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Posts de ferdinandodesousa

Escritor, jornalista, gestor e educador ambiental. Especialista em projetos de comunicação social e de educação ambiental.

MANAUS SOB UMA “CORTINA DE FUMAÇA”

Um fato que, aparentemente, não está preocupando grandes ambientalistas internacionais como Greta Thunberg, Leonardo di Caprio e Emmanuel Macron, são as atuais queimadas e intensas nuvens de fumaça em grandes áreas da Amazônia.  

A tensa situação internacional encabeçada pelo conflito na Ucrânia e, mais recentemente, pela explosão da violência entre israelenses e palestinos, talvez esteja jogando essa questão para um segundo plano. Pessoalmente, eu acredito que a questão é mais política – como a esquerda assumiu as rédeas do país neste ano, a “turma” está pegando mais leve. 

Segundo os critérios da OMS – Organização Mundial de Saúde, a qualidade do ar respirado pelos manauaras está dez vezes pior do que o limite máximo recomendável. A entidade recomenda que a presença de poluentes no ar não ultrapasse 20 microgramas por metro cúbico de ar – em Manaus esse índice está perto de 225 microgramas por metro cúbico de ar. 

Até o último dia 12 de outubro, o Ministério do Meio Ambiente registrava um total de 1.664 focos ativos de fogo apenas no Estado do Amazonas. Esse número de focos de fogo é 147% maior do que o registrado no mesmo período em 2022. Os municípios em pior situação são Autazes, com 141 focos, e Careiro com 110. 

De acordo com informações dos Governos Federal e do Estado, 55 municípios já decretaram situação de emergência e outros 5 estão estudando a adoção da medida. A FIOCRUZ – Fundação Oswaldo Cruz, uma das mais renomadas instituições de pesquisa na área médica do país, está recomendando o uso de máscaras pelas populações das regiões afetadas. 

A região Amazônica está passando por um forte período de estiagem – o principal responsável aqui é o fenômeno climático El Niño. Com a vegetação seca e com o hábito dos pequenos agricultores realizarem a tradicional coivara, a queimada dos terrenos para a preparação dos solos para o plantio das suas culturas de subsistência, o problema se agrava muito. 

As atuais causas da tragédia atual são praticamente as mesmas e não se vê a mesma violência em declarações dessas mesmas pessoas. 

A pergunta que eu sempre me faço – essa gente está mesmo preocupada com a “destruição da Floresta Amazônica” ou se trata apenas de narrativa? 

MUDANÇAS CLIMÁTICAS AMEAÇAM A PRODUÇÃO DE CAFÉ NO BRASIL

O café é originário da região de Cafa, na Etiópia. De acordo com a tradição oral da população, um jovem pastor de cabras observou que os seus animais gostavam de comer os frutos vermelhos e as folhas de alguns arbustos, ficando muito ativos depois disso. Conta-se ainda que foi a partir daí que os habitantes locais passaram a preparar chás a partir das folhas e frutos da planta.  

Com a popularização do consumo do café, sementes da planta foram levadas para o Iêmen, no Sul da Península Arábica, onde passou a ser conhecido como kahwaf ou cahue, palavras que em árabe significam “força”. Manuscritos locais do século VI de nossa era já falavam do cultivo da planta em terras árabes – inclusive, o nome científico da planta, Coffea arabica, dado pelo cientista Lineu, veio daí. Graças ao intenso tráfego de caravanas de mercadores e de tribos beduínas, o consumo e o gosto pela bebida foram disseminados por todo o Oriente Médio ao longo do tempo. 

A partir do século XIV, a produção de café do Iêmen ganhou escala comercial e o principal porto exportador do país ficava na região de Moka, um nome que passou a estar associado aos melhores cafés do mundo. Em 1475, foi inaugurada a primeira cafeteria do mundo na famosa cidade de Constantinopla (atual Istanbul) na Turquia – o Kiva Han. O estilo social de consumo de café criado pelos turcos se popularizou por todo o Oriente Médio, principalmente no Egito. No final do século XVII já existiam perto de 650 Bayt Gahwa, as famosas cafeterias do Cairo, locais que eram o ponto de encontro de artistas e intelectuais. 

O café chegou ao Brasil em 1727, pelas mãos do sargento-mor Francisco de Melo Palheta (ou Palhete, segundo algumas fontes), um militar a serviço do Governo de Portugal e que realizou trabalhos de demarcação de limites entre a Colônia portuguesa e a Guiana Francesa. As primeiras mudas foram plantadas na região de Belém do Pará e gradativamente foram espalhadas por fazendas do interior do país, principalmente na Região Nordeste. 

