo para a expansão das fronteiras agrícolas, especialmente para o plantio do arroz. 

Um exemplo é o Banhado Grande, a região que concentra as nascentes do rio Gravataí. Esse banhado vem sendo ocupada por grandes extensões de cultivos agrícolas, especialmente arroz, desde a década de 1940. Inicialmente, os produtores passaram a abrir redes de canais para a irrigação de suas plantações – esses canais passaram a funcionar como drenos, reduzindo gradativamente as áreas encharcadas e aumentando as áreas agricultáveis, que avançaram sem controle contra as terras dos banhados.   

Esses problemas colocam o bioma Pampa na segunda posição entre os mais devastados do Brasil, só ficando atrás da Mata Atlântica. Ou seja – não é preciso ser grande em termos de área para ser um dos campeões em destruição ambiental. 

ESPECIAL BIOMAS BRASILEIROS: PAMPAS 

Os Pampas ou Campos Sulinos formam um bioma brasileiro exclusivo do Rio Grande do Sul. O bioma atravessa as fronteiras e se estende por todo o Uruguai e por grande parte da Argentina. Nesses países o bioma é conhecido como La Pampa

A área total dos Pampas/La Pampa é de 750 mil km². No Brasil, os Pampas ocupam uma área de aproximadamente 176 mil km², 178 mil km² no Uruguai e de pouco menos de 400 mil km² na Argentina. Alguns autores incluem no bioma a região do Espinhal e o Delta do Rio Paraná, ambas na Argentina, o que aumenta a área para pouco mais de 1 milhão de km². 

A palavra pampa é de origem aimará e quéchua, línguas usadas por diversos grupos indígenas que se espalham pelo Peru, Bolívia, Peru, Equador, Colômbia, Chile e Argentina, significando “planície”, palavra que expressa bem a principal característica do bioma. 

De uma forma geral, os Pampas se caracterizam por terras onduladas com cerros, pequenas elevações em forma de tabuleiro. Normalmente, esses terrenos são bem servidos de chuvas, onde crescem gramíneas e arbustos de diferentes espécies intercaladas por pequenos bosques e capões esparsos. Costumam abrigar numerosos riachos e pequenos rios, mais conhecidos na região como arroios, além de formar pequenas lagoas entre os cerros no período das chuvas. 

No Rio Grande do Sul, os Pampas ocupam cerca de 2/3 do território do Estado. Isso corresponde a apenas 2% do território brasileiro, o que lhe dá o título de menor bioma do país. O bioma Pampa ocupa praticamente todo o território do Uruguai e as províncias argentinas de Buenos Aires, La Pampa, Santa Fé, Córdoba, Entre Rios e Corrientes

Em tempos geológicos distantes, toda a região hoje ocupada pela Pampa/Pampas era um grande deserto de areias – esse deserto se entendia por grande parte das regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste do Brasil. Após o início do longo processo de fragmentação do antigo Supercontinente de Gondwana, teve início um período de intensa atividade vulcânica nessa região, conhecido como Derrame de Trapp.   

Durante esse evento, enormes volumes de lava vulcânica foram derramados sobre esse solo de areias, formando uma grossa camada de rochas graníticas. Uma das consequências desse processo foi a formação do Aquífero Guarani, um dos maiores reservatórios subterrâneos de água doce do mundo.   

Processos erosivos ao longo de milhões de anos cobriram essa camada de rochas graníticas com camadas de solos altamente arenosos e também com uma fina camada de solo fértil. Apesar de muito frágeis e suscetíveis a processos erosivos, os solos desse bioma são extremamente férteis para a produção agrícola e altamente produtivos para a pecuária. 

Na Argentina, em particular, os solos da Pampa ocupam cerca de 25% do território e concentram a maior parte da produção de grãos do país. Foi graças a alta produtividade desse bioma, especialmente do trigo, que o país entrou no século XX como uma das nações mais ricas do mundo, condição que ela manteve até o final de década de 1920. 

A vegetação do bioma Pampa é caracterizada pela grande presença de gramíneas e plantas rasteiras, e em menor quantidade de árvores e arbustos encontrados principalmente nas áreas de entorno dos cursos d’água e lagoas. De acordo com dados da Embrapa – Empresa Brasileira de Pesquisas Agropecuárias, já foram catalogadas cerca de 3 mil espécies de plantas vasculares no trecho brasileiro do bioma, sendo que aproximadamente 450 dessas espécies são gramíneas, 150 leguminosas, 70 cactáceas e 100 espécies de árvores. 

No inventário da fauna dentro do Brasil já foram identificadas 102 espécies de mamíferos, 476 espécies de aves, 50 espécies de peixes, 97 répteis e 50 anfíbios. Esses números são surpreendentes para um bioma que aparenta possuir uma biodiversidade muito menor que a Mata Atlântica e a Floresta Amazônica.  

Uma característica marcante do bioma são as queimadas naturais que acontecem no período da seca, um fenômeno muito parecido com o que ocorre nas áreas do Cerrado. São essas queimadas, além das características dos solos, uma das principais responsáveis pela manutenção de uma vegetação mais rasteira no bioma. 

Entre os biomas brasileiros, os Pampas ocupam atualmente a primeira posição no quesito degradação e perda de áreas naturais.  De acordo com dados de monitoramento ambiental do INPE – Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, de 2018, o bioma já perdeu 52,7% de sua vegetação nativa. As paisagens que num passado não tão distante eram cobertas por gramíneas, hoje intercalam campos de arroz e de soja, além de florestas comerciais de eucalipto e pinus.  

Durante mais de 300 anos, a pecuária extensiva foi a principal atividade econômica no bioma. Essa atividade começou nas antigas missões dos Sacerdotes Jesuítas Espanhóis, lembrando que todo o Rio Grande do Sul pertencia à Coroa da Espanha por conta do Tratado de Tordesilhas assinado em 1494. A região foi incorporada oficialmente ao território brasileiro após a assinatura do Tratado de Santo Idelfonso em 1777, que repactuou os territórios de Portugal e Espanha na América do Sul. 

Desde meados do século XIX, o Rio Grande do Sul passou a receber sucessivas levas de imigrantes, vindos especialmente da Europa. Isso fez a agricultura ganhar cada vez mais espaço na economia do Estado. Essa atividade ganharia um grande impulso na década de 1920 com a introdução da cultura da soja e de grãos como o arroz e o milho, o que colocou os Rio Grande do Sul na posição de um dos grandes celeiros agrícolas do país. 

