OS PROJETOS DO NEMA – NÚCLEO DE ECOLOGIA E MONITORAMENTO AMBIENTAL DA UNIVASF 

Um importante trabalho na área de recuperação ambiental da bacia hidrográfica do rio São Francisco vem sendo realizado pelo NEMA – Núcleo de Ecologia e Monitoramento Ambiental, da UNIVASF – Universidade Federal do Vale do São Francisco. Essa instituição foi criada em 2014, com o objetivo de executar o Subprograma das Modificações da Cobertura, Composição e Diversidade Vegetal do Programa de Conservação da Fauna e Flora do PISF – Projeto de Integração do rio São Francisco, com Bacias Hidrográficas do Nordeste Setentrional do Brasil. 

Explicando essa “sopa” de siglas: falamos aqui do popular Projeto de Transposição das Águas do rio São Francisco, cujo principal objetivo é permitir o bombeamento de parte das águas do Velho Chico em direção a regiões do interior de Pernambuco e também para o Ceará, Paraíba e Rio Grande do Norte.  

Esse importante sistema é divido em dois grandes Eixos – o Norte e o Leste, onde estão sendo construídos cerca de 700 km de canais e túneis, além de estações de bombeamento, sistemas de tubulações e represas. Todo esse conjunto de obras tem como objetivo principal proporcionar a segurança hídrica de 12 milhões de pessoas nos Estados de Pernambuco, Ceará, Paraíba e Rio Grande do Norte. Existem iniciativas para extensão da área de abrangência para os Estados de Sergipe e Piauí.

Como acontece com toda obra de grande porte, a construção desse grande sistema gera impactos ao meio ambiente e, dentro dos estudos realizados , foram estabelecidos diversos programas de mitigação e controle desses impactos. É aqui que entra em cena o NEMA. 

A UNIVASF foi criada em 2002 e tem seu campus principal na cidade pernambucana de Petrolina, contando ainda dois campi auxiliares, um na cidade de Juazeiro, na Bahia, e outro em São Raimundo Nonato, no Piauí. A missão dessa instituição é levar ensino superior de qualidade para as populações da região do Semiárido Nordestino, onde desenvolve importantes pesquisas nesse bioma. 

mais recente trabalho desenvolvido pelo NEMA foi plantio de mais de 44 mil mudas de espécies típicas do semiárido em áreas do entorno do Ramal do Agreste. Esse trabalho faz parte do desenvolvimento de modelos de nucleação e preservação ambiental da Caatinga. 

O Ramal do Agreste fica localizado no interior de Pernambuco e tem cerca de 70 km de extensão. O sistema conta com dois grandes reservatórios – Ipojuca e Negros, além de canais, aquedutos-sifões, túneis e estações de bombeamento. De acordo com informações do MDR – Ministério do Desenvolvimento Regional, esse sistema adutor atenderá cerca de 2,2 milhões de moradores em 71 municípios da região. 

Além do plantio das mudas, as equipes do NEMA realizaram a semeadura de 3,6 toneladas de sementes em uma área total de 518 hectares. Foram plantadas e semeadas 24 espécies nativas da Caatinga como a mata-pasto (Senna uniflora), juazeiro (Sarcomphalus joazeiro), maniçoba (Manihot carthagenensis), pinhão-bravo (Jatropha molissima) e falsa-menta (Rhaphiodon echinus).  

Entre as técnicas utilizadas pelos profissionais de campo destacam-se o plantio das mudas em ilhas, a semeadura direta, além da indução e condução de regeneração natural. Todos esses procedimentos buscam a maior aproximação possível com os processos de reprodução natural das plantas, buscando assim conseguir um melhor crescimento e uma maior taxa de sobrevivência das mudas e plantas germinadas. 

As equipes do NEMA já plantaram mais de 75 mil mudas de árvores e semearam cerca de 6 toneladas de sementes em perto de 800 hectares na área de influência do Ramal do Agreste desde 2016. Todas essas mudas possuem uma etiqueta de identificação a partir da qual é possível verificar a origem do lote, a identificação botânica, a região de origem, a idade da planta, além dos valores percentuais de germinação, floração e frutificação. 

O NEMA possui três viveiros de mudas: em Sertânia e Salgueiro, ambos no Estado de Pernambuco, e outro em Brejo Santo, no Ceará. Além da produção própria, a instituição também estimula a produção de mudas de espécies nativas por viveiros particulares da região. Através da Rede de Sementes do PISF é realizada a distribuição de sementes para viveiristas cadastrados. Desde o início dos trabalhos de plantio mais de 19 mil mudas produzidas por esses particulares já foram doadas para plantio em áreas de recuperação. 

Conforme já comentamos em inúmeras postagens anteriores, a região do Semiárido Nordestino vem sendo fortemente impactada desde o início da colonização brasileira. Toda a faixa Leste do litoral Nordestino passou a ser dedicada ao plantio intensivo da cana destinada a produção do açúcar, a mercadoria mais valiosa do comércio mundial naqueles tempos. 

Os constantes atritos entre os criadores de gado e os senhores dos engenhos resultou com a proibição de qualquer atividade pecuária a menos de 60 km da costa. Sem outra alternativa, os criadores conduziram suas boiadas para o interior, passando a ocupar áreas primeiro no Agreste e depois na Caatinga. O fogo foi usado impiedosamente contra a vegetação nativa do semiárido com vistas a criação de campos para a pastagem dos animais. 

Como não foram feitos estudos científicos sobre a região do semiárido antes dessa “diáspora bovina” (as primeiras expedições científicas organizadas na região datam do século XIX), não é possível determinar com exatidão o tamanho dessa devastação e seus impactos na flora e fauna local. 

As estimativas atuais indicam que perto de metade do bioma Caatinga já foi impactado por ações humanas e isso gera grandes impactos nos corpos hídricos da região, onde o rio São Francisco é o mais importante. Os diversos programas de recuperação de áreas degradadas já desenvolvidos pelo NEMA visam justamente iniciar um processo de reversão de toda essa devastação, o que se refletirá gradativamente num aumento do volume de caudais do rio São Francisco. 

Conforme já comentamos em postagens anteriores, todos os esforços de recuperação ambiental de bacia hidrográficas altamente degradas como a do rio São Francisco são extremamente tímidos quando confrontados com o tamanho da devastação. Porém, todos esses esforços são importantes e mostram um começo de caminhada rumo a resultados cada vez mais significativos. 

Nossos sinceros parabéns a todos os pesquisadores e equipes do NEMA. 

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