Sem nos prendermos a maiores detalhes, a cultura cafeeira se espalhou por extensas áreas dos Estados do Rio de Janeiro, Espírito Santo, Minas Gerais e São Paulo. O Brasil rapidamente se transformou no maior produtor e exportador de café do mundo. 

No início do século XX, a produção e a exportação de café representavam 50% do PIB – Produto Interno Bruto, do país. A riqueza criada pelo café foi fundamental para o financiamento da industrialização do Brasil. Essa pujança econômica durou até a grande crise econômica de 1929, quando ocorreu a quebra da Bolsa de Valores de Nova York. 

Entre altos e baixos, a cultura veio mantendo a sua importância econômica. O Brasil continua sendo o maior produtor de café do mundo, respondendo por 1/3 da produção mundial. 

Um dos maiores problemas está sendo as altas temperaturas no momento da floração dos cafezais entre os meses de setembro e outubro. Originária de regiões montanhosas da África, a planta requer temperaturas amenas nessa fase do seu ciclo de produção. 

Temperaturas acima dos 34º C nesse período estão se tornando cada vez mais comuns, o que ameaça fortemente a floração das plantas. De acordo com modelagens climáticas, esse ciclo de altas temperaturas deverá aumentar em até 10 dias até o ano de 2050. 

As mudanças climáticas ameaçam o delicado mecanismo climático da região Amazônica, o que poderá resultar em reduções de chuvas no restante do Brasil. Além do café, outras culturas agrícolas importantes do país também estão sob ameaça. 

As mudanças climáticas estão criando tempos novos e complicados que afetarão a vida de todos nós. 

OS CAMPOS FLORIDOS DA ANTÁRTIDA 

Uma imagem idealizada que está presente no inconsciente coletivo das comunidades humanas desde tempos imemoriais são os campos floridos e os vales verdejantes. Numa época que nós costumamos nos referir como o “tempo das cavernas”, nossos ancestrais viam a chegada da primavera com suas flores e vegetação verdejante como um verdadeiro alívio para a difícil temporada do inverno. 

Essa imagem acabou sendo associada posteriormente aos diferentes “paraísos” para onde as almas seguiam após a morte. Na mitologia grega, citando um exemplo, os mortos mais valorosos seguiam para os Campos Elísios. Entre os povos nórdicos a imagem é a mesma – os campos floridos do Valhala. A mesma imagem está presente nos paraísos dos cristãos e dos muçulmanos. 

Diferentemente dessa bela imagem transcendental, campos floridos estão se expandindo em diferentes partes do Continente Antártico e isso é uma péssima notícia. O aquecimento global está elevando gradualmente as temperaturas no continente e tornando algumas regiões cada vez mais propícias para a colonização por diferentes tipos de plantas.  

Até poucas décadas atrás, a imensa maioria do território antártico ficava permanentemente coberto por um manto de gelo. Nos poucos lugares onde esse gelo derretia durante o chamado verão antártico, cresciam apenas algumas poucas espécies de plantas rasteiras como a erva-cabeluda antártica (Deschampsia antarctica) e a erva-pérola antártica (Colobanthus quitensis). 

Com o aumento das temperaturas no continente essa situação vem mudando de forma perigosa. No verão antártico de 2022, citando um exemplo, pesquisadores do Instituto de Geociências Ambientais de Grenoble, na França, observaram que as temperaturas na base antártica francesa de Dumont d`Urville, na costa da Terra de Adélia, atingiram a marca de 4,9° C.  

Essa temperatura extremamente agradável para os padrões da Antártida é nada menos que 30° C mais quente do se esperaria para essa época do ano. Com temperaturas cada vez mais altas, sementes dos mais diferentes tipos de plantas que são carregadas pelos ventos estão conseguindo germinar e se desenvolver nos solos antárticos. 

A Antártida ocupa uma área total com cerca de 14 milhões de km² e é considerado o continente mais gelado do nosso planeta. Pode até não parecer, mas, há cerca de 65 milhões de anos a Antártida, a Austrália e a Nova Guiné formavam um único bloco de terras e possuía um clima entre o tropical e o subtropical. Também existiu por muito tempo uma ponte de terra que fazia a ligação com a América do Sul.  

Essa extensa região formada pela Antártida e a Austrália era coberta por densas florestas, com muitos lagos e rios, abrigando uma diversificada flora e fauna, especialmente de marsupiais. Essa situação começou a mudar há cerca de 40 milhões de anos quando a área correspondente a Antártida se separou do resto do bloco e passou a conviver com o gelo. 

