AS CUESTAS BASÁLTICAS EM SÃO PAULO

Rafiting em Brotas

Recebem o nome de cuestas as formações de relevo compostas por remanescentes de rochas vulcânicas da Era Mesozoica em áreas sedimentares. A palavra cuesta é de origem castelhana e significa encosta de uma colina ou de um monte. As cuestas se apresentam, normalmente, como montes ou formações rochosas com um cume plano e achatado, formato por uma camada de rochas vulcânicas como o basalto, que se sobrepõe a um empilhamento de camadas de arenitos ou outras rochas de origem sedimentar. Uma importante formação geológica com essa conformação se encontra na faixa Leste da bacia sedimentar do rio Paraná,. entre os Estados de São Paulo e Rio Grande do Sul. Na região central de São Paulo, as formações são conhecidas como Cuestas Basálticas e concentram importantes nascentes de rios e afloramentos de águas. 

A origem das Cuestas Basálticas paulistas está ligada diretamente ao surgimento dos relevos conhecidos como Formações Serra Geral, que se formaram durante o Derrame de Trapp (ou Trapp do Paraná). Esse Derrame teve início quando o antigo Supercontinente de Gondwana começou a se fragmentar. Essa gigantesca formação continental era constituída pela América do Sul, África, Antártica, Ilha de Madagascar, Índia (o famoso Subcontinente Indiano), Austrália, Nova Zelândia, Nova Caledônia e algumas outras ilhas menores. Esse evento teve início a cerca de 165 milhões de anos e, ainda hoje, esses “fragmentos” de Gondwana ainda se movem (pesquisa Tectônica de Placas). Com o início da ruptura continental, dezenas de vulcões entraram em erupção simultaneamente – um dos períodos de maior intensidade das erupções aconteceu no Período Cretáceo, entre 137 e 127 milhões de anos atrás.  

Na América do Sul, os derramamentos de lava, calculados em 650 mil km³, cobriram uma área de aproximadamente 1,2 milhão de km², especialmente na região onde encontramos hoje a bacia hidrográfica do rio Paraná, englobando áreas do Brasil, do Paraguai, da Argentina e do Uruguai. Os solos dessa região eram formados, originalmente, por extensas dunas de areia de desertos como o de Botucatu. Ao longo dos tempos geológicos, essas areias foram submetidas a forças externas (especialmente temperatura e pressão), que junto com a presença de água produziu um processo de cimentação dos grãos e fragmentos da massa de sedimentos, que acabou transformada nas chamadas rochas sedimentares, com destaque especial para os arenitos

Esse tipo de rocha tem uma característica especial – são extremamente porosas e, por isto, formam os depósitos ou lençóis subterrâneos de água. Os derramamentos de lava nessa extensa região de dunas originou o Aquífero Guarani, um dos maiores reservatórios subterrâneos de água conhecidos do mundo. Submetida a um longo e contínuo processo de erosão, a maior parte dessa capa de rochas vulcânicas acabou desaparecendo, levando junto várias camadas de rochas sedimentares. As Cuestas Basálticas que encontramos hoje no Estado de São Paulo são os resquícios da formação original, que sobreviveram a esse processo erosivo. 

As Cuestas Basálticas paulistas se estendem no sentido Nordeste-Sudoeste e são bastante proeminentes em municípios como Botucatu, Pardinho, Águas de São Pedro, Descalvado, Brotas, São Carlos e Santa Rita do Passa Quatro, entre outros. Quem passa pelas estradas da região reconhece imediatamente os perfis característicos dessas formações geológicas, que formam um importante patrimônio natural e com grande potencial turístico, além de fornecer importantes recursos hídricos para todas essas cidades. 

Um exemplo da importância econômica das Cuestas Basálticas pode ser visto no município de Brotas, localizado a 240 km da capital paulista. Descoberta pelos operadores do turismo de aventura e natureza na década de 1990, Brotas foi transformada, de acordo com o slogan da cidade, na Capital da Aventura. Praticantes de esportes radicais como escaladas, rafting (vide foto), ciclismo, arborismo e trilhas radicais, lotam os hotéis e áreas naturais do município em busca de adrenalina e muitas aventuras. Destaques do município são os rios Jacaré Pepira e do Lobo.

De acordo com dados da Prefeitura da cidade, cerca de 20 mil “aventureiros” visitam Brotas nos meses de férias. Pela sua proximidade da Grande São Paulo e de grandes cidades do interior do Estado, também é muito grande o número de visitantes que fazem o “bate e volta”, ou seja, que viajam até a cidade para curtir as aventuras e que voltam para as suas casas à noite. Cada um desses visitantes chega a gastar até R$ 500,00 em cada uma dessas viagens, onde se incluem despesas com alimentação, hospedagem, ingressos turísticos e pagamentos de guias, entre outros gastos, gerando importantes receitas para uma cidade com pouco mais de 21 mil habitantes e que sempre dependeu das atividades agropecuárias para sobreviver. O grande diferencial desse tipo de turismo é a preocupação com a conservação ambiental – esses aventureiros querem encontrar águas limpas e matas preservadas.

Os recursos hídricos das Cuestas Basálticas também são fundamentais para o abastecimento de inúmeras cidades da região, que captam as águas superficiais dos rios com nascentes e/ou tributários localizados nessas formações ou retiram as águas através de poços artesianos. Muitas áreas de recarga do Aquífero Guarani se encontram nos domínios das Cuestas Basálticas, o que é um motivo a mais para as preocupações com a conservação ambiental dessas formações.

Para você entender, como ninguém, as relações ecológicas entre serras e águas, nada melhor do que programar um passeio para essa fascinante região do interior do Estado de São Paulo.

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