LAHORE É DECLARADA A CIDADE MAIS POLUÍDA DO MUNDO 

Um dos maiores problemas ambientais de nossos tempos é o aquecimento global, uma tragédia construída pela humanidade ao longo de vários séculos. Entre as principais causas dessa tragédia destacamos a emissão dos gases de Efeito Estufa. Só para relembrar, uma das principais pautas da recente COP26 foi justamente o de reforçar o compromisso dos países no controle de suas emissões desses gases. 

A queima de combustíveis fósseis como os derivados de petróleo e o carvão respondem pelos maiores volumes das emissões desses gases. Países como a China, os Estados Unidos e a Índia encabeçam a lista dos maiores poluidores da atmosfera e, como não poderia ser diferente, possuem algumas das cidades com o ar mais poluído do mundo. 

Surpreendentemente, a cidade de Lahore, no Paquistão, correu por fora “nessa trágica competição, e acaba de ser declarada a cidade mais poluída do mundo segundo a iniciativa Monitor da Qualidade do Ar. Grandes cidades da China e da Índia ocupam posições de destaque nessa lista. 

Apesar de ser pouco conhecida aqui no Brasil, Lahore é uma das cidades mais populosas do mundo – são mais de 11 milhões de habitantes (dados de 2017), praticamente a mesma população de São Paulo, a maior cidade do Brasil. Lahore é um importante centro industrial, comercial e cultural, respondendo por 13% do PIB – Produto Interno Bruto, do Paquistão. 

Até 1947, o Paquistão fazia parte do Vice Reino da Índia, uma das colônias do Império Britânico. Após a assinatura da Declaração da Independência, as tensões entre as populações hindus e muçulmanas do país explodiram por todo o território. Uma tênue paz foi negociada entre as diferentes lideranças políticas, sendo estabelecido que o país seria dividido – os muçulmanos ficariam com os atuais territórios do Paquistão e de Bangladesh (que se tornou independente em 1971), e a maioria hindu ficaria com o atual território da Índia. 

Lahore é a capital do Estado do Punjabi Paquistanês, o mais populoso e mais desenvolvido do país. A Índia também possui o seu próprio Punjabi, que no passado formava um território único com seu homônimo paquistanês. A língua punjabi é a mais falada nos dois territórios, o que não deixa de ser um alento em meio ao clima tenso e belicoso que existe entre a Índia e o Paquistão. 

O Paquistão inaugurou recentemente sua sexta usina nuclear e vem investindo pesado em fontes renováveis de geração de energia elétrica como a fotovoltaica e a queima de biomassa. Parte da energia elétrica que abastece as grandes cidades do país, entretanto, ainda depende da queima do carvão em antigas centrais termelétricas. Some-se a isso uma gigantesca frota de veículos antigos com motores de combustão interna e indústrias de todos os tipos – esse é o quadro do envenenamento da atmosfera de Lahore. 

Assim como ocorre em outras grandes metrópoles do mundo, a poluição faz parte das paisagens de Lahore durante todos os dias do ano. Nos meses mais frios do ano, como está sendo esse final de outono no Paquistão, a situação fica dramática. Os ventos perdem sua força e não conseguem dispersar adequadamente a grande massa de poluentes que cobre a cidade. 

Localizada a pouco mais de 15 km da fronteira com a Índia, Lahore acaba “empurrando” grandes nuvens de poluição para a região Norte do país vizinho. Essa nuvem de poluição se junta aos grandes volumes gerados na Índia, transformando toda essa extensa região numa das áreas com um dos piores ares do mundo. 

O mapeamento das cidades mais poluídas do mundo é uma iniciativa do PNUMA – Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, e da ONU-Habitat – Programa das Nações Unidas para os Assentamentos Humanos, em parceria com a IQAir, uma empresa suíça especializada em tecnologia da qualidade do ar e que atua desde 1963. Essa empresa é a responsável pelas medições dos níveis de poluição em cidades de todo o mundo.  

O PNUMA foi criado em 1972, logo após a Primeira Conferência Internacional do Meio Ambiente, evento que a ONU organizou na cidade de Estocolmo – Suécia. Essa reunião resultou na Declaração da ONU sobre o Meio Ambiente Humano, mais conhecida como a Declaração de Estocolmo, documento que passou a orientar as ações da Organização na defesa do meio ambiente natural e humano. 

A ONU-Habitat é uma agência dedicada à promoção da melhoria da vida nas cidades, buscando ambientes mais sociais e ambientalmente sustentáveis. A meta é que todos os residentes dessas cidades disponham de abrigos dignos e adequados. Fundada em 1978, a ONU-Habitat atua em 90 países, trabalhando com Governos e parceiros locais. 

IQAir mantém uma página na internet onde apresenta o mapa com as cidades mais poluídas do mundo. Se você consultar esse mapa agora (clique no link indicado), vai perceber que uma grande nuvem de poluição está cobrindo praticamente todo o Paquistão e grande parte da Índia. A parte mais nociva dessa poluição são as partículas finas em suspensão, conhecidas com PM2.5 e PM10. 

Hoje, dia 18 de novembro, Lahore está aparecendo na primeira posição desse mapa, com uma concentração de 311 micro gramas de partículas PM2.5 para cada metro cúbico de ar – Nova Déli, a capital da Índia, vem colada na segunda posição com um índice de 284 micro gramas de partículas PM2.5 e 371 micro gramas de partículas PM10 para cada metro cúbico de ar. 

Para efeito de comparação, a cidade de São Paulo aparece na 55ª posição no mapa, um índice considerado como moderado. No caso paulistano, o ponto crítico da qualidade do ar é a concentração de partículas PM2.5, com um índice de 17 microgramas para cada metro cúbico de ar. As concentrações de outros poluentes como PM10, ozônio, óxido nitroso, dióxido de carbono, entre outros gases tóxicos, surpreendentemente, estão dentro de valores seguros. 

A OMS – Organização Mundial da Saúde, em decisão recente, reviu suas recomendações para os níveis máximos de concentração dessas partículas – os novos limites são 5 micro gramas e 15 micro gramas por metro cúbico de ar, respectivamente, para a PM2,5 e PM10. Uma rápida olhada na concentração dessas partículas no ar das cidades citadas (inclusive São Paulo) dá uma ideia dos riscos para a saúde de seus moradores. 

Segundo a OMS, cerca de 7 milhões de pessoas morrem precocemente a cada ano por causa de problemas e doenças decorrentes da poluição atmosférica. Preocupações com as florestas tropicais, poluição dos mares e riscos à biodiversidade são importantes, mas o ar que respiramos todos os dias e do qual precisamos para sobreviver é mais importante ainda. 

Pense nisso e tente não respirar fundo! 

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