UMA BOA NOTÍCIA: MICRORGANISMOS ESTÃO EVOLUINDO E PASSANDO A COMER PLÁSTICOS 

Em meio a tantos problemas ambientais que abordamos praticamente em todas as postagens aqui do blog, enfim, uma excelente notícia: cientistas vem observando que diversos microrganismos terrestres e marinhos estão evoluindo e passando a se alimentar de plásticos como os que são usados na produção de garrafas PET. 

Uma vaga ideia da importância dessa descoberta: em uma reportagem veiculada pela BBC News, noticiário da televisão pública da Inglaterra, ficamos sabendo que a produção da Coca-Cola, um dos refrigerantes mais populares do mundo, foi responsável pelo descarte de 156 bilhões de garrafas PET em todo o mundo em apenas 3 anos. Ou seja – existe “comida” de sobra para a alegria desses microrganismos.  

A evolução desses microrganismos, ao que tudo indica, surge como uma resposta evolutiva ao aumento da poluição por resíduos plásticos em todo o mundo. Citando apenas a poluição dos oceanos – Estudos do PNUMA – Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, indicam que existem atualmente 18 mil fragmentos visíveis de plásticos flutuando em cada quilômetro de mar. 

As primeiras observações sobre a evolução desses microrganismos foram feitas por cientistas japoneses, que passaram a buscar tecnologias de enzimas que permitissem replicar esse feito. Em 2018, um laboratório norte-americano conseguiu criar enzimas que consumiam resíduos plásticos com uma taxa de eficiência de até 20%. Nada como buscar inspiração na natureza para resolver os enormes problemas ambientais criados pela humanidade. 

O plástico é uma matéria prima muito barata, sendo um subproduto do refino do petróleo. É facilmente moldável e permite a produção de peças bonitas, com acabamento impecável e extremamente fáceis de montar. As embalagens plásticas são práticas de usar, podem ser fechadas hermeticamente, sem agregar qualquer cheiro característico ou sabor ao produto embalado, especialmente no caso de alimentos. 

Eu nunca me esqueço de uma palestra que ouvi numa das aulas nos tempos da faculdade, onde o palestrante – diretor de uma grande empresa produtora de matérias primas para a fabricação de plásticos, afirmou que o sucesso do produto se devia ao seu baixo custo e às infinitas possibilidades de aplicações.  

De acordo com estudos da organização ambientalista WWF – World Wildlife Fund, cerca de 10 milhões de toneladas de resíduos de plástico chegam aos oceanos todos os anos. Esse volume corresponde a 1/10 de toda a produção de plástico do mundo. 

Os resíduos plásticos estão no topo da lista das ameaças aos oceanos. Esses resíduos, entre inúmeros outros problemas, prejudicam o ciclo de vida das algas e microalgas, organismos que precisam receber luz solar para sobreviver. Somado a outros problemas como os resíduos flutuantes de óleo nas águas, essa poluição está destruindo gradativamente parte importante da produção de oxigênio do planeta.  Só para relembrar – as algas e microalgas dos oceanos produzem 54% do oxigênio disponível no mundo 

A maior parte dos resíduos plásticos produzidos a cada ano no mundo – que soma algo da ordem de 90 milhões de toneladas, acaba sendo descartada em terra, sendo amontoada em aterros sanitários, lixões e terrenos baldios, entre muitos outros recantos usados para seu descarte. São restos de utensílios domésticos, brinquedos, peças de veículos me, principalmente, embalagens de produtos e de alimentos que consumimos em nosso dia a dia. 

Quem é um pouco mais velho deve se lembrar das velhas embalagens que gerávamos em nossas casas. Haviam muitas embalagens de lata, garrafas e embalagens de vidro e muito papel e papelão. Os mercados forneciam sacos de papel pardo para os clientes embalarem os produtos ao invés das sacolinhas de plástico de hoje em dia. 

Existiam, é claro, alguns problemas. Certa feita, quando eu tinha uns 10 anos de idade, eu estava subindo as escadarias do meu prédio carregando duas garrafas de leite, que naqueles tempos eram de vidro. Já chegando no nosso apartamento eu tropecei e, na queda, acabei soltando as garrafas, que estilhaçaram nos degraus. Para meu azar, cai com as mãos voltadas para o chão (eu estava tentando amortecer a queda) diretamente sobre os cacos de vidro. Até hoje carrego as cicatrizes daquele dia. Essas garrafas de leite, primeiro, foram substituídas por saquinhos plásticos e, depois, por caixas do tipo longa-vida.

Apesar dessa e de muitas outras desvantagens, a maior parte dos antigos resíduos domésticos eram reutilizados como era o caso das garrafas de leite, das latas e dos papéis e papelões. Atualmente, praticamente tudo o compramos num supermercado vem embalado com algum tipo de plástico, sem contar as famigeradas sacolinhas que usamos para embalar as compras. Apenas uma pequena parte desses resíduos é reciclada. 

As inocentes sacolas plásticas do tipo usado nos supermercados chegam a representar 27% do volume de plásticos encontrado flutuando nos oceanos. Animais como as tartarugas marinhas confundem essas sacolas com águas-vivas, lulas e outros animais que fazem parte da sua alimentação. Os resíduos engolidos não são digeríveis, podendo levar o predador à morte. 

É reconfortante saber que a própria natureza está encontrando o seu jeito para reciclar e reaproveitar essa enorme quantidade de resíduos plásticos que nós descartamos todos os dias em solos e águas. Fica valendo aquele velho postulado, erroneamente creditado a Lavoisier: na natureza, nada se cria, nada se perde, tudo se transforma (o Princípio da Conservação das Massas foi publicado inicialmente num ensaio de Mikhail Lomonosov, cientista russo, no ano de 1760). 

Só resta torcermos para que essa mesma evolução não produza bactérias gigantes superalimentadas com plásticos tipo o Godzila e aqueles monstros que surgiam o tempo todo nos seriados de super heróis japoneses da década de 1960, como o Nacional Kid e o Ultraman… 

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