A “GUERRA” EM BUSCA DA REDUÇÃO DAS EMISSÕES MUNDIAIS DE GASES DE EFEITO ESTUFA 

O Efeito Estufa é um processo natural de nosso planeta. Durante o dia, ou seja, quando parte do planeta fica voltada diretamente para o sol, a atmosfera reflete uma parte da radiação solar de volta para o espaço e parte dessa energia chega até a superfície do planeta. Os chamados gases de Efeito Estufa retém essa energia térmica, evitando que as temperaturas da superfície baixem demais durante a noite. Isso mantém a temperatura do planeta relativamente estável.

Na Lua, o satélite natural do nosso planeta, não existe uma atmosfera que controle a radiação solar na sua superfície. Durante o dia, a temperatura na superfície lunar chega aos 214° C e cai para -184° C durante a noite. Nas regiões polares da Lua, a temperatura é constante e fica na casa de -96° C. Mesmo que a tecnologia permita a colonização da Lua num futuro relativamente próximo, essa brutal variação das temperaturas entre o dia e a noite continuará sendo um grande desafio.

Os principais gases de Efeito Estufa são o dióxido de carbono (CO2), o Metano (CH4), o Óxido Nitroso (N2O) e o Hexafluoreto de Enxofre (SF6), além do vapor de água. As concentrações naturais desses gases na atmosfera se mantiveram estáveis durante dezenas de milhões de anos. Foram as ações humanas, que se intensificaram muito nos últimos 250 anos, que aumentaram muito as concentrações desses gases. Como resultado, as temperaturas na superfície do planeta não param de subir e mudanças climáticas são visíveis. 

Um dos grandes vilões do clima mundial, sobre o qual já falamos em postagens anteriores, é o carvão. Esse mineral é de origem fóssil e foi formado ao longo de dezenas de milhões de anos a partir da sedimentação de restos de matéria orgânica, principalmente madeira. Árvores em processo de crescimento acumulam grandes volumes de carbono, elemento esse que é abundante no carvão. Com a queima do combustível, todo esse carbono que ficou acumulado é liberado na atmosfera. 

Cerca de 40% da toda a energia elétrica usada no mundo é gerada a partir da queima do carvão. A queima desse combustível responde por um volume entre 30 e 35% das emissões mundiais de dióxido de carbono. O consumo mundial atual de carvão mineral é da ordem de 5,5 bilhões de toneladas. 

A metalurgia e todas as atividades associadas, onde há necessidade de altíssimas temperaturas para a fundição dos metais, também necessita de grandes volumes de carvão para alimentar seus altos-fornos. Também precisamos incluir nessa lista o uso do combustível para calefação ou aquecimento de residências em países de clima temperado, onde os invernos são muito rigorosos. Citamos em uma postagem anterior o caso de Ulan Bator, a capital da Mongólia, onde essa queima de carvão nas residências responde por 80% da gravíssima poluição da cidade. 

Historicamente, o maior consumidor mundial de carvão e também maior emissor de dióxido de carbono foi os Estados Unidos– o país produziu cerca de 415 bilhões de toneladas métricas desde 1750. A China vem em segundo lugar com 220 bilhões de toneladas métricas, com a antiga URSS – União das Repúblicas Socialistas Soviéticas, e a Alemanha vindo na sequência. 

A partir da década de 1980, com seu fortíssimo crescimento econômico, a China assumiu o posto de maior emissor mundial de dióxido de carbono – são mais de 14,1 bilhões de toneladas métricas/ano ou cerca de 27% das emissões mundiais. Os Estados Unidos estão em segundo lugar com 5,7 bilhões de toneladas métricas ou 11% das emissões globais. Na sequência vem a Índia, com 3,4%, a União Europeia, com 3,3%, Indonésia, com 1,8%, Arábia Saudita, com 1,6% e o Brasil com 1,5% das emissões mundiais. 

Uma das características do dióxido de carbono é a sua longa permanência na atmosfera. Para que todos tenham uma ideia do que estamos falando – calcula-se que 40% de todo o dióxido de carbono emitido pela humanidade nos últimos 150 anos ainda está na atmosfera. Caso se consiga reduzir as emissões desse gás, o que é uma das principais discussões hoje na COP26, serão necessárias várias décadas até que resultados climáticos comecem a ser percebidos. 

A redução das emissões de gases de Efeito Estufa é um desafio ambiental que vem sendo perseguido pela humanidade já há vários anos. O Protocolo de Kyoto, assinado por mais de 175 países em 1997, foi uma das tentativas. Esse frustrado acordo previa uma redução das emissões de gases de Efeito Estufa pelos países signatários entre 2008-2012 para uma média de 5% em relação aos níveis de 1990. Num segundo momento, as nações signatárias assumiriam o compromisso de reduzir as emissões entre 2013-2020 em pelo menos 18% abaixo das emissões de 1990. 

Apesar de ter sido considerado um marco na defesa do meio ambiente, os resultados obtidos ficaram abaixo das expectativas. Em 2015, durante a COP21 em Paris, foi discutido um novo compromisso mundial em substituição ao Protocolo de Kyoto, que recebeu o nome de Acordo de Paris. Assinado por 195 países, esse Acordo entrou em vigor em 2016, tendo como principal meta limitar o aumento da temperatura global abaixo dos 2º C até o final deste século.  

A luta atual na COP26 é a de se conseguir um acordo para limitar o aumento das temperaturas do planeta em 1,5º C. Os países tem apresentado propostas de redução de suas emissões até 2030, além de estabelecer uma data limite para zerar essas emissões. O Brasil, citando um exemplo, está se comprometendo a reduzir suas emissões em 37% até 2025, 43% até 2030 e a alcançar a neutralidade nas emissões até 2050. É uma proposta ousada

Infelizmente, não são todos os países que estão assumindo essa importante responsabilidade para com o planeta. A Índia já avisou que não vai limitar as suas emissões além do que já havia se comprometido e afirma que só deverá atingir a neutralidade do carbono em 2070. A China e a Rússia também estão se recusando a aumentar a velocidade das reduções de suas emissões de gases de Efeito Estufa. 

Se assumirmos que o Brasil consiga cumprir os compromissos assumidos, as emissões de gases de Efeito Estufa passarão a representar cerca de 0,7% do total mundial em 2050, o que, apesar de se mostrar um avanço importante para o país, representaria muito pouco dentro do contexto mundial. 

Um caminho alternativo que restará para a humanidade será um esforço concentrado do maior número possível de países para o reflorestamento de áreas degradadas. Apesar de todas as críticas que o Brasil recebe, cerca de 60% da vegetação nativa do país ainda está preservada. Se outros país conseguirem restaurar parte do que já destruíram, ajudará bastante. 

Outra medida fundamental é estimular ao máximo o uso de fontes de geração de energia elétrica renováveis como a hidrelétrica, a eólica e a solar. Nesse quesito, os países ricos, que são os que, aparentemente, mais se preocupam com o aquecimento global e com as mudanças climáticas, precisam ajudar os países pobres e em desenvolvimento, especialmente com tecnologia e recursos financeiros. 

Ficar falando apenas das queimadas da Amazônia não vai ajudar muito…

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