Avatar de Desconhecido

Posts de ferdinandodesousa

Escritor, jornalista, gestor e educador ambiental. Especialista em projetos de comunicação social e de educação ambiental.

O EMBATE ENTRE A ONU – ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS, E AS GRANDES EMPRESAS PETROLEIRAS

Na nossa última postagem falamos da publicação recente de um estudo na revista Science onde se afirmava que a ExxonMobil, uma das maiores empresas do setor de petróleo do mundo, tinha em mãos estudos internos que tratavam do aquecimento global. Esses estudos são de 1977. 

A grande questão que foi levantada – a empresa tinha consciência plena dos danos ambientais que seus produtos estavam causando e, visando manter seus lucros, preferiu manter-se em silêncio. 

De acordo com o texto publicado na revista Science, os dados levantados nos estudos de 1977 foram comparados com dados mais recentes obtidos através de pesquisadores independentes e de órgãos governamentais. Esse trabalho foi realizado por pesquisadores da Universidade de Harvard, dos Estados Unidos, e o grau de acerto dos pesquisadores ligados à ExxonMobil foi surpreendente. 

Conforme comentamos em nossa postagem, as repercussões de uma notícia dessas seriam enormes. No último dia 18, durante uma reunião no Fórum Econômico Global, em Davos na Suíça, o secretário-geral da ONU – Antônio Guterres, acusou as grandes petroleiras de “espalharem uma grande mentira sobre seu papel no aquecimento global”. 

 “Alguns produtores de combustíveis fósseis estavam plenamente conscientes na década de 1970 de que seu principal produto iria queimar o planeta. Mas, como a indústria do tabaco, eles subestimaram sua própria ciência. Alguns gigantes do petróleo venderam a grande mentira“, 

Guterres, da mesma forma que fizemos em nossa postagem, associou essa atitude das grandes petroleiras com a indústria do tabaco e do fumo, onde as empresas passaram décadas afirmando que o cigarro não causava problemas para a saúde humana. 

Desde a década de 1920, já haviam estudos que associavam o hábito de fumar a uma série de doenças. As indústrias de cigarro, é claro, sabiam disso e fizerem grandes esforços para abalar a credibilidade desses estudos. Existem diversas propagandas antigas que mostram médicos falando sobre suas marcas prediletas de cigarros. Outros profissionais de grande reputação eram contratados a “peso de ouro” para desacreditarem esses estudos. 

Um exemplo dos esforços que as indústrias de cigarro faziam para esconder esses problemas é mostrado no filme “O informante” (The insider), de 1999. A trama mostra os esforços de um produtor de TV para entrevistar um antigo executivo de uma dessas indústrias. Outra boa dica de filme com essa mesma temática é “Obrigado por fumar” (Thank you for smoking), de 2005.  

Em 1997, a indústria do fumo dos Estados Unidos sofreu uma gigantesca derrota jurídica em um processo movido por 40 Estados do país. Esses governos pediam uma indenização financeira como compensação pelos altos gastos com o tratamento médico de doenças associados ao fumo. Entre indenizações e multas, inclusive pela veiculação de propagandas falsas, o montante somou US$ 385 bilhões. 

O caso da ExxonMobil e, muito seguramente, de outras grandes empresas do ramo petrolífero, possui enormes semelhanças com a questão da indústria de cigarros – as empresas tinham estudos internos que mostravam o tamanho dos danos causados pela queima dos seus combustíveis fósseis e fizerem de tudo para varrer essas informações para “debaixo do tapete”. 

A questão é bem complexa e vai muito além dos grandes conglomerados empresariais privados. 

Grande parte das grandes empresas que atuam na exploração e refino do petróleo pertencem aos Governos de países. Um desses casos é a Petrobrás – Petróleo Brasileiro S.A., uma empresa de capital aberto que tem a maior parte do seu controle acionário nas mãos do Governo brasileiro. 

É impossível se admitir que esses Governos – que inclusive possuem ministérios e secretarias de meio ambiente, não soubessem dos problemas ambientais que estavam sendo criados pela produção e queima de combustíveis fósseis. 

Vou citar o exemplo da TotalEnergies, maior empresa privada do setor de petróleo da França e uma das maiores do mundo. A empresa foi fundada em 1924 numa associação de capitais privados e do Governo da França, que manteve sua participação na empresa, pelo menos, até o início da década de 1980. 

Mesmo sem uma participação direta como controlador dessas empresas, os Governos enxergam as petroleiras como empresas estratégicas para seus países e, direta ou indiretamente, exercem algum controle sobre suas atividades. Dessa forma, não há como deixar de creditar parte da responsabilidade (ou da culpa) do aquecimento global a esses Governos. 

Como sempre costumamos citar em nossas postagens, o Brasil é sempre colocado na posição de grande vilão dos problemas climáticos globais por causa das “queimadas e da destruição da Floresta Amazônica”. Um dos nossos principais “opositores” é, por mera coincidência, o Presidente da França – Emmanuel Macron

Diante da manifestação do secretário-geral da ONU – Organização das Nações Unidas, gostaria de ouvir alguma manifestação do Sr. Macron sobre a participação da França e de sua empresa petrolífera – a TotalEnergies, na questão do aquecimento global. 

Melhor que puxemos uma boa cadeira e que sentemos para esperar uma resposta… 

VEJA NOSSO CANAL NO YOUTUBE – CLIQUE AQUI

ESTUDO FEITO EM 1977, POR CIENTISTAS LIGADOS À EXXONMOBIL, JÁ PREVIA AS MUDANÇAS CLIMÁTICAS 

Um estudo publicado pela prestigiada revista científica Science a poucos dias atrás está causando uma profunda repercussão entre grupos ambientalista de todo o mundo. O texto sugere que a ExxonMobil, uma das maiores empresas petrolíferas do mundo, tinha em mãos estudos feitos por cientistas da própria empresa que apontavam para as mudanças climáticas globais – esses estudos são de 1977. 