A expansão dos campos agrícolas foi avançando pouco a pouco sobre as áreas dos Pampas, em especial nas áreas úmidas dos banhados, ideais para o cultivo do arroz. Essa expansão também atingiu fortemente o bioma Mata Atlântica, representado na região pela Mata das Araucárias., 

A pujança das atividades agrícolas e pecuárias no Rio Grande do Sul começou a mostrar os seus impactos ambientais mais fortes já na década de 1960, quando passaram a ser observadas grandes manchas de areia em solos dos Pampas em municípios do Sudoeste gaúcho próximos da fronteira com o Uruguai e Argentina. Essas manchas de areia eram praticamente despidas de vegetação e passaram a sofrer fortemente com processos erosivos nos períodos de chuva. Desde então, muitos sinais de alerta vem sendo acionados, porém, com poucos resultados.

Apesar de ser um bioma “pequeno”, os Pampas necessitam de grandes cuidados.

ESPECIAL BIOMAS BRASILEIROS – A MATA ATLÂNTICA E SUAS PECULIARIDADES 

Seguindo o senso comum, a maioria das pessoas costuma imaginar uma floresta como um grande tapete verde, onde o mesmo tipo de vegetação cobre uma grande área. Na vida real, entretanto as coisas são “um pouco diferentes” disso. 

A melhor imagem para definir uma floresta é uma colcha de retalhos, um tipo de trabalho de artesanato que atualmente é mais conhecido pela expressão em inglês patchwork. Pequenas manchas com diferentes tipos de vegetação crescem lado a lado dando a impressão de se tratar de uma única formação vegetal. 

A Mata Atlântica, a exemplo de qualquer outra grande floresta do mundo, segue exatamente essa “receita de bolo”. Vamos tentar resumir: 

Antes de qualquer coisa, é preciso entender o tamanho desse bioma. Se qualquer um dos leitores verificar os antigos domínios da Mata Atlântica, vai observar que ela se entende desde o Norte do Rio Grande do Sul até o Rio Grande do Norte, cobrindo uma distância de mais de 4 mil km. 

Na direção do interior do continente, a Mata Atlântica atinge áreas do Sul dos Estados do Mato Grosso do Sul e Goiás, do Leste do Paraguai e do Nordeste da Argentina. Dependendo do ponto de referência adotado no litoral das Regiões Sudeste e Sul, essa distância poderá cobrir até 1 mil km. 

Dentro de uma área geográfica deste tamanho é natural que existam climas diferentes. Na Região Sul e no Sul do Estado de São Paulo o clima é subtropical, muito parecido com o clima temperado de altas latitudes. Nas regiões serranas da Região Sudeste o clima predominante é o tropical de altitude. 

Na faixa costeira, entre o litoral do Paraná e o do Rio Grande do Norte o clima é definido como tropical atlântico. A temperatura média é elevada – por volta de 25 °C. As chuvas são regulares e bem distribuídas, sendo mais intensas no Sul e no Sudeste durante o verão e no Nordeste, durante o inverno. 

Por fim, as áreas interioranas da Região Nordeste e a maior parte da Região Centro-Oeste tem o clima tropical como predominante. Todas essas diferenças nos padrões de temperatura e dos ciclos de chuva se refletem em vegetações com características diferentes. 

Também existem diferenças marcantes nos tipos de solos. Na Região Sul, e em partes das Regiões Sudeste e Centro-Oeste, além de partes da Argentina e do Paraguai, é comum a existência de solos de origem vulcânica – os famosos solos de terra roxa. Esses solos possuem uma fertilidade excepcional. 

Já no litoral da Região Nordeste os solos de massapê predominam. São terras escuras e férteis com elevados volumes de argila e granito em sua composição. Esses solos devem sua fertilidade ao grande volume de matéria orgânica presente em sua composição. Entre suas principais características se destacam a alta capacidade de retenção de água e uma textura fina e homogênea. 

Essas diferenças de clima, tipos de solos e também de altitude possibilitaram uma grande diversificação das espécies vegetais e, consequentemente, da vida animal da Mata Atlântica. Um exemplo é a Mata das Araucárias, um subsistema vegetal encontrado no trecho Sul do bioma. Também é conhecida como Floresta Ombrófila Mista. 

A árvore símbolo dessa mata é a araucária (Araucaria angustifolia), conhecida popularmente como pinheiro-do-Paraná. É uma espécie adaptada para regiões de clima subtropical, com temperaturas mais baixas nos invernos, encontradas comumente nos planaltos da região Sul do Brasil, especialmente nos Estados do Paraná e de Santa Catarina, Norte do Rio Grande do Sul e também nas regiões serranas de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. 

Outro subsistema florestal importante da Mata Atlântica é a Floresta Ombrófila Densa, também conhecida como floresta tropical pluvial e mata de tabuleiro. Essa vegetação é caracterizada por apresentar folhas sempre verdes (perenifólia), com dossel de até 50 metros de altura e com árvores emergentes de até 40 metros. Se estende por toda a faixa Leste e Nordeste desde o Rio de Janeiro até o Rio Grande do Norte, além de ser encontrada em fragmentos no interior do Ceará. 

Também é importante citarmos aqui a Floresta Estacional Semidecidual ou Mata Atlântica do Interior. Essa formação se espreme entre as matas chuvosas do litoral e o Cerrado, em regiões mais centrais do país. Essas regiões se caracterizam por possuir uma estação chuvosa seguida por um período de estiagem, características que levaram a vegetação a desenvolver adaptações especiais em sua fisiologia. 

Além dessas formações florestais mais extensas, a Mata Atlântica inclui uma série de subsistemas florestais menores. A lista inclui, entre outros: Floresta Estacional Decidual, Florestas Montana e Altamontana (localizada em áreas com altitudes entre 500 e 1.200 metros), Floresta Ombrófila Aberta, também chamadas de Matas Secas, manguezais, restingas, brejos, campos de altitude ou campos rupestres, entre outros. 

A complexidade florestal da Mata Atlântica não termina aí – existem importantes áreas de transição entre os biomas, onde a vegetação tem características próprias. Citando um único exemplo – o Agreste Nordestino, uma faixa de transição que mistura característica da floresta úmida do litoral com a vegetação típica do Semiárido. 

Uma outra forma de caracterizar a Mata Atlântica é sua divisão por ecorregiões. A organização ambiental WWF – Fundo Mundial para a Natureza, na sigla em inglês, citando um exemplo, divide o bioma em 15 ecorregiões: Floresta do Alto Paraná, Floresta de Araucárias, Restingas, Florestas Costeiras da Bahia, Florestas do Interior da Bahia, Brejos de Altitude, Florestas Costeiras de Pernambuco, Florestas do Interior de Pernambuco e Florestas da Serra do Mar. Essas são as florestas tropicais e subtropicais úmidas. 

