JALAPÃO: O GRANDE “DESERTO” BRASILEIRO

Jalapão

O Jalapão é um grande território natural que ocupa uma área de mais de 34 mil km² no Tocantins e, há vários anos, é considerado como o principal destino turístico desse Estado. O bioma da região é o Cerrado, onde predomina a vegetação de cerrado ralo e a de campos limpos com veredas. A temperatura local média é de 30° C e podem ser encontradas dentro de seus domínios dunas de areia alaranjadas com até 40 metros de altura, característica que lhe rendeu o título de “maior deserto do Brasil”. 

À primeira vista, pode até parecer uma grande contradição o fato de um site que se diz voltado aos recursos hídricos dedicar uma publicação inteira para falar de um deserto. Mas não é – toda a área do Jalapão é cortada por uma imensa rede de rios, riachos e ribeirões de águas cristalinas, além de se encontrar por todos os lados os famosos “fervedouros”, nascentes onde a água brota com força dos solos. A região é, na verdade, um deserto de gentes, com uma densidade demográfica de apenas 0,8 habitante por km². 

O Jalapão fica no Leste de Tocantins, a cerca de 200 km da Capital do Estado, Palmas. Desconhecido da grande maioria dos brasileiros, a região começou a ser descoberta pelo turismo há poucos anos atrás e não saiu mais dos noticiários e programas de TV. Recentemente, suas paisagens foram parte dos cenários de uma novela brasileira; em 2008 foi o palco de um reality show de uma grande rede de TV dos Estados Unidos. 

O nome do lugar deriva de uma flor, a Exogonium officinale, conhecida popularmente como jalapa-do-Brasil, que pode ser encontrada por todos os lugares, desde as formações de cerrado baixo, nos paredões rochosos e até nas matas de galeria encontrada nas margens dos muitos rios do Jalapão como o Rio do Sono, do Soninho, Novo, das Balas, Preto e do Caracol. Destaques da paisagem local, além das famosas dunas, são as serras e os chapadões, com altitude de até 800 metros, de onde despencam inúmeras cachoeiras e nascentes, formando verdadeiros “oasis” no meio desse “deserto”. 

Um dos únicos aglomerados humanos no Jalapão é a comunidade dos Mumbucas, formada por ex-escravos vindos da Bahia, que sobrevivem basicamente da produção de artesanato, onde se destacam as famosas peças feitas com o capim dourado, uma técnica que foi criada nessa comunidade. Bem mais numerosas são as comunidades da fauna típica do Cerrado, onde se destacam os veados-campeiros, lobos-guará, antas, capivaras, tamanduás-bandeiras, macacos, gambás, onças e jacarés, além de cobras como sucuris, cascavéis e jiboias. A avifauna também é bastante rica, incluindo tucanos, papagaios, araras-azuis, emas e urubus. Observem que uma diversidade animal tão grande jamais seria encontrada na região se ela fosse mesmo um deserto. 

A diversidade ecológica de paisagens, de vida animal e vegetal do Jalapão é ampliada graças a existência de outras duas unidades de conservação contíguas: a Estação Ecológica Serra Geral do Tocantins e o Parque Nacional das Nascentes do rio Parnaíba, sob administração do ICMbio – Instituto Chico Mendes de Proteção a Biodiversidade. A essas duas unidades de conservação se junta o Parque Estadual do Jalapão, criado em 2001 pelo Governo do Tocantins, uma unidade de proteção integral com uma área total de 158 mil hectares. Essas três áreas extrapolam os limites do Tocantins e avançam pelos territórios dos Estados vizinhos: Maranhão, Piauí e Bahia, totalizando mais de 959 mil hectares de área de Cerrado sob proteção ambiental. 

O elemento água é, contraditoriamente, uma das grandes atrações do “deserto brasileiro”: são inúmeras as nascentes, praias fluviais, piscinas naturais e quedas d’água espalhadas por todos os cantos do Jalapão e que fazem a festa dos turistas. Uma das grandes opções de banho são os “fervedouros”, grandes poças onde a água morna brota com força do chão e faz a areia e os cascalhos do fundo vibrarem. O nome fervedouro vem da sua semelhança com a água fervendo numa panela e/ou do efeito efervescente de um comprimido de antiácido ao se dissolver num copo de água.

Nas formações rochosas e nos grandes paredões de arenitos se escondem grutas com nascentes de água e cânions, que atraem os visitantes mais aventureiros. Existem diversas trilhas por toda a região, com diferentes graus de dificuldade, que permitem que os visitantes acessem as diferentes atrações do Jalapão, que estão espalhadas por uma área bastante grande e onde nem sempre é possível a utilização de veículos. 

Como é comum nas áreas de Cerrado, as estações do ano no Jalapão se dividem em dois períodos bastantes distintos: a seca e o período das chuvas. A estação das chuvas vai de outubro a abril, o que causa um aumento substancial no volume dos rios, cachoeiras e piscinas naturais da região. No período seco, que vai de maio a setembro, o volume de água dos rios cai bastante, o que favorece o aparecimento dos afloramentos rochosos do leito dos rios – essa é a época ideal para os praticantes de rafting. Durante os meses de verão, o período da seca, as temperaturas no Jalapão variam de 25 a 35°C; no inverno local, período das chuvas, as temperaturas se situam entre 13 e 20° C. 

O Jalapão é, sobretudo, um resumo das belezas naturais, recurso hídricos e ecossistemas do Cerrado Brasileiro, um dos nossos biomas mais ameaçados pelo avanço das fronteiras agrícolas, especialmente na região onde se encontra o nosso “deserto” – o MATOPIBA, formada por trechos dos Estados do MAranhão, TOcantins, PIauí,  e BAhia. 

Vale muito a pena conhecer para aprender a preservar.

Chapada do Jalapão

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