VACINA CONTRA A DENGUE EM DESENVOLVIMENTO APRESENTA RESULTADOS PROMISSORES

Na última postagem falamos do preocupante crescimento da dengue nos primeiros meses deste ano. De acordo com dados do Ministério da Saúde, os casos prováveis da doença cresceram 43,9% em comparação ao mesmo período de 2021. Os dados comparados se referem ao intervalo de 10 semanas entre os dias 2 de janeiro e 12 de março. 

Felizmente, existem boas notícias para um horizonte não muito distante. O Instituto Butantã, em parceria com o NIAID – Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas dos Estados Unidos, na sigla em inglês, divulgou resultados animadores de uma vacina contra a dengue em desenvolvimento conjunto. 

Os resultados analisados mostram que a vacina induziu a geração de anticorpos contra a doença em 100% dos indivíduos que já haviam tido dengue e em mais de 90% dos indivíduos que nunca tiveram contato com o vírus. Para efeito de comparação, existem vacinas contra a Covid-19 em aplicação na população e que foram aprovadas pelos órgãos de saúde com pouco mais da metade dessa eficácia. Essas vacinas foram usadas em caráter emergencial devido à gravidade da pandemia.

Esses resultados foram obtidos na chamada Fase 1 dos ensaios clínicos, estudos que foram realizados nos Estados Unidos. Na Fase 2 da pesquisa, os estudos mostraram a formação de anticorpos em mais de 70% dos indivíduos contra 4 subtipos do vírus da dengue com apenas uma dose aplicada. Esses dados foram publicados no periódico Human Vaccines & Inmunotherapeutics, para a Fase 1, e na revista Lancet Infectious Diseases, para a Fase 2. 

Os pesquisadores agora trabalham nos estudos clínicos da Fase 3. Esta é a última fase de estudos necessários para a obtenção do registro sanitário da vacina e tem por objetivo demonstrar a sua eficácia. Os estudos envolvem a aplicação da vacina em um grupo grande de voluntários, onde parte recebe a vacina e parte um placebo (água destilada, por exemplo) – os resultados em ambos os grupos são comparados.  

Na Fase 2 dos estudos, para exemplificar como funcionam os testes, um grupo de 200 voluntários recebeu duas doses da vacina tetravalente ou do placebo, o que permitiu avaliar a capacidade do organismo dos vacinados em aumentar o número de anticorpos no organismo. 

Após a aplicação da primeira dose em pessoas que já haviam tido dengue observou-se a produção de anticorpos em 100% do grupo. No caso de voluntários que nunca tiveram a doença, essa produção de anticorpos foi da ordem de 92,6%. Na aplicação da segunda dose, as diferenças na produção de anticorpos não foram significativas. 

Ao longo de um ano e meio, a capacidade de indução da resposta imunológica dos voluntários, o que é chamado tecnicamente de imunogenicidade, foi analisada por meio de testes de neutralização do vírus e resposta se manteve alta. 

Também foram avaliados os efeitos colaterais da vacina. Entre os mais comuns se destacam dores de cabeça, fadiga, erupção cutânea e dores musculares. Esses efeitos não são considerados graves e até são comuns em vacinas, o que indica que a vacina é segura. 

A pandemia da Covid-19 que abalou o mundo inteiro nesses últimos dois anos e que, felizmente, parece estar se encaminhando para um final, deixou muito clara a importância das vacinas. Laboratórios e institutos de pesquisa de todo o mundo não pouparam esforços até conseguiram desenvolver vacinas num tempo recorde e que já foram aplicadas em bilhões de pessoas. 

A fatalidade da dengue está muito distante da Covid-19. Até novembro de 2021, foram registradas 212 mortes por dengue no Brasil. Em 2020, foram confirmadas 564 mortes. No mesmo período, a Covid-19 ceifou mais de 650 mil vidas no país. 

Apesar da baixa taxa de fatalidade, a dengue causa uma série de desconfortos físicos como febre alta, erupções cutâneas e dores musculares e articulares. Em casos graves, há hemorragia intensa e choque hemorrágico. Foram mais de 500 mil casos registrados no Brasil em 2021. 

A dengue e outras viroses provocadas pelos chamados Arbovírus tem em comum a presença ativa de vetores como o mosquito Aedes aegypti. A reprodução desses mosquitos está associada ao acúmulo de água das chuvas em resíduos sólidos, restos de materiais de construção, em caixas d`água e outros depósitos do líquido mal tampados, em construções abandonadas, entre muitos outros locais. 

Ou seja – o combate à dengue começa com a eliminação dos criadouros do mosquito Aedes aegypti. E é justamente aqui onde os problemas começam – basta uma única propriedade dentro de um bairro relaxar com esses cuidados para que surja um foco importante da doença. E isto sempre acaba acontecendo. 

A perspectiva da criação de uma vacina contra a doença no médio e longo prazo poderá ajudar a resolver da dengue. Porém, é importante lembrar que o mesmo mosquito transmite doenças como a febre amarela, a Zika e a febre Chikungunia, entre muitas outras.

Enquanto não surgir uma poderosa vacina que nos protege de todas essas doenças, as ações de controle sanitário dos focos de reprodução desses mosquitos sempre serão necessárias. 

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