A SURPREENDENTE BIODIVERSIDADE ENCONTRADA EM UMA DAS ILHAS DE RESÍDUOS PLÁSTICOS DO OCEANO PACÍFICO

Além dos imensos problemas ambientais que se desenrolam nas grandes florestas do mundo, onde o grande destaque é a Floresta Amazônica, nossos oceanos e mares não estão em uma situação nada melhor. Aqui é importante lembrar que, ao contrário dos discursos de muitos famosos, políticos e ambientalistas internacionais, o verdadeiro pulmão do mundo são as algas e o fito plâncton que vivem nas águas salgadas dos mares e oceanos. 

Os problemas são muitos, a começar pelas grandes mudanças que o aquecimento global vem provocando. Com temperaturas mais altas, o gelo das regiões polares e das grandes cadeias de montanhas está derretendo, despejando fabulosos volumes de água doce nos oceanos. Isso está provocando mudanças em importantes correntes marítimas, o que prejudica a fauna e a flora oceânica, além de provocar mudanças nas grandes massas de nuvens e nas chuvas em muitas regiões

Também não são pequenos os problemas provocados por derramamentos de petróleo, acidentes cada vez mais frequentes. Um outro problema que não é novo, mas que vem crescendo cada vez mais são as chamadas “zonas mortas” – grandes extensões de água sem vida marítima, um fenômeno que vem sendo provocado pelo despejo de águas altamente poluídas de rios, principalmente com resíduos de fertilizantes e pesticidas usados na agricultura. 

Hoje gostaria de focar no problema da poluição dos mares e oceanos por resíduos plásticos. Em postagens anteriores já tratamos desse assunto, onde mostramos as grandes ilhas formadas por resíduos de plástico flutuante no Oceano Pacífico e no Mar do Caribe

A palavra plástico vem do grego plassein, o que significa moldável e exprime as características de mudança da forma física dos materiais. Os primeiros experimentos com o material datam da década de 1860, quando o inventor inglês Alexander Parkes iniciou seus estudos com o nitrato de celulosa, um material sólido bastante flexível, resistente a água, de cor opaca e com boa aderência para a pintura com tinta – esse material ganhou o nome de parquesine e é considerada a primeira matéria plástica a ser criada. 

Na década de 1870, após sucessivos aperfeiçoamentos, surgiu a celuloide, a primeira versão comercial do plástico, utilizado inicialmente pelos dentistas na fabricação de próteses dentárias e pelos fabricantes de bolas de bilhar, que buscavam uma alternativa ao caro marfim animal. O celuloide ganhou fama mundial com o surgimento do cinema, quando os rolos dos filmes eram fabricados com esse material. 

Em 1909 surgiu a baquelite, o primeiro polímero sintético com alto grau de dureza, resistência ao calor e ótimo isolamento elétrico, com larga aplicação na confecção de produtos elétricos e de telefonia, discos, e mais tarde na fabricação das caixas dos rádios, popularizados a partir da década de 1920. 

Na década de 1930 surgiu a poliamida, conhecida comercialmente como nylon, usada intensamente durante a II Guerra Mundial (1939-1945) na fabricação de paraquedas, equipamento novo e decisivo em muitas batalhas. O esforço industrial mundial durante esse conflito levou à criação de toda uma gama de polímeros como o drácon, o isopor, o vinil, o polietileno e o poliestireno. Após o término da Guerra em 1945, os diferentes tipos de plásticos passaram a fazer parte do cotidiano do homem moderno, utilizado na fabricação de todos os tipos de produtos, utensílios e, especialmente, nas embalagens.  

Entre a grande lista de qualidades desses materiais, existe uma que raramente é citada: o plástico comum é, virtualmente, indestrutível, o que cria todo o tipo de problemas com os resíduos a base de polímeros plásticos. Um exemplo: uma garrafa PET (Polietilenotereflalato) pode levar até 200 anos para se decompor na natureza. Descartados sem maiores cuidados, os resíduos plásticos causam enormes problemas para o meio ambiente, especialmente quando são arrastados para as águas dos oceanos e mares. 

Os oceanos e mares cobrem 71% da superfície do planeta Terra, o que corresponde a cerca de 362 milhões de km², onde encontramos aproximadamente 1,3 bilhão de km³ de água. Nesse mundo de águas encontramos a maior “floresta” do mundo, formada pelas mais diferentes espécies de algas, microalgas e fito plâncton. Essas plantas geram perto de 54% do oxigênio liberado na atmosfera do planeta

De acordo com estudos da organização ambientalista WWF – World Wildlife Fundcerca de 10 milhões de toneladas de resíduos de plástico chegam aos oceanos todos os anos. Esse volume corresponde a 1/10 de toda a produção de plástico do mundo.   

Estudos do PNUMA – Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, indicam que existem atualmente 18 mil fragmentos visíveis de plásticos flutuando em cada quilômetro quadrado de mar – é indeterminada a quantidade de resíduos que está submersa nos oceanos. As sacolas plásticas, como as de supermercados tão presentes em nosso dia a dia, representam até 27% desse lixo flutuante dos oceanos, segundo algumas medições já feitas

Grandes ilhas flutuantes formadas por resíduos plásticos passaram a ser encontradas nos oceanos, especialmente a partir da década de 1980. Um exemplo é uma grande ilha de resíduos plásticos que foi descoberta no Oceano Pacífico em 1997. Segundo cálculos de oceanógrafos, essa “ilha” chega a ocupar uma área de 1,2 milhão de km2, o que equivale a soma das áreas dos Estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Goiás. O volume dos resíduos plásticos é estimado em 4 milhões de toneladas

Pesquisadores dos Estados Unidos e do Canadá descobriram recentemente que uma dessas ilhas de resíduos plásticos no Norte do Oceano Pacífico está sendo “colonizada” por plantas e animais marinhos de áreas costeiras do Oeste desses países. Essa biodiversidade inclui, entre outras espécies, anêmonas, moluscos, caranguejos e insetos marinhos. Os espécimes foram encontrados em 90% dos resíduos plásticos flutuantes. 

Um conceito chave na biologia é o que diz que os espécimes mais aptos, ou seja, os indivíduos que melhor se adaptam às condições de um determinado ambiente, são os que sobrevivem. Um animal que consegue se alimentar, por exemplo, de uma planta que outros animais desprezam, terá uma grande vantagem competitiva e poderá gerar toda uma linhagem de animais que, ao longo do tempo, poderão se constituir em uma nova espécie. 

O que está acontecendo nessa ilha de resíduos flutuantes, e que pode estar se repetindo em outras dessas ilhas, é que diversas espécies de plantas e de animais conseguiram identificar uma oportunidade de sobrevivência nesses locais e estão se adaptando para a vida num meio ambiente “hostil”. Plantas e insetos formam a base da cadeia alimentar, atraindo espécies maiores de predadores, formando assim novos ecossistemas. 

Ao mesmo tempo em que esses eventos são um triunfo da evolução dessas espécies, não deixa de ser um fato lamentável. Com a destruição de seus antigos habitats por ações humanas, essas espécies, ironicamente, encontraram um novo nicho ecológico justamente em um “produto” de outra tragédia ambiental. 

Se não acontecer uma mudança drástica no gerenciamento e um descarte adequado dos resíduos plásticos gerados pela humanidade, surgirão cada vez mais “ilhas flutuantes“ nos oceanos prontas para serem colonizadas por plantas e animais marinhos. 

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