A GIGANTESCA BACIA AMAZÔNICA E SEU FABULOSO POTENCIAL PARA A GERAÇÃO DE ENERGIA HIDRELÉTRICA

Bacia amazônica

Nessa sequência de postagens, que já superou a marca de 40 publicações, reunimos diferentes temas e linhas de pesquisa para dar uma visão geral do que é a Amazônia. Entre aspectos geológicos, antropológicos, históricos, biológicos, sociais e econômicos, buscamos mostrar a complexidade da Amazônia, seus muitos problemas ambientais e seus grandes potenciais sociais e econômicos, que estão muito longe das recentes avaliações medíocres de alguns governantes e ecologistas estrangeiros. Para completar essa breve análise da região, precisamos falar um pouco do gigantesco sistema fluvial formado pela Bacia Amazônica. 

A Bacia Amazônica ocupa uma área superior a 7 milhões de km², algo que representa perto de 40% da superfície da América do Sul. Encravada entre a complexa rede de rios dessa bacia hidrográfica surgiu a Floresta Amazônica, a maior floresta equatorial do mundo, que cobre uma área com mais de 5,5 milhões de km². Todos os números Amazônicos são sempre superlativos. 

Amazonas é o segundo maior rio do mundo em extensão (alguns estudos recentes o colocam na primeira posição), com quase 7 mil km das nascentes no alto da Codilheira dos Andes até a foz, e é, de longe, o rio com maior fluxo de água do Planeta – calcula-se que um volume entre 12% e 20% de toda a água doce do mundo flua através dos rios e ares (os chamados “rios voadores”) da Bacia Amazônica e, mais cedo ou mais tarde, grande parte dessa água irá atingir a calha do rio Amazonas. A Bacia Amazônica possui mais de 1.000 rios tributários – alguns destes rios, como o Negro e o Madeira, entram na lista dos 10 maiores rios do mundo. 

Algumas estimativas científicas indicam que um volume equivalente a 383 mil km³ de água evapore dos oceanos a cada ano (dependendo da fonte consultada, você poderá encontrar valores diferentes deste). Para que você tenha uma ideia mais precisa do que é esse volume, ele equivale a uma camada de 1,06 metro da superfície de todos os oceanos do mundo: Pacífico, Atlântico, Índico, mares polares, Mar Mediterrâneo, entre outros. É claro que, nas regiões mais frias do Planeta, a quantidade de água evaporada é muito pequena – nas regiões mais quentes, especialmente ao longo da Linha do Equador, a quantidade de água evaporada pelo calor do sol será bem maior do que o valor médio indicado.  

Essa inacreditável quantidade de água na forma de vapor é colocada em circulação ao redor do nosso Planeta pela força dos ventos, elemento esse que também é influenciado pelas diferentes temperaturas ao redor do globo terrestre. Em algum momento, quando o vapor esfria, a água volta ao estado líquido e é precipitada de volta a superfície do Planeta – cerca de 75% das chuvas caem de volta sobre os oceanos e os 25% restantes vão cair sobre os continentes, na forma de chuva, neve, granizo ou sereno.   

O volume total dessa precipitação sobre os continentes equivale a mais de 95 mil km³ – isso pode parecer muita coisa a princípio, mas esse volume equivale a menos de 0,5% da água existente no Planeta inteiro: 97,5% da água existente na Terra é salgada, ou seja – água do mar, imprópria para o consumo. A água doce ou potável, corresponde a apenas 2,5% do volume de água existente no Planeta, sendo que a maior parte está congelada nos Polos e nas geleiras, e grande parte se encontra em aquíferos e lençóis subterrâneos de difícil acesso.  

A região onde se encontra a Bacia Amazônica intercepta 1/5 de todo o volume de vapor de água que atinge os continentes do Planeta e se precipita na forma de chuva – são quase 20 mil km³ de água que irão cair sobre os solos da região e, na sua maior parte, vão fluir pelos rios, riachos, lagos e igarapés, até atingir a calha do poderoso rio Amazonas, que muitas vezes é chamado, e com toda a razão, de rio-mar.  

