O CHAMPANHE DO REVEILLON DE MUITA GENTE JÁ ESTÁ GARANTIDO 

O champanhe ou champagne, na grafia original francesa, é um vinho espumante originário de uma região com o mesmo nome no centro da França. De acordo com descrições históricas, um tipo de vinho produzido na região apresentava uma efervescência natural, o que acabava provocando o estouro das garrafas e gerava muitas reclamações dos produtores. 

Foi aí que entrou em cena Dom Pèrignon (1638-1715), um religioso que era responsável pelas adegas da Abadia de Hautvillers, da diocese de Rheims. O monge ficou curioso com o processo de fermentação desses vinhos e passou a fazer diversos experimentos. 

Dom Pèrignon observou que o estouro das garrafas era provocado pelo excesso de gás carbônico e passou a utilizar garrafas mais resistentes, além de amarrar as rolhas com arame, entre outros melhoramentos introduzidos na produção da bebida. Graças a seus esforços, a champanhe ganhou o status de bebida dos momentos festivos. Seu nome foi imortalizado como marca de um dos mais famoosos champanhes da França.

Em 1927, o Governo da França atendeu uma antiga reivindicação dos produtores e demarcou a Região de Champagne e a transformou em área exclusiva para a produção dos vinhos espumantes com essa denominação. Ou seja – só pode ser chamado de champanhe os vinhos espumantes produzidos nessa região. Essa região ocupa uma área com um total de 32 mil hectares. 

Nos últimos anos, a Região de Champagne passou a sofrer com ciclos de temperaturas acima da média histórica e com secas, problemas climáticos que passaram a comprometer a qualidade e os volumes de produção da bebida. Esses problemas foram associados às mudanças climáticas globais. 

Outras regiões com grande tradição na produção de vinhos em outros países da Europa como Espanha, Portugal e Itália, entre muitas outras, também passaram a enfrentar problemas semelhantes. Por outro lado, países sem muita tradição na produção vinícola como a Inglaterra e até mesmo a gelada Noruega, passaram a ver os vinhedos se expandirem. 

A colheita da safra de uvas 2022 da Região foi concluída no final do mês de setembro, surpreendendo os produtores com a quantidade e qualidade das frutas, isso apesar da forte seca que assolou as plantações. Os produtores esperam bater o recorde de produção de 2021, ano em que foram produzidas 322 milhões de garrafas de champanhe. 

Além dos problemas climáticos, a Região de Champagne sofreu muito nos últimos 2 anos com a pandemia da Covid-19. Com as restrições para a circulação de pessoas, muitos dos trabalhadores rurais estrangeiros que trabalhavam nos vinhedos voltaram para seus países de origem, especialmente no Leste Europeu. 

Problemas econômicos em todo o mundo derivados das políticas de fechamento de países e de empresas também levaram a uma abrupta redução da demanda da bebida, considerada um artigo de luxo e bastante caro. 

Apesar desse alento, as perspectivas para a Região de Champagne não são as melhores – é provável que as mudanças climáticas acentuem ainda mais os picos de altass temperaturas e os ciclos de seca, o que poderá comprometer, irremediavelmente a produção da bebida num futuro não muito distante. 

A champanhe francesa também vem sofrendo cada vez mais com a produção de vinhos espumantes genéricos, conhecidos simplesmente como “espumantes”. Essas bebidas são produzidas em diversos lugares do mundo e tem como seu mais forte apelo comercial os baixos preços. O Rio Grande do Sul é o grande produtor brasileiros de espumantes. 

Nessa época de festas de fim de ano, quando o consumo de bebidas alcoólicas costuma crescer bastante em todo o mundo, muita gente endinheirada vai ficar bastante feliz com as notícias de uma boa produção de champanhe na França. 

A grande questão é – até quando se conseguirá produzir essa bebida na Região da Champagne

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