AS MUDANÇAS CLIMÁTICAS E O TERREMOTO NO MARROCOS 

Um destaque, segundo o próprio Cazarré, foram comentários reprovando essa nova gravidez por causa dos problemas ambientais criados pelas mudanças climáticas. Segundo foi possível entender, tem gente que acha um absurdo trazer uma nova vida ao mundo num momento tão crítico. 

Infelizmente, comentários estúpidos associando as mudanças climáticas aos mais diferentes males da humanidade não ficam restritos apenas a fãs anônimos de um artista. Tem gente “altamente gabaritada” falando besteira. 

Antes de qualquer coisa, é importante afirmar que não existe qualquer comprovação científica ou estudo que permita associar um terremoto às mudanças climáticas. Para falar o mínimo, uma fala dessas trata-se da mais pura ignorância. 

Como muitos dos leitores do blog devem saber, a superfície de nosso planeta é formada por grandes placas ou blocos de rocha chamados de placas tectônicas. No total são reconhecidas 55 placas tectônicas, sendo 15 placas principais e 40 placas menores ou sub placas. 

Falando de uma forma bastante simplificada, cada uma dessas placas ou sub placas podem ser imaginadas como se fossem uma jangada que flutua sobre o magma, uma massa de rocha liquefeita que forma o núcleo de nosso planeta. Essas placas e sub placas estão em contínuo movimento e é justamente o atrito entre as placas que provoca os terremotos. 

A Placa Sul-Americana, onde encontramos todos os países da América do Sul, lentamente começou a avançar rumo ao Leste, se afastamento pouco a pouco da África. A velocidade desse afastamento, que continua até os dias atuais, fica entre 3 e 5 cm por ano. Essa impressionante deriva dos continentes não tem nada a ver com o clima ou com mudanças climáticas. 

Marrocos fica no Norte da África, bem próximo do ponto de encontro entre a Placa Africana e a Placa Euroasiática – o atrito entre essas placas foi a causa provável do tremor. O terremoto de 6 graus na Escala Richter teve seu epicentro na cadeia de Montanhas Atlas a cerca de 70 km de Marrakech, uma importante cidade turística do Marrocos. Até o momento, as autoridades do país falam de 2.497 mortos e cerca de 2.500 feridos.  

A fala “sem pé nem cabeça” do nosso Presidente virou instantaneamente um dos memes mais visualizados nas redes sociais de todo o mundo, algo que é lamentável para todos nós brasileiros. 

Em tempos de mudanças climáticas e da necessidade de grandes lideranças políticas, é deprimente saber que temos um líder que fala uma besteira desse tamanho em um importante evento internacional. 

CULTIVO DO GRÃO-DE-BICO EM RESPOSTA ÀS MUDANÇAS CLIMÁTICAS NA EUROPA 

O grão-de-bico é uma leguminosa originária da região Sudeste da Turquia e do Norte da Síria, sendo um grão bastante comum na culinária árabe. O homus, uma pasta feita a partir do grão-de-bico, é um desses pratos. Mercadores espalharam a cultura do grão por todo o Norte da África e Ásia Central, chegando até a Índia. 

Na Europa, o grão-de-bico foi introduzido por conquistadores árabes na Península Ibérica e na Sicília. Com o passar do tempo, sua produção entrou em decadência, cedendo espaço para outras leguminosas como a ervilha e o feijão. A maior parte do grão-de-bico consumida no continente atualmente é importado. 

Apesar de não ser um dos grãos mais populares aqui no Brasil, o grão-de-bico é a quinta leguminosa mais cultivada do mundo, só ficando atrás da soja, do amendoim, do feijão e da ervilha. Sua produção aqui no país é pequena, sendo complementada por grãos importados do México, do Chile e da Turquia. 

O grão-de-bico é uma importante fonte de proteínas e minerais, como cálcio, magnésio, potássio e ferro. Também é rico em vitaminas do complexo B, tiamina (B1), vitamina B6 e ácido fólico (B9). A sua fibra é solúvel em água, o que contribui para a eliminação de gordura, colesterol e açúcar pelo nosso organismo. 

Uma característica dessa leguminosa que vem chamando a atenção de muitos produtores rurais na Europa nos últimos anos é a sua capacidade de crescer em solos secos e com baixos níveis de umidade, características importantes em um continente que sofre cada vez mais com ondas de calor e secas. 