Ou seja – aparentemente, a empresa sabia a quase meio século que seus produtos – derivados de petróleo como gasolina, querosene e óleo diesel, eram prejudiciais ao meio ambiente e que a poluição gerada pela sua queima poderia desencadear mudanças climáticas. Apesar dessas informações, a empresa preferiu continuar com a sua produção e com seus lucros milionários 

Essa não é a primeira vez que notícias com esse teor vem ao público – em 2015, reportagens investigativas dos jornais Los Angeles Times e The Guardian divulgaram supostos documentos internos da empresa que detalhavam uma série de problemas ambientais que seriam criados até o ano de 2050, devido a queima de combustíveis fósseis. 

Como é de praxe em grandes companhias, a ExxonMobil nega a existência de tais estudos e de suas conclusões. Segundo a empresa, faltam evidências concretas sobre a ligação entre as mudanças climáticas e a queima dos combustíveis fósseis, além de afirmar que os modelos usados para prever os efeitos das mudanças climáticas são exagerados. 

Essa estratégia empresarial é bastante conhecida e guarda enormes semelhanças com as posições assumidas pela indústria do tabaco e do fumo que, ao longo de muitas décadas, que vinha negando sistematicamente qualquer relação entre o consumo de seus produtos e surgimento de doenças como o câncer em seus consumidores. 

De acordo com o texto publicado na revista Science, dados do suposto estudo feito por pesquisadores da ExxonMobil foram comparados por pesquisadores da Universidade de Harvard, dos Estados Unidos, com outros dados produzidos por outros cientistas independentes e autoridades governamentais. 

A semelhança dos resultados é surpreendente – entre 63% e 93% das projeções que foram feitas pelos pesquisadores da empresa para o período entre 1977 e 2003 estavam corretos. 

Um exemplo da assertividade do estudo foram as projeções para a taxa de aquecimento do planeta, que foi estimada em 0,2º C por década, um valor que está muito próximo do aceito pela maioria dos cientistas atualmente. Outro exemplo – o suposto estudo da ExxonMobil afirmava que os efeitos da crise climática se tornariam mais evidentes na virada do século XX para o XXI. 

A comprovação que a empresa já sabia com tamanha antecedência dos problemas criados pelo uso dos seus produtos ao meio ambiente poderá gerar uma das maiores indenizações da história. Podemos citar aqui como exemplo a gigantesca derrota jurídica sofrida pela indústria do fumo nos Estados Unidos em 1997, quando foram obrigadas a pagar US$ 385 Bilhões em indenizações e multas. 

Essa ação foi movida por 40 Estados norte-americanos contra as indústrias de cigarro, onde pediam uma indenização pelos altos custos dos tratamentos médicos para fumantes doentes que procuravam auxílio estatal. Posteriormente, a ação incluiu os danos causados por propagandas mentirosas veiculadas por essas empresas ao longo de várias décadas. 

Agora, tentem imaginar os valores que seriam devidos por uma das maiores empresas petrolíferas do mundo e com operações em dezenas de países? Calculem qual seria o montante pedido por inúmeros países que estão sentindo na pele os efeitos das mudanças climáticas. 

A questão da ExxonMobil também levanta uma importante pergunta – outras gigantes do setor como a Texaco, Saudi Aramco, Total, Gazprom, Chevron e British Petroleum, entre muitas outras, não teriam feito seus próprios estudos e chegado às mesmas conclusões? 

Esse é um assunto bastante delicado e que mexe com interesses de grandes corporações e países. Esses interesses vão fazer de tudo para que esse tipo de discussão não avance e que desaparece dos meios de comunicação. 

Mas, como dizem os caipiras aqui das minhas vizinhanças, “pau que bate em Chico também bate em Francisco”. Se os danos criados pela indústria do cigarro justificaram o pagamento de uma indenização multibilionária, por que não se exigir o mesmo das grandes petroleiras? 

Essa é uma daquelas perguntas para se pensar na cama… 

VEJA NOSSO CANAL NO YOUTUBE – CLIQUE AQUI

UM INVERNO MUITO QUENTE NA EUROPA OCIDENTAL

O verão brasileiro vai seguindo do jeito que manda o figurino – dias muito quentes com chuvas fortes. Em Minas Gerais, por exemplo, as fortes chuvas das últimas semanas vêm provocando uma forte elevação no nível das águas no rio Doce e no rio Grande, situação que preocupa as populações ribeirinhas.

Já na Europa Ocidental, muita gente continua esperando a chegada do inverno e de suas baixas temperaturas. Um ótimo exemplo é a cidade de Bilbao, no Norte da Espanha, que experimentou temperaturas na ordem dos 25º C nos primeiros dias de 2023 (vide foto). A temperatura média esperada na cidade para essa época do ano costuma oscilar entre 5 e 10º C. 

Temperaturas bem acima da média esperada para esse início de inverno também estão sendo observadas nos Países Baixos, França, Alemanha, Polônia, República Checa, Dinamarca, Suíça, Liechtenstein, Lituânia e Letônia. Até mesmo em países do Leste Europeu, famosos por seus invernos rigorosos como a Ucrânia e a Bielorrússia, temperaturas altas vêm sendo observadas. 

