A REVOLTA DOS FAZENDEIROS NA HOLANDA 

Os Países Baixos, mais conhecido entre nós brasileiros como Holanda, são uma grande potência do agronegócio e um dos maiores exportadores mundiais de alimentos. O país tem pouco mais de 41 mil km2, pouco menor que o Estado do Rio de Janeiro, e uma população da ordem de 17 milhões de habitantes. 

Os números dos campos holandeses, porém, são de dar inveja. Citando apenas alguns: são 4 milhões de cabeças de gado, 12 milhões de porcos e 100 milhões de galinhas. Somente em exportações de flores e plantas, onde se incluem as famosas tulipas da Holanda, foram mais de 11 bilhões de unidades (dados de 2020), com um faturamento de 11,4 bilhões de Euros. 

Segundo números de 2017, Os Países Baixos só perdiam para os Estados Unidos como maior exportador de produtos agropecuários do mundo – foram US$ 112 bilhões em faturamento. O tão falado agronegócio brasileiro, nesse mesmo ano, somou cerca de US$ 88 bilhões em exportações. 

Pois bem – toda essa grande “máquina” agropecuária está sendo ameaçada por uma série de limitações impostas pelos Ministérios da Natureza e da Agricultura locais. Esses Ministérios pretendem reduzir em 12% as emissões de nitrogênio das fazendas até o ano de 2030. O óxido nitroso, um dos derivados do nitrogênio, é um dos mais importantes GEE – Gases de Efeito Estufa.

Segundo as associações de produtores rurais, essas medidas levarão cerca de 30% das fazendas ao fechamento em apenas 3 anos. Nas regiões próximas a áreas de preservação ambiental, os chamados “habitats vulneráveis”, os produtores calculam que 95% das fazendas ficarão inviáveis com a aplicação dessas medidas. 

Ao longo das últimas semanas o país vem assistindo violentos protestos de fazendeiros, movimentos que contam com o apoio da população. Esses movimentos estão sendo organizados pela Força de Defesa dos Fazendeiros. Inclusive, já foi criado um partido político pelos fazendeiros – Movimento Agricultor Cidadão. 

Essa agitação por parte dos fazendeiros holandeses vem se juntar a uma série de protestos similares feitos por agricultores do resto da Europa. As motivações envolvem os altos custos dos combustíveis, a falta e os preços crescentes dos fertilizantes, os subsídios ao setor, entre outras motivações. 

Lutar por melhores condições de trabalho ou simplesmente pelo direito de trabalhar é justo. Entretanto, esses movimentos acontecem num momento complicado onde o mundo inteiro está sofrendo as consequências do conflito entre a Rússia e a Ucrânia, além de uma grave crise econômica decorrente da pandemia da Covid-19. 

Conforme já comentamos em postagens anteriores, a Rússia e sua grande aliada Belarus (ou Bielorrússia) são grandes produtoras e exportadoras de fertilizantes. Com as sanções econômicas que foram impostas a esses países por causa do conflito na Ucrânia, o mundo perdeu uma grande fonte desses insumos agrícolas. 

Também houve um comprometimento da oferta de grãos e de outros produtos agrícolas. Rússia e Ucrânia são grandes produtores de trigo, cevada, milho, girassol, entre outros produtos. Somente no caso do trigo, esses dois países respondem por 1/3 da produção mundial

Além de todos esses problemas, ainda estamos vivendo uma grande crise no setor de energia. No caso da agricultura, os impactos se dão nos custos do óleo diesel, combustível essencial para tratores e outras máquinas agrícolas. Incluir restrições ambientais a esse verdadeiro “balaio de gatos”, como essas que estão se desenrolando nos Países Baixos, traz mais ameaças para a segurança alimentar de muitos países. 

A revolta dos fazendeiros em diversos países da Europa poderá levar a graves problemas ambientais pelo mundo. Países que já são grandes produtores e exportadores de alimentos – incluo com destaque o Brasil nessa lista, poderão ser “estimulados” a aumentar suas respectivas áreas plantadas com a clara intenção de se aproveitar dos altos preços das commodities agrícolas no mercado mundial. 

O que isso significa? 

Mais áreas de florestas e de campos poderão ser destruídas para a ampliação de campos agrícolas, usando-se a desculpa que o mundo precisa de mais alimentos. Ou seja – para se proteger pôlderes (terrenos orginalmente alagadiços e que foram dessecados para uso agrícola) e bosques na Holanda, fragmentos de florestas como a Amazônica poderão ser devastados. 

Será que essa “conta” não está errada? 

5 Comments

  1. […] Mais uma notícia preocupante para a produção mundial de alimentos: o Governo do Primeiro-ministro do Canadá, Justin Trudeau, está estudando um plano para a redução de 30% das emissões de GEE – Gases de Efeito Estufa, pela agricultura do país. Recentemente, divulgamos uma postagem aqui no blog falando de uma medida muito parecida adotada pela Holanda.  […]

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