MAIOR USINA EÓLICA EM ALTO MAR DO MUNDO É INAUGURADA NO REINO UNIDO 

Em meio a uma gigantesca onda de más noticiais na Europa, o Reino Unido inaugurou a maior usina eólica em alto mar do mundo. Localizado a cerca de 90 km da costa britânica, o projeto Hornsea 2 tem a capacidade de gerar energia elétrica suficiente para abastecer cerca de 1,3 milhão de residências. 

O complexo energético ocupa uma área de 465 km2, o equivalente a um terço do tamanho da cidade de São Pulo, e levou cinco anos para ser concluído. Ele conta com 165 turbinas eólicas montadas em torres com cerca de 200 metros de altura em relação ao nível do mar. As pás geradoras tem 81 metros de comprimento. 

O novo projeto superou em tamanho e capacidade o vizinho Hornsea 1, até então o maior projeto eólico em alto mar do mundo. Esse título, entretanto, não deverá durar muito tempo – existem vários projetos do gênero em andamento no Mar do Norte, que em breve estarão sendo inaugurados. 

De acordo com diretores do empreendimento, cada rotação das pás das turbinas eólicas dura cerca de 6 segundos e pode gerar energia elétrica suficiente para alimentar o consumo de uma residência por 24 horas. Essa eficiência na tecnologia de geração vem tornando as fontes eólicas cada vez mais baratas e competitivas. 

De acordo com as projeções econômicas feitas por empresas especializadas em fontes renováveis de energia, os custos de geração do complexo Hornsea 2 são nove vezes menores do que uma planta similar que utiliza gás natural, sem falar que se trata de uma geração que não emite poluentes na atmosfera. Isso tem justificado a construção de complexos geradores cada vez maiores. 

No último mês de julho, inclusive, o Governo do Reino Unido realizou um leilão para a construção de novos complexos de geração de energia eólica, totalizando cerca de 11 Giga watts, o suficiente para abastecer 12 milhões de residências.

A exemplo da maioria dos seus vizinhos da Europa Continental, o Reino Unido vem fazendo pesados investimentos em fontes alternativas para a geração de energia. Em apenas uma década, a participação de fontes renováveis na matriz energética saltou de 11% para 40%, sendo a maior parte formada por energia eólica. 

O Reino Unido é, como os demais países da região, fortemente dependente das importações de gás natural. Na atual conjuntura, onde o maior fornecedor para o bloco europeu – a Rússia, tem reduzido gradativamente a oferta do combustível e os preços subiram drasticamente, o desenvolvimento de fontes alternativas e, especialmente renováveis, é sempre uma ótima notícia. 

Durante décadas, o Reino Unido utilizou centrais termelétricas a carvão mineral para a geração de energia elétrica, uma realidade que vem mudando já há algum tempo. Até 2012, o carvão respondia por cerca de 41% de toda a eletricidade gerada no Reino Unido – em 2019, essa participação já havia caído para apenas 2%. A última central termelétrica britânica a carvão está instalada em Nottinghamshire e tem previsão de fechamento para este mês de setembro. 

O objetivo do Reino Unido é atingir 100% da produção de energia elétrica a partir de fontes renováveis até 2035. Além da energia eólica, onde os britânicos estão entre os maiores produtores mundiais, estão previstos grandes investimentos em energia solar e em hidrogênio verde, entre outras fontes renováveis. 

Conforme já tratamos em postagem anterior, as fazendas eólicas instadas em terra causam uma série de problemas – especialmente conflitos de vizinhança. O ruído constante das pás costuma incomodar os vizinhos a ponto de desencadear problemas psicológicos. Também existem reclamações por causa da poluição visual, pela morte de pássaros por choques contra as pás rotativas, além dos custos de arrendamento dos terrenos. 

A construção de complexos eólicos offshore, ou seja, em alto mar, resolve a maior parte desses problemas – exceto as mortes de pássaros em acidentes. O projeto e a construção nessas condições são bem mais complexos, uma vez que a base das torres precisar ficar encravada no fundo do oceano e os geradores vai ficar sujeitos às condições muitas vezes adversas das correntes marítimas e aos ventos. 

Aqui no Brasil a geração eólica também segue, me perdoem o trocadilho, com “vento em popa”. De acordo com dados da ABEEÓLICA – Associação Brasileira de Energia Eólica, existem 65 projetos de empreendimentos eólicos terrestre planejados para os próximos cinco anos, com previsão de investimentos de cerca de US$ 23 bilhões

Também existem estudos para a implantação de grandes parques geradores offshore ao longo da costa do Nordeste Brasileiro, região marcada por ventos fortes e constantes, além de condições climáticas bem mais favoráveis que o Mar do Norte. De acordo com as projeções iniciais, o potencial de geração eólica nessa região pode ser equivalente a mais de 50 vezes ao da Usina Hidrelétrica de Itaipu. 

De acordo com a ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica, a participação de fontes eólicas na matriz energética brasileira em dezembro de 2021, atingiu a marca de 11,1%. Isso demonstra a importância dessa fonte de energia e o seu potencial de crescimento. 

Que venham cada vez mais notícias da inauguração de centrais de geração eólica no Brasil e no mundo… 

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