No tópico florestas tropicais e subtropicais secas entram as Florestas Secas da Mata Atlântica. Nos manguezais temos os Mangues da Bahia, Mangues da Ilha Grande, Mangues do Rio Piranhas e Mangues do Rio São Francisco. Finalizando, a lista inclui os Campos Rupestres. 

Como fica bem evidente no texto, a Mata Atlântica é na verdade um imenso quebra-cabeças, com cada uma das peças representando um tipo de vegetação com características bem particulares. Preservar e recuperar esse imenso bioma requer ações diferentes e bem regionalizadas, além de muita pesquisa científica e grande vontade política. 

PS: Dependendo da fonte de consulta e/ou do autor, o leitor poderá encontrar classificações diferentes das citadas no texto

ESPECIAL BIOMAS BRASILEIROS – MATA ATLÂNTICA 

A Amazônia é, sem dúvida, o pedaço do território brasileiro mais conhecido no mundo, perdendo talvez para a mítica Ipanema, a praia da cidade do Rio de Janeiro imortalizada na canção de Tom Jobim e Vinícius de Moraes.  

Os problemas dessa “fama” já começam por aqui – cerca de 60% da Amazônia fica dentro do território brasileiro; o restante dessa imensa área se divide nos países vizinhos: Bolívia, Peru, Equador, Colômbia, Venezuela, Guiana, Suriname e Guiana Francesa. 

A Amazônia será foco de uma outra postagem dessa série. Ela foi citada aqui por ser repetidamente citada na mídia internacional por sua suposta destruição acelerada por desmatamentos e queimadas, agressões que ameaçam o “pulmão do mundo”. Existem inúmeros problemas sim, mas, a Amazônia não é o pulmão do mundo nem o bioma brasileiro mais ameaçado – esse triste título cabe a Mata Atlântica. 

A Mata Atlântica era, originalmente, um grande complexo florestal contínuo que ocupava toda a faixa litorânea da costa brasileira desde o Rio Grande do Sul até o Rio Grande do Norte. Em alguns trechos, a floresta entrava pelo interior do território e chegava a regiões do Norte da Argentina e Oeste do Paraguai. De acordo com as estimativas, a Mata Atlântica ocupava originalmente uma área com cerca de 1,3 milhão de km², o que corresponde a aproximadamente 15% do território brasileiro.   

Na Região Sul do País, a Mata Atlântica cobria o terço Norte do Rio Grande do Sul e praticamente todo o território dos Estados de Santa Catarina e Paraná. Na Região Sudeste, o bioma ocupava praticamente todo o território dos Estados do Rio de Janeiro e Espírito Santo, a faixa Leste e Sul de Minas Gerais e cerca de 2/3 do território de São Paulo. 

Na Região Nordeste, o bioma se estendia ao longo da faixa litorânea com largura média entre 60 e 80 km nos Estados da Bahia, Sergipe, Alagoas, Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte. Manchas de Mata Atlântica se espalhavam também pelo interior da Bahia, do Ceará e do Piauí. 

Na Região Centro-Oeste, a Mata Atlântica ocupava a faixa Sul do Mato Grosso do Sul. Aliás, é importante citar que o nome original do Estado surgiu como uma referência a essa densa floresta, lembrando que a maior parte do antigo território de Mato Grosso é coberto pelo bioma Cerrado. O Sul do Estado de Goiás possuía uma longa faixa dessa floresta. 

O bioma ultrapassava as fronteiras do Brasil e chegava até o Leste do Paraguai, onde ocupava uma área de pouco mais de 100 mil km² e, também, o Nordeste da Argentina onde fica a Província de Missiones. 

O leitor deve ter observado que os verbos foram usados sempre no tempo passado – a depender da fonte consultada, algo entre 80% e 90% da área original do bioma já desapareceu, dando lugar a campos agrícolas e pastagens para o gado. A Mata Atlântica é, de longe, o mais devastado e ameaçado bioma brasileiro. 

Existem várias explicações para essa verdadeira hecatombe ambiental – a principal delas é que toda a colonização e exploração econômica do nosso país se concentrou numa faixa litorânea de, no máximo, 300 km do litoral até meados do século XX. Ou seja – nosso país nasceu e cresceu dentro dos domínios da Mata Atlântica. 

A primeira exploração econômica de nossas riquezas naturais, lembrando das aulas do ensino fundamental, foi a exploração do pau-brasil, supostamente a origem do nome do nosso país. De acordo com algumas fontes, foram derrubadas mais de 70 milhões de árvores entre o início do século XVI e meados do século XIX.   

O Ciclo do Açúcar, que foi a principal riqueza econômica do país entre os séculos XVI e XVIII, se desenvolveu quase que totalmente dentro dos domínios da Mata Atlântica, principalmente na faixa litorânea entre o Sul da Bahia e o Rio Grande do Norte, além de trechos dos litorais do Espírito Santo, Rio de Janeiro e de São Paulo. Em escala muito menor também em alguns trechos do litoral da Região Norte. 

A exceção de uma faixa de mata remanescente no Sul da Bahia, território dos temidos índios botocudos, a produção do açúcar praticamente dizimou a Mata Atlântica no Nordeste. Os imensos coqueirais que hoje encontramos em todo o trecho nordestino do litoral brasileiro ocuparam involuntariamente os antigos domínios da Mata Atlântica na região. O coco, só para lembrar, é originário das regiões do Indo-Pacífico e foi trazido ao Brasil por navios mercantes vindos da Índia.   

Na Região Sudeste, a grande floresta sucumbiu diante da mineração em Minas Gerais a partir do século XVIII, e do café a partir do início do século XIX. Começando pela exploração do ouro e depois pela produção de ferro e aço em grandes volumes, a madeira das árvores da Mata Atlântica se transformou no carvão que ardia nos altos-fornos

Diante do avanço dos cafezais, essa destruição se deu em várias frentes ao longo dos anos. O café é uma planta exigente quanto a temperatura e qualidade dos solos. As terras virgens das matas cediam lugar aos cafezais que, em poucos anos, perdiam a fertilidade, exigindo a abertura de novas áreas de produção. 

