FOSSA: UMA VIZINHA PERIGOSA

Limpa Fossa

Os fundamentos do saneamento básico, como comentamos há vários posts atrás, são: abastecimento de água potável, coleta e tratamento de esgotos, manejo de águas pluviais e a limpeza pública e gestão dos resíduos sólidos – o controle de vetores é uma atividade transversal entre todas as atividades descritas.

Já falamos bastante sobre o abastecimento de água – falaremos a partir de hoje sobre o problema dos esgotos. Como estávamos a falar do uso de águas de poços para o abastecimento, é importante falar de fossas para o descarte dos esgotos – poços e fossas muito próximos representam grandes riscos para a saúde humana e cuidados se fazem necessários.

Para a construção de uma fossa negra (que é o tipo mais simples de fossa) é feito um buraco no solo, onde as águas servidas são lançadas; as águas infiltram no solo e os sólidos ficam retidos no fundo da fossa. Quando essa fossa atinge o nível máximo de sua capacidade em reter o material sólido dos esgotos, ela é aterrada e uma nova fossa é aberta, repetindo-se o ciclo do esgotamento sanitário. Como o material sólido representa em média 3% dos volume total dos esgotos sanitários, a maior parte das águas servidas lançadas na fossa corre diretamente para o lençol freático. Se estivermos falando, por exemplo, de uma família que utiliza a água de um poço para o seu abastecimento e que utiliza uma fossa para o despejo dos esgotos, teremos uma situação grave: a família pode estar consumindo uma água contaminada por seu próprio esgoto – saiba que isso acontece com muita frequência.

Aqui é necessário fazer um parêntese: o problema não é necessariamente a presença de contaminantes na água – o grande problema é a concentração. Uma família vivendo em uma área rural com um poço e uma fossa na propriedade é uma coisa; outra coisa bem diferente é uma família nas mesmas condições porém dentro de uma área urbana, com centenas ou milhares de famílias lançando esgotos no solo e consumindo a água de poços. O grande volumes de esgotos lançados no solo nesta última situação pode resultar em uma forte contaminação das águas do lençol freático e representar grande risco para a saúde da comunidade.

Um dos indicadores utilizados para se controlar a qualidade da água é o estudo do número de coliformes fecais presentes numa amostra coletada, especialmente a bactéria Escherichia coli. Os coliformes fecais são grupos de bactérias que vivem no intestino de animais como bois, porcos, cachorros, gatos, homens etc, sem lhes causar maiores problemas de saúde. Essas bactérias estão presentes em pequenas concentrações em alimentos (se você observar com atenção os rótulos de alguns alimentos como queijos e leite, poderá encontrar o nível de coliformes fecais máximos que podem ser encontrados neste produto) e na água consumida (inclusive água mineral), sendo constantemente liberadas em grande quantidade junto com as fezes; esgotos possuem grandes quantidades de coliformes fecais e, conforme a concentração de esgotos num determinado volume de água, a concentração de bactérias passa a apresentar riscos à saúde dos consumidores. Pior: havendo coliformes fecais na água, podem existir também outros patógenos causadores de doenças como a diarréia, o cólera, a tuberculose, a hepatite entre outros.

Caso não haja outras alternativas para a eliminação dos esgotos sanitários em uma residência, o uso de uma fossa é uma das alternativas, indicando-se preferencialmente a construção de uma fossa séptica (falarei sobre elas no próximo post). Outra observação importante é que esta fossa deverá ser construída o mais longe possível dos poços (o seu e os dos seus vizinhos). As duas instalações devem ser devidamente lacradas para evitar que, num eventual transbordamento (na época das chuvas por exemplo), não haja troca superficial de fluídos e a intensa contaminação do poço. Também é importante o monitoramento constante da fossa – percebendo que ela está no limite da capacidade, é necessário fazer a retirada do lodo sanitário acumulado (no caso de uma fossa séptica) ou escavar uma nova fossa (no caso de uma fossa negra).

Continuaremos este assunto no próximo post.

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