Em Varsóvia, capital da Polônia, os termômetros tem ficado próximo aos 4º C durante o dia. Na vizinha Bielorrússia os termômetros chagaram a incríveis 16,4º C. Já em regiões bastante próximas na Escandinávia e na Rússia, as temperaturas estão dentro da normalidade para essa época do ano, com os termômetros marcando -20º C. 

De acordo com informações de meteorologistas, o inverno europeu é marcado por uma forte influência de massas de ar frio que vem da Sibéria, no Leste da Rússia, e da Escandinávia. Esse ano, entretanto, toda a Europa Ocidental está sofrendo com a influência de massas de ar menos frias vindas do Oceano Atlântico. 

De acordo com o meteorologista Pedro Miranda, da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, “o que acontece neste momento na Europa ocidental é que, devido à disposição destes sistemas – em particular do anticiclone dos Açores, que está muito perto do continente europeu –, estamos a receber na Europa ocidental ar que vem do Atlântico”. 

Segundo esse especialista, essa anomalia que está sendo observada em grande parte da Europa está diretamente ligada às mudanças climáticas globais e ao aumento gradual das temperaturas no planeta. Isso tem provocado mudanças na pressão atmosférica em diversas regiões do planeta, o que, por sua vez, está interferindo na circulação das grandes massas de ar. 

Essas mudanças na atmosfera estão resultando em altas temperaturas em algumas regiões onde o clima costuma ser mais ameno – que é o que estamos observando na Europa atualmente, ou tornando regiões de clima mais ameno em frias, como o que foi visto a poucas semanas atrás na Flórida, no Sul dos Estados Unidos, que sofreu com fortes nevascas. 

No final de junho de 2022, publicamos uma postagem aqui no blog falando da temperatura recorde de 40,2º C que foi registrada no Aeroporto de Heathrow, em Londres. Até umas poucas décadas atrás temperaturas dessa ordem só eram encontradas com muita frequência em regiões tropicais. Em anos recentes, elas vêm se tornando cada vez mais comuns em cidades europeias. 

Também não podemos nos esquecer do caso da cidade Verhoyansk, na Sibéria, onde foi registrada a temperatura 38ºC no dia 20 de fevereiro de 2021. A Sibéria sempre foi considerada uma das regiões mais frias do planeta, registrando temperaturas de inverno inferiores a -60º C e máximas de verão da ordem de 16º C. 

Conforme já tratamos em inúmeras postagens anteriores, o principal vilão do clima mundial na atualidade é o aumento da concentração de gases de efeito estufa na atmosfera, onde o dióxido de carbono (CO2) é destaque. Esse gás é produzido naturalmente pela respiração de seres humanos e animais, pela decomposição de restos de plantas e de animais, por queimadas em florestas, pela digestão de alimentos nos intestinos de animais e seres humanos, entre outras fontes.  

Também é produzido por inúmeras atividades humanas como nas indústrias, na geração de energia e nos transportes.  Aqui o principal vilão são combustíveis fósseis derivados de petróleo e o carvão mineral. 

De acordo com dados do IPCC – Painel Intergovernamental de Mudanças do Clima, na sigla em inglês, o dióxido de carbono está presente em 78% das emissões humanas e em 55% das emissões mundiais de gases de efeito estufa. Os maiores emissores mundiais de gases de efeito estufa em 2018 foram os Estados Unidos, a China e a Índia – o Brasil ficou na 14° posição.  

O efeito estufa é um processo físico natural do planeta Terra que ocorre quando determinados gases presentes na atmosfera absorvem parte da irradiação infravermelha do sol, irradiando e retendo esse calor na superfície do planeta. Esse mecanismo permitiu, ao longo dos vários ciclos da história geológica do planeta, a estabilização da temperatura dentro de uma faixa vital para a manutenção da vida e do clima. Essa estabilização permitiu o desenvolvimento dos sistemas florestais e dos oceanos, com o consequente equilíbrio dos gases formadores da atmosfera e a explosão da vida biológica na Terra. 

Desgraçadamente, as atividades humanas ao longo da história passaram a interferir no delicado mecanismo do efeito estufa. Esses impactos se intensificaram enormemente após o início da Revolução Industrial, em meados do século XVIII, quando volumes cada vez maiores de carvão passaram a ser queimados para a alimentação de um sem número de máquinas a vapor. 

Estamos colhendo hoje problemas que foram iniciados por nossos ancestrais há muitas gerações atrás e que ainda hoje nós nos mostramos sem a devida capacidade para pará-los. 

Aonde tudo isso vai nos levar ainda é uma incógnita, mas, com toda a certeza, coisa boa é que não sairá de tudo isso… 

VEJA NOSSO CANAL NO YOUTUBE – CLIQUE AQUI

AS ENCHENTES AO LONGO DA CALHA DO RIO DOCE

Um outro importante rio de Minas Gerais que vem sofrendo devido às fortes chuvas no Estado é o rio Doce. De acordo com medições feitas ontem, dia 15 de janeiro, pelo SAAE – Serviço Autônomo de Águas e Esgotos, de Governador Valadares, o rio Doce está 1,72 metro acima do nível normal. Há cerca de 10 dias atrás, o rio estava mais de 4 metros acima do nível normal e o transbordamento afetava milhares de famílias ao longo de toda a calha do rio (vide foto). 

De acordo com informações do SAAE de Governador Valadares, a chamada cota de inundação, ou seja, o nível a partir do qual o rio começa a transbordar, é de 2,8 metros, o que demonstra a situação crítica que foi criada na região. Felizmente, as chuvas deram uma trégua e o nível do rio vem baixando gradativamente nos últimos dias. 

