O POTENCIAL HIDRELÉTRICO DA BACIA HIDROGRÁFICA DO RIO PARAÍBA DO SUL

Usina do Funil

De acordo com dados da ANA – Agência Nacional de Águas, a bacia hidrográfica do rio Paraíba do Sul possui uma área total de drenagem com cerca de 55.500 km².  A bacia se estende pelos Estados de São Paulo (13.900 km²), Rio de Janeiro (20.900 km²) e Minas Gerais (20.700 km²). O principal rio é o Paraíba do Sul, com uma extensão total de 1.100 km, considerando-se a nascente mais distante, a do rio Paraitinga.

A bacia hidrográfica do rio Paraíba do Sul engloba 180 municípios, sendo 36 inseridos parcialmente na bacia. A população urbana total que vive na região da bacia e que é usuária direta das suas águas, de acordo com o Censo 2000, é de 4,92 milhões de habitantes, sendo que 2,14 milhões vivem no Estado do Rio de Janeiro, 1,63 milhões na região da Zona da Mata em Minas Gerais e 1,14 milhões no Vale do Paraíba, Estado de São Paulo. É sempre importante lembrar que, indiretamente, as águas da bacia hidrográfica também atendem 8 milhões de habitantes na Região Metropolitana do Rio de Janeiro. Considerando a importância econômica da região e os números da geografia física e humana, a bacia do rio Paraíba do Sul, apesar de não ser uma das maiores, pode ser considerada uma das mais importantes do Brasil. Porém, foi o potencial hidrelétrico da bacia quem primeiro chamou a atenção das autoridades brasileiras e durante muito tempo foi o orientador de todas as decisões sobre o uso das suas águas. Vamos conhecer um pouco desta história a partir das principais usinas hidrelétricas construídas na bacia:

Conforme já comentamos em postagem anterior, a geração e a distribuição de energia elétrica no Estado do Rio de Janeiro teve início nos primeiros anos do século XX. Uma das empresas concessionárias deste serviço no Estado, a Light and Power Company, foi a primeira a realizar estudos técnicos sobre o potencial hidrelétrico do rio Paraíba do Sul. O primeiro conjunto gerador da empresa, formado pela represa de Ribeirão das Lajes e a Usina de Fontes, inaugurado em 1908, já previa em futuras ampliações o uso das águas do rio Paraíba do Sul através de sistemas de transposição.

A Usina Hidrelétrica Ilha dos Pombos foi a primeira a ser construída no rio Paraíba do Sul em Carmo, no interior do Estado do Rio de Janeiro. Inaugurada em 1924, a usina utilizou um projeto técnico bastante inovador para a época, ampliando a capacidade do sistema gerador da Light em 187 MW. Uma curiosidade desta obra – a execução do projeto foi coordenada pelo engenheiro norte-americano Asa Billings, o mesmo que anos depois chefiou as obras do complexo da Represa Billings (que recebeu o nome em homenagem ao seu construtor) e Usina Hidrelétrica de Cubatão.

A Usina do Funil (vide foto) em Itatiaia, foi concebida no início da década de 1930, com o objetivo de permitir a eletrificação de estradas de ferro nos Estados do Rio de Janeiro, Minas Gerais e São Paulo. As obras, porém, acabaram adiadas em cerca de 30 anos e a usina só iniciou suas operações em 1969, com uma capacidade instalada de 219 MW. Apesar de não ser uma das maiores em capacidade instalada, a Usina do Funil tem uma localização estratégica nas proximidades de grandes centros consumidores. Uma outra característica relevante da obra foi sua capacidade de regularizar a vazão do rio Paraíba do Sul, reduzindo a frequência e a intensidade das enchentes, resultado dos intensos e seculares desmatamentos em toda a área da bacia hidrográfica.

Ainda no Estado do Rio de Janeiro, há de se destacar a construção da Barragem de Santa Cecília, concluída em 1952 e cujo objetivo foi permitir o desvio de parte das águas do rio Paraíba do Sul (aproximadamente 109 m³ por segundo) na direção do Complexo de Lajes, formado por diversos reservatórios, usinas elevatórias e hidrelétricas. São as águas que descem deste Complexo que reforçam a vazão do rio Guandu, o principal manancial de abastecimento da Região Metropolitana do Rio de Janeiro.

No Estado de São Paulo, existem três importantes usinas hidrelétricas instaladas na bacia do rio Paraíba do Sul – Paraibuna, Santa Branca e Jaguari. A Usina Hidrelétrica de Paraibuna foi inaugurada em 1978 e possui uma potência instalada de 85 MW. Construída no rio Paraibuna, um dos formadores do rio Paraíba do Sul, a barragem formou um grande reservatório com área total de 224 km², sendo um reservatório no rio Paraibuna, com área de 177 km², e um segundo reservatório interligado no rio Paraitinga com área de 47 km². A Usina Jaguari, construída no rio homônimo entre os municípios de Jacareí e São José dos Campos, tem uma capacidade instalada de 27,6 MW. O reservatório formado pela barragem tem 56 km² e, em conjunto com o reservatório da Usina Hidrelétrica de Paraibuna, são os principais responsáveis pela regularização da vazão do rio Paraíba do Sul. Complementando o conjunto de hidrelétricas em território paulista, temos a Usina Hidrelétrica Santa Branca, localizada na calha do rio Paraíba do Sul em Jacareí, São Paulo, inaugurada em 1999, com uma capacidade instalada de 58 MW.

Os afluentes formadores da bacia hidrográfica do rio Paraíba do Sul também deram sua contribuição ao potencial hidrelétrico regional, abrigando inúmeras centrais elétricas de pequeno porte. Exemplos são: a Usina Hidrelétrica Joasal, inaugurada em 1950 e com potência instalada de 8 MW; a Usina Hidrelétrica Paciência, que iniciou sua operação em 1930 com uma potência de 4 MW; a Usina Hidrelétrica Marmelo, inaugurada em 1915 e com uma potência de 4,8 MW (essas três usinas realizam a geração a “fio de água”, sem reservatório) e a Usina Hidrelétrica Piau, com início da operação em 1955 e com potência de 18 MW. Essas pequenas unidades geradoras estão instaladas nos rios Paraibuna e Piau/Pinho na Zona da Mata Mineira e pertencem a CEMIG – Centrais Elétricas de Minas Gerais.

Antes da era das grandes usinas hidrelétricas como Itaipu, Ilha Solteira e Tucuruí, foram algumas destas antigas unidades geradoras de energia elétrica que impulsionaram a economia de parte da região Sudeste do Brasil e demonstram claramente a contribuição econômica que a bacia hidrográfica do rio Paraíba do Sul já deu ao país.

O uso prioritário das águas para a geração de eletricidade, porém, criou muitos problemas. Falaremos disto no próximo post.

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