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Posts de ferdinandodesousa

Escritor, jornalista, gestor e educador ambiental. Especialista em projetos de comunicação social e de educação ambiental.

BISÕES NORTE-AMERICANOS ESTÃO SENDO INTRODUZIDOS NO ÁRTICO RUSSO 

Uma pequena manada com doze bisões norte-americanos (Bison bison bison) foi transportada para o Parque Natural Ingilor, no distrito autônomo de YamalNenets no Leste da Rússia. Os animais foram comprados de um viveiro na Dinamarca e foram transportados por meio de caminhões até o parque, onde foram alojadas em uma área de pastagem cercada. 

Esses animais deverão ser soltos em breve pelos cientistas e terão a missão de assumir o papel ecológico dos extintos mamutes-lanosos que povoavam a região há milhares de anos atrás. 

De acordo com um comunicado do Departamento de Recursos Naturais e Meio Ambiente do YamalNenets, “o búfalo pode se adaptar facilmente ao Ártico porque, historicamente, lá é o seu habitat natural” 

Bisões-da-estepe (Bison priscus), um parente dos bisões norte-americanos, e mamutes-lanosos habitavam as extensas pradarias dos chamados Urais Polares durante o período conhecido como Pleistoceno (entre 2,6 milhões e 11,7 mil anos). Com as mudanças climáticas desencadeadas com o final da Era Glacial a maioria desses animais foi extinta. 

Com temperaturas mais quentes (ou menos frias) e sem a presenças desses animais herbívoros, as planícies que eram cobertas por gramíneas passaram a ser cobertas por arbustos e árvores. 

A ideia dos pesquisadores é se introduzir grandes mamíferos herbívoros como os bisões norte-americanos de forma a recriar o antigo ciclo natural. Os animais passarão a pastar e a consumir plantas da região, liberando grandes quantidades de esterco sobre os solos, o que, em tese, poderá restaurar as antigas paisagens ao longo do tempo. 

E esse não é o único projeto do gênero no Ártico russo – o Parque Pleistoceno, localizado na região de Yakutia, vem importando e introduzindo bisões em sua área desde 2019. Em 2023, o parque importou uma manada com 24 animais – metade dos animais foram doados ao Parque Natural de Ingilor em troca de 14 bois-almiscarados (Ovibos moschatus). 

Esse experimento russo poderá gerar importantes conhecimentos sobre a introdução de espécies em novos habitats e poderá ser replicado em outros casos críticos. 

TEMPESTADE DE AREIA ENCOBRIU O CÉU DE GOIÂNIA NO ÚLTIMO SÁBADO

Repetindo a introdução de uma antiga postagem, as cenas de tempestades de areia são bastante comuns em filmes. Exemplos aparecem em filmes como A Múmia (1999), Missão Impossível – Protocolo Fantasma (2011) e Mar de Fogo (2004), onde se desenrolam tempestades de areia verdadeiramente assustadoras.  

Uma densa nuvem de poeira tomou conta dos céus da cidade no período da manhã assustando muitos moradores. É tempo de seca na região do Cerrado e a região de Goiânia não sabe o que é uma chuva há mais de 65 dias. 

O empo extremamente seco desagrega o solo, que fica coberto por uma fina camada de poeira. A chegada de uma frente fria com ventos mais fortes levantou essa camada de pó, que acabou chegando até os céus de Goiânia. 

O fenômeno “brazuca” fica bem distante dos efeitos devastadores das tempestades de areia dos Desertos do Saara e da Península da Arábia mostrados nas telas dos cinemas, mas tem seu potencial para criar problemas e assustar pessoas que não estão acostumadas com a visão desse tipo de evento. 

De acordo com muitos meteorologistas, a ocorrência de secas cada vez mais intensas e prolongadas na Região Centro-Oeste poderão tornar esse tipo de fenômeno cada vez mais comuns em muitas cidades. 

Melhor deixar as máscaras e os óculos de proteção sempre a mão nas cidades da região. Novos tempos, novos hábitos! 

MUDANÇAS CLIMÁTICAS ESTÃO “EMPURRANDO” ÁRVORES PARA O ALTO DE CADEIAS DE MONTANHAS 

Existe uma relação direta entre clima e a vida animal e vegetal. Ao longo da história de nosso planeta, diferentes mudanças climáticas levaram a grandes mudanças nas configurações dos biomas e no habitat de plantas e animais.. 

