UMA OSCILAÇÃO NO MAGNETISMO DO PLANETA, MUDANÇAS CLIMÁTICAS E A EXTINÇÃO DOS HOMENS DE NEANDERTAL: UMA HIPÓTESE 

Um estudo realizado por cientistas de diversos países apresentou uma hipótese bastante interessante: uma grande oscilação no campo magnético de nosso planeta há cerca de 42 mil anos atrás desencadeou uma grande catástrofe ambiental. Isso resultou numa grande expansão do manto de gelo na América do Norte e na Europa, na extinção da megafauna da Austrália e também contribuiu para o desaparecimento dos homens de Neandertal, nossos desaparecidos “primos”. 

Vivemos em tempos de mudanças climáticas e de aquecimento global, tragédias que foram criadas pelas ações dos seres humanos. Essa crise ambiental está levando à extinção de diversas espécies animais e vegetais, não sendo nada difícil imaginar que nossa espécie, o Homo Sapiens, também poderia seguir um caminho semelhante e desaparecer para sempre como ocorreu com os Neandertais

Em primeiro lugar, é importante ressaltar que se trata de uma hipótese, que nada mais é que uma “suposição, especulação ou formulação provisória, com intenções de ser posteriormente demonstrada ou verificada”. Os filósofos da antiguidade lançavam primeiro uma hipótese, que era debatida entre um grupo favorável à ideia – a tese, e um grupo contrário – a antítese. Dessas discussões surgia a síntese, uma proposta final que fundia ideias de ambos os grupos, passando a admitir que aquele conhecimento seria uma “verdade”. 

A metodologia científica moderna aperfeiçoou muito esses antigos conceitos. Hipóteses precisam ser demonstradas e comprovadas cientificamente, permitindo sempre o contraditório de outros pesquisadores e cientistas. Um experimento, por exemplo, precisa ser repetido em laboratório com a mesma metodologia por outros cientistas para ser confirmado. Somente depois de esgotadas todas as discussões, com prós e contras, é que se passa a admitir a ideia como um novo conhecimento científico.  

Um exemplo muito atual que podemos citar são os estudos sobre a Covid-19 e o desenvolvimento de vacinas e tratamentos. É possível observar claramente a diferença de opiniões entre os diversos grupos científicos, numa demonstração didática de como as coisas funcionam no campo das ciências. Vamos passar aos fatos dessa notícia:

Nosso planeta, como muitos já devem saber, possui um campo magnético que se estende desde as profundezas da terra até o espaço. Falando de uma forma bem simplificada, nosso planeta é um grande imã, com suas extremidades – Polo Norte e Polo Sul, apresentando diferentes polaridades magnéticas. É esse campo magnético que faz com que o ponteiro de uma bússola, importante instrumento de navegação, aponte sempre para o Norte magnético do planeta (existe sempre uma pequena diferença entre o Norte magnético e o Norte geográfico).

O magnetismo do nosso planeta é gerado a partir de correntes elétricas no núcleo da Terra criadas pelo movimento das correntes de convecção. O núcleo do nosso planeta é formado por grandes massas de ferro e níquel, parte em estado sólido e parte em estado líquido. Essas grandes massas metálicas estão em movimento contínuo, um processo natural chamado geodinamismo, o que gera correntes elétricas e essas, por sua vez, criam o campo magnético terrestre. 

O campo magnético terrestre forma uma barreira natural contra o chamado vento solar, um fluxo constante de partículas carregadas eletricamente que emanam do Sol. Caso consigam vencer essa barreira e entrar na atmosfera, essas partículas podem destruir a camada de ozônio, um manto de gases que filtra os raios ultravioletas do sol e protege a superfície do planeta. 

Pois bem – esses pesquisadores identificaram uma grande alteração no magnetismo terrestre ocorrida há 42 mil anos atrás. De acordo com os cálculos feitos, o campo magnético da Terra foi reduzido a cerca de 1/10 de seu nível energético por um longo período. Sem a proteção do magnetismo, a camada de ozônio foi praticamente destruída e a superfície do planeta passou a ser bombardeada com intensos níveis de radiação ultravioleta. 

