O TRECHO ARGENTINO DA HIDROVIA PARAGUAI-PARANÁ

Ponte de Rosário

Com aproximadamente 1.240km de águas navegáveis em seu território, o trecho argentino da Hidrovia Paraguai-Paraná se estende desde a confluência dos rios Paraguai e Paraná, no município de Corrientes até Nueva Palmira, no Uruguai, na região do delta do rio Paraná. Este trecho possui a maior quantidade de portos e terminais de carga e descarga da Hidrovia, com um total de 48 instalações, sendo 1 no rio Paraguai, nas proximidades da confluência com o rio Paraná; 30 no rio Paraná, 15 no rio Paraná de las Palmas e 2 no rio Paraná-Guazu, rios que formam o delta do rio Paraná. O trecho do rio Paraná entre Foz do Iguaçu, na divisa entre o Brasil e o Paraguai, e a confluência dos rios Paraná e Paraguai, nas proximidades de Corrientes, na Argentina, não está sendo considerado no momento.

O sistema de portos fluviais da Argentina é altamente organizado e de fácil acesso, se comparado ao demais países atendidos pela Hidrovia Paraguai-Paraná, contando com boa infraestrutura, sistemas de operação modernos e grande acessibilidade para o embarque e o desembarque de cargas. Diferente dos portos e terminais do Paraguai, onde há predomínio de portos habilitados para o transporte de Graneis Líquidos, e do Brasil, onde a navegação no alto rio Paraná concentra a movimentação de minério de ferro, grãos e oleaginosas, os portos da Hidrovia Paraguai-Paraná na Argentina são habilitados para o transporte de todos os grupos de produtos.

A principal característica deste trecho é o aumento substancial do volume de águas do rio Paraná, resultado da junção com as águas vindas do rio Paraguai. A profundidade mínima do canal de navegação se situa numa faixa entre 4 e 7 metros. Em função dos períodos de seca, entre os meses de agosto e setembro, e de chuvas, entre novembro e fevereiro, o rio Paraná apresenta grandes variações no volume de água e na largura entre as margens. Entretanto, no trecho da Hidrovia em solo da Argentina, apresenta boas condições de navegação ao longo da maior parte do ano.

Diferente de outros trechos dos rios Paraguai e Paraná, este trecho da Hidrovia Paraguai-Paraná não apresenta grandes obstáculos artificiais com riscos à navegação fluvial. Logo abaixo da cidade de Corrientes, a Hidrovia é cruzada pela Ponte General Manuel Belgrano, que exige cuidados para sua transposição – normas de navegação proíbem a ultrapassagem de comboios nos 1.000 a jusante e a montante desta ponte. Na região de Rosário encontra-se a famosa ponte estaiada Nuestra Señora  de Rosário, cartão postal da cidade (vide foto). Essa ponte tem 4,1 km de extensão e apresenta um vão livre com aproximadamente 300 metros de largura.

Já nas proximidades da Região Metropolitana da capital argentina, encontra-se a ponte rodoferroviária Justo José Urquiza, que liga as províncias de Buenos Aires e Entre Rios. Esta ponte, sobre o rio Paraná-Guazú, tem uma extensão de 1,7 km, possuindo um vão central livre para a passagem de comboios de barcaças de carga com 300 metros de largura. O rio Paraná-Guazú é o mais importante canal de navegação da região do delta do rio Paraná.

Um dos grandes destaques deste trecho da Hidrovia Paraguai-Paraná é o porto da cidade de Rosário, a segunda maior da Argentina. Este porto, na Província de Santa Fé, é o mais importante de toda a Argentina, localizado a aproximadamente 420 km de Buenos Aires. Está localizado no centro da região de produção de grãos da Argentina, onde também se encontram grandes complexos industriais. Estudos indicam que 70% dos grãos para exportação e 80% das principais regiões produtoras da Argentina se encontram dentro de um raio de 300 km ao redor do Porto de Rosário, o que favorece imensamente a logística de escoamento de grãos do país.

O canal de navegação do Porto de Rosário tem uma profundidade média entre 8,5 e 10 metros, o que permite o acesso de cargueiros marítimos de grande porte. No porto são movimentadas anualmente 15 milhões de toneladas de grãos, farelos e óleos vegetais, além de cargas em paletes. A eventual interligação entre a Hidrovia Tietê-Paraná e a Hidrovia Paraná-Paraguai, assunto que trataremos na próxima postagem, abrirá a possibilidade de se escoar parte da produção de grãos da região Centro-Oeste do Brasil através do Porto de Rosário, reduzindo os custos logísticos de nossos produtos e evitando o uso dos congestionados portos de Santos, no Estado de São Paulo, e de Paranaguá, no Paraná, duas das principais instalações portuárias do país para o escoamento de grãos. O porto de Rosário já é destino de parte da produção de grãos dos Estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, transportados a partir do alto rio Paraguai.

A Argentina está entre os maiores produtores agrícolas do mundo e o fácil acesso a sistemas de navegação fluvial com baixos custos de frete é fundamental para a competitividade do país. Entre os produtos agrícolas de maior destaque encontram-se a soja, que na safra de 2016/2017 atingiu a cifra de 15 milhões de toneladas; o trigo, que no mesmo período totalizou 56 milhões de toneladas e as sementes de girassol, que alcançou a cifra de 3,5 milhões de toneladas. A safra total de grãos no país alcançou a cifra de 130 milhões de toneladas no período. Por causa da forte seca que está afetando grande áreas do país, a produção agrícola da Argentina no período 2017/2018 deve sofrer uma forte redução.

Um setor importante da economia da Argentina é o automotivo, que possui uma grande concentração de indústrias na região Centro-Norte do país, especialmente na região de Córdoba. Com uma produção anual da ordem de 900 mil veículos, a indústria argentina exporta cerca de 350 mil unidades para o Brasil. Uma característica interessante da cadeia produtiva de veículos automotores da Argentina é a presença de 70% de insumos importados. O porto de Rosário, localizado a aproximadamente 400km da cidade de Córdoba, é fundamental para as operações da indústria automobilística argentina, tanto para exportação de veículos prontos quanto para a importação de peças e demais insumos.

No trecho final do seu curso, o rio Paraná se abre em diversos canais, formando um extenso delta. Esses canais recebem os nomes de rios: Paraná de las Palmas,  Paraná Pavon, Paraná Ibicuy, Paraná Bravo, Paraná Mini e Paraná-Guazú. Esse trecho final da Hidrovia Paraguai-Paraná possui condições excepcionais para a navegação e apresenta profundidades médias entre 10 a 12 m entre as cidades de San Martin, na Argentina, e Nueva Palmira, no Uruguai.

A partir do delta do rio Paraná tem início o rio da Prata, um gigantesco estuário com um comprimento total de 290 km até atingir o Oceano Atlântico, na divisa entre a Argentina e o Uruguai. Além das volumosas águas do rio Paraná, o rio da Prata também recebe as águas dos rios Uruguai, Negro e Salado, entre outros afluentes menores, apresentando a impressionante vazão de 22 mil m³ de água a cada segundo. Os dois portos mais importantes do rio da Prata são os das cidades de Buenos Aires e de Montevideo.

3 Comments

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s