Com o aumento das temperaturas globais, o antigo continente gelado nunca mais será o mesmo. E as mudanças já estão começando a aparecer… 

A “GRANDE MAÇÔ EMBAIXO D’ÁGUA

A chuva alagou ruas por toda a Ilha de Manhatan e forçou o fechamento de várias estações de metrô criando uma situação caótica. Maior cidade dos Estados Unidos com mais de 8,5 milhões de habitantes, Nova York tem uma mancha urbana que se distribui em diversas ilhas e distritos na área continental, tendo o sistema metroviário como a sua principal via de transporte. 

De acordo com informações do Serviço de Meteorologia Nacional, o Aeroporto John F. Kennedy, o principal da região metropolitana de Nova York, registrou uma precipitação de 150 mm, o maior índice registrado desde a passagem do furacão Donna em setembro de 1960. O aeroporto LaGuardia, que fica dentro da cidade, também teve de suspender todas as suas operações. 

No distrito do Brooklyn, um dos mais densamente povoados da cidade, foram registrados 170 mm de chuva, sendo que em apenas uma hora foram registradas precipitações de 60 mm. Esses padrões de chuva são comuns em regiões tropicais como na Amazônia. 

Os novaiorquinos, que sempre se valeram de um eficiente serviço de informações meteorológicas, dessa vez foram pegos de surpresa durante o rush da manhã. A foto que ilustra essa postagem, que mostra uma imagem muito rotineira das temporadas de chuva das grandes cidades brasileiras, mostra uma grande avenida alagada na cidade. 

Os meteorologistas haviam previsto chuvas para a cidade, mas nem de longe previram a forte intensidade. A população foi pega de surpresa indo para o trabalho. Mensagens com alerta de chuva forte só começaram a ser enviadas para os celulares dos moradores após a chuva já ter começado a cair com muita força.

De acordo com os meteorologistas, esse mês de setembro está sendo o mais chuvoso na região de Nova York dos últimos 140 anos. Cidades próximas como Nova Jersey e Hoboken também sofreram com a forte chuva e com as inundações. 

Eventos meteorológicos extremos como esse são apenas mais um dos lados desses novos tempos de mudanças climáticas globais. 

CHEGAMOS AO FUNDO DO POÇO: MUDANÇAS CLIMÁTICAS PODERÃO AFETAR A PRODUÇÃO DE CERVEJA 

Hoje é um dia de festa par dezenas de milhões de torcedores: o São Paulo Futebol Clube ganhou, finalmente, a Copa do Brasil. E como sempre acontece nessas ocasiões, os torcedores estão comemorando com muita festa e cerveja… 

Essas afirmações foram feitas pelo executivo japonês ao Financial Times, um dos mais importantes jornais de negócios dos Estados Unidos. Pesquisas internas feitas pela Asahi indicam que o aumento das temperaturas reduzirá consideravelmente a produção de cevada e também a qualidade do lúpulo. 

Para quem conhece alguma coisa da produção de cerveja, os principais ingredientes usados na sua produção, senão os únicos, são a água, o malte de cevada e o lúpulo. Existe, inclusive, a Reinheitsgebot a lei da pureza da cerveja, que foi promulgada por Guilherme IV da Baviera em 1516. 

A cerveja é a terceira bebida mais consumida do mundo, só ficando atrás da água e do café. Também é a bebida alcoólica mais consumida do mundo. De acordo com historiadores e arqueólogos, a bebida vem sendo consumida pelos mais diferentes povos há mais de 6 mil anos. 

A mais antiga regulamentação para a produção, comercialização e consumo de cerveja é encontrada no Código de Hamurabi, um conjunto de leis da antiga Mesopotâmia que remonta ao ano 1.160 a.C. Muitos “especialistas” (observem as aspas), afirmam que a civilização surgiu em função da produção e do consumo das cervejas. 

Segundo as projeções feitas pela Asahi, um aumento das temperaturas numa faixa de 4º C até o ano de 2050, poderá resultar em uma redução de 18% na colheita de primavera da cevada na França e de até 15% na Polônia. 

Essas mesmas condições climáticas poderiam resultar em uma redução de cerca de 25% na colheita de lúpulo na República Tcheca, que é um dos maiores produtores mundiais. O lúpulo é o ingrediente responsável pela preservação e pelo sabor da cerveja. 