A cafeicultura teve início no Sul do Espírito Santo, passando depois para o Rio de Janeiro e Leste Minas Gerias. A partir de meados do século XIX, os cafezais entraram pelo Vale do Paraíba, no Leste de São Paulo, e foram gradualmente avançando na direção do Oeste Paulista e Norte do Paraná, aonde chegou perto da virada do século XX. 

Ao longo do século XX, a devastação da Mata Atlântica foi mais intensa nos Estados da Região Sul. No ínício, essa devastação foi impulsionada pela exploração da Mata das Araucárias, árvore que produz o valioso pinho, uma madeira que ganhou bastante notoriedade no mercado internacional a partir da I Guerra Mundial. A partir de então, os remanescentes da Mata Atlântica passaram a dar espaço para imensos campos agrícolas para a produção de grãos e pastagens para o gado.  

Como resultado dessa contínua e sistemática destruição, a Mata Atlântica se restringe atualmente a um sem número de fragmentos isolados em diferentes regiões do país. Muitos desses fragmentos se encontram em áreas de difícil acesso como na Serra do Mar entre o Paraná e o Rio de Janeiro.  

Se o acesso a essas área fosse fácil, a Mata Atlântica já teria sumido do mapa há muito tempo…

SEGUNDO PESQUISA, 36% DOS JOVENS BRASILEIROS NÃO SABEM EM QUAL BIOMA VIVEM 

No último dia 4 de abril, foram divulgados os dados de um levantamento intitulado JUMA – Juventude, Meio Ambiente e Mudanças Climáticas. Esse trabalho foi realizado pelas redes Em Movimento e Conhecimento Social, em parceria com as organizações Engajamundo, Instituto Ayíka e GT de Juventude do movimento Uma Concertação pela Amazônia. 

Foram ouvidas 5.150 pessoas entre 15 e 29 anos em todo o Brasil, pertencentes a todas as classes sociais e com diferentes níveis de escolaridade. O objetivo desse estudo foi avaliar a percepção e o conhecimento dos jovens brasileiros sobre os problemas ambientais e as mudanças climáticas. 

Um detalhe curioso do grupo pesquisado foi o nível de escolaridade: 4 em cada 10 pesquisados tinha curso superior completo ou pós-graduação, enquanto 30% ainda estava estudando. Em princípio, os pesquisadores imaginaram que esse nível de escolaridade implicaria em um maior conhecimento de questões ambientais. 

Ledo engano. 

Um dos dados mais curiosos levantados pela pesquisa foi a falta de conhecimento dos biomas brasileiros pelos jovens – 36% não souberam identificar o bioma em que vivem. Esse desconhecimento foi maior entre jovens que vivem nas Regiões Sul e Sudeste, onde o bioma Mata Atlântica é predominante. 

Entre as “confusões” mais comuns encontradas, muitos jovens que vivem nas Regiões Sul e Sudeste acreditam que vivem na Amazônia ou na Caatinga, enquanto muitos jovens que vivem no Semiárido Nordestino acreditam viver nos Pampas. 

Ao mesmo tempo em que o desconhecimento sobre os biomas brasileiros ficou evidente, a pesquisa constatou que a temática ambiental é o terceiro assunto que mais desperta interesse entre os jovens. O primeiro assunto é a qualidade na educação, seguida pelos direitos das mulheres. 

Dentro do cenário nacional, a temática ambiental ficou em sexto lugar numa ordem de relevância. A escala de prioridades em ordem decrescente inclui a educação, o combate à corrupção, a segurança, a economia, trabalho e renda. As questões ambientais preocupam “totalmente” 50% dos jovens e 40% “mais ou menos”. 

Um dado curioso apurado no estudo: jovens que vivem na Amazônia foram os que se mostraram menos preocupados com as questões ambientais quando comparados aos que vivem em outros biomas. Por ordem decrescente, os jovens que vivem nos Pampas são os mais preocupados com questões ambientais – 95%; seguidos pelos que vivem na Mata Atlântica – 93%, no Cerrado – 92%, na Caatinga – 91% e no Pantanal – 89%. Na Amazônia, essa é uma preocupação de 88% dos entrevistados. 

A pesquisa também buscou determinar o nível de conhecimento das principais questões ambientais e climáticas da atualidade. Aquecimento global e mudanças climáticas são os temas mais conhecidos, sendo citados por 70% dos entrevistados. Já os temas emissões de carbono, crise climática, racismo ambiental e justiça climática foram citados por menos de 50% dos entrevistados. 

A pesquisa também apurou que 80% dos jovens acreditam que a criação de reservas ambientais ajuda a diminuir os efeitos das mudanças climáticas, 61% defendem investimentos em fontes de energia renovável e limpas, 37% defendem um aumento nas áreas de preservação ambiental e 37% acreditam que os investimentos em ciência, pesquisa e tecnologias devem ser prioritários. 

Esses resultados “interessantes” merecem algumas considerações iniciais. O trabalho foi desenvolvido por organizações do chamado Terceiro Setor, onde a ideologia muitas vezes supera a ciência. Também seria importante conhecer em detalhes a metodologia usada na pesquisa – afirmar que um grupo acredita “mais ou menos” em alguma coisa é subjetivo demais. 

Apesar desses pequenos “detalhes”, são resultados que devem ser avaliados com bastante atenção e que podem estar corretos. Dentro da minha percepção individual, venho notando que os mais jovens leem cada vez menos e, muito pior, parecem entender cada vez menos o que leem. 

Com o advento da internet e das redes sociais, as notícias divulgadas são cada vez mais curtas e superficiais. Notícias que antes precisavam de uma ou duas laudas de texto para serem mostradas aos leitores das mídias tradicionais, agora são resumidas em poucas linhas para os usuários dos smartphones, que percorrem rapidamente as telas nos transportes coletivos ou nos intervalos do trabalho. Vídeos com duração de poucos segundos tentar explicar assuntos que tomariam várias horas. 

Esse público ouve diversas vezes expressões chaves com mudanças climáticas, aquecimento global ou queimadas na Amazônia, “chavões que fazem parte dos títulos dos vídeos e das notícias divulgadas. Porém, são poucos os que realmente conseguem entender o significado real de cada uma dessas questões ambientais. 

A questão também envolve a péssima qualidade do ensino aqui em nosso país. Conhecimentos sobre biomas brasileiros deveriam fazer parte do currículo escolar básico de geografia de qualquer curso do ensino fundamental. Algumas escolas, inclusive, têm criado matérias específicas para tratar de meio ambiente – conhecer os diferentes biomas do país seria, na minha humilde opinião, o básico do básico. 