Como acontece com a maioria das leguminosas, o grão-de-bico armazena nitrogênio em suas raízes, uma característica que torna a planta uma aliada de outras culturas que necessitam desse insumo. Aqui no Brasil, citando um exemplo, é muito comum que os agricultores plantem amendoim como uma cultura de rotação, justamente visando enriquecer o solo com nitrogênio. 

Como sempre acontece em culturas pioneiras, os agricultores que estão plantando o grão-de-bico estão reclamando dos baixos preços do grão no mercado europeu. Como existe pouca demanda, é muito mais barato importar o grão de países do Oriente Médio o do Norte da África. 

Com o avanço das mudanças climáticas e com a redução das chuvas em grande parte da Europa, a cultura poderá se transformar em uma importante fonte de proteínas e vitaminas para a população, ocupando os espaços de grãos como o feijão e a ervilha. Com o aumento da demanda os preços e os incentivos para os produtores deverão aumentar. 

Esse é apenas um exemplo de adaptação em um mundo com mudanças cada vez mais visíveis no seu clima e nas formas de produção e consumo de alimentos. 

MUDANÇAS CLIMÁTICAS, FOFOCAS DA TV E PARANÓIAS

Se existem áreas das chamadas “humanidades” onde meus conhecimentos são próximos do nível zero são aquelas ligadas a shows, músicas e entretenimentos em geral. Não sei nomes de artistas, de músicas ou quem é quem na programação das televisões. Os poucos artistas que arrisco dizer que conheço alguma coisa são aqueles da área do cinema. 

Essa semana fui surpreendido com uma notícia sobre o ator Juliano Cazarré, que até onde eu sei faz muito sucesso em novelas. Alguns funcionários da obra civil onde trabalho estavam ouvindo uma rádio que toca música sertaneja e ouvi de passagem uma notícia chocante sobre esse ator. 

Até onde entendi, ele e a esposa (vide foto) divulgaram que em breve vão “ganhar” outro filho, o tipo de notícia que, normalmente, é sinal de muita alegria. Entretanto, o ator anda bem chateado com inúmeras críticas que supostos “fãs” tem publicado nas redes sociais. 

Entre coisas absurdas, Cazarré comentou que muitas dessas críticas estavam associando o aumento do tamanho de sua família (parece que ele já tem outros filhos) a um momento em que o mundo está passando por mudanças climáticas. Muita gente está achando um absurdo “trazer uma nova vida a um mundo cheio de problemas climáticos”. 

Em primeiro lugar, meus melhores votos de felicidades ao casal Cazarré – que esse novo filho (ou filha) venha ao mundo com muita saúde e que traga muitas alegrias à sua família. Ter ou não ter filhos é, na minha opinião, uma decisão pessoal. Se existem condições financeiras para alimentar, abrigar e educar essa criança, que seja muito bem-vinda. 

Segundo: sempre que ouço coisas desse tipo fico de cabelos arrepiados devido à falta de conhecimento geral da nossa população. Blogs da área ambiental como Água, Vida & Cia se “esgoelam” de tanto falar nesse assunto, mas parece que a mensagem não consegue chegar aos “corações e mentes” das pessoas. 

Mudanças climáticas vem se sucedendo em nosso planeta desde a sua formação há mais de 4 bilhões de anos e, sempre que elas aconteceram, a história geológica e depois a vida biológica somente fizeram por evoluir e se adaptar às novas condições. 

Até uns vinte anos atrás, notícias que tratavam de mudanças climáticas eram tratadas como farsa. O Governo dos Estados Unidos, preocupado com os possíveis impactos econômicos, fazia de tudo para negar a existência de tais mudanças. 

De alguns anos para cá, principalmente após o surgimento da internet, essas notícias fugiram de qualquer controle centralizado e não há como negar que nosso mundo está passando por grandes mudanças climáticas. 

Nosso blog, é claro, não poderia deixar de repercutir tais notícias. Ultimamente, a maior parte de nossas postagens trata de temas ligados às mudanças climáticas. Apesar de toda essa repercussão, isso está longe de ser o fim do mundo. 

Por mais problemas que essas mudanças tragam para a nossa vida, de uma forma ou de outra teremos de seguir em frente. Infraestruturas terão de ser refeitas e/ou modernizadas; áreas de cultivo precisarão ser deslocadas para outras regiões; sistemas de irrigação precisarão ser instalados em áreas agrícolas que hoje não precisam de mais água. 