O rio Doce se forma na Serra da Mantiqueira no município de Ressaquinha a partir da junção das águas dos rios Piranga e do Carmo. Desse ponto até sua foz no Oceano Atlântico em Linhares, no Espírito Santo, o rio Doce percorrerá cerca de 853 km. A bacia hidrográfica do rio inclui, total ou parcialmente, um total de 228 municípios, sendo 202 em Minas Gerais e 26 no Espírito Santo, onde vivem 3,2 milhões de habitantes. 

Essa bacia hidrográfica ocupa uma área total superior a 83 mil km² na faixa Leste de Minas Gerais e no Noroeste do Espírito Santo. Toda a drenagem de águas pluviais dessa extensa região é feita pela calha de uma infinidade de rios tributários, que por fim acabam chegando no rio Doce. Logo, a temporada de chuvas é sempre uma fonte de preocupação para as populações ribeirinhas. 

É inevitável falar do rio Doce sem lembrar da tragédia que ocorreu aqui em 2015, quando o rompimento de uma barragem de rejeitos de mineração em Mariana provocou uma gigantesca tragédia ambiental que, até hoje, tem consequências graves para a vida de milhares de pessoas. 

No final da tarde do dia 5 de novembro de 2015, uma barragem de rejeitos de mineração na região de Bento Rodrigues, um distrito de Mariana, se rompeu e deixou vazar um volume de aproximadamente 62 milhões de metros cúbicos de lama e resíduos de ferro, manganês e outros minerais. 

Essa onda de resíduos soterrou em poucos minutos cerca de 250 edificações em Bento Rodrigues e destruiu, pelo menos, 150 hectares de matas ciliares das margens dos rios Gualaxo e do Carmo, afluentes do rio Doce. A onda de destruição só não foi maior porque a barragem Candonga, da Usina Hidrelétrica Risoleta Neves, conseguiu segurar grande parte da onda de lama e de entulhos, que nesse ponto atingiu 17 metros de altura. 

Gradativamente, toda essa lama e os rejeitos minerais passaram a se misturar com as águas do rio Doce e, depois de apenas cinco dias, já era percebida na foz no Oceano Atlântico, na cidade de Linhares, Espírito Santo. Oficialmente, 19 pessoas, entre moradores de Bento Rodrigues e funcionários da mineradora, morreram no acidente. A proprietária e operadora da barragem de rejeitos é a Samarco Mineração S.A., uma empresa formada pela associação da Vale S.A. e da empresa australiana BHP Billiton Brasil LTDA. 

Além do distrito de Bento Rodrigues, a onda de lama atingiu com um impacto um pouco menor as comunidades de Paracatu de Baixo, Gesteira e Barra Longa. Ao todo, 39 cidades foram afetadas nos Estados de Minas Gerais e Espírito Santo, ao longo de um trecho de mais de 650 km da calha do rio Doce. O “acidente” (eu não gosto muito de usar essa palavra) foi classificado como o maior desastre ambiental já ocorrido no país e um dos maiores já registrados na área da mineração no mundo. 

Ao longo de vários meses após esse desastre, dezenas de cidades ao largo da calha do rio sofreram com a falta de água para o abastecimento de suas populações. Essas cidades, que captavam e tratavam as águas do rio Doce, precisaram realizar obras emergenciais em fontes alternativas de água. Dezenas de milhares de famílias passaram a depender de caminhões pipa para seu abastecimento. 

Pescadores, barqueiros e outros profissionais que dependiam das águas do rio também ficaram sem sua fonte de sustento, sendo que muitos sofrem até os dias de hoje devido aos altos índices de poluentes minerais que ainda são encontrados nas águas do rio Doce. 

Durante o período das fortes chuvas, como esse que estamos vivendo, muitos sedimentos que ainda estão acumulados no fundo da calha do rio acabam sendo revolvidos e são transportados pela correnteza, situação que deixa as populações em estado de atenção. De acordo com especialistas, a recuperação do rio Doce vai levar mais de três décadas. 

Um dos principais problemas do rio atualmente é a presença de metais pesados em suas águas. Entre os metais pesados destacam-se o mercúrio, chumbo, cádmio, manganês, níquel, ferro, estanho, cromo e arsênico (classificado como semimetal). Esses minerais se acumulam gradativamente no organismo de pessoas e animais, sendo difíceis de serem eliminados. Provocam inúmeras doenças como o câncer, doenças cardiovasculares, doenças degenerativas como o mal de Alzheimer, doença de Parkinson, entre outras. 

Desde o famigerado acidente, as empresas proprietárias da mineradora têm feito pesados investimentos em ações de recuperação ambiental e em ações de “ajuste de conduta”, ou seja, mudanças em seus procedimentos operacionais a fim de evitar a ocorrência de novas tragédias. Infelizmente, em janeiro de 2019, um outro acidente do mesmo tipo aconteceu em Brumadinho – por uma “estranha coincidência” a proprietária do empreendimento é a Vale do Rio Doce. 

Imagens gravadas do acidente mostram que a barragem de rejeitos da Mina do Córrego do Feijão literalmente se liquefez, deixando vazar uma onda de lama e de rejeitos da ordem de 12 milhões de metros cúbicos. Apesar de ter um volume bem menor do que o do acidente em Mariana, o rompimento dessa barragem deixou um número maior de vítimas fatais – foram cerca de 270 mortos. 

A onda de lama e rejeitos minerais se espalhou por todo o vale do Córrego do Feijão até chegar na calha do rio Paraopeba, afluente do rio São Francisco. Casas ribeirinhas, plantações, matas e até um segmento de uma ponte ferroviária foram destruídos. De acordo com o IEF – Instituto Estadual de Florestas, cerca de 150 hectares de matas nativas foram destruídos pela lama. 

