A ILHA DE LIXO DO OCEANO PACÍFICO

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Algumas semanas atrás, um amigo de escola do meu sobrinho encontrou um conjunto de embalagens com caracteres orientais (chinês ou japonês) num trecho da praia em Peruíbe, cidade do litoral sul do Estado de São Paulo. Em discussão com os amigos de escola, o garoto levantou a possibilidade dessas embalagens terem flutuado desde a Ásia até a praia em São Paulo – questionado por meu sobrinho, afirmei que até poderia ser possível que estes resíduos tivessem feito uma travessia tão longa, porém, o mais provável, era se tratar de lixo despejado no mar por algum navio cargueiro; só para lembrar, a cidade de Peruíbe fica na metade do caminho entre os movimentados portos de Santos, em São Paulo, e Paranaguá, no Estado do Paraná.

Como comentei em meu último post, a quantidade de lixo flutuante cresceu imensamente nas últimas décadas. Especialistas estimam que até 10% das 100 milhões de toneladas de plásticos produzidas anualmente em nosso planeta acabem chegando aos oceanos, jogadas diretamente nas águas por cidades costeiras ou por despejo de navios, como na minha suposição, ou arrastadas do interior dos continentes através dos sucessivos rios das bacias hidrográficas.

Uma constatação dessa terrível realidade se deu através da descoberta de uma imensa “ilha” de lixo flutuante no Oceano Pacífico em 1997, pelo oceanógrafo americano Charles Moore. Essa ilha flutuante está localizada a meio caminho entre as ilhas do Havaí e as costas do estado americano da Califórnia, numa região onde as diversas correntes oceânicas se encontram e formam uma espécie de redemoinho, que atrai e concentra os resíduos na região. O oceanógrafo calculou que a ilha se estende por cerca de 1.000 quilômetros, sendo formada por aproximadamente 4 milhões de toneladas de todo o tipo de resíduos plásticos – redes de pesca, garrafas PET, embalagens, sacolas plásticas e fragmentos diversos, formando uma camada espessa de resíduos com profundidade de até 10 metros. A área total calculada dessa “ilha” de plásticos é equivalente a soma das áreas dos Estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Goiás  – mais de 1,2 milhões de km².

Estudos do PNUMA – Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, indicam que existem atualmente 18 mil fragmentos visíveis de plásticos flutuando em cada quilômetro de mar – é indeterminada a quantidade de resíduos  que está submersa nos oceanos. As sacolas plásticas, como as de supermercados tão presentes em nosso dia a dia, representam até 27% desse lixo flutuante dos oceanos, segundo algumas medições já feitas.

Os animais marinhos, ao longo de um processo evolutivo de milhões de anos, aprenderam a comer todo o tipo de criatura que encontram flutuando nas águas do mar, indo desde o microscópico plâncton, passando aos peixes, águas vivas até chegar às tartarugas marinhas, que frequentemente são atacadas por tubarões – nessa imensa teia alimentar marinha também se incluem as inúmeras espécies de mamíferos e as aves marinhas encontradas em todos os oceanos, inclusive nas águas polares. Essas criaturas não conseguem diferenciar os resíduos flutuantes de plásticos das suas presas – os resíduos engolidos não são digeríveis, podendo levar o predador à morte. Muitas vezes, esses animais marinhos se enroscam em restos de redes de pesca ou peças plásticas, ficando indefesos contra os predadores ou expostos ao afogamento (lembrando que os répteis, aves e mamíferos marinhos respiram ar como nós humanos). Várias espécies marinhas estão ameaçadas de extinção por causa deste problema – as simpáticas tartarugas marinhas encabeçam essa lista, ora por comerem sacos plásticos flutuantes ora se enroscando nas gigantescas redes de pesca.

A gestão dos resíduos sólidos, tema dessa sequência de posts, que trata aparentemente de um problema urbano das grandes cidades do mundo, ganha contornos dramáticos quando constatamos o impacto cada vez maior desses resíduos plásticos nos oceanos, ameaçando a sobrevivência de todo o tipo de criaturas do mar.

A irresponsabilidade humana não tem mesmo limites, seja em terra seja no mar…

 

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