OS MAIS RECENTES NÚMEROS DOS DESMATAMENTOS NA AMAZÔNIA

Desmatamentos na Amazônia 2019

Nas últimas postagens, falamos um pouco dos graves problemas ambientais criados pelos derramamentos acidentais (ou não) de petróleo nas águas de mares, rios e lagos aqui no Brasil e em o todo o mundo. Como todos devem estar acompanhando nos telejornais e redes sociais, misteriosas manchas de óleo começaram a aparecer por todo o litoral do Nordeste a partir do final do mês de agosto, causando imensos impactos ambientais em praias, manguezais e em áreas estuarinas de toda a Região. Nos últimos dias, fragmentos de óleo passaram a ser encontrados em praias dos Estados do Espírito Santo e do Rio de Janeiro. Felizmente, a intensidade e a frequência do aparecimento dessas manchas e fragmentos de óleo estão diminuindo – os responsáveis pelo incidente, apesar de fortes suspeitas, ainda não foram identificados. 

Antes de tratarmos dos problemas ambientais criados pela extração e transporte do petróleo, estávamos falando da Amazônia e dos seus muitos problemas. Em meados do último mês de agosto, redes sociais e noticiários dos principais telejornais do mundo passaram a mostrar, à exaustão, imagens da Floresta Amazônica sendo consumida pelo fogo. Líderes internacionais como Emmanuel Macron, Presidente da França, ambientalistas, artistas e celebridades de todos os “naipes”, entre muitos outros, se transformaram em verdadeiros experts em Amazônia e passaram a falar abertamente da “destruição iminente da maior floresta equatorial do mundo pelo fogo”. 

Um dos grandes destaques desse verdadeiro espetáculo de horrores amazônicos foram os pronunciamentos da jovem sueca Greta Thunberg, que se notabilizou por faltar às aulas nas sextas-feiras para ir protestar em prol do meio ambiente em frente ao Parlamento da Suécia. Se somarmos tudo o que foi mostrado e falado por todos esses “especialistas” sobre as queimadas na Amazônica nesse período, hoje teríamos apenas um gigantesco deserto de cinzas às margens dos rios da Bacia Amazônica. 

Agora um fato curioso – passado o anúncio do ganhador do Prêmio Nobel da Paz de 2019 – Abiy Ahmed Ali, Primeiro-Ministro da Etiópia, os “especialistas” em Amazônia sumiram dos noticiários e das redes sociais. Aparentemente, toda essa gritaria estava sendo orquestrada na forma de um grande lobby, com o claro objetivo de induzir o Comitê do Nobel a indicar a jovem Greta à premiação. Já os incêndios que estavam consumindo “toda” a Floresta Amazônica, essas foram debelados em muitos lugares por forças civis e militares a serviço dos Governos Federal e dos Estados, além de serem controladas gradativamente com a chegada do inverno amazônico e suas salvadoras chuvas. 

Um novo capítulo dessa “saga” das queimadas na Amazônia começou a ser escrito no último dia 18, quando o INPE – Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, publicou um relatório sobre os desmatamentos na região no período entre agosto de 2018 e julho de 2019. De acordo com os dados, a Amazônia perdeu uma cobertura florestal estimada em 9.762 km², ou o equivalente a 8 vezes a área total da cidade de São Paulo. O dado “bomba” desse relatório é que isso representou um aumento de 29,54% em relação ao período medido anteriormente entre agosto de 2017 e julho de 2018. 

Esse brusco crescimento da área total desmatada nesse período contrariou as expectativas dos especialistas, que esperavam um número inferior a 7 mil km². De acordo com os dados históricos do INPE, esse foi o maior desmatamento desde o ano de 2008, quando foi registrada uma perda de vegetação nativa de quase 13 mil km². Foi justamente a “surpresa” de todo esse crescimento dos desmatamentos na Amazônia que deu um novo fôlego aos ecologistas e “especialistas” em Amazônia de plantão. 

