GERAÇÃO DE ENERGIA SOLAR NO BRASIL SUPERA ITAIPU

Em meio aos altos custos da energia devido aos sucessivos aumentos nos preços do petróleo e do gás, enfim surge uma ótima notícia: a geração de energia elétrica em sistemas fotovoltaicos aqui no Brasil acaba de superar produção da usina hidrelétrica de Itaipu. 

De acordo com dados da ANEEL – Agencia Nacional de Energia Elétrica, o país atingiu a marca de 404.733 sistemas fotovoltaicos instalados até dezembro de 2021, superando a produção de 14 GW de energia elétrica, valor equivalente à produção total de Itaipu. Só para lembrar, Itaipu é a segunda maior unidade geradora de hidroeletricidade do mundo (era a maior, mas foi superada recentemente pela Usina Hidrelétrica Três Gargantas da China).

Desde 2012, os investimentos totais em energia solar no país já ultrapassaram o valor de R$ 74,6 bilhões em plantas de grandes usinas. Foram gerados mais de 420 mil empregos no setor. Segundo os especialistas, o volume de energia solar produzido no Brasil é suficiente para abastecer toda a demanda do planeta Terra por 19 horas

Um dos grandes trunfos dos sistemas de energia solar ou fotovoltaica é a sua simplicidade de operação. Um conjunto de placas fotovoltaicas pode ser facilmente montado sobre o telhado de uma casa ou fábrica, convertendo a energia do sol em eletricidade. Essa energia pode ser armazenada em baterias ou pode ser injetada imediatamente na rede elétrica (após passar por circuitos retificadores), alimentando diretamente os equipamentos elétricos.  

Andando pelas ruas e avenidas de uma cidade qualquer, está sendo cada vez mais comum encontrarmos painéis fotovoltaicos instalados sobre os telhados. Além dessa geração descentralizada, a implantação de grandes centrais de geração também é muito mais simples e de menor impacto ambiental do que uma grande usina hidrelétrica. 

A possibilidade da conversão da energia solar em elétrica é uma ideia antiga – em 1877, Wiliam Gryls, um professor de filosofia natural do King’s College de Londres, junto com seu aluno Richard Day, desenvolveram a primeira placa fotovoltaica sólida. Eles aplicaram um filme de selênio sobre um substrato de ferro, onde um fino filme de ouro servia como contato elétrico. Esse painel apresentava uma eficiência de conversão de energia de aproximadamente 0,5%.   

Daqueles tempos pioneiros até os nossos dias, novos materiais passaram a ser desenvolvidos e a eficiência dos painéis fotovoltaicos é cada vez maior, com custos de produção cada vez mais baixos. As grandes estrelas do momento são as pesquisas com painéis construídos com grafeno, que possuem eficiência energética de 42% – os melhores painéis solares atualmente no mercado têm uma eficiência da ordem de 16%. 

Uma das referências mundiais na geração de energia fotovoltaica é a Alemanha. Desde o ano 2000, o Governo do país vem concedendo pesados subsídios para o estímulo da instalação de sistemas fotovoltaicos como uma forma de reduzir a dependência da eletricidade gerada em usinas termelétricas a carvão. Graças a todos esses estímulos, a capacidade de geração fotovoltaica do país já supera a marca dos 40 GW. Graças a sua localização geográfica na faixa tropical do planeta, o Brasil possui uma insolação cerca de 3 vezes maior que a da Alemanha, além de possuir um território 23 vezes maior. 

Já existem diversos Parques Solares em operação aqui no Brasil, que são grandes centrais de geração de energia fotovoltaica. A Região Nordeste vem ocupando uma posição de destaque nessa geração de energia. Veja uma lista com alguns deles:  

Parque Solar São Gonçalo – Piauí: Localizado no município de São Gonçalo do Gurguéia. Inaugurado em 2020, é o maior empreendimento do tipo no Brasil, com uma capacidade de geração de energia de 1,5 GW;  

Parque Solar de Nova Olinda – Piauí: Localizado em Ribeira do Piauí. Esse Parque possui 930 mil painéis solares instalados e ocupa uma área total de 690 hectares. Possui uma capacidade de geração de energia de 292 MW, o que é suficiente para abastecer 300 mil residências;  

Parque Solar Ituverava – Bahia: Em operação desde 2017, fica localizado em Tabocas do Brejo Velho. Possui 850 mil painéis solares em uma área de 579 hectares. A capacidade de geração é de 158 MW, o suficiente para abastecer 166 mil residências;  

Parque Solar de Bom Jesus da Lapa – Bahia: Em operação desde 2017, tem uma capacidade de geração de energia de 158 MW, o suficiente para abastecer 166 mil residências;  

Parque Solar Horizonte – Bahia: Também localizado no município de Tabocas do Brejo Velho. Possui uma capacidade instalada de 103 MW e capacidade para abastecer 108 mil residências. O parque está sendo expandido, com expectativa de atingir a marca de 220 MW.  

Um outro destaque importante é o projeto piloto do Parque Solar flutuante do Lago da Usina Hidrelétrica de Sobradinho, na Bahia, que foi inaugurado em agosto de 2019. Contando inicialmente com 3.792 painéis fotovoltaicos e com uma capacidade instalada de 1 MW, essa iniciativa abre uma nova perspectiva para o aumento da produção de energia elétrica nas usinas hidrelétricas já existentes no país, sem que haja a necessidade de se aumentar as áreas de águas represadas.   

Um dos “segredos” para o forte crescimento do setor de energia elétrica fotovoltaica aqui no Brasil é a sua não dependência de investimentos do setor público – a imensa maioria dos projetos está ligado a grupos da iniciativa privada. Os investidores enxergam a demanda represada de energia, fazem os investimentos e faturam com o fornecimento de energia para a população. Simples assim! 

O atual conflito entre a Rússia e a Ucrânia, que implica em riscos para o fornecimento de gás para importantes países da Europa, mostra mais uma vez a importância de fontes alternativas de geração de energia elétrica que não dependem de insumos externos. 

Também é importante lembrar da recente crise hídrica que enfrentamos aqui no Brasil e que, felizmente, parece ter sido superada. No início do ano passado, com o nível dos reservatórios de grandes hidrelétricas com baixos níveis de água, havia uma perspectiva crise energética, inclusive com riscos de racionamento a exemplo do que ocorreu em 2001 – o famoso “apagão”. 

Em meio a tantos problemas que estamos enfrentando nesses últimos tempos, essa é uma notícia a ser muito comemorada .

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