Mudanças nos padrões de chuva, seca ou de ondas de frio nos forçarão a mudar muitos dos nossos hábitos de vida. Apesar de todas essas mudanças, nossas vidas vão continuar a seguir em frente – paranoias como essa que se passou com o ator não levam a nada e não tem sentido. 

Nossa espécie já enfrentou inúmeras mudanças climáticas ao longo de sua história e, sem a menor margem de dúvida, sobrevivemos a todas elas por maiores que tenham sidos os custos. O que estamos vivendo atualmente será apenas “mais uma grande pedra” em nosso caminho! 

AS FORTES CHUVAS NO RIO GRANDE DO SUL, OU O EL NIÑO MOSTRANDO AS SUAS GARRAS 

Essa semana foi bastante complicada para os habitantes de extensas áreas do Rio Grande do Sul. A passagem de um ciclone extratropical provocou fortíssimas chuvas, ventos e queda de granizo, o que gerou inúmeros problemas. De acordo com informações do Governo do Estado, cidades como Passo Fundo, Água Santa, Ijuí e Vacaria receberam volumes de chuva da ordem de 200 mm em 72 horas – isso é muita chuva! 

No caso recente do Rio Grande do Sul, onde as chuvas estão associadas a um fenômeno climático de amplitude muito maior – um ciclone extratropical, as consequências das chuvas são ainda mais devastadoras como todos estamos testemunhando. 

Conforme já tratamos em postagens anteriores, os meteorologistas confirmaram a chegada de um forte El Niño no último mês de junho. Esse é um fenômeno climático que surge em função do aquecimento anormal de uma extensa faixa de águas na faixa equatorial do Oceano Pacífico e tem efeitos no clima de todo o mundo. 

Em média, as águas nessa faixa do oceano ficam 0,5º C mais quentes por um período entre seis meses e dois anos durante a duração do fenômeno. Apesar de parecer pouca coisa, esse aumento das temperaturas nas águas de uma faixa no Oceano Pacífico tem repercussões em todo o mundo. 

Em 2015, esse fenômeno prejudicou lavouras de cacau, chá e café em toda a Ásia e África. Também provocou uma forte seca no Sudeste Asiático, favorecendo o surgimento de vários incêndios florestais. Naquele ano também se observou o inverno mais quente já registrado nos Estados Unidos. 

Aqui na América do Sul, o surgimento do El Niño pode resultar em períodos de seca na região Centro-Norte e de maior umidade na região Sul, Na Argentina, o fenômeno tende a provocar chuvas mais intensas.  

E, preparem-se – segundo as previsões dos especialistas, esse El Niño será particularmente mais intenso que a média. 

MUDANÇAS CLIMÁTICAS ESTÃO POR TRÁS DO AUMENTO DOS PREÇOS DO AZEITE DE OLIVA 

De acordo com estimativas do FMI – Fundo Monetário Internacional, essa medida poderá provocar um aumento de até 15% no preço mundial do produto. Conforme comentamos na postagem, sempre que há uma redução na oferta de um produto seu preço sobe. 

Problemas climáticos estão provocando um fenômeno semelhante no mercado do azeite de oliva. Vários países estão tendo uma redução na produção de azeitonas, o que se reflete diretamente na produção do azeite de oliva. 

A região ao redor do Mar Mediterrâneo é, historicamente, uma grande produtora de azeite de oliva e exemplifica como nenhuma outra os problemas na sua produção. A Espanha, um dos grandes produtores dessa região, viu sua produção média dos últimos cinco anos cair de 1,3 milhão de toneladas para 620 mil toneladas em 2023. 

A razão para essa quebra na produção são as ondas de calor que se tornaram bastante frequentes no continente europeu nos últimos anos. De acordo com os produtores, as oliveiras precisam de tempo quente e seco para crescer, mas necessitam de temperaturas mais amenas para frutificar. 

Para se produzir um litro de azeite de oliva são necessários, em média, cinco quilos de azeitonas. Para algumas variedades de plantas podem ser necessários até 25 quilos de azeitonas para produzir apenas um litro de azeite. 

O preço médio do azeite de oliva virgem subiu cerca de 20% apenas em 2023. Se forem considerados os preços desde 2021, esse aumento chega aos 50%. Em países como o Brasil, onde a maior parte do azeite de oliva é importada de países europeus, os consumidores estão sentindo forte no bolso esse aumento nos preços. 