Caso o aumento nas temperaturas globais fique limitado em 2º C, as projeções indicam que a produção de cevada na França e na Polônia serão reduzidas em 10% e 9%, respectivamente. Já a produção de lúpulo da República Tcheca seria reduzida em “apenas” 13%. 

Como existe um esforço global dos principais países do mundo para limitar o aumento das temperaturas em 2º C, esse segundo conjunto de perdas na produção dos principais ingredientes da cerveja parecem ser os que melhor representam o que o futuro nos reserva. 

Segundo a lei universal da oferta e da procura, sempre que a oferta de um produto diminui, seus preços aumentam. Para os amantes de uma boa cerveja gelada, o futuro parece reservar bebidas com um preço bem mais altos do que nos dias atuais.

Imaginem só – um mundo cada vez mais quente e com cerveja cada vez mais cara…

ESTRESSE TÉRMICO ESTÁ AUMENTANDO EM GRANDES CIDADES DO BRASIL E DA AMÉRICA DO SUL

Segundo o estudo, mais de 38 milhões de brasileiros habitantes de grandes metrópoles como o Rio de Janeiro, São Paulo, Brasília e outras dez cidades com mais de 1 milhão de habitantes passam até 25 dias por ano vivendo sob condições meteorológicos superiores aos limites do corpo humano. 

O UTCI – Índice Climático Térmico Universal, na sigla em inglês, não trata apenas da temperatura. Esse índice considera também a umidade do ar, o fluxo de radiação solar recebida e a velocidade do vento. Todos esses fatores afetam o conforto térmico do organismo humano e a forma como o corpo reage às condições ambientais. 

O aumento progressivo desse estresse térmico começou a acelerar nos últimos 20 anos com o agravamento das mudanças climáticas. E os problemas não param por aí – a cada ano, o período de estresse térmico ganha 10 horas a mais nas cidades analisadas. 

Esse estudo de avaliação de bioclimatologia é o primeiro a ser realizado em toda a América do sul nas últimas quatro décadas. No total, o estudo avaliou 31 cidades em toda a América do Sul. No Brasil foram avaliados Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte, Brasília, Salvador, Recife, Fortaleza, Manaus, Belém, Goiânia, Porto Alegre, Curitiba e Campinas. 

Segundo os pesquisadores, o número de horas sob estresse térmico ao longo do ano vem aumentando em todas as zonas climáticas do continente. O período analisado se estendeu de 1979 até 2020. Esse crescimento foi observado em todas as cidades brasileiras estudadas. 

Em resposta ao aumento desse estresse térmico, as populações têm mudado seus hábitos de vida. Muitas atividades que costumavam ser feitas durante o dia agora estão sendo feitas durante a noite, período em que as temperaturas ficam um pouco mais amenas. 

Entre as cidades estudas, Fortaleza e Goiânia foram as que apresentaram os maiores aumentos, com 13 horas a mais de estresse térmico. Em Brasília, Campinas, Manaus e Belo Horizonte, o aumento foi de 10 horas. Nas cidades de São Paulo e do Rio de Janeiro o aumento foi de 6 horas – Belém e Curitiba tiveram aumentos de 4 e 2 horas, respectivamente. 

A OMS – Organização Mundial de Saúde, considera o acesso a locais refrigerados como a melhor forma de se combater o estresse térmico. Essa recomendação, entretanto, esbarra em problemas econômicos. Aqui no Brasil, os dados indicam que pouco mais de 13% dos domicílios possuem sistemas de ar-condicionado. 

Desgraçadamente, para a imensa maioria dessas populações a única forma de se combater o estresse térmico é se valer de muita sombra e água fresca… 

BRASIL ESTÁ ENFRENTANDO UMA FORTE ONDA DE CALOR 

Um exemplo da intensidade do forte calor pode ser visto e sentido na cidade de São Paulo, onde os termômetros atingiram a marca de 37º C no último domingo, um nível de temperatura extremamente alto para esse período do ano. 

Além do forte calor, a cidade está enfrentando baixos níveis de unidade no ar – abaixo de 30%, uma condição que piora a qualidade do ar e aumenta a sensação de calor. Para desespero dos paulistanos, os serviços de meteorologia não tem previsão de chuvas para os próximos dias. 

O Governo do Estado está organizando a distribuição de água em vários pontos da cidade visando especialmente os moradores de rua, assim como idosos e crianças. Essa água será fornecida em copos descartáveis – também está prevista a instalação de bebedouros nos postos de distribuição. 