Há cerca de 20 mil anos atrás, após o último período de Glaciação ou Era do Gelo, como é mais conhecida popularmente, o Norte da África apresentava um clima mais úmido e com temperaturas mais baixas que as atuais, contanto com diversos rios permanentes. Muitos cientistas acreditam que o famoso Rio Nilo, que hoje atravessa o Egito de Sul a Norte e deságua no Mar Mediterrâneo, naqueles tempos atravessava todo o Norte da África e tinha a sua foz no Oceano Atlântico.  

Grande parte do território que hoje se encontra soterrado por dezenas de metros de dunas de areia seca era coberto por densas florestas – as partes “mais secas” eram cobertas por vegetação de savana, muito parecida com o nosso Cerrado. Todos os animais africanos que você costuma ver nos documentários como elefantes, girafas, zebras, antílopes, rinocerontes, hipopótamos, macacos e aves de todos os tipos se espalhavam por todo esse território.  

Pinturas rupestres deixadas pelos antigos habitantes da região em pedras espalhadas por todo o deserto do Saara mostram cenas em que aparecem todos esses animais. Se você pudesse viajar no tempo e desembarcar no meio desse território, nada lhe lembraria a imagem atual do Saara. 

Esse clima e vegetação permaneceram inalterados até um período entre 8 e 10 mil anos atrás, quando o nosso planeta sofreu uma leve alteração no seu eixo de rotação, que foi suficiente para alterar a incidência solar no Norte da África e provocar uma alteração climática nos regimes de umidade e temperatura. Alguns cientistas afirmam que essa mudança ocorreu a menos tempo, há cerca de 5 mil anos atrás, mas com as mesmas consequências – as florestas retrocederam lentamente até desaparecer, as áreas de savana se ampliaram e a maior parte da vida animal migrou para o Sul. 

As mudanças climáticas que estão “pipocando” atualmente por todos os cantos do mundo estão, sutilmente, provocando mudanças importantes na configuração da vegetação e também nas populações animais. 

Usando imagens de satélite, os pesquisadores comprovaram que essa “linha” avançou cerca de 1,2 metro por ano entre os anos 2000 e 2010 – nos trópicos, a mudança foi ainda maior e o avanço das árvores foi de 3,1 metros por ano. 

Os pesquisadores desenvolveram um algoritmo que analisou imagens de satélite de quase 1 milhão de km² em 243 cadeias de montanhas em todo o mundo. Segundo as conclusões desse estudo, as mudanças climáticas estão alterando a temperatura ambiente, a umidade, a pluviosidade e o grau de exposição solar, fatores que determinam a altitude limite para o crescimento das árvores. 

E preparem-se: essas mesmas mudanças climáticas vão redesenhar as paisagens de grandes extensões de mares e terras de nosso planeta nas próximas décadas. Isso incluirá tanto sistemas florestais quanto populações de animais. Muitas dessas mudanças serão tão radicais como as que redesenharam o Norte da África alguns milênios atrás. 

“Bem-vindos” a um novo mundo! 

AUMENTA O NÚMERO DE PAÍSES QUE RESISTEM ÀS POLÍTICAS “VERDES” NA EUROPA 

Até bem pouco tempo atrás, os países europeus pareciam liderar a corrida das políticas ambientais mais incisivas para o combate às mudanças climáticas. Vítimas de ondas de calor, secas e incêndios florestais cada vez mais intensos, Governos e lideranças políticas do “velho continente” eram referências em todo o mundo na criação e implementação de políticas cada vez mais “verdes”. 

Entre os grandes avanços dos últimos anos podemos destacar os incentivos aos combustíveis e energias renováveis, criação de metas ambiciosas para a descarbonização das economias, pressão intensa para a redução da produção de veículos a combustão interna, mudanças na produção agrícola, entre muitas outras. 

Um grande exemplo dessa mudança de postura é a Itália, país que elegeu um novo Governo de perfil conservador no ano passado. Usando como argumento a incapacidade de muitas empresas italianas em suportar as mudanças em seus processos produtivos, o Governo tem recuado em uma série de iniciativas da União Europeia. 