Como é bem fácil de notar, a preocupação de muitas populações ribeirinhas que vivem ao largo de grandes rios de Minas Gerais vai muito além da cheia e dos transbordamentos das águas… 

VEJA NOSSO CANAL NO YOUTUBE – CLIQUE AQUI

A CHEIA DO RIO GRANDE 

Depois de algumas semanas de folga, vamos retomar as postagens aqui do blog

O lago de Furnas, conhecido por muita gente como o “mar de Minas”, está com o melhor nível para um mês de janeiro dos últimos 10 anos. De acordo com informações do ONS – Operador Nacional do Sistema Elétrico, o reservatório apresentava neste último domingo, dia 15 de janeiro, um volume total armazenado de 88,89%. 

Outros reservatórios do rio Grande também estão apresentando níveis bastante elevados. Os reservatórios das usinas hidrelétricas de Mascarenhas de Moraes e de Marimbondo, por exemplo, apresentavam volumes acumulados de 84,44% e 80,71%, respectivamente, no mesmo dia 15 de janeiro. 

Esses bons números, entretanto, são o reflexo direto de fortes chuvas que vem caindo em Minas Gerais, especialmente na faixa Sul do Estado. Como resultado, importantes rios como o Doce e o Grande estão com altos níveis, um problema que vem preocupando muita gente. 

Na última sexta-feira, dia 13 de janeiro, as comportas da barragem do reservatório de Furnas foram abertas como forma de controlar o rápido aumento do nível das águas (vide foto) – essa operação não era feita desde o ano de 2012. Em meados de dezembro de 2022, Furnas estava com 65% de sua capacidade, o que nos dá uma ideia do volume de água que chegou no reservatório nas últimas semanas. 

Além da barragem de Furnas, O ONS também determinou a abertura dos vertedouros das barragens de Marimbondo, Mascarenhas de Moraes e Luiz Carlos Barreto de Carvalho. O vertedouro da Usina Hidrelétrica de Porto Colômbia já estava aberto desde o dia 9 de janeiro. 

O rio Grande tem 1.360 km de extensão desde de suas nascentes na Serra da Mantiqueira até a foz no Paranaíba, rio com o qual se junta para formar o rio Paraná. Suas águas movimentam as turbinas geradoras de 12 usinas hidrelétricas, que juntas respondem por 25% da capacidade instalada do Subsistema Elétrico Sudeste/Centro-Oeste. 

A bacia hidrográfica do rio Grande ocupa uma área total de 143 mil km², englobando áreas dos Estados de São Paulo e de Minas Gerais – o rio, inclusive, marca um longo trecho da divisa entre esses dois Estados. Ao longo dos últimos anos essa importante região vem sendo castigada por mudanças climáticas e por ciclos de grandes secas. 

Um exemplo do que vem acontecendo na região foi uma notícia que publicamos aqui no blog em 28 de setembro de 2021 – cidades do Norte e do Noroeste do Estado de São Paulo e também do Triângulo Mineiro, todas inseridas na bacia hidrográfica do rio Grande, foram surpreendidas por uma tempestade de areia digna dos melhores filmes de Hollywood, algo absolutamente inédito na região. 

As tempestades de areia são comuns em regiões ocupadas por grandes desertos, especialmente na Ásia. Elas são o resultado da combinação de solos secos com ventos fortes, que levantam os sedimentos e os carregam a grandes distancias. De acordo com meteorologistas, essas tempestades podem lançar os sedimentos a uma altura de até 10 mil metros e tem o poder de cobrir cidades inteiras com uma grossa camada de areia. 

No dia seguinte a essa postagem, publicamos outra falando da situação crítica do Lago de Furnas que, naquele momento, havia atingido a marca de 14,27% de sua capacidade. Toda a região central do país enfrentava uma fortíssima seca, o que colocava grande parte da capacidade de geração de energia elétrica do Brasil em risco. Esse ano de 2023 começou com uma situação completmente oposta, inclusive com a decisão para a abertura das comportas das represas.

A abertura das comportas de uma represa ou açude é um belíssimo espetáculo visual – a força das águas forma uma grande mancha de espuma e também forma uma intensa nuvem de vapor de água, o que, não raras vezes, forma um pequeno arco-íris. Para as populações que vivem a jusante dessas barragens (ou seja, correnteza abaixo), entretanto, essa abertura é sempre um motivo de preocupação. 

A súbita liberação de grandes volumes de água costuma se refletir num rápido aumento do nível do rio, aumentando o risco de enchentes e alagamentos em áreas próximas das margens. Essa possibilidade assusta as populações ribeirinhas, sempre sujeitas a problemas desse tipo. 

Nas duas últimas semanas eu venho observando um repentino aumento das consultas a postagens aqui do blog referentes ao rio Grande e suas usinas hidrelétricas. Um leitor, inclusive, me mandou uma mensagem pedindo algumas informações sobre essas usinas hidrelétricas. Isso é sinal claro que a população está preocupada. 

De acordo com informações dos meteorologistas, a ZCAS – Zona de Convergência do Atlântico Sul, uma faixa de nebulosidade que se forma entre o Sul da Região Amazônica e a região central do Oceano Atlântico Sul nessa época do ano, é quem está provocando as fortes chuvas que estão caindo em Minas Gerais. 

Entre os dias 1º de outubro de 2022 e 8 de janeiro de 2023, já foi registrado um volume de chuvas acumuladas na região de Belo Horizonte da ordem de 1.071 mm. Esse volume corresponde a mais de 70% da chuva que costuma ser registrada na região ao longo de todo um ano. 

No Sul do Estado de Minas Gerais, o rio Grande é um dos principais receptores desse grande volume de águas pluviais, o que explica o rápido incremento dos volumes de águas armazenadas nas diversas represas e as preocupações dos moradores com os riscos de enchentes. 

