OS DESERTOS DO SAARA E DA ARÁBIA SAUDITA E SUAS GRANDES QUEIMADAS

Mais uma postagem curta:

Por mais improvável que o título da postagem possa lhe parecer, as imagens de satélite da NASA – Administração Espacial dos Estados Unidos, na sigla em inglês, mostra queimadas em diversas áreas do Deserto do Saara, que ocupa uma área de 9,2 milhões de km² no Norte da África, e também no Deserto da Arábia Saudita ou Arábico, que tem 2,3 milhões de km² e ocupa a maior parte deste país. Clique no link e veja a imagem com maiores detalhes.

O Deserto do Saara se estende por todo o Norte da África, englobando um total de 12 países: Argélia, Chade, Egito, Líbia, Mali, Mauritânia, Marrocos, Níger, Saara Ocidental, Sudão, Sudão do Sul e Tunísia. A população somada de todos estes países está próxima dos 290 milhões de habitantes, porém na região do Saara vivem aproximadamente 2,5 milhões de pessoas.

Além da Arábia Saudita, o Deserto Arábico engloba o Iêmen, Jordânia, Iraque, Omã e Emirados Árabes. A soma dos habitantes de todos esses países não chega a 130 milhões, mas apenas uma fração muito pequena desses povos vive no deserto.

Há cerca de 20 mil anos atrás, após o último período de Glaciação ou Era do Gelo, como é mais conhecida popularmente, o Norte da África apresentava um clima mais úmido e com temperaturas mais baixas que as atuais, contanto com diversos rios permanentes – o famoso Rio Nilo, que hoje atravessa o Egito de Sul a Norte e deságua no Mar Mediterrâneo, naqueles tempos atravessava todo o Norte da África e tinha a sua foz no Oceano Atlântico. A Penísula Arábica também tinha um clima ameno e possuía grandes extensões de estepes e muitos bosques.

Grande partes dos territórios que hoje se encontram soterradas por dezenas de metros de dunas de areia seca nessas duas grandes regiões eram cobertos por densas florestas – as partes “mais secas” eram cobertas por vegetação de savana, muito parecida com o nosso Cerrado.

Esse clima e vegetação permaneceram inalterados até um período entre 8 e 10 mil anos atrás, quando o nosso planeta sofreu uma leve alteração no seu eixo de rotação, que foi suficiente para alterar a incidência solar no Norte da África e na Península Arábica, provocando uma alteração climática nos regimes de umidade e temperatura. Alguns cientistas afirmam que essa mudança ocorreu a menos tempo, há cerca de 5 mil anos atrás, mas com as mesmas consequências – as florestas retrocederam lentamente até desaparecer e as áreas de savana se ampliaram.

O golpe final veio com mudanças na calha do rio Nilo, que bruscamente passou a correr rumo ao Norte, na direção do Mar Mediterrâneo. O que ainda havia sobrado de vegetação no Saara, praticamente desapareceu – nada diferente do que aconteceu no território hoje ocupado pelo Deserto da Arábia Saudita. Portanto, é impossível que estejam ocorrendo grandes queimadas nessas duas áreas desérticas, simplesmente por que quase não existe vegetação para ser queimada.

Como então se explicam os focos de fogo que aparecem nas imagens da NASA nessas áreas e em outras de clima semiárido no Oriente Médio, inclusive no meio das águas do Golfo Pérsico?

Simples – qualquer fogueira feita por um beduíno, onde normalmente se queima estrume seco, ou pilha de lixo onde foi ateado fogo aparecerá nas imagens dos satélites super sensíveis que circundam a órbita do planeta e que são disponibilizadas pela página da NASA.

Moral da história – existem grandes queimadas que estão devastando áreas importantes dos biomas Amazônia, Cerrado e Pantanal, entre muitas outras áreas em todo o mundo. Todos os dias, imagens desses incêndios são mostradas pelos telejornais e sites da internet. Como já falamos inúmeras vezes aqui no blog, os responsáveis precisam ser identificados pelas autoridades e responder perante os rigores da lei.

Agora, as dezenas de milhares de focos de incêndio relatados por muitos órgãos de imprensa precisam ser analisadas com muito cuidado – muitos desses focos não passam de fogueiras , incêndios em terrenos baldios e coivaras – a tradicional técnica de preparo de solos de origem indígena e que é usada por milhares de pequenos agricultores de todo o Brasil.

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