SISTEMAS DE ÁGUAS PLUVIAIS: DESCASO, CHUVAS E ENCHENTES

enchente

Em nosso último post falamos rapidamente do predomínio da água salgada dos oceanos no planeta Terra – nada menos que 97,5% de toda a água disponível se encontra nos oceanos e mares ao redor de nosso mundo. A transformação de água salgada em água potável (ou doce, como se diz frequentemente) depende da energia do sol – bilhões de litros de água do mar evaporam todos os dias e são carregadas pelas correntes de vento para os quatro cantos do planeta. Esse vapor, ao ser resfriado, cairá sobre o solo na forma de neve, granizo, de chuva, de orvalho etc, e formará todas as formas possíveis de fontes de água para o consumo de plantas, animais e pessoas. No inóspito deserto do Atacama no norte do Chile, por exemplo, a principal fonte de água para as plantas e animais é a neblina noturna vinda do oceano Pacífico que condensa sobre o solo e plantas. Rios importantes como o Jordão em Israel, Tigre e Eufrates no Iraque, Indus e Ganges na Índia e Paquistão, além do nosso Amazonas, tem nascentes alimentadas pelo degelo das neves em cumes de montanhas. Em regiões de clima equatorial e tropical como o território brasileiro são as chuvas que fornecem toda a água que utilizamos em nosso dia a dia.

Dependemos das chuvas para a manutenção de nossas florestas e demais sistemas naturais – muita chuva na Floresta Amazônica e pouca água na região da Caatinga nordestina. Na agricultora, nossa dependência das águas das chuvas é total, seja na forma direta por precipitação seja de forma indireta por irrigação da água de rios e reservatórios ou de fontes subterrâneas. O abastecimento de nossas cidades e indústrias se baseia na ideia de ciclos regulares de chuva para recarga de aquíferos, fontes e reservatórios – até a dispersão de muito do nosso lixo e dos dejetos não tratados dos esgotos são dependentes da frequência das águas pluviais que correm na direção dos rios e tudo arrastam.

A naturalidade e a previsibilidade das chuvas em nosso país pressupõem que haja em nossa infraestrutura geral um mínimo de adequação e preparo para a convivência com grandes períodos de precipitação intensa e suas naturais consequências, como as enchentes, desmoronamentos, bloqueios de ferrovias e de rodovias entre outros problemas. Porém, todos nós sabemos que essa convivência com as águas pluviais não é assim tão natural. A cada ano as enchentes (e também as secas) se repetem, com todos os problemas associados, e nossas cidades e infraestrutura geral se mostram insuficientemente preparadas. Improvisam-se as soluções e se fazem promessas de futuras obras…

Sistemas de drenagem de águas pluviais tem a função de escoar os grandes volumes das precipitações que caem sobre as cidades na direção de canais de drenagem, rios e outros corpos de água, no maior volume e no menor tempo possível. Conforme a declividade do terreno, parte da lâmina de água de chuva formada sobre o solo ganha grande velocidade de descida, formando corredeiras violentas e com grande potencial de danos a vegetação, formações naturais do solo e construções como casas, edifícios, ruas, rodovias, ferrovias etc. Em meio aos danos materiais, as águas pluviais podem causar enormes prejuízos nas populações afetadas por enchentes, incluindo-se ai os riscos à vida humana. Também há riscos à saúde humana – doenças como a leptospirose, provocada pela contaminação da água com urina de ratos, são frequentes em áreas alagadas por enchentes.

Épocas de chuvas, “coincidentemente”, são as mesmas onde acontecem as grandes enchentes nas cidades brasileiras. Na cidade de São Paulo, por exemplo, existem ruas e avenidas onde as enchentes tem data e hora para acontecer. Um exemplo que já se tornou um clássico é o Jardim Pantanal, na zona leste da cidade – nos últimos anos, o bairro tem ficado alagado por semanas a fio no verão, sem que as autoridades consigam resolver o problema na drenagem.

Continuaremos no próximo post..

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