Um exemplo são as metas de eliminação gradual da produção e venda de veículos que utilizam motores a combustão interna, um setor onde as indústrias italianas têm uma expressiva participação. A Itália também está exigindo mudanças nas metas de eficiência energética de edifícios. 

Até mesmo na “verde” Alemanha, que durante muito tempo liderou as políticas ambientalistas na Europa, os ventos estão mudando. Disputas entre diferentes forças políticas do país sobre uma lei que previa a redução gradual de gás e derivados de petróleo em sistemas de aquecimento levou a uma ruptura entre os grupos. Semanas depois, os grupos voltaram a se acertar às custas do compromisso de se rever essa legislação. 

Falar em criação de políticas ambientais para o combate às mudanças climáticas soa bem aos ouvidos de muita gente – porém, quando chega a hora de colocar a mão no bolso para pagar a conta dos custos dessas mudanças, aí as opiniões começam a mudar. 

Lamentavelmente, é isso que está acontecendo hoje na Europa. Muito pior – a questão deverá ganhar cada vez mais “adeptos” ao longo dos anos… 

INCÊNDIOS FLORESTAIS NO HAVAÍ DEIXAM MAIS DE 90 MORTOS 

As autoridades locais falam de mais de 90 vítimas fatais até o momento, além de dezenas de desaparecidos. Esses números deverão aumentar conforme o avanço das buscas. De acordo com os levantamentos iniciais, mais de mil edificações foram parcialmente danificadas e/ou totalmente destruídas, com prejuízos materiais calculados em mais de US$ 5 bilhões. 

De acordo com o relato dos sobreviventes, onde se incluem muitos brasileiros que vivem na região, foram avistadas inicialmente nuvens de fumaça em pontos distantes das montanhas. Com os fortes ventos e com a vegetação seca, o fogo se espalhou rapidamente, forçando os moradores a fugirem de forma desordenada. 

De acordo com esses relatos, não houve qualquer alerta antecipado das autoridades falando sobre os riscos de grandes incêndios na região. Muitos moradores acabaram se vendo cercados pelas chamas durante a fuga e foram obrigados a entrar no mar para escapar. A Guarda Costeira dos Estados Unidos resgatou mais de 100 pessoas no oceano. 

De acordo com os registros, esse é o maior desastre natural nas ilhas havaianas desde 1960, quando um tsunami matou 61 pessoas na ilha principal do arquipélago. Também é o incêndio florestal com o maior número de vítimas fatais em território dos Estados Unidos desde 2018, quando um incêndio em Paradise, na Califórnia, matou 85 pessoas. 

Na tarde da sexta-feira, dia 11 de agosto, os moradores da região da cidade histórica de Lahaina, que no passado foi a capital do Reino do Havaí, foram autorizados a retornarem até suas casas ou ao que sobrou delas. Entretanto, está sendo necessário respeitar um toque de recolher que vai das 22 até a 6 horas da manhã. 

A colonização das ilhas havaianas por navegadores polinésios se estendeu entre o ano 300 a.C e 600 da Era Cristã. De acordo com as lendas da tradição oral, o nome dado ao arquipélago vem de Havaí Loa, nome do descobridor das ilhas. Outra hipótese é ser uma derivação da palavra polinésia para casa –Hawaiki. A descoberta das ilhas por europeus se deu em 1778, quando o Capitão James Cook desembarcou no arquipélago.  

De origem vulcânica e bastante isoladas de outras porções de terra, as ilhas do arquipélago foram colonizadas lentamente por plantas cujas sementes foram carregadas a longas distancias pelos fortes ventos alísios do Oceano Pacífico. Esses ventos também foram responsáveis pela chegada de várias espécies de insetos voadores. Aves de diversas espécies foram “descobrindo” as ilhas durante as suas rotas de migração e muitas acabaram se estabelecendo nesses territórios.  

Com a colonização por europeus e asiáticos a partir do século XIX, dezenas de outras espécies exóticas passaram a ser introduzidas nas ilhas. Além da cana-de-açúcar, podemos destacar o abacaxi e as batatas, além de animais domésticos como ovelhas, cabras, vacas e cavalos, entre muitos outros. 