No geral, minha percepção me diz que “muito marmanjo” mundo a fora compartilha da mesma falta de conhecimento dos mais jovens ouvidos por essa pesquisa. A insistência na repetição de questões como as queimadas na Amazonia e a “destruição do pulmão do mundo” mostram que o desconhecimento pode ser muito maior e mais generalizado do que se imagina. 

Este blog, que sempre prima pela qualidade da educação ambiental, é normalmente extremamente repetitivo em muitas questões. Sempre que um novo tema é mostrado nas postagens, o texto sempre procura apresentar todas as informações já publicadas anteriormente, buscando dar ao leitor uma visão completa da questão. 

E, como sempre estamos dispostos a aprender com qualquer pesquisa publicada, vamos preparar uma série de postagens falando sobre os diferentes biomas brasileiros e, assim, poder ajudar muitos desses jovens na sua jornada pelo conhecimento. 

ESPECIAL GUARAPIRANGA: A INVASÃO

Com o forte processo de industrialização da Região Metropolitana de São Paulo a partir da década de 1940, centenas de milhares de trabalhadores de outras regiões do país migraram para a “cidade grande”. Entre outras necessidades, toda essa população precisava de um teto para chamar de seu.

Começou aí o intenso processo de ocupação desordenada das áreas de mananciais da Represa Guarapiranga.

AS BOAS CHUVAS E A CHEIA NO PANTANAL MATO-GROSSENSE 

O Pantanal Mato-grossense é uma das maiores planícies alagáveis do mundo – em anos de cheias excepcionais, a área alagada se aproxima dos 250 mil km², o que equivale a 3% do território brasileiro ou a uma área equivalente ao Estado de São Paulo.  

Esse imenso “território das águas” se estende pelo Sudoeste do Estado de Mato Grosso e Oeste do Mato Grosso do Sul, englobando também áreas no Paraguai e na Bolívia – nesses países é conhecido como El Chaco. Pela sua importância ecológica, a região foi promovida a Patrimônio Natural Mundial e Reserva da Biosfera pela UNESCO – Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura.   

Um estudo recente elaborado pelo Projeto MapBiomas, uma iniciativa do Observatório do Clima em parceria com universidades, empresas de tecnologia e ONGs – Organizações Não Governamentais, mostra que o Pantanal Mato-grossense apresentou uma grande recuperação de sua área alagada em 2022, um processo que foi potencializado pelas boas chuvas da atual temporada. 

Segundo esse estudo, a área alagada do Pantanal sofreu um incremento de mais de 82 mil hectares em 2022. Esse ótimo resultado veio na sequência de um dos piores resultados da história do bioma – em 2021, o Pantanal Mato-grossense apresentou uma área total alagada de apenas 474 mil hectares, a menor dos últimos 37 anos.   

Esses números são bem animadores, lembrando que em 2020, toda a região sofreu com uma fortíssima seca e foi assolada com grandes queimadas. Porém, infelizmente sempre existe um, porém: a área alagada do bioma superou a marca de 1,5 mil hectares em 1985, o que mostra que ainda falta muito para uma recuperação ambiental completa. 

As paisagens das terras baixas do Pantanal Mato-grossense estão constantemente mudando, ora se apresentando cobertas por águas, ora secando quase que completamente. As características únicas desse bioma misturam plantas e animais dos grandes biomas brasileiros: Amazônia, Cerrado e Mata Atlântica, que se adaptaram para o ciclo de vida dessa região. 

O território do Pantanal tem altitudes médias da ordem de 100 metros, uma baixíssima declividade, uma alta pluviosidade e centenas de rios e lagos. Todo esse grande volume de águas corre muito lentamente em direção ao Sul, onde existe um verdadeiro afunilamento, conhecido como Fecho dos Morros do Sul. 

A velocidade de escoamento no Pantanal é tão baixa que as águas de uma chuva, nas cabeceiras do rio Paraguai, poderão levar mais de quatro meses para atravessar toda a planície alagada. A dinâmica das cheias no Pantanal é bastante similar às enchentes que todos conhecemos nas grandes cidades brasileiras: excesso de águas de chuva e carência de sistemas de escoamento pluvial.  

Nesse ambiente todo especial, a vida pulsa intensamente por todos os cantos. Já foram catalogadas mais de 650 espécies de aves, 80 espécies de mamíferos, 50 espécies de répteis e mais de 260 tipos diferentes de peixes. 

De acordo com dados do INPE – Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, o ano de 2021, foi bastante complicado para os grandes biomas brasileiros – foram identificados um total de 59.048 km² de áreas devastadas por incêndios nos seis biomas brasileiros.  

Em uma ordem decrescente, o Cerrado foi o bioma mais afetado pelas queimadas – foram 34.478 km² destruídos. Na segunda posição vem a Amazônia, com 8.333 km² de queimadas; a Mata Atlântica com 7.746 km²; a Caatinga com 5.378 km²; o Pantanal Mato-Grossense com 2.095 km² e os Pampas com 1.018 km² de área devastada pelo fogo.  

Sem que esqueçamos da gravidade do problema, é sempre bom lembrarmos que o território do Brasil ocupa uma área total de 8,5 milhões de km². Feitas as devidas contas, essa área “destruída pelo fogo” corresponde a 0,7% de nosso território. 

Para a imprensa internacional, que afirma que o nosso país está destruindo e queimando a Amazônia, esses números foram apresentados como se fosse o fim do mundo. E há época, se falou muito que o Pantanal Mato-grossense estava caminhando para a destruição total. Os números apresentados por esse novo estudo comprovam que as coisas não são bem assim. 

Se qualquer um dos leitores consultar um mapa topográfico da América do Sul vai perceber facilmente que uma grande área entre a Amazônia e a Pampa Argentina é formada por terrenos baixos, com altitudes máximas de pouco mais de 100 metros. Essa grande faixa de terras está espremida entre a Cordilheira dos Andes, a Oeste, e terrenos altos da faixa Leste do Brasil. 

Durante o longo processo de formação geológica da América do Sul após a sua separação do Supercontinente de Gondwana há cerca de 160 milhões, esses terrenos baixos já ficaram semi submersos no oceano, já acomodaram um grande lago na Amazônia (que depois se transformaria na calha do rio Amazonas) e também um mar interior na região onde encontramos hoje o Pantanal Mato-grossense e os diversos Chacos da Bolívia, Paraguai e Argentina Esse último evento ocorreu logo após o soerguimento da Cordilheira dos Andes há cerca de 40 milhões de anos.  