É provável que um efeito semelhante passe a ocorrer com as oliveiras – muitas regiões sem qualquer tradição poderão em breve se tornar grandes produtoras tanto de azeitonas como de azeite de oliva. O grande problema é que uma oliveira leva 5 anos para começar a produzir as primeiras azeitonas e até 35 anos para atingir o auge de sua produção. 

Ou seja – os apreciadores desse azeite vão precisar gastar bem mais do que gostariam ao longo dos próximos anos.  

ÍNDIA PROIBE AS EXPORTAÇÕES DE ARROZ E O PREÇO NO MERCADO MUNDIAL PODERÁ SUBIR ATÉ 15% 

Uma das leis de mercado mais infalíveis do mundo é a da oferta e procura – quanto um determinado produto é escasso, seu preço sobre. Quando há excesso de oferta, os preços caem. 

De acordo com estimativas do FMI – Fundo Monetário Internacional, esse movimento do Governo indiano poderá resultar em um aumento de até 15% do arroz no mercado mundial. 

De acordo com informações divulgadas pelos indianos, a produção de arroz no país sofreu uma forte quebra devido à seca em diversas regiões produtoras e levando ao aumento dos preços no mercado local. Com a medida, o Governo pretende inundar o mercado interno com arroz, forçando a baixa dos preços. 

País mais populoso do mundo, a Índia vem sofrendo nos últimos meses com uma forte inflação nos alimentos, que mais que dobrou no último mês. O item que mais subiu no país foram os vegetais, que registraram um aumento de 214%. 

E as proibições não devem parar por aí – fontes do Governo indiano afirmam que existem estudos para a proibição das exportações de açúcar. A Índia é o terceiro maior exportador mundial de açúcar, só ficando atrás do Brasil e da Tailândia. 

Outra frente de luta para conter o preço dos alimentos será o aumento das importações de trigo. O Governo está considerando a importação de 9 milhões de toneladas de trigo da Rússia, medida que vai aumentar os estoques do país e forçar uma estabilização da oferta no mercado indiano. 

Na Ásia, a temporada das Chuvas da Monção costumava acontecer entre os meses de abril e outubro. A regularidade dessas chuvas sempre foi fundamental para a agricultura de países com a Índia, Paquistão, Bangladesh, Myanmar e Tailândia, entre outros. 

Com o avanço das mudanças climáticas, essa temporada de chuvas está ficando cada vez mais irregular. Algumas regiões estão recebendo um volume de chuvas acima da média, enquanto outras regiões sofrem com a seca, como é justamente o caso das regiões produtoras de arroz da Índia. 

Lamentavelmente, esse é um problema que só deverá aumentar ao longo das próximas décadas… 

UMA PREVISÃO APOCALÍPTICA: MUDANÇAS CLIMÁTICAS PODERÃO MATAR 1 BILHÃO DE PESSOAS AO LONGO DO PRÓXIMO SÉCULO 

Quem trabalha na área de meio ambiente – especialmente com educação ambiental, está mais do que acostumado com a expressão “futuras gerações”. Esse conceito faz referência direta aos nossos filhos, netos e demais descendentes – são indivíduos que ainda não nasceram, mas, que vão receber uma “herança” ambiental complicada devido a todas as agressões ambientais feitas pela nossa geração. 

Um exemplo frequente nas postagens aqui do blog são as mudanças climáticas e o aquecimento global. Em muitos lugares do mundo esses problemas já estão complicando a vida de muita gente. Daqui 50 ou 100 anos, de acordo com as projeções, esses problemas serão consideravelmente maiores – a maior parte das pessoas que hoje estão vivas estará morta até lá. Em nosso lugar, serão essas novas gerações que enfrentarão todos esses problemas. 

Esse tipo de especulação, é claro, é bastante controversa e parte de alguns pressupostos. O principal deles é a “regra das mil toneladas”. Segundo esse conceito, a cada mil toneladas de carbono liberado na atmosfera, uma pessoa poderá morrer no futuro como uma consequência direta ou indireta. 

De acordo com a ONU – Organização das Nações Unidas, as mudanças climáticas já podem estar causando cerca de 13 milhões de mortes a cada ano. Outros especialistas dizem que somente as variações anormais nas temperaturas podem causar cerca de 5 milhões de mortes a cada ano. 

