O DRAMA DAS ILHAS MALDIVAS

Maldivas

Quem mora em um país de dimensões continentais como o Brasil tem muita dificuldade para imaginar as consequências catastróficas que o aumento do nível dos oceanos poderá representar para os pequenos países insulares espalhados pelo mundo. Em nossa confortável situação, temos certeza que as populações de nossas cidades costeiras terão para onde se mudar caso o oceano avance com maior violência contra as nossas praias.

Agora, o que você faria se o seu país fosse uma ilha com altitudes máximas de 2 metros acima do nível do mar e, dia após dia, você percebesse o avanço contínuo das águas contra a terra?

As Ilhas Maldivas são, há muito tempo, um paraíso turístico que atrai milhares de visitantes de todo o mundo, que buscam as suas praias de areias brancas e águas transparentes. A Repúblicas das Maldivas, nome oficial do país, está localizada no Oceano Índico, próximo ao Sudoeste da Índia. São 1.196 pequenas ilhas, agrupadas em 26 atóis. A população total das ilhas é de 330 mil habitantes, que vivem basicamente da pesca e do turismo.

O ponto mais alto da Ilhas Maldivas fica a exatos 2,3 metros acima do nível do mar – aliás, a altitude média do território é de 1,5 metros. A maior parte da população vive em áreas com altitude de 1 metro acima do nível do mar. A capital do país, Malé, onde vivem 100 mil pessoas fica a desesperadores 0,9 metros em relação ao nível do mar! Acho que você já conseguiu entender o título que dei a esta postagem. As Ilhas Maldivas poderão desaparecer em poucos anos devido às mudanças climáticas globais e ao gradual aquecimento das águas do Oceano Índico. E os problemas já são visíveis.

As águas ao redor das Ilhas Maldivas são formadas por extensos bancos de corais multicoloridos, onde vivem as mais diversas espécies de peixes tropicais. Essas águas são consideradas como uma das melhores do mundo para o mergulho e foram fundamentais para colocar o pequeno país insular na rota do turismo internacional. Infelizmente, o aquecimento das águas do Oceano Índico e a consequente acidificação das águas está matando os corais. As formações, que combinam diversos tipos de seres vivos e rochas calcárias, sofrem com o processo conhecido como branqueamento (bleaching), que acontece quando os corais passam a sofrer com o aumento da temperatura e perdem a sua cor, ficando totalmente brancos. Mais de 60% dos corais ao redor das Ilhas Maldivas apresentam sinais de branqueamento, problema que vem afastando os mergulhadores e que já afeta fortemente a indústria do turismo.

O visível avanço do mar contra as praias das Ilhas é outra fonte de pesadelos para a população. A erosão continua de praias está provocando a redução gradual do já pequeno território das Maldivas, cuja área é de apenas 298 km². As preocupações com o eventual desaparecimento das Ilhas só aumentam – recentemente, a ilha New Moore, um pequeno pedaço de terra com 10 km² e com altitude média de 2 metros acima do nível do mar no Golfo de Bengala, foi totalmente encoberta pelas águas do Oceano Índico – a elevação do nível do mar é a causa mais provável para esta tragédia. Felizmente, a ilha, que era disputada entre a Índia e Bangladesh, era desabitada. Vou falar do caso desta ilha na próxima postagem.

E o drama dos maldives (ou maldívios) não é único – existem dezenas de países insulares em todos os oceanos do mundo que correm o risco de ver suas terras serem encobertas gradativamente pelas águas do mar. E não há para onde correr – serão necessários acordos internacionais para que outros países possam receber estes “refugiados climáticos”.

Parodiando um antigo ditado espanhol: você até pode não acreditar no aquecimento global, mas que ele existe, existe!

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