Ao longo dos últimos milênios, acompanhando as mudanças climáticas naturais, a extensão dos terrenos alagados vem aumentando e diminuindo, sistematicamente. Em décadas mais recentes, desmatamentos para a criação de áreas agrícolas e pastagens para a criação de animais também tem criado importantes impactos no Pantanal Mato-grossense. 

Entretanto, qualquer que seja a análise feita, esse importante bioma está muito longe da eminente destruição como afirmam muitos “especialistas”. Aliás, de acordo com informações da EMBRAPA – Empresa Brasileira de Pesquisas Agropecuárias, o Pantanal Mato-grossense é o bioma brasileiro mais preservado, com mais de 84% de sua área original ainda intacta, um percentual muito próximo da área preservada da Amazônia brasileira. 

Problemas ambientais existem aos montes em todo o Brasil, muitos deles bem mais graves e urgentes. Os números apresentados no Pantanal Mato-grossense são muito bons e precisamos lutar para os mantermos sempre assim. 

Já em outros biomas, como é o caso da Mata Atlântica, a situação é bem mais complicada – mais de 80% da cobertura florestal original já desapareceu e a pressão ambiental continua enorme. Muito pior – a grande mídia internacional não costuma falar nada sobre isso. 

É bom que olhemos com carinho para essa questão. 

USINA HIDRELÉTRICA DE ITAIPU FECHA AS COMPORTAS DEPOIS DE 80 DIAS 

A boa temporada de chuvas em grandes áreas do país ajudou na recuperação do nível de importantes reservatórios de usinas hidrelétricas e também de açudes e represas destinadas ao abastecimento de populações. Em nossa última postagem falamos de um desses casos – o açude de Quixeramobim no Ceará

As chuvas intensas em toda a alta bacia hidrográfica do rio Paraná também se refletiram nos excelentes níveis da represa da Usina Hidrelétrica de Itaipu, a segunda maior geradora de energia elétrica do mundo. Desde o dia 14 de janeiro, as comportas da barragem estavam abertas a fim de controlar os grandes volumes de água. 

Nesta segunda-feira, dia 3 de abril, depois de 80 dias, a Hidrelétrica voltou a fechar as comportas. Esse foi o maior período em que as comportas da represa ficaram abertas por motivo de segurança desde 2011. 

Ao longo desse período a vazão dos vertedouros da represa chegou a atingir a impressionante marca de 1,7 milhão de litros de água por segundo. Para que todos tenham uma ideia do que isso representa, a vazão média das Cataratas do Iguaçu, localizadas bem próxima da Hidrelétrica de Itaipu, é de 1,5 milhão de metros cúbicos por segundo. 

A Itaipu Binacional é a maior usina hidrelétrica do Brasil e foi, durante muito tempo, a maior geradora de energia elétrica do mundo, posição que foi perdida recentemente para a Usina de Três Gargantas da China. A hidrelétrica responde pelo fornecimento de mais de 75% da energia elétrica consumida no Paraguai e chegou a gerar ¼ de todo o consumo no Brasil.  

Atualmente, após a entrada em serviço de outras geradoras de energia elétrica como as fontes eólicas e fotovoltaicas, Itaipu responde por pouco mais de 8% da geração de energia elétrica do Brasil. Apesar dessa relativa perda de importância, é fundamental saber que o país pode contar com toda a capacidade de geração de Itaipu para os casos de seca em outras regiões do país. 

Os primeiros estudos técnicos que foram realizados na região propunham a construção de uma grande usina hidrelétrica dentro do território brasileiro, com a formação de um lago que se estenderia até as proximidades do Salto das Sete Quedas.  

Assim que o Governo do Paraguai ficou sabendo desses estudos, se desencadearam fortes protestos – o país perderia uma grande faixa do seu território, encoberta pelas águas da represa, e não ganharia nada em troca. Como se costuma dizer no popular, a “chapa esquentou” entre os dois países, inclusive com alguns militares mais radicais falando em guerra. Felizmente, a diplomacia falou mais alto.  

Em 1965, foi inaugurada finalmente a Ponte da Amizade, que ligava as cidades de Foz do Iguaçu, no Brasil, a Porto Stroessner, no Paraguai. Costuma-se dizer que “o Brasil entrou com a ponte e o pobre Paraguai entrou com a amizade”. A obra, que se arrastava desde 1959, foi um marco nas relações diplomáticas entre os dois países e abriu caminho para a assinatura da Ata do Iguaçu, um protocolo que tinha como objetivo o estudo do aproveitamento conjunto das águas do rio Paraná para a produção da energia elétrica. Foram esses estudos e outros acordos firmados entre os dois países que possibilitaram a construção de uma grande usina hidrelétrica binacional. 

A Usina Hidrelétrica de Itaipu iniciou suas operações em maio de 1984. A hidrelétrica conta com um total de 20 grupos geradores, com uma capacidade total instalada de 14.000 MW. Porém, como a potência real dos grupos geradores é um pouco maior (cerca de 750 MW), a Usina Hidrelétrica de Itaipu pode, em caso de necessidade, se dar “luxo” operar com 18 grupos geradores em potência máxima e manter 2 grupos geradores em manutenção.   

Os bons volumes de chuva no alto da bacia hidrográfica do rio Paraná também foram de importância ímpar para a recuperação dos caudais do rio dentro do território da Argentina. Lembrando, o rio Paraná é o principal formador da bacia hidrográfica do rio da Prata, a segunda maior da América do Sul e a maior da Argentina, ficando atrás apenas da gigantesca Bacia Amazônica. 

O rio Paraná tem 4.880 km de extensão e se forma a partir da junção das águas do rio Grande e do rio Paranaíba na divisa dos Estados de São Paulo, Minas Gerais e Mato Grosso do Sul. Seus principais afluentes dentro do território brasileiro são os rios Tietê, Paranapanema, Iguaçu e Paraguai, lembrando que a bacia hidrográfica desse rio também engloba regiões da Bolívia, do Paraguai e da Argentina. 

Dentro da Argentina, os principais afluentes são os rios SaladoPilcomayo e Bermejo. Também entram nessa lista os importantes rios Uruguai e Negro, que tem nascentes no Sul do Brasil e que despejam suas águas na região do delta do rio Paraná. As águas de todos esses grandes rios e de uma infinidade de rios menores se juntam para formar o grandioso rio da Prata, um verdadeiro “mar” de águas doces entre o Uruguai e a Argentina.   

Grande parte da Argentina, especialmente a região Centro-Norte do país, vem enfrentando uma grave seca, problema que vem criando enormes dificuldades para o país vizinho. Esse é o terceiro ano consecutivo de chuvas abaixo da média no país. 