A Prefeitura paulistana também está se movimentando e montou a Operação Altas Temperaturas, o que inclui a montagem de tendas em diversos pontos de grande circulação de pedestres na cidade. Além do fornecimento de água, essas tendas vão contar com serviços médicos e ambulâncias para o atendimento de casos de insolação. 

De acordo com informações do CPTEC/INPE – Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos, essa onda de calor deverá se manter estacionada sobre boa parte do país, incluindo as Regiões Centro-Oeste, Sul da Amazônia, a maior parte do Nordeste, além de partes dos Estados de São Paulo e Minas Gerais. 

Só para constar – o inverno aqui no Brasil terminará oficialmente no próximo sábado, dia 23 de setembro. Podemos até imaginar o quão quente serão as estações da primavera e do verão nos próximos meses! 

EM 30 ANOS, BELÉM SERÁ A SEGUNDA CIDADE MAIS QUENTE DO MUNDO 

Notícias sobre o aquecimento global e de todos os seus impactos no clima de nosso planeta se tornaram perigosamente frequentes nas postagens aqui do blog. Essas notícias costumam ser dispersas, falando de mares, florestas, rios ou geleiras de grandes cadeias de montanhas. 

A notícia que trazemos hoje nos dá uma ideia bastante realista do que podemos esperar das mudanças climáticas em uma grande cidade brasileira.  

Segundo o estudo, a capital paraense terá 222 dias de calor perigosamente alto ao longo do ano por volta do ano 2050. A campeã será a cidade de Pekambaru, na Indonésia, que enfrentará um total de 344 dias de calor nocivo. 

Ainda segundo esse estudo, cerca de metade da população mundial a essa época, número calculado em cerca de 5 bilhões de habitantes, estará exposta a pelo menos um mês de calor perigosamente intenso a cada ano. 

De acordo com os pesquisadores, 32º C em dias muito úmidos pode ser considerado um limite para as temperaturas consideradas arriscadas – em locais muitos secos esse limite é de 48º C. Acima dessas temperaturas, adultos saudáveis que praticam atividades físicas ao ar livre por mais de 15 minutos podem sofrer estresse térmico. 

De acordo com dados do Governo dos Estados Unidos, a temperatura média no planeta Terra foi de 17,18º C no último ano. Em 2016, essa temperatura média foi de 16,92º C, o que mostra claramente a velocidade do aumento das temperaturas globais. 

Ondas de calor também estão se tornando perigosamente frequentes em regiões da América do Norte, Europa e da Ásia. Países de clima quente em regiões tropicais estão ficando cada vez mais quentes. Temperaturas acima desses limites considerados arriscados estão ficando cada vez mais comuns. 

O que podemos esperar para os próximos anos, entre inúmeros outros problemas criados pelo aquecimento global, é que essa lista de cidades extremamente quentes não pare de crescer .

UMA TRADICIONAL ESTAÇÃO DE ESQUI VAI FECHAR AS PORTAS NA FRANÇA. O MOTIVO: A FALTA DE NEVE 

Em algumas regiões montanhosas do mundo como os Alpes, os Andes e as Montanhas Rochosas, a temporada de inverno é comemorada por muita gente, especialmente os praticantes de esportes de inverno como o esqui. 

É comum se encontrar grandes infraestruturas com serviços de hospedagem, alimentação, elevadores, teleféricos e outras comodidades para atrair o maior número de turistas nessa temporada. Exemplos são Aspen, nos Estados Unidos, Saint Moritz, na Suíça, Niseco, no Japão, Alpe d’Huez, na França, entre muitas outras. Essas estações atraem milhares de visitantes todos os anos. 

Infelizmente, as mudanças climáticas e o aumento das temperaturas em todo o planeta estão mudando muitas dessas paisagens – lugares onde o inverno costumava ser muito frio e sujeito a grandes precipitações de neve, atualmente estão ficando mais quentes e com pouca queda de neve. Para os que gostam de esportes de inverno isso é uma verdadeira tragédia! 

Até alguns anos atrás, a temporada de inverno na região se estendia do início de dezembro até o final de março. No ano passado, para dar uma ideia da tragédia, a temporada de neve durou apenas quatro semanas. Com tão pouca neve, a estação está atraindo um número cada vez menor de visitantes, gerando sucessivos prejuízos. 

De acordo com informação da direção da estação de esqui, apenas a manutenção dos elevadores usados pelos turistas para subir as montanhas tem um custo anual de 80 mil Euros. Existe a expectativa de um prejuízo total neste ano de 500 mil Euros. 

