A AGROPECUÁRIA BRASILEIRA É MESMO UMA DESTRUIDORA DO MEIO AMBIENTE? 

O nosso mundo está vivendo duas grandes crises neste momento: uma energética e outra de alimentos. Você, caro leitor, pode até não se interessar por economia e relações internacionais, mas, com toda a certeza, já sentiu essa crise no seu bolso, seja colocando combustível no seu automóvel, seja indo fazer compras num supermercado. 

A crise energética tem parte de sua origem na pandemia da Covid-19. Com as inúmeras restrições à circulação de pessoas a partir de 2020, a economia da imensa maioria dos países entrou num ciclo de resfriamento, o que por sua vez levou a uma redução da produção de petróleo, gás e carvão mineral. 

Nos últimos meses, com a retomada de muitas das atividades econômicas, começou a faltar combustíveis de forma quase que generalizada, pressão que levou a um aumento dos preços. Essa crise foi agravada em fevereiro último, data do início do conflito entre a Rússia e a Ucrânia. Só para lembrar, a Rússia é um dos maiores produtores mundiais de petróleo e gás

O conflito entre russos e ucranianos também acertou em cheio a segurança alimentar de muita gente. Ambos os países são grandes produtores de alimentos – falando apenas do trigo, Rússia e Ucrânia respondem por 1/3 da produção mundial. Essa é uma crise que está apenas começando

E quais estão sendo os desdobramentos? 

Dias atrás, conforme publicamos em postagem aqui no blog, o Governo alemão autorizou a derrubada de uma floresta com cerca de 12 mil anos para permitir a exploração de lignite ou carvão marrom, um combustível fóssil essencial neste momento. A Alemanha possui uma extrema dependência do gás russo e está buscando fontes alternativas de energia. 

Outra notícia nessa mesma linha – o Partido Verde da Finlândia decidiu apoiar o uso da energia nuclear no país, geração que já responde por 35% da energia da Finlândia. Os “verdes” finlandeses sempre se opuseram ao uso desse tipo de energia. Uma pesquisa recente mostrou que 74% dos cidadãos apoiam o uso dessa energia, algo que, muito provavelmente, levou o partido a mudar de lado. 

Outra notícia que comentamos aqui no blog foi uma decisão do Governo norte-americano que passou a permitir o uso agrícola de áreas de proteção ambiental em fazendas. Essa é uma decisão provisória e tem como principal objetivo estimular o aumento da produção de alimentos no país. Vários países europeus também estão fazendo “vista grossa” a algumas restrições ambientais e liberando a produção agrícola com o mesmo objetivo. 

Aqui chegamos ao ponto do nosso interesse – o Brasil vem sendo acusado já há muito tempo de estimular a destruição de florestas a fim de aumentar as fronteiras agrícolas e a produção agropecuária. Um exemplo que demonstra claramente esse discurso é a resistência de muitos países europeus a assinar um acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia.  

Mas, até que ponto essa conversa é verdadeira? 

Segundo estudos realizados pela EMBRAPA – Empresa Brasileira de Pesquisas Agropecuárias, através da unidade EMBRAPA Territorial, a área total destinada à preservação ambiental no Brasil equivale a 66,3% do território do Brasil. As áreas destinadas a agropecuária equivalem a 30,2% do território. Outros 3,5% são ocupados por infraestruturas como cidades, rodovias, etc. 

Um dado interessante desses estudos, e que ajuda a responder a nossa pergunta, indica que metade das áreas protegidas ficam dentro de propriedades rurais – ou seja, essas áreas são preservadas pelos produtores rurais brasileiros. São 2.471 áreas já decretadas em unidades de conservação e terras indígenas e que alcançam a impressionante marca de 2.584.808 km2, área pouco menor que o território da Argentina. 

Para efeito de comparação, os Estados Unidos destinam 74,3% do seu território para usos agropecuários e apenas 19,9% como áreas de conservação ambiental. Os dez maiores países do mundo destinam, em média, 11% do seu território para fins de proteção ambiental. Ou seja, as áreas protegidas aqui no Brasil correspondem a três vezes a média dos grandes países do mundo. 

Os pesquisadores da EMBRAPA usaram como base para os estudos o CAR – Cadastro Ambiental Rural, base de dados onde são encontrados os mapas de áreas preservadas de 5.992.323 imóveis rurais de todo o Brasil. 

Além da proteção física das áreas naturais, a agropecuária brasileira também possui uma série de programas voltados à redução das emissões de carbono. Destacam-se os programas Carne Carbono Neutro, Soja Baixo Carbono e Leite “Net Zero”, todos com a participação da EMBRAPA. Esses programas visam o uso de tecnologias que permitam uma redução significativa das emissões de gases de efeito estufa. 

Outro exemplo de uma sustentabilidade ambiental cada vez maior da agropecuária brasileira é a busca por insumos que permitam a redução da necessidade do uso de fertilizantes nos campos. Um exemplo é o do bioinsumo Biomaphos, um inoculante para uso na cultura do milho que permite substituir ou reduzir em até 50% a aplicação de fertilizantes fosfatados. 

Dentro do campo da energia, a agricultura brasileira também dá uma grande contribuição ao meio ambiente – o setor produz cerca de 1,6 bilhão de litros de etanol a cada ano, um combustível renovável e de baixa emissão de poluentes. Existem mais de 30 milhões de veículos com motor flex rodando pelas ruas e estradas do país que podem usar esse combustível. 

Só para completar o quadro, mais de 80% da matriz energética brasileira vem de fontes renováveis como a energia hidrelétrica (que responde sozinha por 70% da geração do país), além dos sistemas eólicos e fotovoltaicos que estão em franco crescimento no país. 

Juntando todos esses dados, podemos afirmar que nossa agropecuária é uma das mais sustentáveis do mundo, talvez até a mais sustentável do planeta. Isto apesar dos discursos contrários de muitos líderes mundiais, artistas e celebridades. 

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