AS ÁGUAS DO SUBSOLO

Chuva

No meu último post falei sobre a captação da água para o abastecimento em poços semi artesianos e artesianos, mostrando que os problemas de poluição do solo podem contaminar as águas subterrâneas, com consequências nefastas para a saúde humana. A imagem que vem à mente é aquela da lenda urbana que mostra a empregada varrendo a sujeira para debaixo do tapete. Para que se compreenda claramente as ações antrópicas que causam a contaminação das fontes subterrâneas, vamos analisar rapidamente a origem e formação das reservas de águas subterrâneas.

As nuvens de vapor formadas sobre os oceanos são levadas à grandes distâncias pelas fortes correntes de ar que circundam o globo terrestre e vão cair na forma de chuva sobre as placas continentais. As fontes de águas terrestres dependem basicamente das chuvas para o seu reabastecimento – outra fonte de abastecimento, em escala muito menor, são as águas originadas pelo derretimento das neves em montanhas (como nas nascentes do Rio Amazonas nos Andes). Dependendo do tipo de solo, do relevo e da vegetação, entre outros fatores, parte dessa chuva penetrará no solo formando as reservas de águas subterrâneas. Na época das chuvas, o solo funciona como uma esponja, absorvendo e retendo grandes volumes de água. Essa “esponja” é constantemente apertada pela pressão do peso do solo e a água armazenada brota em pontos específicos da superfície, formando-se assim as nascentes. São também essas reservas de águas subterrâneas que alimentam os diferentes tipos de poços usados para o abastecimento de água.

Dependendo das características geológicas da região, a água infiltrada no solo fica acumulada em lençóis – o chamado lençol freático, mais próximo da superfície e acima da crosta impermeável do solo, e o lençol artesiano, mais profundo e abaixo da crosta impermeável; nesses casos a água se distribui entre as partículas dos sedimentos do solo. Em outras situações, a água preenche fendas entre as camadas rochosas do solo formando os aquíferos. As características químicas da água são alteradas conforme a concentração de minerais no solo; em algumas situações, em terrenos que num passado remoto eram leitos oceânicos, a água armazenada poderá ter concentrações altas de sal – é a denominada água salobra. A profundidade dos lençóis e aquíferos depende muito das características geológicas do solo – a água poderá ser encontrada desde poucos metros de profundidade até a centenas ou milhares de metros da superfície. Em épocas de chuvas, com a recarga dos lençóis e aquíferos, o nível da água é mais alto e próximo da superfície, facilitando a captação; nas épocas de seca, o nível das águas vai abaixando e fica mais difícil captar a água. Um poço semi artesiano muito raso, por exemplo, poderá ficar completamente seco com o rebaixamento do lençol freático no período da seca.

Em ambientes naturais preservados e em perfeito equilíbrio, as águas do subsolo normalmente possuem uma ótima qualidade e brotam cristalinas nas nascentes formadoras de córregos e rios. Nessas condições ecológicas, a água obtida a partir da escavação de poços artesianos e semi artesianos é isenta de micro-organismos e contaminantes potencialmente perigosos à saúde humana e pode ser consumida tranquilamente. Ambientes alterados ou, voltando a figura de linguagem, com “sujeira sob o tapete”, apresentarão reservas de água subterrâneas comprometidas. Áreas desmatadas ou altamente urbanizadas, complexos industriais e petroquímicos, regiões de agricultura intensiva e industrializada, aterros e lixões entre outras, facilitam o carreamento de poluentes e contaminantes pela água das chuvas, que carregará o que encontrar para o subsolo: produtos químicos, combustíveis, resíduos de mineração, esgotos e efluentes, adubos e fertilizantes, etc. Dependendo do tipo e da quantidade de contaminantes que atingirem as reservas de água, a qualidade ficará seriamente comprometida, podendo chegar a ser nociva para o consumo humano caso haja captação em poços para abastecimento nas proximidades.

Ao consumir águas de poços é fundamental que se tenha se tenha um diagnóstico preciso da qualidade – havendo qualquer dúvida é recomendável que se colete uma amostra da água e se solicite uma análise em um laboratório especializado. Água deve ser sempre sinônimo de vida!

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