CHAPADA DOS VEADEIROS: ONDE A BELEZA NATURAL DO CERRADO É O GRANDE DESTAQUE

Chapada dos Veadeiros

O Cerrado é um dos mais importantes biomas do Brasil, ocupando uma área com aproximadamente 2 milhões de km² ou algo próximo de 25% do território do país. Apesar da vegetação típica do Cerrado, com suas árvores relativamente pequenas e com galhos irregulares, não parecer lá grande coisa quando comparada com a vegetação da Amazônia ou de trechos preservados da Mata Atlântica, ela tem uma importância fundamental na recarga dos grandes aquíferos do território brasileiro. As raízes dessa vegetação são extremamente longas, facilitando a infiltração das águas das chuvas nos solos – não por acaso, das 12 grandes bacias hidrográficas brasileiras, 8 tem nascentes na região do Cerrado. 

A importância dos recursos hídricos da região do Cerrado, em especial do Planalto Central, é tamanha que, entre outras definições, o bioma é chamado de “berço das águas” e “caixa d’água” do Brasil. A Chapada dos Veadeiros, localizada na região Central do Estado de Goiás, nos dá um grande exemplo dessa fartura de recursos hídricos do Cerrado. Criado em 1961 com o nome de Parque Nacional do Tocantins e remodelado através de Decreto Federal em 2017, já com o nome oficial de Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, essa Unidade de Conservação abriga 466 nascentes de água, além de proteger espécies da flora e da fauna do Cerrado sob grave ameaça. 

Localizada a pouco mais de 270 km de Brasília, a Chapada dos Veadeiros tem muitas histórias para contar. A ocupação da região começou em meados do século XVIII e, segundo os registros históricos, foi delimitada inicialmente com o nome de Fazenda Veadeiros, que era utilizada basicamente para a criação de gado. Em um outro capítulo de sua história, a Chapada foi visitada em 1892 pela Comissão Exploradora do Planalto Central. A Constituição Republicana do Brasil, promulgada em 1891, estabeleceu que a nova Capital do país deveria ser estabelecida no Planalto Central e essa Comissão Exploradora tinha como missão determinar o melhor sítio para essa futura mudança, o que só ocorreria em 1960

Em 1912, um novo capitulo – é encontrada a primeira jazida de cristal de rocha na Chapada dos Veadeiros, evento que dá início a uma corrida de garimpeiros para a região. Esses cristais, que normalmente são quartzo hialino, geralmente são transparentes, mas também podem ser encontrados em diversos tons de roxo e, mais raramente, na cor azul. Esses cristais, além de sua importância como pedras semi preciosas para a indústria de jóias, também possuem, segundo os mais místicos, propriedades energéticas, fato que acabou ajudando a transformar a Chapada dos Veadeiros em um centro místico do Brasil Central. 

Pouco mais de um ano após a inauguração de Brasília, a nova Capital do Brasil, o Presidente Juscelino Kubitschek assinou um decreto criando o Parque Nacional do Tocantins, com uma área prevista de 625 mil hectares. Com o passar dos anos, a área oficial da unidade foi sendo gradualmente reduzida, após o Governo Federal perder disputas judiciais com os proprietários de áreas incorporadas ao Parque Nacional. Essa área chegou a ser reduzida a 65 mil hectares. Em 2017, a partir da publicação de um novo Decreto, o Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros voltou a crescer, ocupando agora uma área de 240 mil hectares e passou a ser administrado pelo ICMbio – Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade

O Cerrado, conforme já comentamos inúmeras vezes nas postagens do blog, é um dos biomas brasileiros que mais vem sofrendo pressão ambiental nas últimas décadas, especialmente ante o avanço implacável dos campos de soja e de outros grãos, cujas culturas se expandem fortemente nos seus domínios. Calcula-se que algo em torno de 50% da vegetação original do Cerrado já foi suprimida, colocando em risco a sobrevivência de plantas e de animais característicos do bioma. A criação e a manutenção de Unidades de Conservação (UC), como o Parque Nacional da Chapadas dos Veadeiros, é de suma importância.

Entre os grandes destaques da Chapada dos Veadeiros temos o rio Preto, afluente do rio Tocantins, que ao longo do seu curso inicial apresenta uma série de cachoeiras. Outro destaque são as piscinas termais, onde a temperatura da água chega aos 38° C. Da vegetação típica do Cerrado, o Parque abriga cerca de 1.500 espécies já identificadas, de um total de 6.429 existentes no bioma, o que demonstra sua importância como unidade de Conservação. Dessas espécies da flora, cerca de 50 são consideradas como raras, endêmicas e em risco de extinção

Destaques entre as espécies animais são o cervo-do-pantanal (Blastocerus dichotomus) e o veado-campeiro (Ozotocerus berzoarticus), animais de grande porte ameaçados pela caça predatória e pela perda de habitat. Também entram nessa lista a onça-pintada (Panthera onca) e o lobo-guará (Chysocyon brachyurus), duas espécies icônicas do Cerrado. Entre as aves, destacam-se a ema (Rhea americana) e o urubu-rei (Sarcorampus papa). No total, o Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros abriga 32 espécies animais sob risco de extinção.

As belas formações rochosas da Chapada dos Veadeiros têm a predominância do quartzito, uma rocha metamórfica (que foi modificada ao longo das eras por vulcanismo). Essas rochas são extremamente duras e com alta resistência à erosão e ao intemperismo, o que resultou no aspecto atual das formações rochosas, com grande destaque para as inúmeras cachoeiras e formações incomuns como o Vale da Lua.

Finalizando, mais um capítulo na história da Chapada dos Veadeiros – um grande incêndio, em outubro de 2017, destruiu cerca de 35 mil hectares da vegetação nativa do Parque. O resiliente Cerrado, como a fênix mitológica, mais uma vez ressurge das cinzas e já mostra todo o seu esplendor e beleza, pouco mais de um ano depois da tragédia.

É ver para crer.

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