FALANDO DO DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL NA AMAZÔNIA

Estamos começando um novo ano e vamos torcer para que ele seja, pelo menos, um pouco melhor do que foi 2020. O trágico ano que passou vai ficar marcado para sempre na história e na nossa memória pela pandemia mundial da Covid-19. Aparentemente surgido na China, o coronavírus se espalhou rapidamente pelos quatro cantos do mundo e, literalmente, fez a humanidade parar. 

Entre inúmeros desdobramentos, a pandemia criou o “fique em casa”, o uso generalizado do álcool gel e de máscaras, suspensão de aulas em todos os níveis do ensino, fechamento de comércios e de indústrias, uma corrida desenfreada de pesquisadores e cientistas na busca por vacinas, entre muitas outros. A epidemia também criou algumas narrativas folclóricas”. Uma delas, que vem sendo divulgada por muitos meios de comunicação internacionais, afirma que a próxima pandemia surgirá no Brasil por causa dos desmatamentos da Amazônia. 

Conforme já tratamos em uma extensa série de postagens anteriores, existem grandes problemas na Floresta Amazônica como os desmatamentos, as queimadas, a extração ilegal de madeiras, os garimpos clandestinos, entre muitos outros. São problemas que se agravaram muito nos últimos sessenta anos a partir de ações governamentais para a abertura de estradas ligando o restante do Brasil à Região Norte e aos diversos programas de estímulo à ocupação e colonização da até então deserta Amazônia brasileira. Foram tempos de grandes slogans: “uma terra sem homens, para homens sem-terra”, “Brasil – ame-o ou deixe-o” e “esse é um país que vai prá frente…” 

Aqui é importante lembrar que problemas muito parecidos aconteceram e continuam acontecendo em outros Países Amazônicos como Bolívia, Peru, Equador, Venezuela e Colômbia. Trechos da grande floresta equatorial nesses países também foram derrubados e queimados, liberando terras para a agricultura, pecuária e mineração, para implantação de cidades e de obras de infraestrutura, entre outras ocupações. Todavia, a opinião pública de muitos países desenvolvidos só vê os brasileiros como os grandes vilões da natureza. 

Felizmente, esse avanço alucinado contra a Floresta Amazônica brasileira arrefeceu muito nos últimos anos e a situação entrou numa fase de “relativa” estabilidade ou de crescimento muito mais lento. É preciso ressaltar que o custo ambiental dessa “saga Amazônica” até agora já foi altíssimo. Porém, precisamos ver o lado positivo da situação – algo entre 85% e 87% da nossa grande floresta continua preservado e o nosso foco daqui para a frente deve ser a manutenção desse grande patrimônio natural

A destruição das florestas tropicais, ao contrário do que muita gente pensa, não acontece somente na Amazônia. Alguns exemplos: cerca de 90% das florestas do Sul do México desapareceram nas últimas décadas. Em El Salvador, a perda está entre 80 e 95% da cobertura florestal conforme a fonte consultada. No Haiti restam apenas 5% das densas florestas de um passado não tão distante. Em Madagascar, mais de 85% da floresta tropical já desapareceu e na Indonésia, uma área de florestas tropicais equivalente ao território da Irlanda foi destruída em apenas 12 anos. A lista de países onde ocorrem grandes agressões às florestas tropicais é enorme.

Mas os problemas de destruição de florestas não param por aí – citemos como exemplo a taiga ou floresta boreal, a maior floresta do mundo, onde se vem batendo recordes de queimadas e de desmatamentos ano após ano. Esse grande sistema florestal se estende ao redor do globo terrestre por uma faixa contínua do Hemisfério Norte entre os paralelos 40 e 70. Isso incluiu terras da Escócia, Noruega, Suécia, Finlândia, Rússia, Cazaquistão, Coreia do Norte e do Japão. A taiga prossegue do outro lado do Estreito de Bering no Alasca, região que pertence aos Estados Unidos, no Canadá e chega até na Groenlândia, ilha autônoma que pertence à Dinamarca.  

A taiga ocupa uma área total de 15 milhões de km², sendo praticamente 3 vezes maior que a Floresta Amazônica. As principais espécies dessa floresta são pinheiros, piceas, bétulas e lariços. No último verão, cerca de 100 mil km² da taiga na região da Sibéria – Rússia, foram destruídos por incêndios florestais. Isso corresponde a 10 vezes o tamanho das áreas de “florestas queimadas” na Amazônia. Os desmatamentos para exploração da madeira, principalmente na Rússia e no Canadá, também são enormes

Um outro ponto importante – segundo levantamento feito pela renomada revista científica Nature e publicado em junho de 2020, os desmatamentos em remanescentes florestais em países da União Europeia aumentaram 69% em 2018. Segundo informações da publicação, esses desmatamentos estão ligados diretamente à exploração das madeiras. Na França, um dos países que mais fortemente acusam o Brasil da devastação na Amazônia, os desmatamentos cresceram cerca de 30%. Em Portugal, esse crescimento foi de 56%. Também é preciso lembrar que países europeus como a França e a Alemanha estão entre os maiores compradores de madeiras extraídas e exportadas ilegalmente da Amazônia. E ninguém fala nada!

Minha pergunta: qual foi a última vez que qualquer um de vocês viu grupos ecológicos protestando contra a destruição acelerada da taiga ou desses desmatamentos na União Europeia? Melhor ainda – o presidente da França, Emmanuel Macron, chegou a ameaçar a poderosa Rússia de Vladimir Putin por causa dessa destruição florestal como fez com o Brasil? Ou a primeira ministra da Alemanha, Angela Merkel, falou alguma coisa sobre a derrubada dessas florestas em seus parceiros França e Portugal?

Deixando toda essa hipocrisia ambiental de lado, vamos dedicar algumas postagens a propostas econômicas ecologicamente sustentáveis para a grande Floresta Amazônica. Essa região abriga uma população de quase 25 milhões de brasileiros, gente essa que precisa de trabalho e renda. Muito além das tradicionais atividades econômicas predatórias como a exploração das madeiras e do garimpo, existem inúmeros produtos locais como frutos, castanhas e peixes que podem gerar riqueza e renda sem destruir a floresta. 

Continuamos na próxima postagem. Até lá!

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