Matérias publicadas em páginas das redes sociais e nos telejornais passaram a mostrar o grande crescimento dos desmatamentos na Floresta Amazônica, relembrando as “grandes queimadas que devastaram” a região meses antes. Gráficos com complexos dados estatísticos passaram a ser mostrados incansavelmente; “especialistas” das mais diferentes áreas passaram a traçar os cenários mais sombrios sobre o futuro do bioma – ”a continuar esse nível de devastação, a Floresta Amazônica desaparecerá dentro de poucas décadas”.  Pouca atenção foi dada aos números absolutos.

Quando se analisam os dados com maior atenção, se observa que 84% desses desmatamentos se concentraram nos Estados do Pará, Mato Grosso, Amazonas e Rondônia. O Pará foi responsável por quase 40% da área total desmatada ou cerca de 3.900 km². Na sequência, temos os Estados do Mato Grosso, Amazonas e Rondônia, com participações respectivas de 17,26%, 14,56% e 12,75%. Por coincidência, são estes os Estados amazônicos que apresentaram as maiores taxas de crescimento populacional nas últimas décadas e onde os assentamentos rurais e urbanos estão consolidados já há vários anos. 

A maioria desses desmatamentos estão ligados diretamente ao crescimento das atividades econômicas já instaladas nesses Estados. Existem centenas de milhares de fazendas e pequenas propriedades rurais na Região – muitas dessas propriedades ampliaram as suas áreas produtivas e realizaram desmatamentos. Também podemos especular, para efeito de exemplo, que foram criadas milhares de novas propriedades rurais, onde foi necessária a derrubada de trechos de matas – uma propriedade rural típica da Amazônia tem 100 hectares ou 1 km². Somadas todas essas áreas, se chega facilmente aos 9.762 km² desmatados no período e se concluirá que essa área não é tão grande quanto muitos “especialistas” fazem supor. 

Uma outra forma de se analisar esses desmatamentos é se observar a perda de cobertura vegetal em relação à área total da floresta: se considerarmos que a Floresta Amazônica em território brasileiro ocupava originalmente 4,5 milhões de km², a perda de cobertura florestal no período 2018-2019 foi de 0,21%. Considerando que a Floresta Amazônica brasileira já perdeu 15% de sua cobertura original, seriam necessários mais de 400 anos para devastar o restante da Floresta se mantida essa taxa de desmatamento.

A perda de qualquer quantidade de área de florestas em nosso mundo atual é sempre preocupante, mas estamos muito longe da situação apocalíptica pregada por muita gente em relação à Floresta Amazônica. Para efeito de comparação, perto de 70% das florestas equatoriais da Malásia desapareceram nos últimos 30 anos por causa da expansão das plantações de palma e produção de azeite de dendê – isso sim é verdadeiramente dramático.

É claro que existem inúmeros problemas na Região – áreas indígenas, reservas naturais, florestas nacionais e áreas de preservação permanente estão sendo ocupadas ilegalmente por grileiros, madeireiros e garimpeiros, que estão derrubando matas sem qualquer controle. Todas essas infrações devem ser combatidas com o máximo rigor da lei e muita fiscalização. 

A população atual da Região Amazônica brasileira está na casa dos 23 milhões de habitantes e toda essa gente precisa fazer alguma coisa para ganhar o seu “pão de cada dia” – isso fatalmente provoca impactos nas matas da região. Aqui é importante lembrar que grandes esforços para a ocupação de toda a Região foram feitos por sucessivos Governos nos últimos 50 anos. Muitas estradas foram abertas, foram criados projetos de colonização e reforma agrária, projetos de mineração, entre outros esforços. Milhões de brasileiros se predispuseram a migrar para a Amazônia e começar uma vida nova.  

Também vale a pena citar que, logo após a II Guerra Mundial (1939-1945), surgiu a ideologia da Hileia Amazônica, onde muitos líderes políticos mundiais propuseram a internacionalização da Amazônia e sua “administração” por um organismo multinacional – o temor dessa eventual internacionalização foi um dos grandes estímulos à uma ocupação rápida e intensa da Amazônia brasileira.

De resto e como sempre, existe “muita fumaça e pouco fogo” nesses dados sobre os desmatamentos na Amazônia. É precisa muita cautela e bom senso ao se analisar e contextualizar essas informações – ainda falta muito para o “fim do mundo”…

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