RESÍDUOS SÓLIDOS, CHUVAS E ENCHENTES, OU RELEMBRAR É VIVER

alagamento

Estamos a poucos dias do início oficial do Verão, mas as típicas chuvas do período já chegaram com força – somente no Estado de Minas Gerais 7 pessoas morreram nas últimas 24 horas em decorrência das enchentes, deslizamentos e da falta de prevenção e de planejamento na execução de obras contra os efeitos da chuva. Infelizmente, entra ano e sai ano e as coisas não mudam.

Uma imagem dos telejornais que me chamou a atenção mostrava um rapaz com água acima dos joelhos tentando desobstruir um dreno que estava tomado por sacos de lixo em uma rua de Belo Horizonte  – ao redor, dezenas de pessoas se esforçando para vencer o alagamento ou buscando refúgio e locais mais altos. Como costumo citar com “irritante” frequência nas minhas postagens, os resíduos sólidos têm grande responsabilidade na formação de pontos de alagamentos localizados. Moradores das cidades, preocupados em descartar rapidamente os resíduos sólidos gerados em suas casas, colocam os sacos plásticos na rua em horários que antecedem em muito a passagem das equipes de coleta – expostos, esses sacos plásticos acabam rasgados e revirados por animais que procuram alimentos, por catadores de sucata em busca de latas de alumínio e outros materiais recicláveis, caem dos suportes ou dos muros por força do vento – em períodos de fortes chuvas esses resíduos são arrastados pelas enxurradas e acabam bloqueando as bocas de lobo e as grelhas que drenam as águas pluviais: os resultados são conhecidos por todos – os pontos de enchentes se multiplicam pelas cidades.

Também entram nessa conta os resíduos que são jogados nas ruas despreocupadamente por muitos moradores: são as embalagens de alimentos, os palitos de sorvete, as garrafas PET de sucos e refrigerantes, restos de feira entre outros. Esses resíduos podem parecer pouca coisa, mas uns poucos quilogramas têm potencial para obstruir uma boca de lobo e causar um estrago enorme num momento de chuva forte.

Mas não são apenas resíduos pequenos que são lançados irresponsavelmente nas ruas e logradouros públicos da cidade: móveis, eletrodomésticos (inclusive geladeiras), restos de materiais de construção e entulhos: minutos atrás, voltando da padaria, encontrei um velho sofá de dois lugares que alguém largou na calçada de uma das avenidas mais importantes do bairro – basta uma chuva forte para arrastar esses resíduos de grande porte para o meio das vias de tráfego, expondo motoristas e passageiros dos veículos a riscos sérios de acidentes, além de provocar o entulhamento dos sistemas de drenagem das águas pluviais.

Até alguns anos atrás, pneus velhos representavam uma parte expressiva dos resíduos jogados aleatoriamente nas ruas e terrenos baldios das cidades. Após alteração na legislação, foi introduzido o processo de Logística Reversa nas indústrias de pneumáticos – quando um proprietário de veículo faz a troca dos pneus, o revendedor fica obrigado a devolver os pneus velhos para o fabricante, que tem a responsabilidade de realizar o descarte correto dos resíduos: hoje em dia grande parte desses pneus velhos são triturados e adicionados na massa asfáltica usada na pavimentação de ruas, avenidas e rodovias – outra parte dos resíduos é queimada, gerando a energia usada nos fornos de  produção de cimento. Seria de um excepcional ganho para o meio ambiente a introdução efetiva do mecanismo de Logística Reversa nas lojas e fabricantes de móveis e de eletrodomésticos, estimulando os consumidores a descartarem corretamente os produtos antigos. Algumas lojas até fazem esse trabalho por conta própria, mas o ideal é que todos os envolvidos nessa cadeia de produção e de comercialização o fizessem.

Enquanto muitas dessas ideias ficam apenas no campo das “boas intenções”, cabe a cada cidadão fazer a sua parte: colocar os resíduos nos horários programados para passagem do caminhão da coleta, buscar os Ecopontos estabelecidos pelas Prefeituras para o descarte de resíduos de grande porte e de entulhos da construção civil (que em algumas cidades representam 70% do total dos resíduos produzidos), não jogar lixo na rua e, principalmente, denunciar os infratores ao poder público.

Isso tudo pode parecer clichê – é tão clichê quanto as enchentes, prejuízos e mortes anuais de todos os Verões…

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