OS PROBLEMAS AMBIENTAIS DA FLORESTA AMAZÔNICA EM UM RÁPIDO RESUMO 

Ao longo das últimas postagens apresentamos um quadro geral dos enormes problemas ambientais que se desenrolam na Floresta Amazônica. Ao contrário do que muitos políticos, famosos e ambientalistas internacionais repetem à exaustão, queimadas, derrubada de árvores e garimpo ilegal, entre outros graves problemas, não acontecem só no Brasil: esses males estão cercando a grande floresta equatorial por todos os lados

A Floresta Amazônica ocupa uma área de aproximadamente 5,5 milhões de km2 – algumas fontes falam de 7 milhões de km2, área essa que inclui diversos trechos de biomas de transição. Cerca de 60% da Floresta Amazônica fica dentro do território brasileiro, sendo o restante distribuído entre Bolívia, Equador, Colômbia, Venezuela, Guiana, Suriname e Guiana Francesa

Essa distribuição da Floresta Amazônica entre diversos países também pressupõe a divisão de muitos dos problemas ambientais. Para apresentar um quadro geral, fizemos um rápido resumo dos problemas em cada um dos países amazônicos. 

Brasil: Um relatório do INPE – Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais divulgado no último dia 18 de novembro, indicou um aumento na taxa de desmatamento na Amazônia Legal Brasileira no período entre 1° de agosto de 2020 e 31 de julho de 2021. Os dados indicam um aumento na taxa de desmatamentos de 21,97% e uma perda de 13.225 km² de cobertura vegetal no período

A Amazônia Legal compreende toda a área coberta pela Floresta Amazônica no Brasil, além de todo o território dos Estados de Mato Grosso e Tocantins, além de uma faixa no Leste do Estado do Maranhão – a maior parte dessas áreas “extras” é coberta pelo bioma Cerrado. A área total é de 5 milhões de km².

Essa perda de cobertura florestal na Amazônia brasileira normalmente está associada a expansão de campos para a prática da agricultura e também para a formação de pastagens para a criação de gado. Também existem casos de derrubada de mata para a exploração de madeiras nobres, além da destruição de matas por atividades de garimpo – todas ilegais. 

Colômbia: A Floresta Amazônica na Colômbia ocupa uma área total de mais de 480 mil km2, o que corresponde a 42% do território do país. A maior parte das agressões ambientais guarda muitas semelhanças com o que acontece aqui no Brasil. Na Colômbia, porém, existe um diferencial importante: grande parte dos desmatamentos e das agressões ambientais ao bioma são comandados por grupos armados ligados aos diferentes movimentos revolucionários do país. 

A Colômbia é, de longe, a maior produtora e exportadora mundial de cocaína, além de outras drogas. Grande parte dos campos de plantio da coca (Erythroxylum coca) ficam em áreas desmatadas dentro da Amazônia colombiana. Essas terras são usadas em ciclos curtos de produção até o esgotamento da fertilidade dos solos, quando então são substituídas por solos virgens em novos trechos desmatados da floresta. 

Além dos desmatamentos, os trabalhos de refino e processamento das folhas de coca para a obtenção da cocaína despejam milhares de litros de produtos químicos nos rios e corpos d’água, causando diversos problemas ambientais. 

Equador: A maior parte dos problemas ambientais da Floresta Amazônica no Equador estão associados a extração e ao transporte do petróleo. O bioma ocupa uma área total de 120 mil km2 no país. De acordo com informações do Ministério do Meio Ambiente do Equador, ocorreram 1.169 vazamentos de petróleo no país entre 2005 e 2015. Cerca de 81% desses vazamentos ocorreram na Floresta Amazônica, onde foram perdidos cerca de 350 mil barris de petróleo

Em sua grande maioria, esses vazamentos ocorreram durante o transporte do petróleo através de oleodutos, infraestruturas que transporte o óleo desde os campos de produção no meio da Amazônia até os portos no Oceano Pacífico. O Governo do país está movendo diversos processos judiciais contra grupos petroleiros internacionais.  

Peru: A Floresta Amazônica ocupa mais de 60% da superfície do Peru, com uma área total de mais de 782 mil km2. Em área, essa é a segunda maior extensão da Floresta Amazônica depois do trecho brasileiro. Desmatamentos para a abertura de campos agrícolas e para a formação de pastagens também são comuns no Peru, onde também existe extração ilegal de madeira, garimpos e plantações de coca. Porém, merece destaque o crescimento das plantações de palma da Guiné no país. Essa árvore, só para relembrar, produz um coco rico em óleo, de onde se extrai o famoso azeite de dendê

Em 2020, a Amazônia peruana perdeu uma área de 203 mil hectares, a maior perda florestal dos últimos 20 anos. Segundo estimativas do Governo local, parte desses desmatamentos foi provocados pela pandemia da Covid-19 – peruanos desempregados abandonaram as cidades e voltaram para suas vilas de origem, onde passaram a se dedicar ao cultivo de víveres e à criação de animais. A derrubada de grandes trechos de matas para a produção do dendê também é inegável. 

Bolívia: Entre 2001 e 2020, a Bolívia perdeu 9,5% de sua cobertura vegetal, o que corresponde a uma área de 6,11 milhões de hectares. Desse total, ao menos 3 milhões de hectares se referem a desmatamentos e queimadas no trecho boliviano da Floresta Amazônica. O bioma ocupa cerca de 472 mil km2 no país. 

Essa perda maciça de cobertura florestal, que também inclui áreas de savana na região do Chaco, foi uma decorrência do grande crescimento da produção de grãos no país, destaque especial para a soja. Os sucessivos governos populistas que estão no poder nas últimas décadas tem, inclusive, estimulado as queimadas pelos agricultores. 

Venezuela: A grande ameaça no trecho venezuelano da Floresta Amazônica, que ocupa uma área de 458 mil km2 no país, são as atividades mineradoras e o garimpo do ouro e de diamantes. Nocauteada por uma gravíssima crise econômica, a Venezuela encontrou na mineração uma fonte de divisas. O Governo realizou uma série de mudanças na legislação do país, transformando praticamente todas as terras em áreas de mineração. Isso incluiu reservas da biodiversidade, florestas nacionais, terras indígenas e de afrodescendentes. 

O grande projeto governamental de mineração atende pelo pomposo nome de “Arco Mineiro do Orinoco“. Entre os grupos mais ameaçados estão os indígenas Ianomâmis, cujo território se distribui entre o Brasil e a Venezuela. 

Na Guiana, no Suriname e na Guiana Francesa também existem problemas, mas esse são bem menores do que nos demais países amazônicos. Como fica bem fácil de se notar, a Floresta Amazônica não tem problemas apenas no Brasil – ela está sofrendo um verdadeiro cerco por todos os lados! 

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