ESTUDO MOSTRA O AUMENTO CONSTANTE DAS TEMPERATURAS E DAS CHUVAS EXTREMAS NO BRASIL NOS ÚLTIMOS 90 ANOS 

Na próxima quarta-feira, dia 23 de março, o INMET – Instituto Nacional de Meteorologia, vai divulgar oficialmente o documento “Normais Climatológicas do Brasil 1991-2020. Esse estudo comprova que, ao longo dos últimos 90 anos, houve um aumento constante das temperaturas no país, além da ocorrência de chuvas cada vez mais extremas. Um resumo do documento foi divulgado hoje pelo Estadão/Broadcast. 

As características climáticas de um local são representadas por normais, que nada mais são que as médias históricas meteorológicas apuradas em longos períodos de tempo. O intervalo considerado nesse estudo compreende o período entre 1° de janeiro de 1991 e 31 de dezembro de 2020, feito em 271 estações meteorológicas do INMET espalhadas por todo o Brasil. 

Esse amplo estudo feito pelo INMET compara os dados obtidos em medições de períodos anteriores: 1931-1961, 1961-1990, 1981-2010 e os mais recentes, de 1991-2020. A comparação entre os dados indica que houve um aumento das temperaturas tanto em grandes cidades quanto em municípios pequenos e médios. Também houve uma alteração do padrão dos períodos mais chuvosos e o crescimento do volume das chuvas em anos mais recentes. 

Os dados analisados deixam claro que houve um aumento gradativo das temperaturas no país nos últimos 90 anos. Esses aumentos se deram tanto nas temperaturas mínimas quanto nas máximas, elevando assim as temperaturas médias em todas as regiões do Brasil. 

Um exemplo das mudanças dessas normais foi observado no município de São Paulo, onde os dados coletados mostram importantes alterações climáticas. Em alguns meses, a população da cidade tem enfrentado temperaturas mínimas até 2,7° C mais altas que o normal. A ocorrência de chuvas com intensidade na ordem dos 80 mm quase duplicou e os eventos com precipitações acima dos 100 mm são mais que três vezes maiores. Esse cenário vem se intensificando na cidade desde a década de 1990. 

Outro exemplo citado é Belo Horizonte: quando se compara as temperaturas médias na cidade entre 1931-1960 e 1991-2020, se observa um aumento de até 1,7° C na temperatura média nos meses de julho e dezembro, de 1,6° C em junho e de 1,5° C nos meses de abril, maio, agosto e outubro. 

Nem mesmo a capital com fama de possuir o clima mais ameno do Brasil escapou do aumento das temperaturas. A temperatura média nos últimos anos em Curitiba no mês de julho, considerado o mês mais frio do ano na cidade, foi de 13,8° C, 0,9° C mais quente do que a média do período entre 1961-1990. Os meses que apresentaram os maiores aumentos de temperatura foram dezembro e abril, com aumentos de temperatura de 1,4° C e 1,3° C, respectivamente. 

Na Região Nordeste, onde ficam algumas das cidades mais quentes do país, os aumentos nas temperaturas também foram uma constante. Em Fortaleza, capital do Estado do Ceará, por exemplo, foram observados aumentos de temperatura em todos os meses do ano, com destaque para os meses de agosto e setembro, onde o aumento médio foi de 1,2° C. 

Essas mudanças também resultaram num aumento dos temporais com volumes acumulados entre 80 e 100 mm. Os pesquisadores também observaram uma mudança no ciclo das chuvas em algumas regiões, com a mudança dos meses com os maiores volumes de chuvas. Combinadas com a alta impermeabilização dos solos urbanos, com os desmatamentos e ocupação irregular de encostas, além da falta de sistemas de drenagem de águas pluviais, essas chuvas aumentaram muito o seu potencial destruidor. 

Chuvas extremas como a que devastou recentemente a cidade de Petrópolis, na Região Serrana do Rio de Janeiro, estão ficando cada vez mais comuns. Na maioria das cidades, especialmente nas grandes, a causa provável dessas mudanças nos padrões das chuvas a nível local é uma combinação dos efeitos das ações humanas e do crescimento da mancha urbana das cidades, o que forma as chamadas “ilhas urbanas de calor”. 

Em Belém e em Porto Alegre, extremos diferentes do país, a situação é semelhante – houve um aumento no número de dias com chuvas acima de 50 mm e 80 mm desde a década de 1960. Em Belém, houve um aumento de 75 para 110 dias com chuvas de 50 mm. Os dias com chuvas acima de 80 mm aumentaram de 15 para 26 dias. As chuvas acima de 100 mm ficaram praticamente estáveis, passando de 8 para 7 dias. 

Em Porto Alegre os dias com chuvas acima de 50 mm aumentaram de 23 para 56 dias quando se compara o período 1961-1970 com o período 1991-2020. As chuvas acima de 80 mm passaram de 5 para 8 dias, e as chuvas acima de 100 mm passaram de 1 para 2 dias no mesmo período. 

Como a cautela é usual entre pesquisadores, o estudo não indica a causa dessas mudanças climáticas, que tanto podem estar associadas a variabilidades naturais, ao aquecimento global ou ainda ao processo de crescimento das cidades. Fatores antrópicos, ou seja, causados pelo próprio homem, podem ter contribuído para essas mudanças. 

Segundo o INMET “os extremos estão superando a resiliência de alguns ecossistemas e sistemas humanos, e desafiando as capacidades de adaptação de outros, incluindo impactos com consequências irreversíveis. Pessoas e sistemas humanos vulneráveis e espécies e ecossistemas sensíveis ao clima estão em maior risco“. 

Esse estudo vem confirmar uma sensação que a maioria de nós brasileiros já tinha – o clima em nossas cidades já não é o mesmo há muito tempo. Essas informações também nos enchem de angustias – o que o futuro está reservando para todos nós? 

Por enquanto, temos uma única certeza: só quem viver, verá! 

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