Entre as causas dessas mortes podemos citar as quebras nas safras agrícolas, secas, enchentes, elevação do nível dos oceanos e incêndios florestais, entre outras tragédias. Com as projeções do aumento das temperaturas nas próximas décadas, as catástrofes ambientais e as mortes tenderão a aumentar progressivamente. 

Pessoalmente, tenho restrições a esses exercícios de “futurologia”. Sempre cito o caso recente da pandemia da Covid-19. Muitos talvez se lembrem das projeções de vítimas globais que foram feitas por alguns “especialistas”. Um deles, brasileiro, afirmou que “os ‘caminhões do Exército’ teriam de sair às ruas para recolher os mortos”. Perdemos milhares de vítimas sim, mas, felizmente, as perdas ficaram muito abaixo do que essas pessoas afirmaram. 

Entre esses rios podemos citar o Ganges, o Indus e o Brahmaputra no Subcontinente Indiano; o Mekong no Sudeste Asiático; o Yang-Tsé (Rio Azul) e o Huang-Ho (Rio Amarelo) na China e os rios Amu Daria e Syr Daria na Ásia Central. As águas desses rios abastecem mais de 3 bilhões de pessoas – dá para imaginar fácil o tamanho da tragédia humana que a perda dessas águas poderá desencadear. 

Se não dá para confiar totalmente na cifra apresentada nesse estudo, podemos ao menos imaginar o tamanho do problema que as próximas gerações vão enfrentar.  

EXPEDIÇÃO CIENTÍFICA BRASILEIRA AO ÁRTICO QUASE NÃO “ENCONTRA” GELO

O arquipélago de Svalbard é um território ártico pertencente à Noruega. É banhado pelo oceano Glacial Ártico a Norte, pelo mar de Barents e pelo mar da Noruega a Leste, além do mar da Groenlândia a Oeste. A área do arquipélago é de pouco mais de 60 mil km². 

O Svalbard fica a cerca de 1.200 km do Polo Norte, sendo considerado o território permanentemente habitado mais ao Norte do planeta. No total, a população dessas ilhas é de aproximadamente 2.600 habitantes, que se dedicam em sua maior parte à mineração do carvão. O turismo é outra atividade importante nessas ilhas. 

Por sua proximidade com o Ártico e pela facilidade de acesso tanto por mar quanto por via aérea, esse arquipélago é tradicionalmente visitado por pesquisadores, que ali sempre encontraram condições climáticas polares. Infelizmente, um grupo de pesquisadores brasileiros não teve essa sorte em uma visita recente e praticamente não encontrou neve por lá 

Essa expedição, a primeira expedição científica brasileira ao Ártico, contava com pesquisadores da UNB – Universidade de Brasília, da UFMG – Universidade Federal de Minas Gerais e também da Universidade Católica de Brasília. Entre as especialidades do grupo destacam-se o estudo de vegetais, fungos e biologia molecular. 

O principal objetivo do grupo era investigar as conexões de longa distância entre a biodiversidade do Ártico e da Antártida, região onde o Brasil mantém uma base científica há quase 40 anos. 

De acordo com os relatos, as altas temperaturas no arquipélago derreteram a maior parte da cobertura de gelo, ficando confinada apenas a geleiras nas montanhas mais altas. Em parte considerável de sua estadia no Ártico, os pesquisadores usaram apenas roupas leves. De acordo com os moradores locais, essas condições climáticas estão se tornando cada vez mais comuns no Svalbard. 

Além da redução na precipitação de neve, o Svalbard também está assistindo a uma redução gradual de suas geleiras, um problema recorrente em diversas partes do mundo. Algumas geleiras locais estão recuando a uma média de 10 metros por ano. 

Diante de toda essa frustração, os pesquisadores agora planejam voltar em fevereiro, mês que marca o final do inverno e que garantiria a presença de neve nas ilhas e também a presença de luz solar – é importante lembrar que o inverno no Ártico é marcado pela pouca luz solar. 

O que acontecendo no Svalbard, desgraçadamente, está se repetindo em grande patre do Ártico. 