Em 2021, a situação foi bastante agravada pelos baixos níveis do rio Paraná no seu baixo curso, o que prejudicou muito o transporte dos grãos colhidos. Devido à grande profundidade desse trecho do rio Paraná, navios graneleiros marítimos sobem o rio a partir do rio da Prata e recebem suas cargas em portos muito próximos das áreas produtoras. Com os baixos caudais do rio, parte do transporte dos grãos precisou ser feito por caminhões, o que encareceu o preço final. 

Além das boas chuvas nas regiões lindeiras do alto curso do rio Paraná, a bacia hidrográfica do rio Paraguai também recebeu bons volumes de chuva, o que está contribuindo para excelentes níveis atuais do rio Paraná na Argentina. 

Conforme costumamos citar em nossas postagens, rios são artérias e veias que irrigam a vida em extensas regiões de nosso planeta. Toda a vida vegetal e animal, onde está inserida a espécie humana, dependem das águas desses rios. É sempre bom recebermos ótimas notícias de chuvas e de bons caudais nesses rios. 

FESTA NO SEMIÁRIDO: AÇUDE DE QUIXERAMOBIM ESTÁ “SANGRANDO” E POPULAÇÃO COMEMORA

Um blog especializado em temas ambientais e recursos hídricos não poderia deixar de comentar essa notícia: 

Depois de 12 anos sem atingir a sua capacidade de armazenamento, a barragem da cidade cearense de Quixeramobim, localizada a pouco mais de 200 km de Fortaleza, atingiu 100% de sua capacidade e começou a verter água ou “sangrar” como dizem os sertanejos. 

A população da cidade, emocionada com o momento, que costuma ser raro no sertão, se reunião junto a barragem para acompanhar o momento em que a água começou a passar pelo vertedouro exatamente às 18 horas.  

No início do último mês de março, esse açude estava no volume morto, uma situação que estava tirando o sono dos mais de 80 mil habitantes de Quixeramobim. Segundo a FUNCEME – Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos, o volume de chuvas na cidade foi 132,8% acima da média histórica, o que recuperou rapidamente o volume de água armazenada no açude. 

Segundo este órgão, essa água será suficiente para o abastecimento da população por até dois anos. Isso ajuda a explicar a emoção dos moradores no momento em que a barragem começou a “sangrar”.  

Esse açude foi construído entre os anos de 1958 e 1960, pelo DNOCS – Departamento Nacional de Obras contra a Seca. Ele fica no leito do rio Quixeramobim, corpo de água que está inserido na bacia hidrográfica do rio Banabuíú e pode armazenar 54 milhões de m³ de água. 

O rio Quixeramobim nasce na Serra das Matas em Monsenhor Tabosa e banha os municípios de Boa Viagem, Quixeramobim e Banabuiú, onde encontra sua foz no Rio Banabuiú. Como acontece com todos os rios do semiárido, o Quixeramobim sofre grandes variações nos seus caudais entre o período das chuvas e da seca. 

Cerca de 90% dessa bacia hidrográfica fica inserida na Caatinga, bioma que já perdeu metade de sua área vegetal original. As principais causas do desmatamento desse bioma é a extração de madeira para uso como combustível pela população e produção de carvão, além da derrubada de matas para a formação de pastagens para o gado. 

Repetindo “uma ladainha” exaustivamente tratada aqui nas postagens do blog, os criadores de gado das regiões litorâneas do Nordeste foram expulsos para o interior do semiárido durante o Ciclo da Cana-de-açúcar. Inclusive, foi publicada uma Carta Régia assinada pelo Rei de Portugal em 1701, proibindo a criação de gado a menos de 60 km do litoral. 

A origem das brigas entre os produtores de açúcar e os criadores eram as constantes invasões das plantações pelos animais, que não resistiam à visão de grandes extensões de campos cobertos com brotos tenros e adocicados de cana-de-açúcar. 

Gradualmente, os criadores começaram a levar suas boiadas na direção da região do Semiárido, um bioma nada adequado para suportar essa atividade. Encontrando poucas áreas de campo, esses criadores passaram a queimar grandes extensões de caatingais, aumentando as áreas de campos. 

Essa solução era sempre temporária e a vegetação rasteira dos campos durava poucos meses, o que forçava os criadores a queimar sistematicamente novas áreas de caatingais. Os animais foram se adaptando ao consumo de várias espécies de vegetais que cresciam nesses campos e caatingais, 

É sempre oportuno lembrar que essas boiadas não eram formadas exclusivamente por bovinos. Esses rebanhos também incluíam cabras, bodes, ovelhas e toda espécie de equinos e muares.  Esses rebanhos foram, gradativamente, se afastando cada vez mais do litoral. 

A vegetação do Semiárido, em função do clima e dos tipos de solo, pode ser dividida, de forma muito rudimentar em três áreas: o Agreste, a Caatinga e o Alto Sertão. Cada uma destas áreas possui uma quantidade imensa de subdivisões dos tipos de vegetação, formando biomas independentes e completos.  

Pela sua maior extensão e importância, a Caatinga é sempre o tipo de vegetação mais citada. Ao contrário da imagem estereotipada de árvores eternamente secas e retorcidas, a vegetação do sertão é altamente especializada em função do clima e acompanha a disponibilidade da água. 

Quando chove, a vegetação se apresenta verdejante – já em épocas de seca, as folhas das árvores caem como forma de conservar a energia das plantas e se sobressaem as cactáceas como o mandacaru, o xiquexique e a coroa-de-frade. Um exemplo da adaptação da vegetação do sertão é a babugem, uma vegetação rasteira de rápido crescimento, que em poucos dias pinta o chão da caatinga de verde, a cor da esperança – o sertão renasce das cinzas tal qual a mitológica fênix.  

De acordo com informações da SEMA – Secretaria do Meio Ambiente e Mudança do Clima, do Ceará, a Caatinga cobre 90% do território cearense, característica que explica a frequência e a grande intensidade dos ciclos de seca no Estado. 

O grande botânico Alberto Loefgren (1854-1918), sueco de nascimento e depois radicado no Brasil, estudando a devastação das árvores e das matas nas terras do Ceará, colocou essa questão em perspectiva e atribuiu um papel importante aos rebanhos animais criados soltos na região, especialmente os caprinos: 

“Outro fator não desprezível na devastação das matas, ou pelo menos para conservar a vegetação em estado de capoeira, são as cabras. Sabe-se quanto este animal é daninho para a vegetação arborescente e arbustiva e como a criação de cabras soltas no Ceará é, talvez, maior que a do gado, sendo fácil imaginar-se o dano que causa à vegetação alta”. 