Até o final do século XVIII, os havaianos viviam numa sociedade independente e altamente organizada. A partir da chegada dos primeiros europeus, as ilhas passaram por diversas mudanças em sua estrutura administrativa até sua anexação aos Estados Unidos em 1959. 

Desde então, as ilhas foram transformadas em uma espécie de “paraíso na terra” para muitos norte-americanos – especialmente aposentados, que se mudaram para as ilhas em busca do calor do sol e de uma natureza “intocada”. 

Para muitas dessas pessoas, essa tragédia é o fim desse sonho… 

PINGUINS-AFRICANOS PODERÃO DESAPARECER ATÉ 2035 

As alcas eram abundantes nessas águas, sendo caçadas aos milhares, tanto para alimentação quanto para servir como isca para a pesca do bacalhau e das lagostas. Os animais também eram caçados e mortos para a retirada de suas penas, usadas no enchimento de travesseiros.  

Uma das principais razões para o declínio da espécie, entretanto, foi a coleta dos seus ovos, que eram considerados uma verdadeira iguaria. O último casal de alcas foi abatido numa pequena ilha ao largo da Islândia, em 3 de junho de 1844. Os pinguins, espécie de ave marinha comum na Antártida e em regiões frias do Sul do Hemisfério Sul, receberam esse nome devido à suas semelhanças com as extintas alcas-gigantes. 

A característica mais marcante dos pinguins é a sua extrema adaptação para a vida marinha. Durante o seu processo evolutivo, essas aves perderam a capacidade de voar e suas asas se transformaram em eficientes nadadeiras. As penas também evoluíram, criando uma eficiente barreira térmica. Os animais também possuem um corpo com formato perfeitamente hidrodinâmico e uma grossa camada de gordura, o que permite a sua sobrevivência em águas e terras frias. 

Existem atualmente 18 espécies de pinguins – além do continente Antártico, essas aves são encontradas no Sul e ao longo da costa do Oceano Pacífico até as Ilhas Galápagos na América do Sul, em diversas ilhas no Sul do Oceano Índico, no Sul da Austrália e da Nova Zelândia, além de regiões do Sul da África. 

Mudanças climáticas, sobretudo as mudanças nas correntes marinhas, a sobrepesca e a poluição das águas dos oceanos, são algumas das grandes ameaças a diferentes espécies de pinguins em todo o mundo. Entre todas as espécies, os pinguins-africanos – mais conhecido como pinguim-do-cabo (Spheniscus demersus), e também como soliticário ou mangote, é a que corre os maiores riscos de extinção eminente. 

Além da redução dos estoques pesqueiros, os animais também sofrem com uma competição bastante desleal com barcos de pesca. Os animais também estão sendo dizimados pela poluição das águas, por doenças e também por inundações e tempestades. 

Sem um esforço conjunto de Governos, pescadores, universidades, organizações ambientalistas e população em geral, os pinguins-africanos em breve terão o mesmo destino das alcas dos mares árticos – eles serão apenas uma lembrança dos tempos passados. 

Um triste destino para animais tão carismáticos… 

ROMPIMENTO DE UMA BARRAGEM DE GELO INUNDA CIDADE NO ALASCA 

Inundações glaciais são provocadas pelo derretimento de grandes massas de gelo ou rompimento de barragens de geleiras. De acordo com pesquisadores, esse tipo de evento ameaça 15 milhões de pessoas em todo o mundo e, desgraçadamente, esses incidentes estão se tornando cada vez mais comuns por causa das mudanças climáticas. 

Uma casa desabou (vide foto) e as autoridades locais evacuaram rapidamente todos os moradores de regiões vizinhas ao rio devido ao risco de novos acidentes. De acordo com o NWS – Serviço Nacional de Meteorologia dos Estados Unidos, na sigla em inglês, as cheias no rio Mendenhall são consideradas moderadas até o nível de 1,5 metro acima do nível normal, o que nos dá uma ideia da intensidade dessa cheia repentina. 

Durante os meses de primavera e verão essa geleira forma um lago onde fica armazenada a água resultante do derretimento da neve e também das chuvas. A geleira funciona como uma barragem, que vai liberando essa água pouco a pouco na calha do rio. 