US$ 7 TRILHÕES EM SUBSÍDIOS PARA OS COMBUSTÍVEIS FÓSSEIS EM 2022

Um dos grandes “segredos de Polichinelo” de nossos dias é que a queima de combustíveis fósseis como os derivados de petróleo e o carvão mineral respondem por uma parte substancial das emissões de GEE – Gases de Efeito Estufa, os principais responsáveis pelas mudanças climáticas. 

Aparentemente, as principais economias do mundo parecem não conhecer esse segredo… 

De acordo com um estudo feito pelo FMI – Fundo Monetário Internacional, os subsídios dados pelos países para o consumo de combustíveis fósseis atingiram o valor recorde de U$ 7 trilhões em 2022. Isso representou um aumento de US$ 2 trilhões em relação aos dois anos anteriores. 

De acordo com esse estudo, esses subsídios consumiram cerca de 7% do PIB – Produto Interno Bruto, global. Entre os destaques são citados os países da Comunidade Europeia, fortemente atingidos pela crise no fornecimento de gás da Rússia em 2022, logo após o início do conflito na Ucrânia. 

Só para relembrar, os países da Comunidade Europeia impuseram uma série de embargos econômicos e comerciais a Rússia, que em resposta passou a reduzir sistematicamente o fornecimento de gás natural para os países europeus. Um dos casos mais dramáticos foi o da Alemanha, país que comprava mais de 60% do gás que consumia da Rússia. 

Ao longo de várias décadas os países europeus investiram pesado no gás natural como fonte de energia, especialmente para uso em centrais termelétricas geradoras de energia elétrica, além de usos diversos em indústrias. A interrupção repentina no fornecimento do gás pegou a maioria desses países de “calças curtas”. 

Para não verem suas respectivas economias entrando em colapso, os Governos locais passaram a subsidiar as importações de GNL – gás natural liquefeito, de países como os Estados Unidos, além permitir (e também subsidiar) o uso crescente de fontes convencionais como os derivados de petróleo e o carvão. 

Esse trágico recorde acontece em um momento em que a maioria desses mesmos países está sofrendo com ondas de calor e secas originadas pelo aumento das temperaturas globais. Muitos dos líderes desses países costumam apontar o dedo para o Brasil e falar que as grandes “queimadas” da Amazônia é que são as principais responsáveis pela crise climática global. 

Pois é – a verdade sempre dá um jeito de aparecer… 

BRASIL FOI ELEITO O MELHOR PAÍS PARA ECOTURISMO NO MUNDO

Nem sempre as postagens aqui do blog falam apenas de problemas e tragédias ambientais – de quando em vez trazemos ótimas notícias.

A Forbes, uma das mais tradicionais revistas de negócios e economia dos Estados Unidos, criou um índice para que seus leitores avaliassem os melhores países do mundo para a realização de ecoturismo. O Brasil ficou em primeiro lugar, alcançando 94,9 pontos em uma escala de 0 a 100.

O segundo lugar ficou com o México, que obteve 86 pontos, seguido por Austrália, com 84 pontos, Equador, com 82 pontos, e a Costa Rica com 81 pontos. Segundo a avaliação da revista, o principal diferencial do Brasil é a sua grande biodiversidade.

De acordo com a Forbes, “o Brasil é o país com maior biodiversidade de todos os destinos que pesquisamos, com mais de 43 mil espécies de animais e plantas diversas. Atualmente, cerca de 30% do território brasileiro está protegido. Isso inclui oito locais do Patrimônio Mundial Natural da UNESCO”.

Entre os critérios adotados para a votação foram incluídas a segurança dos turistas; o número de espécies animais como répteis, anfíbios, mamíferos, aves, peixes e espécies de plantas; número de espécies protegidas; áreas protegidas; número de Patrimônios Mundiais Naturais da UNESCO – Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura; qualidade do ar e a proteção dos solos e das espécies; emissões de CO2 em toneladas per capita e biodiversidade por km².

É interessante notar que o país que foi avaliado e colocado na primeira posição pelos leitores da Forbes está bem distante da imagem que normalmente é associada ao Brasil – o grande queimador e destruidor da Floresta Amazônica e de outros biomas para liberar espaço para a agricultura e a pecuária, entre outros problemas.

Esperemos que essa votação possa resultar em um número cada vez maior de visitantes estrangeiros sedentos por admirar as nossas belezas naturais – de quebra, essa gente vai gerar recursos e renda para muita gente em todos os cantos do país.

Melhor ainda – esses visitantes vão voltar para suas casas com muitas boas histórias para contar!