Para desespero de muita gente estamos chegando ao fim primeiro mês do verão 2022/2023 e, com toda a certeza, as chuvas ainda vão levar muita água para a calha do rio Grande. É bom que todos fiquem de olho no nível das águas e que estejam preparados para eventuais situações de emergência. 

VEJA NOSSO CANAL NO YOUTUBE – CLIQUE AQUI

UM BALANÇO INICIAL DOS ESTRAGOS CAUSADOS PELA “NEVASCA DO SÉCULO” NOS ESTADOS UNIDOS 

A forte tempestade de inverno que atingiu grande parte dos Estados Unidos e do Canadá nos últimos dias deixou um enorme rastro de destruição, prejuízos e mortes. De acordo com informações da AFP – Agência France Press, e da CNN, o número de mortos atingiu a marca de 62 neste último dia 28 de dezembro. 

O jornal Washington Post publicou um balanço inicial dos estragos causados pelo ciclone-bomba, nevascas, fortes ventos e chuva. Os números são impressionantes: 

  1. 200 milhões de norte-americanos ou 2/3 da população dos Estados Unidos foi colocada em estado de alerta de frio intenso entre os dias 21 e 24 de dezembro; 
  1. 1,5 milhão de residências ficaram sem o fornecimento de energia elétrica; 
  1. 16 mil voos foram cancelados entre os dias 22 e 28 de dezembro; 
  1. Mais de 600 motoristas ficaram presos em seus veículos por causa das nevascas e precisaram ser resgatados por equipes da Guarda Nacional, policiais, bombeiros e socorristas; 
  1. 10 Estados norte-americanos foram colocados sob alerta de nevascas e outros 12 em estado de risco de nevascas. Essa lista inclui Montana, Dakota do Sul, Dakota do Norte, Minnesota, Iowa, Indiana, Michigan, Nebraska, Wisconsin e Nova York; 
  1. Em vários Estados das regiões Norte e Sudeste foram batidos recordes de baixas temperaturas; 
  1. Também foi batido o recorde de precipitação de neve entre os Estados da Flórida e Nova York – foram 2.235 minutos ininterruptos. Na cidade de Buffalo, no Norte do Estado de Nova York, foram 37 horas de nevasca contínua, com um acúmulo médio de neve nas ruas de mais de 2 metros; 
  1. As rajadas de vento atingiram a marca de 114 km/h no Norte do Estado de Nova York e superaram os 100 km/h em diversas regiões do país. 

Mais impressionante que os números só as imagens da tragédia, que mais parecem cenas tiradas de filmes de ficção científica como “O dia depois de amanhã”… 

PS: As famosas Cataratas de Niagara (vide foto abaixo), que ficam próximas à cidade de Buffalo, congelaram devido ao frio intenso.

VEJA NOSSO CANAL NO YOUTUBE – CLIQUE AQUI

A “NEVASCA DO SÉCULO” NOS ESTADOS UNIDOS 

Uma postagem rápida: 

Desde o último dia 21, os Estados Unidos e parte do Canadá estão sofrendo com fortes nevascas e ventos polares de rara intensidade, especialmente na região dos Grandes Lagos, na fronteira entre os dois países. Segundo as últimas atualizações, foram confirmadas 57 mortes, sendo 47 em 9 Estados norte-americanos e as demais no Canadá. 

No dia de Natal foram registradas temperaturas abaixo de zero grau em 48 dos 50 Estados do país, inclusive no Texas e outros Estados junto à fronteira com o México, região que costuma apresentar um clima mais ameno nessa época do ano. Dezenas de milhões de norte-americanos foram obrigados a comemorar as festas natalinas a luz de velas devido aos cortes na energia elétrica.  

De acordo com os meteorologistas, o país foi atingido por um ciclone-bomba, fenômeno climático que resultou nas maiores nevascas em mais de 30 anos. Um dos últimos eventos dessa magnitude foi uma grande tempestade de neve que atingiu a cidade de Buffalo, no Norte do Estado de Nova York em 1977, e que deixou cerca de 30 mortos. 

Em um comunicado ao público, divulgado nessa segunda-feira dia 26, autoridades dos Estados Unidos se referiram ao evento climático como a “nevasca do século” no país. O comunicado pediu cuidado redobrado à população, alertando que o evento ainda não terminou e que são esperadas novas quedas de neve. De acordo com Kathy Hochul, Governadora do Estado de Nova York, “ainda é perigoso estar fora de casa“. 

De acordo com informações oficiais, mais de 15 mil voos em todo o território dos Estados Unidos já foram cancelados – perto de 4 mil desses cancelamentos ocorreram na segunda-feira, dia 26. Centenas de pessoas que acabaram presas em carros durante nevascas ou que ficaram isoladas em suas casas precisaram ser resgatadas por membros da Guarda Nacional, policiais, bombeiros e socorristas. 

De acordo com o NWS – National Weather Service, ou Serviço Nacional de Meteorologia dos Estados Unidos, as condições do tempo deverão melhorar gradativamente nos próximos dias. Entretanto, o órgão recomenda muita cautela, especialmente para quem pretende viajar. 

Como diz o ditado, “cautela e canja de galinha não fazem mal a ninguém”… 

VEJA NOSSO CANAL NO YOUTUBE – CLIQUE AQUI

E O VERÃO, COMO SEMPRE, CHEGOU, CHEGANDO… 

A faixa Leste do Estado de Santa Catarina está sofrendo com fortes chuvas. Muitas cidades do Estado estão com trechos alagados, estradas foram interditadas, encostas de morros ameaçam desmoronar e, muito pior, o desmoronamento de uma outra encosta ceifou a vida de duas adolescentes. 

