OS CAMINHOS DA ENERGIA FOTOVOLTAICA NO BRASIL

Vivemos em um planeta movido a partir da energia do Sol. 

Muito antes da invenção dos painéis que transformam a energia do sol em eletricidade, muito antes do surgimento da espécie humana e de todas as formas de vida que conhecemos, aliás, muito antes da própria formação do planeta Terra, o Sol já era a mais poderosa fonte de energia aqui nessa nossa região do Cosmos. 

Segundo uma das teorias científicas mais conhecidas em nossos dias, o universo se formou a partir de uma poderosa explosão conhecida como o Big Ben. Estima-se que essa explosão ocorreu há cerca de 14 bilhões de anos atrás e que ela foi a responsável pela geração de toda a matéria que formou as estrelas, planetas e demais atros do universo cósmico. 

Há cerca de 4,57 bilhões de anos, uma grande massa de matéria, conhecida como nuvem molecular, sofreu um colapso gravitacional. A maior parte dessa matéria ficou no centro da nuvem e formou o Sol. Depois, foi a força gravitacional do Sol que atuou na formação dos planetas, luas, asteroides e demais corpos celestes que formam o nosso Sistema Solar. 

A poderosa energia do Sol manteve o núcleo metálico da Terra em estado liquefeito, com intensa atividade geotérmica, modelando cada vez mais intensamente a superfície do planeta e consolidando cada vez mais os espaços dos oceanos e continentes. O forte campo magnético terrestre produzido pela energia do núcleo metálico do planeta permitiu a retenção de grandes volumes de água e dos gases formadores da atmosfera ao redor do planeta. Marte, nosso vizinho sideral dos mais próximos, não possui um campo magnético como o terrestre e, por causa disso, não conseguiu reter águas na sua superfície e grandes quantidades de gases na sua atmosfera. 

A força do Sol combinada com a atmosfera modelou o clima – as chuvas, o gelo, as marés e os ventos esculpiram o planeta Terra. O lento passar do tempo e toda uma combinação elementos criaram um planeta azul, com dois terços de sua superfície coberta por água e repleto de vida – Terra, o planeta das águas!

Essa rápida introdução resume bilhões de anos da história de nosso planeta, um corpo celeste que ainda depende totalmente da energia do Sol. O ciclo das chuvas, a estabilidade do clima, a energia que faz crescer as plantas e que sustenta toda a base da cadeia alimentar da vida na superfície do planeta – incluindo-se aqui as águas dos oceanos. Sim, nosso planeta é movido pela energia solar. Já o uso da energia solar para a geração de energia elétrica, esse é bem mais recente. 

O efeito fotovoltaico foi observado pela primeira vez em 1839, quando o físico francês Alexandre Becquerel fazia experimentos de paramagnetismo com o oxigênio líquido. A partir daí, Becquerel desenvolveu vários experimentos eletroquímicos e percebeu que a exposição à luz de eletrodos de platina e de prata dava origem ao efeito fotovoltaico. Esse efeito corresponde à geração de tensão e/ou corrente elétrica em um material após a sua exposição a luz. 

Em 1877, Wiliam Grylls Adams, um professor de filosofia natural do King’s College de Londres, junto com seu aluno Richard Day, desenvolveram a primeira placa fotovoltaica sólida. Eles aplicaram um filme de selênio sobre um substrato de ferro, onde um fino filme de ouro servia como contato elétrico. Esse painel apresentava uma eficiência de conversão de energia de aproximadamente 0,5%.  

Daqueles tempos pioneiros até os nossos dias, novos materiais passaram a ser desenvolvidos e a eficiência dos painéis fotovoltaicos é cada vez maior, com custos de produção cada vez mais baixos. As grandes estrelas do momento são as pesquisas com painéis construídos com grafeno, que possuem eficiência energética de 42% – os melhores painéis solares atualmente no mercado têm uma eficiência da ordem de 16%

Um dos grandes trunfos dos sistemas de energia solar ou fotovoltaica é a sua simplicidade de operação. Um conjunto de placas fotovoltaicas pode ser facilmente montado sobre o telhado de uma casa ou fábrica, convertendo a energia do sol em eletricidade. Essa energia pode ser armazenada em baterias ou pode ser injetada imediatamente na rede elétrica (após passar por circuitos retificadores), alimentando diretamente os equipamentos elétricos. Andando pelas ruas e avenidas de uma cidade qualquer, está sendo cada vez mais comum encontrarmos painéis fotovoltaicos instalados sobre os telhados. 

