APRESENTANDO O “OCEANO ANTÁRTICO”

No último dia 8 de junho, a National Geografic Society declarou que o planeta Terra agora possui 5 oceanos: o Atlântico, o Pacífico, o Índico, o Ártico e o Antártico. Ainda não existe um consenso geral entre os cientistas, mas o reconhecimento da National Geografic é um grande ponto a favor do Oceano Antártico.  

Em 1921, a OHI – Organização Hidrográfica Internacional, já havia reconhecido que as águas que circundam o Continente Antártico formavam um corpo distinto dos outros oceanos, porém, em 1951, a Organização mudou de ideia. Apesar dessa mudança de posição, muitos pesquisadores, cientistas e organizações continuaram a chamar as águas geladas do Sul do planeta de Oceano Antártico. 

A escolha da data do anúncio tem um grande conteúdo simbólico – dia 8 de junho é o Dia Mundial dos Oceanos. O reconhecimento do Oceano Antártico ocorre em um momento delicado da história humana, quando oceanos e mares de todo o mundo estão sofrendo os efeitos do aquecimento global e estão com seus níveis subindo gradativamente. O Oceano Antártico é, justamente, o corpo d’água que mais sofre com o derretimento da capa de gelo do Polo Sul

O novo Oceano forma um círculo ao redor do Continente Antártico na altura da latitude 60 graus Sul. É nessa região que se encontra a ACC – Corrente Circumpolar Antártica, na sigla em inglês. Essa corrente marítima surgiu há cerca de 34 milhões de anos, quando a Antártida se separou da América do Sul, formando uma barreira que concentra águas mais frias e menos salgadas que as dos oceanos vizinhos. 

A ACC “puxa” as águas mais quentes dos Oceanos Atlântico, Índico e Pacífico e as redistribui na forma de grandes correntes de águas frias ao redor do mundo, criando assim um gigantesco mecanismo de circulação de nutrientes marinhos. As águas geladas ao redor do Continente Antártico favorecem o armazenamento de carbono nas profundezas do oceano, o que atrai milhares de espécies marinhas para essas águas férteis. 

Um grande exemplo da fertilidade das águas do Oceano Antártico é o krill, uma espécie de camarão minúsculo que vive em grandes comunidades, com densidades entre 10 mil e 30 mil indivíduos por metro cúbico de água. O krill se alimenta de fitoplanctons, plantas microscópicas que se nutrem do carbono presente na água e crescem absorvendo a luz solar. O krill é uma espécie-chave no ecossistema da Antártida, servindo de alimento desde peixes e aves até as grandes baleias que migram para se alimentar na região. 

palavra krill é de origem nórdica e significa algo como “peixinho”. Ela designa diversas espécies de crustáceos marinhos da ordem Euphausicea, uma ordem formada por 85 espécies encontradas em todos os oceanos do mundo. No Oceano Antártico existem 7 espécies – a mais comum é a Euphausia superba, chamada genericamente de krill antártico. 

Durante os meses do verão Antártico, quando a incidência solar é maior e ocorre uma proliferação do fitoplâncton, são formados grandes cardumes de krill, que muitas vezes podem superar o tamanho de 6 km e mudam a cor da água. Animais como as baleias jubarte, que migram para a região nesse período, se fartam com grandes volumes de krill. Ao animal basta abrir a boca e nadar através desses grandes cardumes. Outros grandes apreciadores do krill são as diversas espécies de pinguins que vivem no Continente Antártico. 

Até agora, as águas que circundam o Continente Antártico eram consideradas como meras extensões dos Oceanos Atlântico, Índico e Pacífico. Do ponto de vista prático, a simples mudança de nome e a agregação dessas águas em um único oceano fará muito pouco diferença. A principal mudança esperada pelos idealizadores dessa mudança na definição do Oceano Antártico é educacional. A ecologia, a geografia e a história da Antártica são fascinantes e a formação das novas gerações com esses conhecimentos poderá ser uma peça chave para a conservação da região num futuro que promete ser altamente complicado. 

Falando em história, existem muitas lendas sobre os primeiros viajantes que chegaram ao continente gelado. Entre os povos Aush da Terra do Fogo, no Extremo Sul do Continente Americano, existem lendas antigas sobre o “país do gelo”, uma referência que permite especular que, em algum momento, um grupo desse povo visitou ao menos a Península Antártica, que fica distante cerca de 1 mil km ao Sul da Terra do Fogo. 

Outra referência interessante vem dos maoris, povo nativo da Nova Zelândia. Segundo a tradição oral, um dos chefes desse povo – Ui-Te-Rangiora teria chegado ao Continente Antártico por volta do ano 650 de nossa era. Como nenhum desses povos possui escrita, fica muito difícil separar os acontecimentos reais da mitologia. 

Na Europa, a primeira referência a Terra Australis Incognita, ou Terra Austral Desconhecida, foi feita pelo filósofo grego Aristóteles em meados do século IV a.C. Ele acreditava que era necessária a existência de uma grande massa de terras ao Sul do planeta para contrabalancear o peso da Europa, da África e da Ásia. Essa ideia permaneceu viva na mente dos europeus por vários séculos.  

Entre 1772 e 1775, o capitão James Cook foi o primeiro a tentar chegar à desconhecida Antártida, mas não conseguiu. Segundo as anotações do capitão inglês, seus navios passaram a apenas 120 km do Continente em um determinado momento da jornada. 

No ano de 1819, a Rússia organizou uma expedição com o objetivo de descobrir a Antártida. No comando da expedição estava Fabiam von Bellinshausen (1778-1852), um oficial naval alemão a serviço do império Russo. No dia 27 de janeiro de 1820, a expedição avistou pela primeira vez o gelo de uma plataforma da Antártida. A região foi batizada como Terra da Rainha Maud.  

Apenas três dias depois, uma expedição da Marinha Real Britânica sob o comando de Edward Bransfield (1778-1852), chegou à Península Antártica. Em 17 de novembro do mesmo ano, o explorador e baleeiro norte-americano Nathaniel Palmer (1799-1877) também chegou ao Continente Antártico, tendo sido consagrado na história como codescobridor. 

Outro capítulo empolgante da história da Antártida foi a corrida para chegar até o Polo Sul. O norueguês Roald Amundsen chegou ao Polo em 14 de dezembro de 1911. A expedição rival comandada pelo inglês Robert Falcon Scott chegou ao local cerca de um mês depois. O grupo enfrentou enormes dificuldades durante o retorno e todos os membros da expedição morreram. 

A minha história favorita sobre a conquista da Antártica é a Expedição Transantártica Imperial comandada por Ernest Schakleton e que tentou ser a primeira a atravessar o continente por terra entre 1914 e 1917. O navio da expedição, o Endurance, naufragou no Mar de Vedel em novembro de 1915, destroçado pela força do gelo oceânico. A expedição se transformou em uma luta desesperada pela sobrevivência. O resgate de toda a tripulação, que ficou presa na Ilha Elefante, só ocorreria em agosto de 1916. 

Observem a quantidade de informações interessantes que apresentamos sobre a geografia, a biologia, o oceano e a história do Continente Antártico no espaço limitado dessa postagem. É justamente essa a ideia a ser usada para a divulgação de informações sobre o Oceano Antártico para os estudantes – cativar e formar os alunos através de histórias e informações cativantes sobre o Oceano e o Continente Antártico. 

Então, que seja muito bem-vindo o Oceano Antártico! 

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