AS ONDAS DE CALOR E O FOGO NAS MATAS DA EUROPA

Algumas regiões da Europa, onde se destacam a Itália e os Balcãs, estão enfrentando uma onda de calor sem precedentes. Na semana passada, foi registrada a inacreditável temperatura de 47,8º na Sicília, ilha localizada no Sudoeste da Itália, o que nos dá uma mostra da situação no continente.  Os italianos estão chamando essa onda de calor de “Lúcifer” devido ao calor, literalmente, infernal. 

Outra região italiana onde as temperaturas estão em níveis alarmantes é a Calábria. De acordo com informações dos Governos locais, os bombeiros da Sicília e da Calábria realizaram mais de 500 operações para combater focos de incêndios em áreas florestais apenas entre os dias 11 e 12 de agosto, uma mostra da situação crítica nessas regiões. 

Autoridades de 15 regiões italianas, do Piemonte até a Sicília, informaram que a sensação térmica nesses locais superou a marca dos 40º C por conta da baixa umidade e dos ventos. Foram emitidos alertas por conta das elevada temperaturas em Bolonha, Bolzano, Brescia, Perugia, Turim, Ancona, Campossado, Florença e Pescara. A situação mais preocupante são as praias do país, lotadas de turistas nesse período de férias. 

Na Grécia a situação não é muito melhor, com muitas regiões apresentando temperaturas próximas dos 45º C. Essa é a mais dramática onda de calor enfrentada pelo país nos últimos 30 anos. Com as altas temperaturas e os baixos níveis de umidade, já foram registrados cerca de 150 incêndios florestais por todo o país, sendo a situação mais grave a da ilha de Evia. 

De acordo com informações do Serviço Copernicus para Alterações Climáticas da União Europeia, o mês de julho de 2021 foi o segundo mais quente já registrado no continente Europeu – pelo “andar da carruagem”, esse mês de agosto também ficará marcado como um dos mais quentes da história da região.  

Portugal e Espanha emitiram alertas nos últimos dias por conta de riscos de incêndios em áreas florestais. De acordo com informações do IPMA – Instituto Português do Mar e da Atmosfera, mais de 60 cidades do país estão em alerta máximo por conta dos riscos de incêndios

A Turquia, país que tem parte do seu território dentro da Europa, também sofreu muito nas últimas semanas com grandes incêndios florestais, além, de enfrentar uma série de problemas provocados pelas fortes chuvas que assolaram o país. Aliás, fortes chuvas e grandes enchentes também assolaram a Europa Central, onde a Alemanha e a Bélgica foram os países mais fortemente castigados. 

Nos países nórdicos, conhecidos mundialmente pelo clima frio, altas temperaturas também têm sido registradas com grande frequência nos últimos anos. A Suécia é um desses casos – em várias partes do país foram registradas temperaturas máximas de 34º C nas últimas semanas. Na região de Keno, no extremo Norte da Finlândia, chegou a ser registrada a temperatura de 33,6º C no último dia 4, a mais alta já vista na região desde 1914. 

De acordo com dados do último relatório do IPCC – Painel Intergovernamental Sobre Mudanças Climáticas, na sigla em inglês, a culpada por todos esses eventos climáticos anormais na Europa são as mudanças climáticas globais, onde as ações humanas tem enorme peso em tudo o que está acontecendo.    

Segundo o IPCC, as temperaturas superficiais aumentaram mais nos últimos 50 anos do que aumentaram nos 2 mil anos anteriores. As projeções científicas apontam para um aumento das temperaturas globais entre 1,2 e 2º C nas próximas décadas, com um possível aumento de 2 metros no nível do mar. 

Em uma entrevista recente ao jornal espanhol El Pais, o porta-voz da AEMET, a agencia espanhola de meteorologia – Rúben del Campo, afirmou que as ondas de calor na Espanha dobraram em apenas uma década. Segundo suas declarações, daqui 30 anos, “um verão como o de hoje será considerado um verão frio”, tamanha a intensidade das mudanças climáticas que ainda virão. 

Diferentemente do que pregam muitos líderes europeus, onde destaco o Presidente da França Emmanuel Macron, todo esse conjunto de mudanças nos padrões climáticos do continente não podem ser lançados exclusivamente na “conta” das queimadas e desmatamentos na Floresta Amazônica. Segundo já mostramos em inúmeras postagens aqui no blog, esses desmatamentos e queimadas são graves e precisam ser combatidos com todo o rigor. 

Porém, cerca de 85% das matas do bioma Amazônico ainda estão bem preservadas, ao contrário de outras importantes florestas tropicais pelo mundo a fora. Cito como exemplo as florestas tropicais do Sul do México, das quais restam apenas 10% da área original, o sofrido Haiti, onde cerca de 95% da cobertura florestal já desapareceu, além da ilha de Madagáscar, que já perdeu mais de 80% da cobertura florestal. 

Na Europa, a exceção dos países nórdicos que tem a maior parte de suas matas nativas ainda preservadas, a situação não é das melhores – a média da cobertura florestal nos países está na casa dos 41%. Na Alemanha, a cobertura florestal é de 32%, na Itália 35,6% e na Franca de Macron é de apenas 31%. É importante lembrar que nessa conta entram todos e quaisquer fragmentos florestais, inclusive as praças urbanas. 

Além da perda maciça da cobertura florestal, um problema que vem assolando a Europa desde a antiguidade clássica, as emissões de gases de efeito estufa pelos europeus é uma das grandes responsáveis pelas mudanças climáticas em andamento em todo o mundo. Aqui precisamos destacar a queima de carvão mineral em atividades industriais e para a geração de energia elétrica em centrais termelétricas. 

Como todos devem se lembrar das aulas dos tempos do ensino fundamental, o grande impulso para a queima de grandes quantidades de carvão mineral no continente europeu começou com o início da Revolução Industrial em meados do século XVIII. Aqui entrou em cena a máquina a vapor, que foi aperfeiçoada por James Watt entre 1763 e 1775 com o apoio de Mathew Boulton. Centenas de fábricas em todo o continente adotaram esse equipamento e passaram a emitir grandes volumes de gases de efeito estufa. 

Nas últimas décadas do século XIX, com o uso da energia elétrica, a queima do carvão mineral também se estendeu para inúmeras centrais de geração termelétrica. Por fim, com o desenvolvimento e a fabricação em massa de automóveis, caminhões e outros veículos com motores de combustão interna, a queima de combustíveis fósseis derivados do petróleo tomou conta das ruas das cidades e também das estradas de toda a Europa.  

Foi a soma de todos esses poluentes emitidos pela Europa, Estados Unidos e outras nações do mundo, onde se inclui o Brasil, a principal responsável pelas mudanças climáticas que estamos assistindo hoje em todo o mundo. Ou seja – todos nós somos responsáveis pelo que está acontecendo com o clima mundial. 

E como diz um velho ditado – aqui se faz, aqui se paga! 

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