De acordo com dados da ABSOLAR – Associação Brasileira de Energia Solar, a geração de energia elétrica a partir de painéis fotovoltaicos no Brasil atingiu a marca de 7,5 GW em 2020, o que equivale à metade da capacidade instalada da Usina Hidrelétrica de Itaipu. De acordo com essa Associação, o preço das placas solares e dos demais equipamentos caiu cerca de 90% nos últimos 10 anos, o que vem incentivando cada vez mais o crescimento do setor. 

De acordo com estimativas do setor, as empresas de geração solar empregam mais de 130 mil profissionais no Brasil e faturam cerca de R$ 21 bilhões ao ano. No mundo, as empresas desse setor empregam mais de 3,5 milhões de profissionais, o que corresponde a um terço dos empregos gerados pelas energias renováveis. Existem atualmente no Brasil cerca de 350 mil pequenos sistemas de geração fotovoltaica instalados em telhados de residências, pequenas empresas e terrenos, além de 3.900 sistemas de geração centralizada, que geram a eletricidade em um local e enviam a energia para consumo em outros locais através de linhas de transmissão

Também já existem diversos Parques Solares em operação aqui no Brasil, que são grandes centrais de geração de energia fotovoltaica. Veja uma lista com alguns deles: 

Parque Solar São Gonçalo – Piauí: Localizado no município de São Gonçalo do Gurguéia. Inaugurado em 2020, é o maior empreendimento do tipo no Brasil, com uma capacidade de geração de energia de 1,5 GW; 

Parque Solar de Nova Olinda – Piauí: Localizado em Ribeira do Piauí. Esse Parque possui 930 mil painéis solares instalados e ocupa uma área total de 690 hectares. Possui uma capacidade de geração de energia de 292 MW, o que é suficiente para abastecer 300 mil residências; 

Parque Solar Ituverava – Bahia: Em operação desde 2017, fica localizado em Tabocas do Brejo Velho. Possui 850 mil painéis solares em uma área de 579 hectares. A capacidade de geração é de 158 MW, o suficiente para abastecer 166 mil residências; 

Parque Solar de Bom Jesus da Lapa – Bahia: Em operação desde 2017, tem uma capacidade de geração de energia de 158 MW, o suficiente para abastecer 166 mil residências; 

Parque Solar Horizonte – Bahia: Também localizado no município de Tabocas do Brejo Velho. Possui uma capacidade instalada de 103 MW e capacidade para abastecer 108 mil residências. O parque está sendo expandido, com expectativa de atingir a marca de 220 MW. 

Um outro destaque importante é o projeto piloto do Parque Solar flutuante do Lago da Usina Hidrelétrica de Sobradinho, na Bahia, que foi inaugurado em agosto de 2019. Contando inicialmente com 3.792 painéis fotovoltaicos e com uma capacidade instalada de 1 MW, essa iniciativa abre uma nova perspectiva para o aumento da produção de energia elétrica nas usinas hidrelétricas já existentes no país, sem que haja a necessidade de se aumentar as áreas de águas represadas.  

Conforme comentamos na postagem anterior, a geração de energia elétrica através de usinas hidrelétricas é renovável e limpa. Porém, a construção dos grandes reservatórios causa enormes impactos ao meio ambiente, prejuízos para a produção agropecuária, além de forçar o deslocamento compulsório das populações que vivem nas áreas que serão alagadas. A produção da energia também fica dependente de ciclos regulares de chuvas nas áreas dos reservatórios. 

Uma das referências mundiais na geração de energia fotovoltaica é a Alemanha. Desde o ano 2000, o Governo do país vem concedendo pesados subsídios para o estímulo da instalação de sistemas fotovoltaicos como uma forma de reduzir a dependência da eletricidade gerada em usinas termelétricas a carvão. Graças a todos esses estímulos, a capacidade de geração fotovoltaica do país já supera a marca dos 40 GWGraças a sua localização geográfica na faixa tropical do planeta, o Brasil possui uma insolação cerca de 3 vezes maior que a da Alemanha, além de possuir um território 23 vezes maior. Imaginem o potencial para o crescimento desse tipo de geração de energia aqui no nosso país. 

Encerro com uma notícia interessante: Uma grande fabricante brasileira de materiais para a construção conseguiu recentemente a liberação pelo INMETRO – Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia, para vender um novo modelo de telha que já vem com células fotovoltaicas incorporadas. Olhem o tamanho da revolução que vem por aí…

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