A SERRA DO CASTELO, MAIS CONHECIDA COMO SERRA CAPIXABA

Serra do Castelo

A Serra da Mantiqueira é uma cadeia montanhosa com cerca de 500 km que estende desde a divisa de São Paulo e Minas Gerais, nas proximidades da cidade de Bragança Paulista, segue na direção do Estado do Rio de Janeiro e depois vira para o Norte, na direção da cidade mineira de Barbacena. Uma ramificação da Serra da Mantiqueira resolveu dar uma “esticada” até o Espírito Santo, gostou do clima e acabou ficando por lá. Falamos da Serra do Castelo, que é mais conhecida entre os locais como Serra Capixaba. 

A Serra do Castelo ocupa a região central do Espírito Santo, indo das cercanias da famosa cidade de Cachoeiro de Itapemirim até Colatina, marcando o relevo com uma altitude média na casa dos 750 metros, com muitos vales e fartos recursos hídricos. Essa formação geológica ocupa aproximadamente 1/3 da superfície do Espírito Santo, Estado que tem mais da metade de seu território ocupado por serras, onde a altitude média é superior aos 600 metros. 

Abrangendo mais de vinte municípios capixabas, a Serra do Castelo também concentra algumas das maiores elevações do Espírito Santo, com destaque para o Pico do Forno Grande, localizado no município de Castelo, que tem 2.039 metros de altitude, a quinta maior do Estado. A pedra Três Pontões vem na sequência, com 1.968 metros, seguida pela Cordilheira do Empoçado com perto de 1.900 metros, em Afonso Cláudio, e a Pedra das Flores com 1.909 metros de altitude, localizada em Domingos Martins. 

Herdeira do DNA da Serra da Mantiqueira, a Serra do Castelo abriga importantes nascentes e afloramentos de água, que formam importantes rios do Espírito Santo. Além de possuir solos de origem sedimentar propícios à infiltração e ao acúmulo de água, a Serra do Castelo possui uma precipitação média anual de 2.300 mm, muito acima da média das regiões da planície litorânea do Espírito Santo, onde a precipitação média anual das chuvas é da ordem de 1.200 mm.  

A temperatura média na Serra do Castelo é bastante amena, quando comparada às regiões da planície litorânea, variando entre 12 e 20° C. Importantes fragmentos da vegetação original de Mata Atlântica estão preservados nas encostas dos seus morros e vales, oferecendo habitats importantes para a preservação de inúmeras espécies animais e vegetais sob risco de extinção. Assim como acontece em outras regiões serranas do Brasil onde há altos níveis de precipitação, a Serra do Castelo costuma apresentar forte neblina em algumas regiões, o que pode causar graves acidentes nas rodovias que cruzam a formação, o que requer atenção redobrada dos motoristas. 

Os primeiros aventureiros chegaram na região ainda no século XVII em busca do cobiçado ouro. A semelhança que viram entre os grandes paredões de pedra de uma formação rochosa, conhecida atualmente como Pico do Forno Grande, e as muralhas das antigas cidades medievais da Europa, acabou inspirando  o nome que seria dado a região – Serra do Castelo. Os primeiros assentamentos na região datam de meados do século XVII, quando os jesuítas criaram as suas missões para catequização dos indígenas, que ficaram conhecidas na história como as Missões de Montes Castellos. Essas Missões formaram as bases urbanas de muitas cidades que viriam a ser fundadas na Serra do Castelo.

No final do século XIX começaram a chegar na região os primeiros imigrantes italianos e alemães, especialmente da Pomerânia, que mudariam para sempre a Serra do Castelo. Vivendo em pequenas propriedades, nas cercanias de cidades como Santa Maria de Jetibá, Venda Nova do Imigrante e Domingos Martins, esses imigrantes passaram a se dedicar ao cultivo do café, produto que ainda hoje é uma das principais atividades econômicas regionais. Também são importantes os cultivos de frutas de clima temperado, com destaque para a uva e o morango – a cidade de Domingos Martins é a maior produtora dessa fruta no Brasil. 

A cultura dos imigrantes deixou marcas profundas na Serra do Castelo, que hoje fazem parte da sua própria identidade cultural. Conforme as tradições de seus países e regiões de origem, esses imigrantes, especialmente os italianos, tinham o hábito de produzir a maior parte dos alimentos consumidos pelas famílias nas próprias casas. Essa produção incluía pães, queijos, as massas, entre outros produtos. Mantidas essas tradições ao longo de várias gerações, elas acabaram se transformando em atrações turísticas na Serra – falamos do agroturismo, uma atividade que não para de crescer. 

A cidade de Venda Nova do Imigrante foi a primeira cidade capixaba a organizar, um tanto que aleatoriamente, o seu agroturismo. Visitantes de outras regiões do Estado e do país começaram a visitar a cidade e muitas das suas propriedades rurais a fim de conhecer e comprar esses produtos caseiros.  A atividade foi ganhando cada vez maior volume e visibilidade, empregando muita gente e trazendo muitos recursos para as famílias e para a cidade.  

A ideia começou a se espalhar por outras cidades, onde as famílias começaram a vender sua própria produção, onde se incluem geleias, bolos, pães, massas, doces, biscoitos, fubá, leites, queijos, ricota e iogurte, além de vinhos, licores e cachaças. Algumas propriedades também vendem frutas produzidas sem agrotóxicos. Essa atividade, que mistura turismo, cultura, produção e comércio, é hoje uma importante atividade econômica regional e muitas das Prefeituras locais vem trabalhando para a criação de um Selo de Qualidade para os produtos da Serra de Castelo, a exemplo do que já é feito na Serra da Canastra, em Minas Gerais. 

E na esteira dessa tradição gastronômica, foram surgindo diversas festas regionais que atraem um grande público para a região serrana, Entre os destaques temos o Festival de Inverno de Guaçuí, a Festa da Polenta de Venda Nova do Imigrante e a Festa da Pizza em São José do Alto Viçosa (Venda Nova do Imigrante), e por aí vai. 

Fica assim mais um registro dessa nossa série de postagens sobre as Serras e as Águas – Serra do Castelo, no Espírito Santo. 

 

 

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