ESTUDO FEITO EM 1977, POR CIENTISTAS LIGADOS À EXXONMOBIL, JÁ PREVIA AS MUDANÇAS CLIMÁTICAS 

Um estudo publicado pela prestigiada revista científica Science a poucos dias atrás está causando uma profunda repercussão entre grupos ambientalista de todo o mundo. O texto sugere que a ExxonMobil, uma das maiores empresas petrolíferas do mundo, tinha em mãos estudos feitos por cientistas da própria empresa que apontavam para as mudanças climáticas globais – esses estudos são de 1977. 

Ou seja – aparentemente, a empresa sabia a quase meio século que seus produtos – derivados de petróleo como gasolina, querosene e óleo diesel, eram prejudiciais ao meio ambiente e que a poluição gerada pela sua queima poderia desencadear mudanças climáticas. Apesar dessas informações, a empresa preferiu continuar com a sua produção e com seus lucros milionários 

Essa não é a primeira vez que notícias com esse teor vem ao público – em 2015, reportagens investigativas dos jornais Los Angeles Times e The Guardian divulgaram supostos documentos internos da empresa que detalhavam uma série de problemas ambientais que seriam criados até o ano de 2050, devido a queima de combustíveis fósseis. 

Como é de praxe em grandes companhias, a ExxonMobil nega a existência de tais estudos e de suas conclusões. Segundo a empresa, faltam evidências concretas sobre a ligação entre as mudanças climáticas e a queima dos combustíveis fósseis, além de afirmar que os modelos usados para prever os efeitos das mudanças climáticas são exagerados. 

Essa estratégia empresarial é bastante conhecida e guarda enormes semelhanças com as posições assumidas pela indústria do tabaco e do fumo que, ao longo de muitas décadas, que vinha negando sistematicamente qualquer relação entre o consumo de seus produtos e surgimento de doenças como o câncer em seus consumidores. 

De acordo com o texto publicado na revista Science, dados do suposto estudo feito por pesquisadores da ExxonMobil foram comparados por pesquisadores da Universidade de Harvard, dos Estados Unidos, com outros dados produzidos por outros cientistas independentes e autoridades governamentais. 

A semelhança dos resultados é surpreendente – entre 63% e 93% das projeções que foram feitas pelos pesquisadores da empresa para o período entre 1977 e 2003 estavam corretos. 

Um exemplo da assertividade do estudo foram as projeções para a taxa de aquecimento do planeta, que foi estimada em 0,2º C por década, um valor que está muito próximo do aceito pela maioria dos cientistas atualmente. Outro exemplo – o suposto estudo da ExxonMobil afirmava que os efeitos da crise climática se tornariam mais evidentes na virada do século XX para o XXI. 

A comprovação que a empresa já sabia com tamanha antecedência dos problemas criados pelo uso dos seus produtos ao meio ambiente poderá gerar uma das maiores indenizações da história. Podemos citar aqui como exemplo a gigantesca derrota jurídica sofrida pela indústria do fumo nos Estados Unidos em 1997, quando foram obrigadas a pagar US$ 385 Bilhões em indenizações e multas. 

Essa ação foi movida por 40 Estados norte-americanos contra as indústrias de cigarro, onde pediam uma indenização pelos altos custos dos tratamentos médicos para fumantes doentes que procuravam auxílio estatal. Posteriormente, a ação incluiu os danos causados por propagandas mentirosas veiculadas por essas empresas ao longo de várias décadas. 

Agora, tentem imaginar os valores que seriam devidos por uma das maiores empresas petrolíferas do mundo e com operações em dezenas de países? Calculem qual seria o montante pedido por inúmeros países que estão sentindo na pele os efeitos das mudanças climáticas. 

A questão da ExxonMobil também levanta uma importante pergunta – outras gigantes do setor como a Texaco, Saudi Aramco, Total, Gazprom, Chevron e British Petroleum, entre muitas outras, não teriam feito seus próprios estudos e chegado às mesmas conclusões? 

Esse é um assunto bastante delicado e que mexe com interesses de grandes corporações e países. Esses interesses vão fazer de tudo para que esse tipo de discussão não avance e que desaparece dos meios de comunicação. 

Mas, como dizem os caipiras aqui das minhas vizinhanças, “pau que bate em Chico também bate em Francisco”. Se os danos criados pela indústria do cigarro justificaram o pagamento de uma indenização multibilionária, por que não se exigir o mesmo das grandes petroleiras? 

Essa é uma daquelas perguntas para se pensar na cama… 

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