Felizmente, a temporada das chuvas este ano no Ceará está sendo muito acima da média histórica e um grande número de açudes estão sangrando. Todos esses problemas e lembranças associadas a devastação ambiental e à seca deverão ficar em segundo plano por enquanto. 

É hora de festejar! 

RESERVATÓRIOS DE HIDRELÉTRICAS DAS REGIÕES SUDESTE E CENTRO-OESTE ESTÃO COM EXCELENTES NÍVEIS DE ARMAZENAMENTO 

Até o final do mês de abril, quando se encerrará a temporada das chuvas na Região Centro-Sul do país, os reservatórios das usinas hidrelétricas que formam o Subsistema Sudeste/Centro-Oeste deverão atingir a marca de 85,7% de sua capacidade, o maior nível de armazenamento dos últimos 12 anos. 

Essa é a expectativa do ONS – Operador Nacional do Sistema Elétrico, já comemorando a melhor temporada de chuvas dessas regiões dos últimos anos. De acordo com o órgão, choveu na hora certa e nos lugares certos, o que garantirá o pleno funcionamento das usinas hidrelétricas e o abastecimento de energia elétrica da população com folga até a chegada da nova temporada de chuvas. 

O nível do reservatório da Usina Hidrelétrica de Furnas, citando um exemplo, apresentava 99,2% de sua capacidade no dia 2 de abril. Outro importante reservatório da região, o da Usina Hidrelétrica de Ilha Solteira apresentava no mesmo dia o nível de 90,74%. 

Outro caso bastante significativo é o do reservatório de Serra Mesa, no rio Tocantins, que atingiu a marca de 79,47% no dia 2 de abril. Essa é a primeira vez desde a conclusão das obras desse reservatório em 1998, que o seu nível de armazenamento atinge um nível tão alto. 

As boas chuvas no Centro-Sul também se refletem em outras regiões, como é o que está acontecendo no rio São Francisco. Os principais rios formadores do Velho Chico ficam em áreas de Cerrado nos Estados de Minas Gerais e Goiás. No baixo curso do rio, o Reservatório de Três Marias está com 94,55%, praticamente o mesmo volume armazenado em Sobradinho, em pleno Semiárido Nordestino. 

É importante lembrar que há exatos dois anos atrás o país enfrentou uma grave crise hídrica nessas regiões e os níveis desses mesmos reservatórios estava com menos da metade do volume de armazenamento de hoje. Naquele momento, a grande maioria das centrais termelétricas do país estavam operando a plena carga para evitar a todo custo um racionamento de energia elétrica. 

De acordo com informações da CEEE – Câmara de Comercialização de Energia Elétrica, mais de 62% da energia elétrica produzida no Brasil vem de fontes hidráulicas. De acordo com dados de 2020, eram 875 usinas hidrelétricas, CGH – Centrais Geradoras Hidrelétricas e PCH – Pequenas Centrais Hidrelétricas. 

A segunda maior fonte geradora de energia elétrica do país são as centrais eólicas, que já respondem por mais de 800 parques em operação, especialmente nas Regiões Nordeste e Sul. Também é importante citar que 12% da geração de energia elétrica no país vem de fontes fotovoltaicas. Essas três fontes respondem por mais de 83% de toda a energia elétrica gerada no Brasil, uma das matrizes mais sustentáveis de todo o mundo. 

Esse sistema é complementado por um conjunto de mais de 400 usinas termelétricas, unidades que são acionadas em situações emergenciais. Esse sistema passou a ser implementado depois do famigerado “Apagão” de 2001. 

Quem é um pouco mais velho vai se lembrar desse momento de nossa história, quando uma seca descomunal atingiu grande área do país, o que afetou mortalmente o nível dos reservatórios das mais importantes usinas hidrelétricas e afetou fortemente a geração. Sem contar com fontes alternativas para a geração de eletricidade, foi decretado um “draconiano” racionamento de energia elétrica no país, uma medida que causou enormes problemas econômicos e que resultou em mudanças políticas no país. 

Além da falta de chuvas, a geração de energia elétrica no Brasil amargava àquela altura mais de uma década de falta de investimentos em geração e distribuição de energia elétrica. Um plano de racionamento de energia elétrica precisou ser elaborado às pressas e impôs uma redução obrigatória de 20% no consumo de energia para quase todas as regiões brasileiras.  

A única exceção foi Região Sul, que contava com reservatórios cheios, porém, não existiam linhas de transmissão que permitissem a distribuição dos excedentes de energia gerados para o restante do país.  

Para conseguir apoio da população às medidas de racionamento, o Governo Federal estipulou uma série de benefícios para os consumidores que conseguissem cumprir a meta e também se especulou criar punições para quem não conseguisse, o que, felizmente, acabou não sendo implementado. No dia 7 de dezembro de 2001 choveu fortemente em grande parte do país, o que contribuiu para uma sensível alta no nível de vários reservatórios.   

Em 19 de fevereiro de 2002 o racionamento de energia elétrica foi suspenso, mas não os estragos políticos e econômicos. De acordo com uma auditoria realizada pelo TCU – Tribunal de Contas da União, em 2009, o “apagão” do Sistema Elétrico Brasileiro causou um prejuízo ao Tesouro de R$ 45,2 bilhões em valores há época. Alguns cálculos indicam que essas perdas foram de R$ 320,00 para cada brasileiro. 

Desde aqueles tempos complicados desse racionamento de energia elétrica, notícias sobre as altas e baixas nos níveis dos reservatórios das usinas hidrelétricas passaram a ser relevantes para a maioria dos brasileiros. Esse ano, felizmente, as notícias são ótimas e, pelo menos até o final do ano, ninguém precisará ficar preocupado com o fornecimento de energia elétrica. 

Outro motivo para se comemorar é que não existem maiores riscos de vermos as bandeiras tarifárias nas contas de energia elétrica deste ano. Para quem nunca reparou, as concessionárias de energia elétrica incluem nas contas de energia essas bandeiras (vermelha e amarela), que nada mais são que tarifas extras, para forçar a redução do consumo de energia elétrica em períodos de reservatórios de usinas hidrelétricas com baixos níveis. 

Em meio a tantas incertezas econômicas nos tempos em que estamos vivendo, quando muito de fala em uma grande recessão econômica mundial, essa é uma notícia que nós brasileiros temos que comemorar muito!