Essa é uma pequena amostra dos problemas que vamos viver nos próximos meses com a chegada da temporada de chuvas. 

Como já virou uma espécie de mantra aqui no blog: sai verão, entra verão e os problemas continuam os mesmos. Alagamentos, enchentes, deslizamentos de encostas, mortes e inúmeros prejuízos econômicos. As esperadas chuvas, que cidades e campos tanto dependem, sempre chegam envoltas num misto de esperança e medo. 

O confuso ano de 2022 está chegando ao fim, mas parece que não quer acabar. Vivemos um processo eleitoral complicado aqui no Brasil, com muita gente não querendo reconhecer o resultado e com muitas incertezas sobre o futuro.  

No resto do mundo percebemos um ambiente estranho, com enormes problemas criados pelo conflito entre a Rússia e a Ucrânia, uma grande crise energética e a pandemia da Covid-19 mostrando que ainda não acabou. Isso sem falar em todos os problemas ambientais que estão sendo desencadeados pelas mudanças climáticas. 

Mas vamos deixar tudo isso por conta do tempo – de um jeito ou de outro as coisas vão voltar a se acomodar e a vida vai continuar.  

Meus melhores desejos de um Feliz 2023 a todos, sempre com a esperança de vivermos tempos melhores. 

Abraços! 

VEJA NOSSO CANAL NO YOUTUBE – CLIQUE AQUI

O CHAMPANHE DO REVEILLON DE MUITA GENTE JÁ ESTÁ GARANTIDO 

O champanhe ou champagne, na grafia original francesa, é um vinho espumante originário de uma região com o mesmo nome no centro da França. De acordo com descrições históricas, um tipo de vinho produzido na região apresentava uma efervescência natural, o que acabava provocando o estouro das garrafas e gerava muitas reclamações dos produtores. 

Foi aí que entrou em cena Dom Pèrignon (1638-1715), um religioso que era responsável pelas adegas da Abadia de Hautvillers, da diocese de Rheims. O monge ficou curioso com o processo de fermentação desses vinhos e passou a fazer diversos experimentos. 

Dom Pèrignon observou que o estouro das garrafas era provocado pelo excesso de gás carbônico e passou a utilizar garrafas mais resistentes, além de amarrar as rolhas com arame, entre outros melhoramentos introduzidos na produção da bebida. Graças a seus esforços, a champanhe ganhou o status de bebida dos momentos festivos. Seu nome foi imortalizado como marca de um dos mais famoosos champanhes da França.

Em 1927, o Governo da França atendeu uma antiga reivindicação dos produtores e demarcou a Região de Champagne e a transformou em área exclusiva para a produção dos vinhos espumantes com essa denominação. Ou seja – só pode ser chamado de champanhe os vinhos espumantes produzidos nessa região. Essa região ocupa uma área com um total de 32 mil hectares. 

Nos últimos anos, a Região de Champagne passou a sofrer com ciclos de temperaturas acima da média histórica e com secas, problemas climáticos que passaram a comprometer a qualidade e os volumes de produção da bebida. Esses problemas foram associados às mudanças climáticas globais. 

Outras regiões com grande tradição na produção de vinhos em outros países da Europa como Espanha, Portugal e Itália, entre muitas outras, também passaram a enfrentar problemas semelhantes. Por outro lado, países sem muita tradição na produção vinícola como a Inglaterra e até mesmo a gelada Noruega, passaram a ver os vinhedos se expandirem. 

A colheita da safra de uvas 2022 da Região foi concluída no final do mês de setembro, surpreendendo os produtores com a quantidade e qualidade das frutas, isso apesar da forte seca que assolou as plantações. Os produtores esperam bater o recorde de produção de 2021, ano em que foram produzidas 322 milhões de garrafas de champanhe. 

Além dos problemas climáticos, a Região de Champagne sofreu muito nos últimos 2 anos com a pandemia da Covid-19. Com as restrições para a circulação de pessoas, muitos dos trabalhadores rurais estrangeiros que trabalhavam nos vinhedos voltaram para seus países de origem, especialmente no Leste Europeu. 

Problemas econômicos em todo o mundo derivados das políticas de fechamento de países e de empresas também levaram a uma abrupta redução da demanda da bebida, considerada um artigo de luxo e bastante caro. 

Apesar desse alento, as perspectivas para a Região de Champagne não são as melhores – é provável que as mudanças climáticas acentuem ainda mais os picos de altass temperaturas e os ciclos de seca, o que poderá comprometer, irremediavelmente a produção da bebida num futuro não muito distante. 

A champanhe francesa também vem sofrendo cada vez mais com a produção de vinhos espumantes genéricos, conhecidos simplesmente como “espumantes”. Essas bebidas são produzidas em diversos lugares do mundo e tem como seu mais forte apelo comercial os baixos preços. O Rio Grande do Sul é o grande produtor brasileiros de espumantes. 

Nessa época de festas de fim de ano, quando o consumo de bebidas alcoólicas costuma crescer bastante em todo o mundo, muita gente endinheirada vai ficar bastante feliz com as notícias de uma boa produção de champanhe na França. 

A grande questão é – até quando se conseguirá produzir essa bebida na Região da Champagne

VEJA NOSSO CANAL NO YOUTUBE – CLIQUE AQUI

O ESPINAFRE “ALUCINÓGENO” DA AUSTRÁLIA 

Uma animação bastante antiga e que ainda consegue fazer sucesso é o Marinheiro Popeye. Sempre envolvido em brigas com o grandalhão Brutus por causa da “bela” Olívia Palito, Popeye sempre se vale da energia de uma lata de espinafre. O personagem surgiu primeiro como uma tira publicada em jornais em 1929, passando a aparecer em curtas-metragens a partir de 1933. 