Desde 2011, segundo informações dos pesquisadores, o volume de água liberado pela geleira vem aumentando, o que tem causado inundações esporádicas na região. Dessa vez, entretanto, o volume de água liberado foi muito maior do que o esperado, além de ter sido um evento muito rápido. 

A geleira Mendenhall é uma importante atração turística dessa região do Alasca e costuma atrair milhares de visitantes todos os anos. Como vem acontecendo com outras geleiras ao redor do mundo, a Mendenhall está tendo a sua massa de gelo se reduzindo cada vez mais a cada que passa. 

Além das ameaças ao abastecimento de inúmeras populações, o colapso dessas geleiras também pode provocar enchentes e muita destruição como nesse caso do Alasca. Tempos de aquecimento global são assim… 

MUDANÇAS CLIMÁTICAS: ESTÁ CHEGANDO A HORA DE PAGAR A CONTA 

Esse caso é apenas uma pequena amostra dos custos econômicos provocados pelas mudanças climáticas globais. 

O aumento gradual das temperaturas do planeta está intensificando eventos climáticos como secas, chuvas e enchentes, precipitações de neve, além de provocar a redução de massas de geleiras responsáveis pelos caudais de importantes rios por todo o mundo. Não menos graves são os impactos no aumento no nível dos oceanos, nas correntes oceânicas e de ventos. 

Essas mudanças estão causando perdas na indústria, na agricultura, na pecuária e no turismo, entre outras atividades econômicas. Muito pior – essas perdas vão continuar aumentando nas próximas décadas. 

Também entram na conta os danos na infraestrutura – estradas, pontes, barragens de usinas hidrelétricas, centrais de abastecimento de água, ferrovias e portos, entre muitas outras. Essas estruturas precisarão ser reconstruídas ou remodeladas mais cedo ou mais tarde. 

Os custos da transição energética também entram nessa conta. A queima de combustíveis fósseis como o carvão e os derivados de petróleo estão entre as principais fontes emissoras de gases de efeito estufa, sendo uma das maiores responsáveis pela crise climática. 

Fabulosos volumes de recursos financeiros precisarão ser destinados para a construção de novas unidades de geração de energia, no desenvolvimento e na produção de veículos e outros meios de transporte movidos a partir de fontes alternativas de energia, entre outros investimentos. 

Ao fim e ao cabo, todos nós teremos de dar a nossa contribuição para pagar essa conta “bem salgada”…  

FALTA DE CHUVAS AMEAÇA A NAVEGAÇÃO PELO CANAL DO PANAMÁ 

O Canal de Suez, no Egito, foi um dos maiores feitos da engenharia no século XIX. Concluído em 1869, após dez anos de trabalho árduo, esse canal de pouco mais de 160 km de extensão passou a representar uma redução de mais de 7 mil km nas viagens entre a Europa e a Ásia Meridional e o Extremo Oriente. 

Construído ao nível do Mar, o Canal de Suez tem uma largura média de 205 metros e uma profundidade de 24 metros. Ao longo dos anos a obra passou por diversas atualizações e conta atualmente com 193 km de extensão. Mais de 17 mil embarcações atravessam o canal todos os anos, tendo uma média diária de 47 embarcações, o que torna o Canal de Suez uma das principais artérias do comercio internacional. 

A primeira tentativa para a construção desse canal teve início em 1880, e ficou a cargo do engenheiro francês Ferdinando de Lesseps, que tinha em seu currículo a façanha de ter liderado a construção do Canal de Suez. Dificuldades técnicas na construção, chuvas torrenciais, doenças tropicais que mataram milhares de trabalhadores e, especialmente, uma grande fraude financeira aplicada pela empresa construtora, levaram à paralização da obra em 1885. 

Em 1904, a obra foi assumida pelo Governo dos Estados Unidos, que conclui os trabalhos em 1914. O Presidente Theodore Roosevelt entendeu que esse canal seria estratégico para seu país, que passaria a contar com uma ligação mais curta e rápida entre as costas Leste e Oeste, distância essa que era cerca de 16 mil km mais curta que a antiga através do Estreito de Drake, no extremo Sul da América do Sul. 

