MAIS UMA ONDA DE FORTE CALOR NA EUROPA 

O verão na Europa começou nesse dia 21 de junho as 10h14. Agosto costuma ser o mês mais quente no continente, sendo inclusive a época das férias de muita gente. As praias costumam ficar lotadas, especialmente na orla do Mar Mediterrâneo. Destaques são as ilhas da Grécia e as inúmeras praias da Itália e do Sul da França e Espanha, entre outros destinos bastante procurados especialmente por europeus do Norte. 

O calor, entretanto, chegou bem mais cedo este ano – uma forte onda de calor está assolando grande parte da Europa nas últimas semanas a exemplo do que está acontecendo na América do Norte. O calor está concentrado nas Regiões Sudoeste e Oeste do continente, onde a temperatura média chegou aos 38º C.  

Na última sexta-feira, citando um exemplo, Madrid viu seus termômetros atingirem a marca dos 40º C. De acordo com a AEMET – Agencia Estatal de Meteorologia da Espanha, os termômetros madrileños não marcavam essa temperatura desde 1981. 

Temperaturas recordes foram registradas em outras cidades da Espanha. Em San Sebastian, no País Basco, os termômetros marcaram 43,5º C e atingiram os 42º C em Zaragoza. Em um país tropical como o Brasil, temperaturas como essas são frequentes em muitas regiões, porém, em um país de clima temperado, esses valores podem ser classificados como “absurdos”. 

A situação não é muito diferente na França – muitas cidades, inclusive, proibiram a realização de eventos públicos mesmo em locais fechados e com sistemas de ar condicionado. Em muitas regiões do país os termômetros tem superado a marca dos 40º C, podendo chegar até os 42º C. A cidade de Tarascon, no Sul do país, registrou uma temperatura noturna de 26,8º C, um recorde para o mês de junho. 

Outro país que está, literalmente, ardendo nas últimas semanas é a Itália. Aliás, a próxima postagem será totalmente dedicada ao país. O vale do rio Pó, a maior bacia hidrográfica italiana e grande região de produção agropecuária, está sendo castigado por uma forte seca, a maior dos últimos 70 anos. Metade da produção agrícola está ameaçada, uma péssima notícia em tempos de carência de alimentos no mundo

O Sudoeste da Alemanha também viveu seus dias de sufoco nas últimas semanas, quando a temperatura atingiu 36,5º C. Entre outros problemas, o calor provocou um grande incêndio numa área de florestas na região de Brandemburg e resultou na destruição de 100 hectares de matas. 

A Península Ibérica, que nas últimas décadas vem se tornando uma área cada vez mais sujeita a secas e a grandes incêndios florestais, está enfrentando temperaturas entre 10 e 15º C acima da média, as mais altas dos últimos 20 anos. 

Toda a região está sofrendo com rios com níveis cada vez mais baixos e com grandes incêndios florestais como é o caso da Catalunha, no Leste da Espanha, e de Zamora, próxima da fronteira com Portugal. De acordo com informações do Governo regional de Zamora, mais de 25 mil hectares de matas já viraram cinzas nos últimos dias. 

Portugal até o momento está escapando dos picos mais fortes da onda de calor. Em Lisboa, citando um exemplo, as temperaturas tem atingido máximas de 27º C, um nível ainda bastante confortável. Essa trégua, porém, deve ser temporária – em anos anteriores as terras portuguesas também sofreram em demasiado com o calor e os incêndios florestais. 

A menos de um ano atrás publicamos uma série de postagens aqui no blog falando de um outra fortíssima onda de calor na Europa – essa mais nova temporada de altas temperaturas só vem confirmar que o continente está sendo afetado diretamente pelas mudanças climáticas globais. 

Em agosto de 2021, a Itália e a Região dos Balcãs enfrentaram temperaturas sem precedentes. Na ilha italiana da Sicília, localizada ao Sudoeste do país, foi registrada a temperatura surreal de 47,8º C. Os italianos se referiam a essa poderosa onda de calor pelo sugestivo nome de “Lúcifer”, devido ao calor, literalmente, infernal que trouxe para o país. 

Há época, o Serviço Copernicus para Alterações Climáticas da União Europeia afirmou que o mês de julho de 2021 foi o segundo mais quente já registrado no continente Europeu em toda a história. Não se surpreendam com uma eventual atualização dessa informação nos próximos meses – o verão europeu acabou de começar…    

Concorre contra os países europeus, especial os que possuem fachada para o Mar Mediterrâneo, a proximidade com o Saara, o maior e um dos mais quentes desertos do mundo. O Estreito de Gibraltar, que separa o Sul da Espanha do Norte da África, tem pouco mais de 14 km, o que nos dá uma ideia de quão próximo está o Saara da Europa. 

E a questão não para por aí – estudos mostram que o Deserto do Saara aumentou sua área de influência em cerca de 10% nos últimos cem anos. Essa expansão se deu especialmente rumo ao Sul na direção do Sahel, mas também pode ser sentida no Oriente Médio e no Sul da Europa. 

Estudos indicam que esse crescimento do Saara se deve em grande parte a fatores naturais, um processo que vem se desenrolando há cerca de 20 mil anos. Porém, os pesquisadores afirmam que cerca de 1/3 das mudanças climáticas no Saara se devem a fatores antrópicos, ou seja, são decorrentes das mudanças climáticas globais provocadas pelas atividades de nós seres humanos. 

As mudanças climáticas também estão alterando importantes correntes marítimas, o que também pode estar contribuindo para um aumento das temperaturas na Europa e também para a incidência das ondas de calor. Um exemplo é o que está acontecendo com a AMOC – Circulação de Revolvimento Meridional do Atlântico, na sigla em inglês, que faz parte de todo um conjunto de poderosos fluxos de correntes marítimas de todos os oceanos e mares do mundo. 

A AMOC tem uma profunda influência no clima global, especialmente na Europa e nos Estados Unidos. Estudos indicam que está ocorrendo uma desaceleração dessa circulação, o que, entre outras consequências, está contribuindo para o derretimento da capa de gelo da Groenlândia e alterando o ciclo de chuvas em algumas regiões. Essas mudanças podem estar alterando os padrões climáticos em muitas regiões. 

Ainda serão necessários muitos estudos para que se entenda exatamente o que está acontecendo na Europa. Entretanto, é inegável que as ondas de calor no continente estão ficando cada vez mais frequentes ano após ano. Ninguém sabe onde as mudanças climáticas nos levarão. 

Finalizando, uma dica cultural para os leitores – assistam o filme “O dia depois de amanhã”. No enredo, a AMOC para de circular e todo o Hemisfério Norte entra numa nova Era do Gelo. Será um bom divertimento e fará todos pensarem na seriedade das mudanças climáticas globais.

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