SECA NO CHIFRE DA ÁFRICA JÁ PROVOCOU O DESLOCAMENTO DE 1 MILHÃO DE PESSOAS DESDE 2021

Uma expressão que vai ocupar cada vez maiores espaços nos noticiários nos próximos anos é a dos refugiados climáticos ou ambientais. Essa nova “classe” de refugiados veio de somar a outros milhões de deslocados por guerras e por tragédias ambientais naturais.  

De acordo com estimativas da ONU – Organização das Nações Unidas, existem perto de 65,6 milhões de refugiados de guerras, conflitos internos, perseguições políticas e violações dos direitos humanos no mundo atual. Os refugiados climáticos são estimados em mais de 20 milhões de pessoas a cada ano. 

Entre as principais razões para a migração de populações por causas climáticas estão a desertificação, o aumento do nível do mar, as secas e a interrupção de fenômenos naturais como as monções, o período de fortes chuvas anuais do Subcontinente indiano e Sudeste Asiático. 

Um exemplo é uma notícia divulgada poucos dias atrás pela ONU – Organização das Nações Unidas, e pelo NRC – Conselho Norueguês para os Refugiados, na sigla em inglês. A forte seca que está assolando a Somália, país localizado no chamado Chifre da África, já provocou o deslocamento de 1 milhão de pessoas desde 2021. 

Somente em 2022, mais de 755 mil pessoas foram forçadas a abandonar suas terras e vilas no país em busca das condições mínimas para a sobrevivência. Segundo a ONU, a região do Chifre da África vem recebendo chuvas muito abaixo da média desde o final de 2020, o que levou quase metade da população do país ou cerca de 7,1 milhões de pessoas a passar fome. Desse total, mais de 213 mil enfrentam uma situação crítica. 

O Chifre da África, também conhecido como Nordeste Africano e Península Somali é uma região com cerca de 1,88 milhão de km2 no nordeste do continente africano, onde se incluem territórios da Somália, Etiópia, Eritréia e Djibuti. Essa é uma região de transição entre o clima árido do Deserto do Saara e das savanas, que também inclui uma faixa no norte do Quénia. 

Desde o início da década de 1980, a região vem enfrentando sucessivas secas – a crise atual é a maior dos últimos 40 anos. Segundo informações do PMA – Programa Mundial de Alimentos, e do UNICEF – Fundos das Nações Unidas para a Infância, mais de 13 milhões de pessoas estão tendo dificuldade de acesso aos alimentos na Somália, na Etiópia e no Quênia. 

Mudanças nos padrões climáticos do Oceano Índico, ligadas diretamente ao aquecimento global, são apontadas como uma das principais responsáveis pela redução dos volumes de chuvas no Leste e no Sul da África. Além de castigar a região do Chifre da África, a seca também está afetando de seca em países como Angola, Lesoto, Madagascar, Malauí, Namíbia, Moçambique, Zâmbia, Zimbábue e África do Sul.  

Nos últimos cinco anos, as chuvas foram regulares em apenas um. Para piorar a situação, as temperaturas na África Austral aumentaram o dobro da média mundial. Com a falta de chuvas e com o aumento da temperatura, a produção agrícola, que na maioria dos casos é agricultura de subsistência, entrou em colapso em muitas regiões, colocando a sobrevivência de milhões de pessoas em risco. Sem outras alternativas, essas populações passam a migrar em busca de melhores condições de vida em outras regiões. 

Na Somália, que passa por uma das situações mais críticas nesse momento, a ONU alerta que o número de pessoas em situação de extrema insegurança alimentar deverá aumentar de 5 milhões de pessoas para mais de 7 milhões dentro de poucos meses. A situação está sendo bastante agravada pelo aumento dos preços dos alimentados desencadeado após o conflito entre a Rússia e a Ucrânia

A FAO – Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação, alerta que a “epidemia de fome” poderá se instalar em oito das regiões da Somália até setembro caso as perdas na agricultura e a redução na produção pecuária continuem aumentando. Também existe o temor de maiores aumentos nos preços das principais commodities agrícolas. 

Essa é uma triste realidade para a vida de dezenas de milhões de pessoas que, infelizmente, só tenderá a crescer ao longo das próximas décadas. Um dos principais efeitos das mudanças climáticas é a alteração nos padrões das chuvas – muitas regiões do planeta passarão a enfrentar secas cada vez mais intensas enquanto outras regiões enfrentarão chuvas cada vez mais fortes. 

A água das chuvas é essencial para a agricultura e produção pecuária, ou seja, as mudanças climáticas serão responsáveis por um aumento cada vez maior da fome no mundo, em especial nos países que atualmente já vivem numa situação de miserabilidade. 

No curto e no médio prazo, ou enquanto mudanças climáticas não afetarem significativamente as coisas aqui em nosso país, o Brasil terá a missão de suprir grande parte das necessidades alimentícias de parte da população. Alguns falam que nossos alimentos já são consumidos por 1 bilhão de pessoas em todo o mundo, número que deverá crescer ainda mais ao longo dos próximos anos. 

Isso só faz aumentar a nossa responsabilidade com a preservação ambiental de forma a garantir que o aumento em nossa produção agrícola e pecuária não dependa da destruição dos recursos naturais. 

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