
O Uruguai, pequeno país com cerca de 3,5 milhões de habitantes e que faz fronteira com o Extremo Sul do Brasil, está convivendo há cerca de três anos com uma fortíssima seca. Essa seca teve suas origens no fenômeno climático La Niña e também está afetando fortemente a região de La Pampa, no Centro Norte da Argentina, e partes do Sul do Brasil.
Um sintoma da situação caótica no país pode ser visto em Paso Severino, o principal manancial de abastecimento de Montevideo, a capital do Uruguai – de acordo com dados do último dia 28 de junho, o nível do reservatório está em apenas 2,4% de sua capacidade total.
O reservatório de Paso Severino foi inaugurado em 1987, sendo administrado pela OSE – Obras Sanitárias do Estado. Em sua capacidade máxima, seu espelho d’água ocupa uma área de 1.487 hectares, com uma cota de operação de 36 metros. Essa é a pior seca na história do reservatório.
O Governo do Uruguai decretou emergência hídrica no país há cerca de 10 dias, medida que vai ajudar a acelerar obras e ações emergenciais. Entre outras medidas, os impostos sobre a venda de água mineral foram zerados e carros pipa estão fornecendo água potável para comunidades carentes.
Na última quinta-feira, dia 29 de junho, o Governo anunciou que mais de 500 mil pessoas que residem na Região Metropolitana de Montevideo receberão dinheiro para comprar o equivalente a 2 litros de água mineral por dia. É importante citar que nessa região residem 1,8 milhão de pessoas, mais da metade de toda a população do país.
Desde o último mês de abril, a OSE vem retirando água de cursos próximos ao rio da Prata e bombeando na direção de Paso Severino como reforço aos níveis estocados. A água do rio da Prata é salobra, o que elevou os níveis de cloreto de sódio da água servida para a população e tem tornado seu consumo complicado, especialmente por pessoas com pressão alta.
Em sua defesa, o Governo afirma que apenas 5% da água servida às residências é consumida diretamente pela população e que o fornecimento de água mineral gratuita compensaria o problema.
As coisas, entretanto, não são tão simples assim. A população reclama que grande parte das reservas hídricas do país está nas mãos de empresas privadas ligadas ao agronegócio. Essa água vem sendo desviada para reservatórios particulares e é usada em sistemas de irrigação e em fazendas de criação de animais.
A esperança dos uruguaios está vinculada à chegada do fenômeno climático El Niño que, entre outras mudanças no clima da América do Sul, costuma trazer chuvas acima da média no Sul do Brasil, na Argentina e também no Uruguai.
Apesar da situação do Uruguai caminhar para uma solução dentro dos próximos meses, seria importante que o país olhasse com mais atenção para o fabuloso rio da Prata que banha toda a faixa Sul do país. Existem atualmente avançadas tecnologias para dessalinização da água como é o caso da osmose reversa, o que poderia garantir uma alternativa importante para momentos como esse.
Também existem os sistemas de geração de energia fotovoltaica, o que baratearia muito os custos de operação. Apesar de ser um país sem maiores recursos financeiros, é importante buscar alternativas para o abastecimento de água em tempos de grandes e importantes mudanças climáticas.
Não querendo bancar o chato mas, é preciso dizer, que existem muitos políticos no país que sonham em construir uma grande ponte sobre o rio da Prata para facilitar a ligação rodoviária com a Argentina. Apesar de tal medida ser importante, garantir água para a população é ainda mais importante.
Essa seca que está assolando o país hoje, considerada a maior dos últimos 70 anos, poderá se tornar cada vez mais frequente nos próximos anos.









