E AS CHUVAS ESTÃO COMEÇANDO A CAIR NO BRASIL 

Depois de uma longa estiagem, as tão esperadas chuvas paulatinamente estão voltando a cair em diversos pontos da Região Centro-Sul do país. A distribuição das chuvas ainda é bastante irregular e os volumes ainda estão muito abaixo das necessidades de muitas regiões, mas é um momento de esperanças renovadas para muita gente. 

Confirmando as previsões dos institutos de meteorologia, o feriado prolongado deste dia 12 de outubro – Dia da Padroeira do Brasil, foi bastante chuvoso em diversas cidades. Em Santa Catarina, por exemplo, chuvas intensas provocaram grandes transtornos na Grande Florianópolis, no Sul e no Oeste do Estado. Foram registrados deslizamentos de terra, destelhamentos e alagamentos em várias regiões. 

O rio Cubatão, que atravessa vários municípios da Grande Florianópolis, sofreu um forte aumento na vazão e transbordou em vários pontos. Na região de Brusque, os problemas foram criados pelo rio Itajaí-Açu. Nesta época do ano, o rio costuma ter uma profundidade média de 1 metro na região, porém, chegou a registrar 5,58 metros após as fortes chuvas. 

Nos últimos cinco dias, a Região Sudeste foi a que registrou os maiores volumes de chuva, com os volumes mais expressivos em Minas Gerais, Rio de Janeiro e Espírito Santo. Algumas dessas áreas chegaram a registrar um volume acumulado acima dos 60 mm. 

Na Região Centro-Oeste, onde muitas áreas estavam enfrentando uma forte seca, foram registrados volumes acumulados entre 20 e 30 mm. Na região do MATOPIBA, que engloba trechos dos Estados do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia, as chuvas também começam a voltar. De acordo com informações do Inmet – Instituto Nacional de Meteorologia, essa região apresentou chuvas irregulares com valores acumulados de até 20 mm. 

Na Região Sul, onde já começou o plantio de vários grãos, os maiores acumulados nos últimos dias estão na região Centro-Oeste do Rio Grande do Sul, com volumes entre 30 e 40 mm. Em Santa Catarina e no Paraná, os volumes de chuva acumulados nos últimos dias se situam entre 20 e 30 mm. 

Em grandes áreas do Brasil Central, que está enfrentando a maior seca dos últimos 91 anos, a chegada das chuvas é motivo de alívio e de muita comemoração. Existem dúvidas sobre o volume total de chuvas que cairá nos próximos meses na região e se essas águas serão suficientes para recompor os níveis de grandes reservatórios de usinas hidrelétricas.  

Uma das regiões que mais sofre com a forte seca é a bacia hidrográfica do Alto Rio Paraná, inserida nos Estados de Goiás, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, São Paulo e Paraná. Importantes afluentes dessa bacia hidrográfica como os rios Paranaíba, Grande, Tietê, Paranapanema e Iguaçu, tem apresentado vazões bem abaixo da média histórica. Um sintoma desses baixos volumes de água podia ser visto claramente nas Cataratas do Iguaçu – nas últimas semanas, com a volta das chuvas na Região Sul, os volumes já aumentaram consideravelmente. 

As ameaças à geração de energia elétrica no país figuram entre as maiores preocupações dos brasileiros. Cerca de 2/3 de toda a energia elétrica consumida no país provém de fontes hidráulicas, o que coloca o Brasil numa posição de destaque em energia renovável no mundo. Mudanças climáticas globais, um tema constante nas publicações aqui do blog, podem estar alterando significativamente a distribuição das massas de chuva no país e afetando a geração hidrelétrica

Desde o final de maio, quando o Governo Federal emitiu um alerta de emergência hídrica em cinco Estados do país, diversas medidas para economia de água nos grandes reservatórios de usinas hidrelétricas vêm sendo tomadas. Um destaque é o acionamento gradual de usinas de geração termelétrica a gás, a carvão, a óleo e também a partir da queima de biomassa. 

De acordo com a ANEEL – Agencia Nacional de Energia Elétrica, o Brasil possui 3.168 centrais termelétricas, com uma potência outorgada de 51.797.907,79 kW e potência fiscalizada de 43,003.675,89 kW. Desse total, 41 empreendimentos ainda se encontram na fase de projeto e outros 67 estão em construção. Cerca de 65% dessas centrais termelétricas são movidas a partir da queima de combustíveis fósseis e 35% por queima de biomassa.   

Essa grande quantidade de centrais termelétricas foi uma consequência direta do grande “apagão de 2001″. Para quem não conhece a expressão, ela foi o resultado de uma grande crise de geração de energia de energia elétrica há época. Essa crise foi o resultado da soma de falta de chuvas e também de um planejamento inadequado do Sistema Elétrico Brasileiro. Após a crise, o Governo Federal incentivou a formação de uma grande rede de centrais termelétricas para acionamento em momentos de emergência. 

Apesar da relativa segurança oferecida por esse sistema, o custo dessa geração é bem maior do que nas centrais hidrelétricas e as contas dos consumidores passam a pagar uma taxa adicional, as chamadas bandeiras. Até o momento existem a bandeira amarela e a vermelha

A decretação da bandeira amarela sinaliza um acréscimo de R$ 1,874 na conta do consumidor a cada 100 kW/hora consumido. A bandeira vermelha é dividida em dois níveis – no primeiro, o acréscimo é de R$ 3,971 a cada 100 kW/hora consumido; no segundo patamar, esse acréscimo é de R$ 9,492.  

Em função da grave crise hídrica, está sendo estudada a criação de uma nova bandeira – a de “Escassez Hídrica”. No caso de decretação dessa bandeira, o valor da tarifa extra seria da ordem de R$ 14,20 para cada 100 kW/hora consumido, um grande desestímulo ao consumo exagerado de energia elétrica. 

A chegada gradual das chuvas a grande parte do território do país poderá até não conseguir resolver todos os nossos problemas, principalmente o de geração de energia elétrica, mas já mexe com os humores e com a esperança de todos nós.  

Então, que sejam bem-vindas as chuvas! 

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