VOCÊ JÁ OUVIU FALAR DE KIRIBATI?

Kiribati é um arquipélago localizado próximo da linha do Equador no centro do Oceano Pacífico. É composto por 33 ilhas e possui uma área total de 811 km², o que corresponde a duas vezes o tamanho de Curitiba. Apenas 20 das ilhas são habitadas, abrigando uma população de mais de 110 mil habitantes. 

Devido ao aumento do nível dos oceanos, todas as ilhas do arquipélago poderão desaparecer dentro de, no máximo,15 anos. Aliás, várias das ilhas já vem sofrendo com o avanço do mar e foram abandonadas pelas populações. Essa migração forçada está provocando problemas de superpopulação em algumas ilhas e cidades. 

O maior exemplo desse problema é Tarawa do Sul, a capital de Kiribati. Logo após a Segunda Guerra Mundial, a cidade tinha pouco mais de 1.600 habitantes. Atualmente, são mais de 50 mil pessoas ou metade de toda a população do arquipélago, o que torna a cidade uma das mais densamente povoadas do mundo. 

As ilhas que formam o arquipélago de Kiribati são na sua maioria atóis, formações que surgiram a partir de recifes de coral. Esse tipo de relevo é caracterizado por baixas altitudes em relação ao nível do mar – normalmente, essas altitudes variam entre 1 e 3 metros, por isso a extrema fragilidade das ilhas diante do aumento do nível das águas do oceano. 

Um dos maiores problemas ambientais vividos pela população de Kiribati são as ameaças as fontes de abastecimento de água. Pelas características dos solos das ilhas, as principais fontes de água são lagoas que acumulam as águas das chuvas, além de alguns poucos aquíferos. Com o avanço cada vez mais intenso das ondas contra as ilhas, existem riscos iminentes de salinização da água dessas lagoas. A população também constrói reservatórios para acumular a água das chuvas (tipo cisternas), porém, essas construções são em número insuficiente para atender a demanda. 

Além das enormes dificuldades ambientais, Kiribati sofre com a falta de recursos financeiros. As únicas fontes de divisas externas do arquipélago são as exportações de coco e óleo de coco, além de pescados, sendo que essa última atividade está sendo cada vez mais comprometida pela destruição dos corais da região devido ao aquecimento das águas do Oceano Pacífico. O país conta ainda com a ajuda externa enviada por alguns países ricos. O PIB – Produto Interno Bruto, de Kiribati é de apenas US$ 165 milhões. 

Uma fonte importante de recursos externos para o país e que cresceu muito nos últimos anos são as remessas de dinheiro feitas por cidadãos que migraram para outros países em busca de melhores oportunidades de vida. Muitos desses imigrantes podem ser classificados como “refugiados do clima”, uma população errante que vem crescendo em várias partes do mundo. 

Estudos indicam que o povoamento das Ilhas Kiribati se deu entre 4 e 5 mil anos atrás, feito por populações vindas da Ásia e que falavam a mesma língua usada pela população atualmente, o gilbertês. O primeiro contato com europeus ocorreu no século XVI, quando provavelmente embarcações da Espanha chegaram até as ilhas. Depois, as ilhas se tornaram ponto de parada para navios de diversas nações, de pescadores e traficantes de escravos.  

Sob o pretexto de restaurar a ordem no lugar, os ingleses acabaram assumindo o controle no final do século XIX, transformando as ilhas em um protetorado britânico em 1892 e depois em uma colônia em 1916. As Ilhas Kiribati só alcançariam a independência em 1979. 

Um momento marcante da história de Kiribati foi a sangrenta disputa pela posse das ilhas durante a Segunda Guerra Mundial. Forças do Japão assumiram o controle de uma das ilhas do arquipélago – Betio, em 1943, uma posição que era considerada estratégica para o avanço da guerra no Oceano Pacífico Central. Forças navais dos Estados Unidos realizaram uma violenta ofensiva contra as posições japonesas, que foram completamente destruídas. Esse confronto entrou para a história como a Batalha de Tarawa.  

Um outro capítulo negro da história das Ilhas Kiribati foi a realização de uma sequência de testes com armas nucleares pelos pelos Estados Unidos e Inglaterra ao longo do ano de 1962. Foram 31 testes no total em ilhas do Oceano Pacífico, sendo que 24 explosões ocorreram em uma das ilhas do arquipélago de Kiribati

Nos últimos anos, todas as preocupações do povo de Kiribati se concentram na elevação do nível do oceano e no risco do desaparecimento das ilhas. Há notícias que falam da compra de uma área de 20 km² nas Ilhas Fiji por parte do Governo local em 2014. Esse território será usado para assentar a população evacuada das ilhas no momento em que o avanço das águas inviabilizar a vida nas Ilhas Kiribati

O aumento do nível dos oceanos também está ameaçando a sobrevivência de outras ilhas e terras baixas em todo o mundo no curto prazo. Entre as ilhas podemos citar as Maldivas e as Seicheles, no Oceano Índico, e as Ilhas Salomão, Marshall e Tuvalu, no Oceano Pacífico. Entre as terras baixas destacam-se o Delta do rio Mekong, no Vietnã, e o Delta do rio Ganges entre a Índia e Bangladesh. 

Conforme comentamos na postagem anterior, os estudos indicam que o nível dos oceanos subiu 1,4 centímetro entre 1979 e 2017, principalmente devido ao derretimento da capa de gelo no Ártico, onde se incluem partes do Canadá, da Groenlândia, do Alasca (Estado norte-americano) e Rússia, além da Antártida. Conforme for o aumento das temperaturas do planeta até o final deste século, o aumento do nível dos oceanos poderá ficar entre 8 e 15 cm. 

A pergunta que pode surgir na mente de muitos dos leitores: como um aumento tão pequeno no nível dos oceanos já pode estar ameaçando a sobrevivência de ilhas como as do arquipélago de Kiribati? Simples – além da alta no nível das águas, entram em ação a força das marés, dos ventos e das correntes marítimas. Ondas mais altas e mais fortes, por exemplo, podem varrer facilmente um território com baixíssimas altitudes como o das iIhas Kiribati ou Maldivas

Enquanto escrevo essa postagem, algum ponto de terra ao redor do mundo pode estar desaparecendo sob as águas dos oceanos sem que tenhamos consciência disso. Esse foi o caso bem recente de 5 pequenas ilhotas pertencentes as ilhas Salomão, no Oceano Pacífico, que sumiram do mapa há pouco mais de 5 anos. E isso só foi percebido por que alguns pesquisadores estavam estudando 30 ilhas ameaçadas pelo aquecimento global. 

Os pesquisadores estavam analisando imagens aéreas e de satélites captadas entre 1947 e 2014, quando perceberam o desaparecimento das ilhas. O desaparecimento foi depois confirmado em entrevistas com moradores locais, que deram detalhes do “ocorrido”. As ilhas que foram encobertas pelas águas foram Kale, Rapita, Rehana, Kakatina e Zollies, que tinham áreas entre 10 mil e 50 mil metros quadrados. 

Outro caso bem semelhante aconteceu com a ilha japonesa Esanbe Hanakita Kojima, que ficava a Nordeste do arquipélago do Japão e ocupava menos de 2 km². A ilha simplesmente desapareceu, o que só foi percebido em 2018, quando um escritor tentou visitar a ilha. O vilão seria o aumento do nível do oceano na região. 

Nossa realidade daqui para frente, infelizmente, será a de fazer uma lista dos lugares paradisíacos que pretendemos visitar antes que o aquecimento global e o aumento do nível dos oceanos os destruam, começando talvez pelas Ilhas Maldivas e Seicheles

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