La Sambuy é um resort pequeno, com apenas 3 elevadores e pistas que sobem até uma altitude de 1.850 metros. Entretanto, a estação apresenta uma grande variedade de pistas com diferentes graus de dificuldades, o que a torna bastante popular entre os mais diferentes tipos de público. As tarifas locais para usar as pistas também são consideradas baratas quando comparadas a outras estações dos Alpes. 

E esse não é um caso isolado: de acordo com a Mountain Wilderness, um grupo ambientalista francês, 22 teleféricos de estações de esqui foram desmontados na França desde 2001. O grupo estima que outros 106 teleféricos estão abandonados em 59 locais do país. 

Essa situação se repete em toda a Europa. Segundo um relatório publicado na revista científica Nature Climate Change, 53% dos 2.234 resorts de esqui pesquisados na Europa poderão seguir pelo mesmo caminho devido à falta de neve nos próximos anos. 

A notícia do fechamento de La Sambuy está causando uma enorme comoção entre os 7.500 moradores da pequena cidade homônima, que tem na estação de esqui uma das suas principais fontes de trabalho e renda. Os moradores organizaram um grande abaixo assinado destinado a Prefeitura da cidade pedindo a manutenção do resort. 

Sem neve, a Prefeitura, que é a responsável pela administração do resort, diz que não há muito o que possa ser feito. Muito triste! 

FORTE TEMPESTADE DEIXOU MAIS DE 5 MIL MORTOS E 10 MIL DESAPARECIDOS NA LÍBIA 

O país foi atingido pela tempestade Daniel no último domingo, dia 10 de setembro, e as fortes chuvas provocaram o rompimento de duas antigas barragens na região Nordeste do país. A forte correnteza atravessou extensas áreas já inundadas provocando uma enorme destruição. 

Uma das cidades mais devastadas pela força das águas foi Derna, onde cerca de 6 mil pessoas estão desaparecidas de acordo com informações de Othman Abduljalil, ministro da Saúde do governo apoiado pelo parlamento oriental da Líbia. 

Segundo o chefe da delegação das Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho, Tamer Ramadan, afirmou em uma conferência de imprensa em Genebra, na Suíça, “o número de mortos é enorme e cerca de 10 mil estão desaparecidos”. 

De acordo com as descrições de jornalistas da Líbia, estão sendo encontrados corpos de vítimas espalhados por todos os lugares. Existem famílias inteiras presas sob os escombros de edificações que desabaram. As forças de segurança e de emergência do país, que vive sob uma frágil coalizão política, estão se desdobrando para atender as vítimas da melhor maneira possível. 

Só para contextualizar, a Líbia passou por um longo período ditatorial sob o comando de Muammar al-Gaddafi, que governou o país como Presidente Revolucionário da República Árabe Líbia de 1969 a 1977 e depois como “Líder Fraternal” da Grande Jamahiriya Árabe Popular Socialista da Líbia de 1977 a 2011. 

Como sempre costuma ocorrer nesses casos, ditadores criam enormes estruturas de controle e repressão popular para se manter no poder, deixando preocupações com o bem-estar da população de lado ou em um plano muito secundário. Gaddafi foi derrubado por um levante de militares e civis líbios com apoio de forças internacionais lideradas pela França, Estados Unidos e Inglaterra. O antigo líder líbio acabou sendo preso em 20 de outubro de 2011 e morreu em circunstâncias não muito claras. 

Desde então, a Líbia vem convivendo com uma forte instabilidade política e com uma luta intensa entre diversas forças políticas. O país sofre com inúmeros problemas de infraestrutura e com todo o tipo de dificuldades de ordem administrativa. Essa grande tragédia climática pegou o país de surpresa e serão necessários grandes esforços, especialmente com ajuda estrangeira, para recuperar tudo o que foi destruído pelas chuvas.  

As fortíssimas chuvas que caíram na Líbia foram resultantes de um forte sistema de baixa pressão que há vários dias vem provocando chuvas na região do Mar Mediterrâneo. Esse sistema provocou inundações catastróficas na Grécia, seguindo depois na direção do Mar Mediterrâneo onde se transformou num ciclone tropical conhecido como Medicane (do inglês, furacão do Mediterrâneo). 

Serão necessários vários dias até se tenha uma noção exata do tamanho real dos estragos e do número de vítimas dessa grande tragédia. O que é certo por enquanto é que o povo da Líbia precisará de muita ajuda e solidariedade da comunidade internacional para superar essa tragédia épica.