Fortíssimas tempestades elétricas passaram a varrer as regiões tropicais e provocaram grandes incêndios florestais. As Auroras – boreais e austrais, grandes fenômenos de luzes na atmosfera e que são provocadas pelo magnetismo terrestre nas regiões polares, passaram a ser vistas por todo o planeta. Os mantos de gelo e as geleiras aumentaram drasticamente – especialmente no Hemisfério Norte, levando uma infinidade de espécies animais e vegetais à extinção. 

Uma das prováveis vítimas desse intenso período de mudanças climáticas foram os homens de Neandertal (Homo neandethalensis), espécie que é considerada “prima” dos seres humanos modernos (Homo sapiens). Os Neandertais surgiram há cerca de 400 mil anos atrás, sendo descendentes dos primeiros seres “humanos” que saíram da África em direção ao Oriente Médio, Ásia e Europa. A nossa espécie fez essa mesma migração, porém, centenas de milhares de anos mais tarde. 

Apesar de apresentaram algumas diferenças físicas, seres humanos modernos e Neandertais não são tão diferentes na genética (vide imagem). Aliás, europeus e povos da maior parte da Ásia possuem em seu genoma algo entre 2% e 5% de genes dos Neandertais. Isso comprova o inter-relacionamento que existiu entre as duas espécies. 

Um dos grandes enigmas da ciência é o de tentar achar uma explicação para o súbito desaparecimento do Neandertais da face da Terra, o que ocorreu entre 27 e 32 mil anos atrás. Existem diversas hipóteses, porém, nada foi comprovado. 

Esse novo estudo abre todo um novo conjunto de possibilidades para se explicar esse evento. O aumento da radiação ultravioleta pode ter destruído populações de plantas e animais que eram utilizados na alimentação dos Neandertais. Ou ainda – esse grupo humano, talvez por pré-disponibilidade genética, fosse intolerante ao excesso de radiação ultravioleta, desenvolvendo inúmeras doenças. 

Nossos ancestrais, Homo sapiens, também teriam enfrentado os mesmos problemas ambientais, porém, graças a um melhor desenvolvimento cultural e tecnológico, conseguiram sobreviver. Com armas mais eficientes, por exemplo, nossa espécie conseguia abater os poucos animais disponíveis para a caça. 

Outra possibilidade interessante – muitas tribos primitivas tinham (e muitas ainda tem) o hábito de pintar o corpo. Exemplos são os celtas que viviam nas ilhas Britânicas e que até o tempo da invasão romana em 43 a.C. tinham o hábito de pintar todo o corpo com um pigmento azul. Na Amazônia existem até hoje tribos indígenas que pintam o corpo com urucum e jenipapo. Essa pintura corporal pode ter funcionado como uma espécie de filtro solar primitivo. 

Esse período histórico também marca uma explosão no número de pinturas feitas em paredes de cavernas. Isso pode indicar uma mudança no hábito de vida das populações, que passaram a morar cada vez mais no interior das cavernas, ficando mais protegidas da forte radiação solar. 

Vejam que são inúmeras possibilidades e especulações que surgem, que poderão ser confirmadas ou não por novos estudos científicos. Para se fazer boa ciência é fundamental que se façam as perguntas certas e que se encontrem respostas adequadas. Isso até pode parecer óbvio, mas, em tempos de patrulhamento ideológico, as coisas ficaram um pouco mais difíceis para muitos pesquisadores científicos. 

Por partilharmos algumas características genéticas com nossos parentes distantes, os Neandertais, nós humanos modernos herdamos muitas de suas qualidades e também muitas de suas fraquezas. Os Neandertais sobreviveram por cerca de 400 mil anos, vivendo em condições climáticas extremas – isso é uma prova de sua força. Quais seriam então as fraquezas que os levaram à extinção? 

Se essas poderosas criaturas foram extintas por catástrofes climáticas, o que será de nós, um bando de “humanos modernos fracotes”? Estudar melhor e entender plenamente essas questões poderá ser fundamental para a nossa sobrevivência como espécie. Como é costume se afirmar, é importante conhecer o passado para entender melhor o presente e assim tentar antecipar o futuro. 

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