A história fez jus aos esforços dos norte-americanos e o Canal do Panamá, que passou ao controle do Panamá em 1999, responde atualmente por cerca de 6% do comércio internacional – mais de 14 mil embarcações atravessam os 77 km de extensão do canal todos os anos. 

O Canal do Panamá utiliza água doce de rios e lagos para sua operação e, devido a redução do volume de chuvas na América Central por conta de problemas climáticos, a Autoridade do Canal do Panamá, autarquia responsável pelas operações, reduziu o calado dos navios que podem usar a via. 

O calado, que é a distância vertical entre a parte inferior da quilha e a linha de flutuação de uma embarcação, que era de 43,3 pés (13,11 metros) passou para 32 pés (9,75 metros), o que restringe o tamanho e a carga das embarcações que podem cruzar o Canal do Panamá. 

Muitos navios cargueiros de grande porte estão sendo obrigados descarregar parte dos seus contêineres em portos do Panamá antes de entrarem nas águas do Canal – esses contêineres são transportados por uma ferrovia até a saída do Canal. O custo do transporte pela ferrovia é compensado pela redução do custo do “pedágio” do Canal do Panamá (esse custo cresce proporcionalmente com o volume da carga das embarcações). 

Essa medida foi tomada por questões de economia de água doce – a cada passagem de um navio pelo canal, devido a abertura das comportas utilizadas como “elevadores” para os navios, cerca de 200 milhões de litros de água doce são despejados nos oceanos. Dos 40 navios que cruzavam o canal diariamente em 2022, somente 32 estão passando atualmente, o que representa um prejuízo de US$ 200 milhões. 

Esse problema, um tanto inusitado, é mais um que pode ser lançado na conta das mudanças climáticas globais 

TEMPERATURA BATE RECORDE NA CORDILHEIRA DOS ANDES NO CHILE

Pablo Neruda (1904-1973), foi um poeta, diplomata e político chileno, tendo sido agraciado com o Prêmio Nobel de Literatura em 1971. Neruda costumava se referir carinhosamente ao Chile como “mi pequeño país frío”, uma expressão que até poucos anos atrás era verdadeira. 

Espremido entre a Cordilheira dos Andes e as águas geladas da Corrente de Humbolt no Oceano Pacífico, o Chile costumava ter invernos bastante rigorosos nas áreas Central e Sul do seu território. Atualmente, esse padrão climático já não é mais o mesmo. 

De acordo com informações do serviço de meteorologia do Chile, o país está enfrentando uma onda de calor sem precedentes. Inclusive, foi emitido um alerta para “evento de altas temperaturas” para o Norte do país, especialmente paras as regiões de Antofagasta, Atacama e Coquimbo. Esse alerta vale até sexta-feira, dia 4 de agosto. 

Segundo os meteorologistas, essa situação é o resultado de uma massa de ar quente que está recobrindo o interior da América do Sul. Além do Norte do Chile, altas temperaturas estão afetando o Centro e o Norte da Argentina, o Uruguai e o Paraguai. 

Altas temperaturas nas montanhas andinas e baixa precipitação de neve são problemas sérios para um país como o Chile, onde a maioria das fontes de água são formadas a partir do derretimento da neve e do gelo das montanhas. 

De acordo com a Direção Meteorológica do país, a região central vem sofrendo um grande déficit de chuvas, que em 2021 chegou a 71%. Esse problema se junta com a redução da vazão de importantes rios com nascentes na Cordilheira dos Andes, o que tem complicado o abastecimento da população da região metropolitana de Santiago. 

Páramos são ecossistemas com vegetação arbustiva que ocorrem a partir de altitudes acima de 3.000 metros até a linha de neve no alto das montanhas. Graças a esta vegetação, os solos dos páramos funcionam como verdadeiras esponjas, retendo grandes quantidades de água. Essa vegetação ocorre na Venezuela, Colômbia, Peru e Equador. 

Nas extensões mais ao Sul da Cordilheira dos Andes entre a Argentina e o Chile, desgraçadamente, não existe esse tipo de vegetação e as fontes de água dependem exclusivamente das chuvas e do derretimento das neves das montanhas.  

Ou seja – com invernos cada vez mais quentes, a disponibilidade de água no Chile e em partes da Argentina tenderá a diminuir cada vez mais, um cenário assustador para milhões de pessoas nesses países.