FALANDO UM POUCO SOBRE OS VETORES

mosquito

Verão chegando, chuvas frequentes, resíduos sólidos (especialmente os orgânicos), enchentes e descaso do poder público – a somatória de tudo isso nos força a acender uma luz amarela de atenção para um problema sanitário dos mais sérios: o controle dos vetores.

Qualquer ação antrópica, ou seja – realizada pelos seres humanos, no meio ambiente vai causar algum tipo de perturbação no meio natural. O delicado equilíbrio entre plantas, animais, insetos, fungos, bactérias, vírus e meio natural, conquistado ao longo de milhões de anos, é subitamente alterado e algumas populações de seres vivos tem sua população subitamente aumentada, com grande potencial de causar danos sobre as populações humanas.

Entre esses seres vivos existem alguns grupos que são chamados animais sinantrópicos – são animais e insetos que se adaptaram a uma vida próxima aos seres humanos independentemente da vontade desses, ao contrário dos animais que foram domesticados propositadamente. O maior exemplo são os ratos (chamados também de ratazanas e gabirus, conforme a região). Originário das estepes da Ásia Central, os ratos se aproximaram das antigas populações humanas em busca de alimentos. Acompanharam as longas migrações destas populações por extensos territórios e se instalaram nos subterrâneos das cidades que foram sendo criadas ao longo dos séculos. Embarcando como clandestinos em navios, se espalharam por todos os continentes, com exceção da Antártida. Restos de comida descartados no lixo doméstico são os principais responsáveis pelo sustento e manutenção das populações dos ratos urbanos que, por isso, merecem todo o nosso cuidado no descarte e no acompanhamento da sua destinação pelos serviços públicos de coleta. Só para relembrar, esses animais são transmissores da peste bubônica (transmitida por pulgas que morderam o rato) e da leptospirose, que é transmitida pela urina do rato especialmente através das enchentes.

Além dos ratos, a lista dos animais sinantrópicos inclui: abelhas, aranhas, baratas, carrapatos, escorpiões, formigas, lacraias ou centopeias, morcegos, moscas, mosquitos, pombos, pulgas, taturanas, vespas entre outros. Esses animais e insetos podem transmitir doenças e causar problemas à saúde do homem e dos outros animais – por isso, merecem especial atenção das autoridades da área de saneamento ambiental e da saúde, que devem desenvolver ações de controle e erradicação dessas verdadeiras pragas urbanas. Neste link do Centro de Controle de Zoonoses da Cidade de São Paulo você terá acesso a uma lista completa das doenças e problemas de saúde que podem ser provocados por esses insetos e animais.

Quero destacar um grupo de insetos em particular, que ao longo dos últimos anos vem causando sérios problemas de saúde à grande parte da nossa população e que estão totalmente associados ao saneamento ambiental: os mosquitos.

No seu ciclo de vida, um mosquito passa por uma metamorfose completa, passando pelas fases de ovo, larva, pupa e, finalmente, chegando à fase adulta. As três primeiras fases da vida de um mosquito dependem da presença de água parada – resíduos descartados de forma irregular acumulam as águas das chuvas e se transformam em verdadeiros berçários para as diversas espécies de mosquitos, com destaque para as espécies Aedes aegypti e Anopheles.

O famoso e temido mosquito Aedes aegypti é um dos vetores mais disseminados no território brasileiro e causador das epidemias de dengue há várias décadas e, mais recentemente, passou a transmitir também a Zika e a febre Chikungunya. O mosquito Anopheles, representado por dezenas de espécies no Brasil, é o principal transmissor da malária, especialmente na região amazônica. De acordo com a Revista Veja, até o dia 11 de junho de 2016 foram registrados no Brasil 165.932 casos suspeitos de zika, dos quais 66.180 já foram confirmados, 1.345.286 casos prováveis de dengue e 137.808 casos prováveis da febre Chikungunya, dos quais 32.679 foram confirmados. A mesma publicação informa que foram confirmadas este ano 318 mortes por dengue, 3 mortes por Zika e 17 mortes por febre Chikungunya.

A principal forma de combater todas essas doenças é eliminar os criadouros dos mosquitos – os recipientes que acumulam as águas das chuvas (destaque para os resíduos sólidos e da construção civil descartados irregularmente) e também os reservatórios domésticos de água (caixas d’água, tambores, baldes e latas). Todos nós precisamos arregaçar as mangas e fazer a nossa parte, eliminando qualquer tipo de reservatório que possa acumular água das chuvas e tampando corretamente os reservatórios domésticos de água, sem ficar esperando as providências das “otoridades”.

Sem esse esforço de todos, o “bicho” vai pegar nesse Verão.

3 Comments

  1. […] O lançamento de resíduos de gordura em redes de esgoto é um problema já bastante antigo e há muito é considerada uma causa importante dos entupimentos. A gordura gruda nas paredes das tubulações e passa a se misturar com outros resíduos, formando algo parecido com uma rolha. Um outro problema tem a ver com a proliferação das baratas, um inseto que aprecia muito o consumo dos resíduos de gordura – com fartura do alimento, as baratas se multiplicam e passam a invadir casas e estabelecimentos comerciais, para o horror de muita gente e riscos de proliferação de doenças.   […]

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