A suposta energia do espinafre teve uma origem bastante curiosa – o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos publicou uma série de tabelas com os nutrientes de diversos alimentos. Devido a um erro na gráfica, o espinafre acabou saindo com os valores de nutrientes dez vezes maiores do que a realidade. Surgiu aí a fama do super alimento. 

Uma notícia bastante curiosa envolvendo a leguminosa circulou nos últimos dias – mais de 200 pessoas relataram que tiveram episódios de fortes alucinações e dores de cabeça após consumir espinafre na Austrália. Mais de 60 pessoas, inclusive uma criança, precisaram buscar atendimento médico. 

A principal suspeita das autoridades é que uma erva daninha com propriedades alucinógenas invadiu algumas plantações e, por ser muito parecida com o espinafre, acabou sendo colhida e embalada junto com a leguminosa. A produtora de alimentos Rivera Farms, localizada no Estado de Vitória, parece ser a fonte do problema. 

A agência reguladora de alimentos do país emitiu um comunicado para que os consumidores joguem fora os produtos ou procurem os supermercados e lojas para pedir um reembolso. O Ministério da Saúde da Austrália abriu um inquérito para investigar o caso. 

De acordo com autoridades médicas do país, os principais sintomas relacionados ao consumo do espinafre “alucinógeno” são delírio ou confusão, alucinações, pupilas dilatadas, batimento cardíaco acelerado, rosto corado, visão turva, boca e pele seca, além de febre.  

De acordo com o relato de um médico do Centro de Informações Sobre Venenos de New South Wales, Dr. Darren Roberts, as vítimas sofrearam “alucinações assustadoras, nada que seja divertido”. Também ficaram incapazes de ver direito e muito confusas. 

Entre as espécies de ervas invasoras suspeitas de causaram essa contaminação estão plantas da família Solanaceae, que incluem a beladona, a erva-do-mato e a raíz de mandrágora.  Ao que tudo indica, essa é uma situação inédita no país. 

É bastante cedo para qualquer tipo de conclusão, mas problemas ambientais podem estar por trás dessa “invasão” de ervas venenosas. A Austrália, conforme já tratamos em inúmeras postagens aqui do blog, é um dos países do mundo que mais sofre com problemas de devastação ambiental e de invasão do meio ambiente por espécies invasoras

A maior parte do território australiano é formado por terrenos áridos e semiáridos. As áreas cobertas com florestas se concentram próximas do litoral, especialmente nas faixas Leste e Sudeste do país. Essas regiões sofrem com o avanço das frentes agrícolas, que gradativamente estão transformando antigas áreas de floresta em campos. 

É justamente aqui onde pode estar a origem do problema – plantas que nasciam e cresciam confinadas dentro de áreas florestais passaram a ocupar áreas de campos agrícolas, ficando sujeitas a uma dispersão de sementes mais facilitada pela força dos ventos. Essas sementes podem ter sido arrastadas por centenas de quilômetros até chegar nas plantações de espinafre. 

Outra hipótese que não pode ser descartada é que a dispersão das sementes possa ter sido feita por alguma espécie de animal, talvez até uma espécie invasora. As sementes das plantas podem ter sido consumidas por alguma espécie de ave, que as eliminou junto com as fezes dentro de uma fazenda. As sementes também podem ter grudado no pelo de um animal, que as carregou por dezenas de quilômetros.   

Também não é nada improvável se tratar de espécies exóticas que foram introduzidas – acidentalmente ou de propósito no país. A Austrália vem sendo invadida por espécies animais e vegetais desde o final do século XVIII. Histórias curiosas muitas vezes estão por trás de espécies de plantas invasoras.

Um exemplo brasileiro é a braquiária, uma planta forrageira de origem africana que se transformou em uma verdadeira praga em importantes biomas brasileiros como o Cerrado. De acordo com alguns pesquisadores, sementes da braquiária podem ter chegado ao Brasil presas nas roupas de escravos trazidos da África durante o Período Colonial. Essas sementes brotaram em áreas litorâneas próximas dos portos de desembarque dos navios negreiros e as plantas foram sendo espalhadas por todo o país. 

Outro exemplo que vem a calhar é o da Ambrosia artemisiifolia, uma planta que invadiu diversos países da Europa e que vem provocando verdadeiras epidemias de alergia. A planta é conhecida como ambrósia, absinto americano e absinto romano, entre muitos outros 

A espécie é nativa da América do Norte, onde é considerada uma erva-daninha, e “chegou” na Europa em algum momento entre o final do século XIX e início do século XX. Atualmente a planta tem ampla distribuição por todo o Norte da Itália e Sudoeste da Franca, possuindo um enorme potencial para aumentar sua presença por grande parte da Europa. 

As flores da Ambrosia artimisiifolia são produtoras maciças de pólen, pólen esse que desencadeia inúmeras reações alérgicas em seres humanos. Essas alergias costumam ser chamadas genericamente de “febre do feno” (o feno é uma planta forrageira muito utilizada na alimentação de animais, que produz muito pólen e causa grandes problemas de alergia – por isso sua associação com essas doenças) e se caracterizam por coceira nos olhos, espirros e respiração ofegante, entre outros sintomas.  

Qualquer que seja a origem da erva “alucinógena” que contaminou as plantações de espinafre da Austrália, é certo que ainda ouviremos falar muito dela e de seus efeitos na saúde da população. 

VEJA NOSSO CANAL NO YOUTUBE – CLIQUE AQUI