MUDANÇAS CLIMÁTICAS ESTÃO ALTERANDO O SABOR DOS VINHOS 

Uma das bebidas alcoólicas mais antigas da humanidade é o vinho. Evidências arqueológicas encontradas em áreas da Ásia Central como a Geórgia, o Irã, a Turquia e a China, datadas entre 8 mil e 5 mil anos antes de Cristo, indicam que a domesticação da videira, a planta que produz a uva, e o início da produção de vinhos começou ali, se espalhando gradativamente pelo resto do mundo. 

Existem duas regiões grande regiões produtoras de vinho no planeta, que são conhecidas como os Paralelos do Vinho. A mais antiga e mais conhecida dessas áreas fica no Hemisfério Norte entre os paralelos 30 e 40°. Essa área abrange grande parte da Europa, o Norte da África e do Oriente Médio. Entre os países de maior tradição vinícola nessa grande área se destacam a Itália, França, Espanha, Portugal, Alemanha, Grécia e Turquia. Em tempos mais recentes os Estados Unidos entraram nessa lista. 

No Hemisfério Sul existe uma outra faixa climática que apresenta as condições ideais para a produção do vinho. Dentro dessa faixa climática, loalizada entre os paralelos 30 e 40° Sul, encontramos o Chile, a Argentina, o Uruguai, o Sul do Brasil, a África do Sul, a Austrália e a Nova Zelândia, países que nas últimas décadas se tornaram grandes produtores mundiais e exportadores de vinho de alta qualidade. 

Conforme já tratamos em uma postagem anterior, as mudanças climáticas estão alterando sensivelmente as condições para a produção de uvas viníferas nessas duas regiões, o que está implicando diretamente na produção dos vinhos. Ora são fortes ondas de calor e de seca, ora são ondas de frio extremo, problemas que já vinham afetando a produtividade. 

Acaba de surgir uma nova informação que passou a preocupar os amantes dessa bebida – as mudanças climáticas também estão interferindo no sabor dos vinhos. 

A produção de vinhos de boa qualidade depende da conjugação de três importantes características químicas das uvas – a quantidade de açúcar, a acidez e também a presença de compostos secundários como os taninos e antocianinas. Quando qualquer uma dessas características é alterada, o sabor final vinho será diferente. 

Um exemplo fácil desses problemas: a Europa está enfrentando frequentes ondas de calor, muitas delas envolvendo zonas tradicionais de produção de vinhos como a Itália e a França. O calor excessivo sobrecarrega o amadurecimento das uvas e torna os frutos mais doces, ou seja, com mais açúcar que o normal. Isso vai deixar o vinho com um teor de álcool mais alto e até com um sabor de “uva passa”. 

Um outro problema para os produtores são os incêndios florestais que acabam surgindo em função do tempo seco e quente. A fumaça desses incêndios, chamada pelos produtores de “mancha de fumaça”, é absorvida pelas cascas das uvas, o que vai alterar tanto a cor quanto o sabor dos vinhos. Um exemplo desse problema foi o que ocorreu em 2020 no Napa Valley na Califórnia, o maior centro produtor dos Estados Unidos. A Califórnia tem sofrido, sistematicamente nos últimos anos, com grandes incêndios florestais.

Enquanto algumas das mais antigas e tradicionais regiões produtoras de vinhos estão sofrendo com os problemas criados pelas mudanças climáticas, outras regiões estão florescendo nessa área. Um desses casos é a Inglaterra, país sem nenhuma tradição na produção de bons vinhos, que apresentou um crescimento de 60% na produção da bebida nos últimos 5 anos.  

O Sul da Inglaterra vem experimentando um aumento sistemático no número de dias ensolarados nos verões, o que vem proporcionando condições cada vez mais favoráveis ao cultivo da uva e a produção do vinho. Uma outra região inusitada para a produção de vinhos é a Noruega, onde as videiras estão crescendo bem e onde estão se instalando pequenos produtores de vinho. 

Dentro de poucas décadas, a depender do ritmo das mudanças climáticas, os apreciadores da bebida poderão encontrar nos melhores mercados e nas adegas bons vinhos da Islândia, Groenlândia ou até mesmo da Sibéria russa. Se a fria Noruega já está conseguindo produzir suas uvas e vinhos, não será de se estranhar que esses países e regiões também venham a ter suas próprias produções num futuro bem próximo. 

Esse nosso mundo está mesmo ficando cada vez mais estranho… 

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