ESTUDO INDICA QUE A POLUIÇÃO MATOU 9 MILHÕES DE PESSOAS EM 2019 

Ao longo dos últimos dois anos e meio, todos nós temos convivido com a Pandemia da Covid-19. Existem dados que indicam que cerca de 6,2 milhões de pessoas já morreram por causa da doença. A OMS – Organização Mundial da Saúde, acredita que esse número de mortos está subestimado e calcula que o número de vítimas pode ter chegado aos 15 milhões

Enquanto a Covid-19 ocupa amplos espaços nos meios de comunicação, existem outras doenças que também vem matando muita gente e muito pouco se fala sobre isso. A poluição é uma dessas assassinas silenciosas e pouquíssimo espaço consegue nos meios de comunicação. 

De acordo com um estudo realizado por um consórcio de cientistas e que foi divulgado na última edição da revista The Lancet Comission on Pollution and Health, a poluição foi responsável pela morte de 9 milhões de pessoas em todo o mundo em 2019. Isso representa 16% do total de mortes do período. Os cientistas alertam que esse número de vítimas ficou praticamente inalterado em relação à mesma pesquisa feita em 2017, o indica que não foram tomadas medidas para amenizar os problemas. 

A poluição do ar é, disparada, a campeã em mortos, sendo responsável por 6,67 milhões de mortes a cada ano. Em seguida vem a poluição química, com 1,8 milhão de vítimas, a poluição da água, com 1,8 milhão de mortes e os riscos ocupacionais tóxicos, com 870 mil vítimas. 

A exposição ao chumbo, metal pesado extremamente tóxico, é responsável por metade dos casos de poluição química. O chumbo é muito usado na produção de baterias para veículos, na composição de tintas industriais e residenciais, cabos elétricos e também como aditivo para a gasolina, entre outras aplicações. 

O estudo indica que mais de 90% das mortes ocorreram em países de renda baixa e média, sendo que entre os 10 países com os maiores números de vítimas 7 ficam na África. Um dado curioso: dos 54 países que formam a África, apenas 7 realizam um monitoramento confiável e em tempo real da poluição do ar.

Nos quesitos água e solos contaminados, além do ar mais poluído, o Chade, a República Centro-Africana e o Níger ocupam as primeiras posições com os dados ajustados de acordo com o tamanho da população. Completam a lista dos 10 países mais afetados pela poluição as Ilhas Salomão, no Sul do Oceano Pacífico, Somália, África do Sul, Coreia do Norte, Lesoto, Bulgária e Burkina Faso.  

Uma constatação interessante feita pela pesquisa foi a identificação de um aumento substancial de óbitos relacionados à exposição a poluentes derivados da atividade industrial, especialmente em países da Ásia. Em países como a China e a Índia, os níveis crescentes de exposição a produtos tóxicos se somam ao aumento da expectativa de vida da população. 

A queima de combustíveis fósseis é o grande destaque na poluição do ar. Ela começa com veículos automotores movidos a gasolina e diesel, passando pelas chaminés de industrias e atingindo o seu auge na queima de carvão em usinas siderúrgicas e em usinas termelétricas. 

Vou citar como exemplo a minha cidade – São Paulo, onde circulam cerca de 6 milhões de veículos diariamente. Felizmente, a maioria desses veículos utilizam catalizadores nos escapamentos e também sistemas de injeção eletrônica de combustível, o que ajuda a reduzir as emissões. Também é importante citar que uma parte significativa desses veículos utilizam motor flex, o que permite o uso de etanol, combustível que polui bem menos que a gasolina. 

Já em Lahore, cidade do Paquistão que é considerada a mais poluída do mundo, a situação é bem mais complicada. Com uma população igual à da cidade de São Paulo, Lahore possui uma frota de veículos bastante antiga, onde os motores utilizam tecnologias antigas e muito mais poluentes.  

Outro complicador para o ar da cidade são as centrais termelétricas movidas a carvão, um combustível altamente poluente. Essas unidades são responsáveis pela maior parte do fornecimento da energia elétrica usada pela população. Aliás, o carvão é um dos grandes vilões da poluição do ar em todo o mundo.

Medições feitas pela IQAir, uma empresa suíça especializada em tecnologia da qualidade do ar, em dia 18 de novembro de 2021, mostrou que o ar de Lahore Lahore tinha uma concentração de 311 micro gramas de partículas PM2.5 para cada metro cúbico de ar  

Uma medição equivalente feita em São Paulo no mesmo dia pela CETESB – Companhia Ambiental do Estado de São Paulo, mostrava a cidade na 55ª posição com uma concentração de partículas PM2.5 de 17 microgramas para cada metro cúbico de ar. Além da grande diferença nas características da frota de veículos, São Paulo não possui termelétricas a carvão em suas cercanias. 

No caso da poluição da água, precisamos destacar o lançamento de esgotos domésticos e industriais em rios e outros corpos d`água. Esse problema é mais comum em países pobres e em desenvolvimento. Em São Paulo esse é um problema crônico onde se destacam os rios Tiete, Pinheiros e Tamanduateí

Conforme já tratamos em inúmeros postagens aqui do blog, São Paulo sofre muito com as enchentes nos meses de verão. É justamente nesses momentos em que a poluição das águas entra em contato com a população, principalmente aquela camada mais pobre e que mora em regiões próximas da calha dos rios. 

Outro problema, também já tratado em postagens aqui do blog, é o uso da água poluída de rios e córregos na irrigação de verduras e legumes nas regiões chamadas de “cinturão verde” das cidades. Além de uma infinidade de bactérias e de patógenos de todos os tipos, essa água possui grandes quantidades de metais pesados. 

Um exemplo que mostramos em uma postagem anterior que exemplifica muito bem os problemas de poluição nas águas são os cachorros azuis da Índia. Esses animais costumam entrar nas águas de rios altamente poluídos do país para buscar alimentos e ficam altamente contaminados com todo um coquetel de produtos químicos, combinação que deixa o pelos dos animais na cor azul. 

Pessoas que consomem, direta ou indiretamente, essas águas ou alimentos irrigados com elas, ou ainda que entram em contato com essas águas durante momentos de enchentes, ficam sujeitas, é claro, a toda uma infinidade de doenças e problemas de saúde, sendo que muitas acabam morrendo. 

O mesmo ocorre com pessoas que ficam expostas a atmosferas altamente poluídas ou que tem contato frequente com produtos químicos e metais pesados, especialmente em seus ambientes de trabalho. Esse contato frequente costuma resultar em uma série de doenças, muitas delas fatais. 

Deferentemente de doenças de evolução rápida como a Covid-19, a poluição costuma “matar aos poucos” e silenciosamente. Talvez por isso, essas mortes não chamam tanto a atenção e, consequentemente, não chocam as populações. 

As cifras, entretanto, são alarmantes e clamam a atenção urgente dos nossos governantes. 

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