O caudal médio do rio Amazonas, termo que indica o volume total de água que corre pela calha do rio, corresponde a 209 mil m³ por segundo – isso significa que, a cada 10 segundos, um volume de água equivalente à Baía da Guanabara é lançado pela foz do rio Amazonas no Oceano Atlântico. Esse volume de água doce é tão grande que a salinidade do Oceano é afetada numa distância de até 150 km da foz. O Nilo, ainda considerado o mais extenso rio do mundo, tem um caudal médio 60 vezes menor que o do nosso grande rio.  

Esse grandioso rio, ao contrário do que talvez possa parecer, nasce em pequenas fontes no alto da Cordilheira do Andes no Peru. As águas dessas nascentes surgem a partir do gotejamento de geleiras no alto das montanhas, que derretem vagorosamente ao longo do ano. Ainda não existe um consenso científico sobre qual é a nascente mais longínqua do rio Amazonas – a certeza que temos é que dezenas de pequenos fios de água vão se juntando e formando pequenos córregos, que por sua vez se transformam em pequenos rios, que mais tarde se transformarão nos grandes afluentes do rio Amazonas.  

Entre os inúmeros afluentes do rio Amazonas, destacam-se os rios: Napo, Javari, Jandaiatuba, Putumayo (chamado Içá no Brasil), Jutaí, Juruá, Japurá, Tefé, Coari, Piorini, Purus, NegroMadeira, Manacapuru, Uatumã, Nhamundá, TrombetasTapajós, Curuá, Maicuru, Uruará, Paru, Xingu e Jari. Se você consultar as postagens do blog, vai ver que já falamos de alguns desses rios (sublinhados), mas ainda há muitos outros para se falar.  

As águas da Bacia Amazônica são as veias que alimentam a vida na Floresta Amazônica, o maior sistema florestal equatorial do mundo (a maior floresta do mundo, ao contrário do que muitos afirmam em relação à Amazônia, é a Taiga, as florestas boreais do Norte do Planeta). A área ocupada pela Floresta Amazônica é de aproximadamente 5,5 milhões de km², ocupando terras na Bolívia, Peru, Equador, Colômbia, Venezuela, Suriname, Guiana e Guiana Francesa – mais de 60% da Floresta se encontra no Brasil. Calcula-se que mais de 1/3 de todas as espécies do mundo vivam na Amazônia – somente em espécies de peixes, já se conhecem mais de 2.100 espécies diferentes e, a cada dia, se descobrem novas espécies.  

A largura média do rio Amazonas se situa entre 6 e 8 km – no período das chuvas, essa largura pode chegar à casa dos 50 km em alguns trechos, com uma profundidade média entre 20 e 50 metros. Isso significa que, com as devidas cautelas de navegação por causa dos bancos de areia, um navio superpetroleiro ou um grande navio de cruzeiro podem navegar tranquilamente nas águas do rio-mar. Com a mesma cautela na navegação e a depender da época do ano, cargueiros de grande porte podem entrar na calha do rio Amazonas e atingir portos fluviais na Colômbia, Peru e Equador – nenhum outro rio do mundo se aproxima tanto de um mar como o rio Amazonas.  

Todo esse “mundo” de águas doces, porém, não está a salvo de secas grandiosas como aquelas registradas em tempos recentes como 1963, 2005 e 2010, quando rios caudalosos acabaram transformados em filetes d’água. O fluxo de massas de vapor em direção da região Amazônica está no centro da manutenção das chuvas periódicas que alimentam os rios e regulam o clima da região. A velocidade em que mudanças climáticas globais vêm sendo observadas, particularmente em função do Aquecimento Global, poderão afetar drasticamente os volumes de chuvas que chegam anualmente na Amazônia, com consequências imprevisíveis para a flora, a fauna e o clima regional.  

Toda essa grande quantidade de águas correndo por alguns dos maiores rios do mundo, é claro, possui um grande potencial para a geração de energia hidrelétrica, estimado atualmente em aproximadamente 100 mil MW. Nos últimos 40 anos, diversos projetos de aproveitamento desse grande potencial hidrelétrico já foram tirados do papel, nem todos alcançando o sucesso esperado.

Vamos tratar disso a partir da próxima postagem. 

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